Mostrar mensagens com a etiqueta Listas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Listas. Mostrar todas as mensagens

20 de julho de 2008

Arrumar a casa - Ponto de situação.

Após a votação levada a cabo neste espaço, sobre quais os melhores filmes estreados nas salas nacionais no primeiro semestre do ano, eis que podemos constatar a avassaladora supremacia da obra-prima de Paul Thomas Anderson. Com quase o dobro dos pontos de Este País Não É Para Velhos, Haverá Sangue assume-se como um forte candidato a figurar no topo da lista completa, lá mais para o final de 2008. Como medalha de bronze, e com os mesmos votos do melhor filme de 2007 para a Academia de Hollywood, surge Into the Wild. Na quarta posição, o demente Sweeney Todd. A fechar o quinteto, a graciosa Juno.

1 - Haverá Sangue (Paul Thomas Anderson, 2007).

2 - Este País Não É Para Velhos (Ethan e Joel Coen, 2007).

3 - O Lado Selvagem (Sean Penn, 2007).

4 - Sweeney Todd (Tim Burton, 2007).

5 - Juno (Jason Reitman, 2007).

Veremos, então, o que nos traz a segunda parte.

2 de julho de 2008

Ponto da situação.

O mais certo é logo à noite surgirem novos textos. No entanto, amanhã de manhã, este estará novamente no topo. E, muito provavelmente, assim será até ao final da semana. Isto porque pretende-se levar esta votação mais a sério. A tradição do top 10, essa, cumpre-se lá mais para o final do ano. No entanto, seis meses já passaram, e metade do ano cinematográfico já ficou para trás. O desafio colocado neste post é tão-somente o de elaborar a lista dos cinco melhores filmes que estrearam até dia 30 de Junho em Portugal. Portanto, metade dos dez que encontraremos em Dezembro. Será curioso ver daqui a seis meses quantos destes cinco é que permanecerão nessa lista, e perceber qual das metades é a mais forte. Os títulos que chegaram a Portugal desde 01 de Janeiro podem ser encontrados aqui. Dando o mote, e lançando a discussão, aqui ficam as escolhas de Alvy Singer:

1 – O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007),
2 – Vista Pela Última Vez (Ben Affleck, 2007),
3 – Haverá Sangue (Paul Thomas Anderson, 2007),
4 – Juno (Jason Reitman, 2007),
5 – Lars e o Verdadeiro Amor (Craig Gillespie, 2007).

1 de julho de 2008

Suplentes.

Ontem, com a chegada do teaser trailer de Quantum of Solace, foi inevitável não deixar de pensar na lista dos mais aguardados para este ano e, como o forte condicionamento do potencial para os prémios da Academia acabou por ditar que alguns títulos de peso ficassem de fora. Ou por serem demasiado mainstream, ou por serem exactamente o oposto. Vai daí, e num exercício de amalgamento sem precedentes, aqui fica uma lista comprimida dos que, por um triz, não foram eleitos. Os habituais didn´t make the cut.

A começar pelo toda-a-gente-espera-por-isto-há-mais-de-um-ano The Dark Knight (Christopher Nolan), passando pelo regresso de Bond em Quantum of Solace (Marc Forster), pelo indie Choke (Clark Gregg), pelo documentário American Teen (Nannete Burstein), pelo inferno de Hellboy II: The Golden Army (Guillermo Del Toro), pelo musical Mamma Mia! (Phyllida Lloyd), pelo aclamado em Sundance Hamlet 2 (Andrew Fleming), pelo novo de Neil LaBute Lakeview Terrace, por Youth in Revolt e Nick and Norah’s Infinite Playlist (só porque têm Michael Cera), pelo regresso de Barry Levinson com De Niro em What Just Happened, pela tripleta Rachel Weisz, Adrien Brody e Mark Ruffalo em The Brothers Bloom (Rian Johnson), pelo W. de Stone, pelo guia de Kevin Smith em Zack and Miri Make a Porno, até chegarmos ao imaginário de The Spirit (Frank Miller).

E, não é que depois deste compêndio, ainda se fazia outro? Ficávamos aqui o dia todo nisto.

29 de junho de 2008

1 - The Changeling.

Depois de vinte e quatro filmes, chegamos finalmente ao número um. Aquele que, em meados de Junho, é o mais aguardado do ano por estes lados. Quando nos lançamos numa lista como esta, procuramos sempre passar a ideia de que isto é uma coisa linear, e não há volta a dar. No entanto, não é bem assim. Há momentos, por exemplo, em que aguardo com maior ansiedade por The Soloist do que Doubt. Ou, por Happy-Go-Lucky do que Seven Pounds. No entanto, na grande maioria dos dias acordo com mais disposição para ver Revolutionary Road do que Milk. E, com o passar do tempo, esta ordem vai ganhando consistência. Hoje, apesar de algumas hesitações que não podemos evitar, The Changeling é mesmo o título mais antecipado do ano.

Porque é realizado por Clint Eastwood, que faz acompanhar da sua equipa ganhadora. Porque tem Angelina Jolie e John Malkovich. Porque é produzido por Brian Grazer e Ron Howard. E, porque tem sido elogiado por onde tem passado, como aconteceu, por exemplo, em Cannes. Sobre ele, já se disse:

A dozen filmmakers could have taken a dozen different approaches to the same material -- sensationalistic, melodramatic, expose-minded, a kid's or killer's p.o.v., and so on. Perhaps the best way to describe Eastwood's approach is that he's extremely attentive -- to the central elements of the story, to be sure (with its echoes of A Perfect World), but also to the fluidity between the private and the public, the arbitrariness of life and death, the distinct ways different people view the same thing, the destructive behavior of some adults toward children and the quality of life in California around the time he was born”. – Variety;

Regarding the other elements of the film, J. Michael Straczynski’s script is first-rate; he's an excellent storyteller, and does a solid job of translating true events into a dramatic story. There's no jarring wooden dialog here, no overt exposition; Straczynski knows how to show rather than tell, and the powerful script does much to carry the film. As with most of Eastwood's films, it's artfully shot and directed and very pretty to look at. Eastwood wrote the music for the film as well, and you could practically imagine the orchestra at the Oscars playing it in January; the film telegraphs "Oscar nominations" for Jolie and Eastwood, at the least, but of course, we'll have to wait and see how the rest of the year pans out”. – Cinematical;

Changeling is an epic, fact-based story — depicting sadistic, systematic corruption in the municipal government, the police department and the medical establishment of 1920s Los Angeles — that has the novelty of being virtually unknown today. The script, by TV writer-producer J. Michael Straczynski (Babylon 5, Jeremiah), juggles elements of L.A. Confidential, The Black Dahlia, The Snake Pit and any number of serial-killer thrillers. But at its center are the heartache and heroic resolve of a woman who has lost the one person she loves most and is determined to find him, dead or alive, against all obstacles the authorities place in her way. In that sense the movie is a companion piece to last year's Cannes entry A Mighty Heart, in which Jolie played the wife of kidnapped journalist Daniel Pearl — except that Changeling is far more taut, twisty and compelling”. – Time.

No filme, Jolie interpreta uma mulher que vê o seu filho ser raptado e, posteriormente, devolvido. No entanto, ela duvida que a criança que lhe foi entregue seja o seu verdadeiro filho, levando-a a confrontações directas com a polícia de Los Angels, que não acredita nas convicções da mãe. Diga-se que a história, passada nos anos 20, é baseada em factos reais. A ver vamos, se este será mais um triunfo para Clint Eastwood. Provocações à parte, este ano a Academia não deverá ter carreiras para homenagear. Aqui fica o primeiro clip conhecido da obra. O filme tem estreia marcada para o final do ano, como se pede a qualquer firme candidato aos Oscares.

Filmes de Verão - Os Homens Preferem As Loiras.

Depois de A Praia (2000) e Cocktail (1988), optamos por abordar outros aspectos que não o sol e praias paradisíacas, nesta secção dos filmes de Verão. Quer dizer, o sol mantém-se e as praias paradisíacas dão lugar às piscinas do cruzeiro. De resto, é o mesmo relaxamento de sempre. Com a aliciante de uma viagem. Sim, porque em Os Homens Preferem As Loiras (Howard Hawks, 1953) há um navio que tem Paris como destino. O que confere ainda mais à película o estatuto de aliada da procrastinação. A dificuldade passará por estabelecer uma analogia com as motivações de Dorothy Shaw (Jane Russell) e Lorelei Lee (Marylin Monroe). É que, por muito que queiramos fazer um cruzeiro, dificilmente o será para caçar um milionário. No entanto, cada um saberá de si. No caso de Dorothy e Lorelei, estas são apenas duas raparigas de Little Rock, à procura da sorte grande, que é como quem diz, a ver se molham a sopa, que é como quem diz, a ver se apanham um qualquer paspalho com dinheiro a mais, incapaz de resistir aos seus encantos. O facto de cantarem no espectáculo da noite é a desculpa perfeita para estarem ali. Ao fim do dia, o trabalho recompensado monetariamente. Durante o dia, o trabalho que esperam vir a ser recompensado no futuro.

Este não será o mais típico filme da estação quente. Contudo, para quem está a pensar fazer um cruzeiro, sobretudo se for sozinho, este é um óptimo manual de sobrevivência. Pelo menos, de alerta às possíveis maroscas a bordo. Ao mesmo tempo, não deixa de ser um valente pontapé na monotonia do quotidiano, e um aliciante convite ao descanso. Ainda por cima, com Paris como ponto de exclamação. Paris, e a óbvia constatação de quem são os melhores amigos das mulheres. Também aqui entra o estigma do Verão. Facilmente diamantes podem ser sinónimo de 13º mês. Mas, isso são contas para outros rosários.

28 de junho de 2008

2 - Revolutionary Road.

Quando Beleza Americana estreou no inicio de Outubro de 1999 nos Estados Unidos, Sam Mendes não passava de um ilustre desconhecido. Seis meses depois, na noite da consagração nos Oscares, o director de fotografia Conrad L. Hall dirigiu-se a ele como o novo Orson Welles. Um paralelismo desmedido, mas que, até certo ponto, não deixava de ser a verbalização do pensamento de muitos. Ali estava o american dream, palpável, diante dos nossos olhos. Um encenador londrino, estreante nas andanças de Hollywood, a realizar o melhor filme do ano. Naqueles dias, um jovem cineasta de 34 anos com um futuro auspicioso à sua frente. Hoje, um não tão jovem cineasta de 42 anos com um futuro talvez menos brilhante à sua frente. Por esta altura, se calhar já se esperava, pelo menos, mais uma nomeação no currículo. No entanto, Caminho Para A Perdição (2002) e Máquina Zero (2005) não foram os sucessos estrondosos que se esperavam. Talvez por isso, Revolutionary Road não esteja ainda nas bocas do mundo. O que é um bom sinal.

Baseado no aclamado romance de Richard Yates, Revolutionary Road conta-nos a história de April (Kate Winslet) e Frank Wheeler (Leonardo DiCaprio), um casal jovem e próspero, a viver num subúrbio de Connecticut, com os seus dois filhos, na década de 50. A máscara de sucesso deste casamento esconde a frustração de ambos, quer na relação que mantém, quer nas suas carreiras profissionais. Frank tem um bom ordenado, mas num emprego que está longe de satisfazer a sua realização pessoal, enquanto April, uma doméstica dedicada, lamenta o sonho perdido de se tornar actriz. Determinados a provar que não são mais um casal infeliz dos subúrbios, decidem sair do país, e rumar a França, onde esperam conseguir desenvolver tudo aquilo que perto de casa parecia impossível.

Para além do livro que serve de base, e do realizador aos comandos, o facto de estarmos perante o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet também tem muito que se lhe diga. Secretamente, se calhar até mesmo partilhado por aqueles que não foram muito à bola com Titanic (1997), existe um desejo colectivo com mais de uma década, que passa por rever esta parelha no grande ecrã. Algum dia havia de ser. Está para breve.

Por enquanto, ainda não existe trailer. Somente meras fotografias. Poucos dados foram ainda revelados. Talvez o mais importante, e que nos diz mais sobre o projecto, seja o de a MPAA classificar o filme para maiores de 18, devido ao habitual language and some sexual content/nudity. Como candidato assumido aos Oscares, o filme tem estreia marcada para finais de Dezembro. Depois deste, só fica a faltar um.

25 de junho de 2008

3 - Frost/Nixon.

Chegados que estamos pódio, apercebemo-nos da tremenda dificuldade que foi escolher os trinta filmes mais aguardados do ano, e ainda partir para uma ordenação que tem por base a gradação de ansiedade. Fosse isto um processo aleatório, e talvez se poupasse um cabelo branco ou outro. Mas, não. Assim tem mais piada. Até porque o exteriorizar estas expectativas acaba por ter um efeito terapêutico. Guardar toda esta ânsia não deve fazer bem à saúde.

Posto isto, na terceira posição, encontramos um título como nenhum outro. Até agora, todas as expectativas em torno das obras tinham um cariz positivo. Nesta, não é bem assim. Para além de estarmos em pulgas para saber se o filme é realmente bom, existe também uma certa curiosidade em saber se isto não dará para o torto. Porque o Yin não existe sem o Yang, isto até poderá parecer conversa da treta. No entanto, indo directamente ao cerne da questão, algo nos diz que este poderá ser o grande flop na corrida aos galardões. Suposições que não passam de um tiro no escuro. Contudo, todos os anos têm o seu Dreamgirls. Este ano, porque Ron Howard está aos comandos de Frost/Nixon, apostamos neste projecto. Porém, se a História se repetir, como parece seu apanágio, Howard, como bom aluno, seguirá os cânones da Academia, e realizará um filme feito à medida da consagração no Kodak Theater. Baseado na peça sobre as entrevistas do jornalista britânico David Frost ao ex-presidente norte-americano Richard Nixon, Frost/Nixon aparenta ter todos os elementos necessários para um regresso em grande do cineasta. Peter Morgan (A Rainha), que também escreveu a peça, ficou encarregue da adaptação do argumento. Do elenco notável, fazem parte Kevin Bacon, Sam Rockwell, Rebecca Hall, Matthew Macfadyen, e Michael Sheen. Porém, será a interpretação de Frank Langella, vencedor do Tony Award de Melhor Actor de 2007, como Richard Nixon, aquela que mais impacto terá. Se pensarmos que Martin Scorsese, Mike Nichols, George Clooney, Sam Mendes e Bennett Miller estiveram, a determinada altura, interessados neste trabalho, é porque o ponto de partida já devia ter qualquer coisa de entusiasmante.

24 de junho de 2008

4 - The Curious Case of Benjamin Button.

Por esta altura do campeonato, já quase tudo o que havia a dizer sobre The Curious Case of Benjamin Button, foi dito. Inclusive sobre o trailer (agora disponível também no site da Apple), que já está cá fora. Assim, quando Junho ainda nem sequer disser adeus, só nos resta esperar por Dezembro, altura em que o filme chega às salas norte-americanas, para ver a reacção. Se quisermos ser mesmo negativistas, e não importarmo-nos com opiniões de terceiros, então só nos resta fazer figas, e esperar que este não seja daqueles que vêm atrelados aos Oscares, lá para finais de Fevereiro.

Baseado na história de F. Scott Ftizgerald sobre um homem que nasce velho e, contrariamente à ordem natural das coisas, rejuvenesce à medida que o tempo passa, este é daqueles títulos com um rótulo Prioritário bem estampado na bobine. Realizado por David Fincher, um dos poucos que ainda pode orgulhar-se de todas as obras que assinou, este promete, para já, ser o mais surreal dos de 2008. Se a premissa já profetizava um trabalho invulgar, as primeiras imagens confirmam o conceito desafiador para os mais cépticos. Este parece ser daqueles que nos leva mesmo para um outro mundo. O argumentista Eric Roth (Forrest Gump, O Informador e Munique) é o homem indicado para este tipo de tarefas. Quanto ao naipe de actores, nada a dizer. Tilda Swinton, Cate Blanchett, Julia Ormond, Elias Koteas, e um Brad Pitt que ameaçou seriamente a Academia o ano passado, com o seu brilhante Jesse James. Se as expectativas se confirmarem, a nomeação será uma certeza, e o que vier por arrasto será bem-vindo.

23 de junho de 2008

5 - Doubt.

A relação de John Patrick Shanley com o Cinema tem sido mais proveitosa no capítulo da escrita. Entre outros, Shanley foi o escrivão do maravilhoso argumento de O Feitiço da Lua (1987), bem como do agradável Estamos Vivos (1993). Como realizador, no seu currículo, conta apenas com Joe Contra o Vulcão (1990), obra que que também escreveu e que marcou o inicio da parelha Tom Hanks/Meg Ryan. Agora, em 2008, John Patrick Shanley pode vir a conhecer a luz dos mais poderosos holofotes de Hollywood. Com quatro Tony Awards, incluindo Melhor Peça, Melhor Encenador e Melhor Actriz, Doubt será adaptada ao grande ecrã pela mão do mesmo homem que escreveu a peça e a levou aos palcos da Broadway: John Patrick Shanley. O filme relata os acontecimentos vividos num Liceu Católico do Bronx, quando a Irmã Aloysius (Meryl Streep) acusa um padre popular (Philip Seymour Hoffman) de pedofilia. No meio destas incriminações, uma jovem freira cresce desesperada. Um drama que se espera intenso, e com interpretações sólidas, como a Academia tanto gosta.

Para além das expectativas resultantes da obra que serve de base a este filme, o elenco também ajuda à festa. Meryl Streep, que poderá muito bem depositar aqui fortes esperanças em mais uma nomeação, Philip Seymour Hoffman, que joga outra forte cartada depois de Synecdoque, New York, Amy Adams, em busca do reconhecimento definitivo, e Viola Lewis, que poderá ser a surpresa do ano (ela que também aparecerá em Nights in Rodanthe), contribuem e muito para a curiosidade em torno desta obra. Assim como o director de fotografia, nada mais, nada menos do que Roger Deakins, esse colosso responsável pela belíssima imagem de O Assassinato de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, nomeado para sete Oscares, e que nunca ganhou. Até o produtor, Scott Rudin, provoca alvoroço, ou não estivesse ele por detrás de obras como The Truman Show (1998), As Horas (2002), Diário de Um Escândalo (2006), e Este País Não É Para Velhos (2007). Sim, este era aquele homem ao lado dos Coen. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 10 de Outubro.

22 de junho de 2008

Filmes de Verão - Cocktail.

Estava previsto chegar à meia-noite de ontem, e assim foi. Não deixando o seu crédito por mãos alheias, o primeiro dia de Verão fez-se acompanhar por temperaturas simpáticas, como que a relembrar Alvy Singer que estava na hora de voltar a falar de filmes que dão vontade de fazer as malas, e rumar a paragens mais paradisíacas. Isto porque o calor aperta. Quando a temperatura baixar – cruzes canhoto –, trataremos aqui de películas que nos falam de férias, sim senhor, mas em locais onde uma camisola de lã não faz mal a ninguém. Como não é o caso, o eleito desta semana é esse incontornável título de 1988, Cocktail (Roger Donaldson). Um dos que figura na lista The 100 Most Enjoyably Bad Movies Ever Made, elaborada por John Wilson, fundador dos Razzie Awards. É que Cocktail é isso mesmo. Um filme fraquito, mas que dá um gozo do caraças. A história, preenchida por lugares comuns até mais não, conta-nos a vida de Brian Flanagan (Tom Cruise), um jovem sonhador descendente de irlandeses, que tenta a todo o custo concluir os estudos que lhe permitirão obter o emprego que pretende. De modo a pagar a sua educação, Flanagan arranja um part-time como bartender. O sucesso surge rapidamente, e Brian e o Dough Coughlin (Brian Brown), seu patrão, tornam-se nos dois mais famosos de Nova Iorque, atrás do balcão. Flanagan decidido a abrir o seu próprio estabelecimento, opta por investir na sua nova carreira, e parte para a Jamaica, onde os seus dotes trarão muito mais dinheiro. Aí, conhece Jordan Mooney (Elizabeth Shue), uma jovem artista norte-americana a passar férias no resort onde trabalha. Porque, neste filme, o álcool anda sempre de mão dada com as personagens, a partir deste momento começam as confusões. Apesar de ser uma obra que nunca chega verdadeiramente a surpreender, um qualquer magnetismo que ainda hoje não conseguimos perceber prende-nos ali ao ecrã que é uma coisa parva. Talvez seja a inesgotável força de vontade de Flanagan, o eterno sonhador com queda para a poesia. Talvez seja aquela inocência que chega a insultar qualquer jovem adulto com dois dedos de testa. Ou, quem sabe, aquele mundo sempre invulgar do homem que manuseia copos e garrafas como ninguém. Um virtuoso ao serviço de Baco. Talvez sejam aquelas paisagens jamaicanas que arrumam qualquer um, mesmo os sortudos que por lá vivem. Talvez seja aquela aura de um amor e uma cabana, que percorre grande parte do filme. Ou, talvez aquela banda sonora relaxante, onde desponta o ressurgimento dos Beach Boys, com Kokomo. Seja como for, cenas como esta (parece que é preciso confirmar a idade antes de ver o clip), fazem desta obra um excelente cartão-de-visita à terra de Bob Marley e companhia. Se há filme que funciona como catálogo de agências de viagens, é este.

19 de junho de 2008

6 - Australia.

Principal razão por aguardar por este filme como se não houvesse amanhã: Temos saudades de Baz Luhrmann. Se, num ano acontece muita coisa, em sete (Moulin Rouge! já é de 2001…) acontecem muitas mais. Em abono da verdade, deveria existir qualquer lei que proibisse um realizador como Luhrmann de estar mais de, vá lá, três anos, sem trabalhar. Um para descansar. Outro para conceber e preparar. O terceiro para concretizar. Tantas leis que por aí sem efeitos práticos, e esta que ajudaria tanta gente a passar um bom bocado. De Australia, próximo projecto do cineasta australiano, só podemos esperar o melhor. A história vem da mente de Luhrmann, que reuniu uma equipa de notáveis profissionais em seu redor. Desde a fotografia, passando pela montagem, até à banda-sonora, isto é tudo malta já com credenciais. Na interpretação, ao lado de uma Nicole Kidman que foi a primeira escolha do realizador, temos um Hugh Jackman que quase caiu de pára-quedas, depois de Russell Crowe ter recuado por questões financeiras, e de Heath Ledger ter recusado para ser Joker em The Dark Knight.

Quanto á história, uma aventura romântica, passa-se na Austrália, nos anos que antecedem a II Guerra Mundial. Nicole Kidman é Lady Sarah Ashley, uma aristocrata inglesa que herda um enorme rancho, e Hugh Jackman é The Drover, o duro que segura o rancho contra as investidas dos barões ingleses. Quando os dois tentam atravessar centenas de quilómetros em solo australiano, com uma manada de 2000 cabeças, testemunham o bombardeamento de Darwin, por parte da armada japonesa. Romance, acção e aventura, tudo sob a batuta de Luhrmann. Um filme que, visualmente, deverá ofuscar todos os demais. Sete anos depois de Moulin Rouge!, a expectativa é mais que muita. Esperemos que o resultado nos leve a dizer Não te atrevas a desaparecer tanto tempo, outra vez. Aqui fica o trailer, já deixado neste espaço.

17 de junho de 2008

7 - Blindness.

Há uns meses, talvez a expectativa em torno deste filme fosse maior. Hoje, não deixa de ser uma obra que suscita enorme curiosidade. Contudo, a forma algo desapaixonada como passou pelo Festival de Cannes não ajudou a alimentar o apetite. Pelo contrário, resfriou-o. Nos últimos meses, o que de melhor se viu ou leu sobre esta obra foi aquele maravilhoso vídeo de Saramago ao lado de Fernando Meirelles. Em Cannes, apesar de muitos aplausos, alguns torceram o nariz. E, fizeram até questão de dizer que o livro de Saramago merecia mais.

Agora, para quem ainda não viu o filme, este continua a ser realizado pelo Fernando Meirelles (O Fiel Jardineiro) de sempre, baseado numa obra de José Saramago, e com Mark Ruffalo e Julianne Moore nos principais papéis. Moore foi, aliás, aquela que mais elogios recebeu em Cannes. Em relação à história, esta conta-nos o flagelo de uma cidade atingida por uma epidemia que, subitamente, cega todos os habitantes. Numa comunidade à beira do colapso, uma mulher finge ter ficado também cega, de modo a ajudar o marido e um grupo de pessoas hospitalizadas.

Apesar das primeiras reacções não terem sido as mais entusiastas, continuamos a aguardar ansiosamente pela estreia desta obra. Em Portugal, a estreia está prevista para 13 de Novembro. Aqui fica o trailer.

8 - Body of Lies.

Reza a lenda que, no primeiro dia de filmagens, a equipa se dividiu em dois grupos: aqueles que já ganharam um Oscar, e aqueles que ainda não ganharam. Assim, de um lado, ficaram Russell Crowe, William Monahan e Pietro Scalia. Do outro, Ridley Scott, Leonardo DiCaprio, Carice Van Houten, Marc Streitenfeld e Alexander Witt. Quando, em qualquer obra, o grupo que não arrecadou ainda um Oscar é composto por estes elementos, é porque o trabalho só pode estar nivelado por cima.

Baseado na obra homónima de David Ignatius, o projecto começou por receber mesmo o nome de Body of Lies. Durante a rodagem, alguém se lembrou de mudar para House of Lies. Actualmente, parece que voltou a ser Body of Lies, tal como o livro. A história, essa, parece talhada para a exímia montagem de Pietro Scalia. Quando o agente da CIA Roger Ferris (DiCaprio) descobre forte indícios de que um líder terrorista jordano pode estar a operar em território estrangeiro, solicita ao veterano Ed Hoffman (Russell Crowe) autorização para uma missão onde terá de ir infiltrado. Esta missão levará Ferris a questionar até que ponto pode confiar naqueles que julga serem seus aliados. Hoffman, e todos os outros.

Com William Monahan (The Departed), responsável pela adaptação do argumento, estamos em crer que Scott poderá ainda subir mais a parada, depois do estupendo Gangster Americano. Nos últimos anos, a Academia tem demonstrado todo o seu afecto por obras onde o crime e a conspiração são os mais importantes ingredientes. Ao que tudo indica, acção será mesmo o prato forte deste título. E, apesar de andar a cheirar o Oscar sob a batuta de Scorsese, quem sabe se não será pela mão de Ridley Scott que Leonardo DiCaprio subirá ao palco do Kodak Theater. Nos Estados Unidos, o filme tem estreia prevista para 10 de Outubro. Antes disso, passará ainda pelo Festival de Veneza.

16 de junho de 2008

Filmes de Verão - A Praia.

É verdade que, no calendário, só está marcado para o próximo fim-de-semana. No entanto, este sábado, já parecia que o Verão tinha chegado em força. O calor fez-se sentir e bem, e as praias receberam as primeiras verdadeiras enchentes. E, é inevitável. Todos os anos, por esta altura, quando a incerteza da Primavera começa a ficar para trás das costas, alguns filmes invadem a mente. Como quando ouvimos o primeiro Jingle Bell, e recordamos Sozinho em Casa. Ou, quando olhamos para uma fotografia do Empire State Building, e recordamos Cary Grant e Deborah Kerr. Porque a magia do Cinema também é feita de memórias reavivadas pelo mais trivial dos elementos. Neste caso, sol e praia, acima de tudo. Vários são os filmes facilmente associados a este período no qual estamos prestes a entrar, para muitos, a mais querida das estações. Ao longo dos próximos tempos, provavelmente, até meados de Setembro, apresentaremos aqui um filme por semana, sobre este tema. De preferência, uma obra que dê ainda mais vontade de dar um pontapé no trabalho, fazer as malas, e ir de férias. Mesmo que não seja o melhor dos filmes. O que importa é que esteja presente o simbolismo da viagem. Como acontece no caso de A Praia (Danny Boyle, 2000).

Confesso, este é dos poucos em que li o livro. Apesar de não terem sido muitos, este confirmou a regra de que o original tende a ser melhor do que a adaptação. Aliás, a seguir ao terceiro tomo de O Senhor dos Anéis, este será talvez o caso mais gritante. Não que o filme seja mau. No entanto, a obra que lhe serve de base está anos-luz à sua frente. Tal como Tolkien, Alex Garland não tem culpa. Limitou-se a escrever um livro. Livro este que Danny Boyle não soube tratar da melhor maneira. É verdade que A Praia de Garland, não apenas por ser uma obra de culto, mas, sobretudo, pela temática abordada e escrita adoptada, não é dos materiais de mais fácil adaptação. No entanto, naquilo que dava para fazer a diferença entre um trabalho razoável e um bom trabalho, Boyle parece ter-se deixado levar pela beleza das paisagens tailandesas, e esqueceu-se do que realmente importava. No final, ficamos com a sensação de ter visto um filme interessante, sim senhor, agradável à vista, mas com falhas latentes. E, para quem leu o livro, havia tanto mais a explorar. Se quisermos, A Praia é uma antevisão daquilo que anos mais tarde chegaria à televisão pela mão da ABC, e que dá pelo nome de Lost. Um exercício de reflexão sobre as necessidades, e cadeias de motivação inerentes à condição humana. Um manifesto do viajante eternamente insatisfeito com o destino atingido. Um mergulho profundo na recusa aos bens materiais. Contudo, isto é aquilo que vemos somente a espaços na película de Danny Boyle. Procurando não reprovar em demasia o filme, a ideia que fica é a de um grupo de gente bonita a passear numa ilha paradisíaca, ao som de uma banda sonora comercial, e onde um triângulo amoroso banal acaba por emergir. Porém, a escrita de Garland, com todo aquele cinismo e ironia, vai muito mais além. Se calhar, até mais do que Titanic (James Cameron, 1997), este terá sido o filme que levou DiCaprio a olhar-se ao espelho e perguntar O que é que queres fazer da tua carreira? Mas, uma coisa é certa. Este filme dá uma vontade do camandro de ir de férias. Aqui fica o trailer de A Praia.

4 de junho de 2008

9 - The Soloist.

O potencial deste filme é tanto, que a nona posição parece pouco. Mas, quando olhamos para aqueles que ainda faltam, percebemos que algum teria de ficar por aqui. Até agora, esta é, sem sombra de dúvidas, a obra com mais Oscar material. Assim de rajada, antecipamos possíveis nomeações em categorias de peso como Filme, Realização, Argumento Adaptado, Actor e Actor Secundário. Mas, lá está, para estas previsões precoces fazerem algum sentido em inícios de Junho, é preciso que o filme corresponda às elevadas expectativas que já vêm de longe.

Expectativas desde logo criadas quando vimos que Joe Wright (Expiação) seria o realizador; que Susannah Grant (Erin Brockovich) seria responsável pelo argumento; que a banda sonora estaria a cargo de Dario Marianelli, e que poderíamos contar com as presenças de Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Katherine Keener, Stephen Root e Marcia Gay Harden. O filme, baseado em factos reais, conta-nos a história de Nathaniel Ayers (Foxx), um prodígio musical que desenvolve esquizofrenia durante o segundo ano na Juilliard School. Ayers torna-se num sem abrigo, tocando violoncelo na baixa de Los Angeles para os transeuntes. Robert Downey Jr. é Steve Lopez, um jornalista do Los Angeles Times que se torna amigo de Ayers, à medida que vai redigindo um artigo sobre ele. Hoje, este está disponível no site do jornal. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 21 de Novembro. A curiosidade em torno deste filme é mais que muita.

3 de junho de 2008

10 - Rachel Getting Married.

Entrados que estamos no famigerado top ten, convém avançar com relutância quando falamos dos filmes mais aguardados do ano. Sobretudo, deste número dez, ainda um tiro no escuro, por esta altura do campeonato. A verdade é que, quanto mais perto aproximamos do topo desta lista, menor devia ser a incerteza quanto ao potencial da obra. No entanto, como na roleta do casino, existe aqui uma vontade secreta de apostar em grande neste filme que, até ao inicio desta semana, tinha o nome de Dancing With Shiva. Hoje, parece que chegará às salas como Rachel Getting Married.

O filme, realizado pelo singular Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, 1991), longe de ser o mais popular dos cineastas, não possui um elenco de encher o olho. Tem Anne Hathaway, sim senhora, Debra Winger, Bill Irwin, e Rosemarie DeWitt (que podemos ver actualmente na magnífica Mad Men), ou seja, nada que leve multidões às salas. Também a estreante argumentista, Jenny Lumet, nada fez ainda que comprove o seu valor. Nem o apelido a liga a alguém que suscite interesse. No meio disto tudo, porquê aguardar ansiosamente por este título.

Antes de mais, a história. Descrito como um drama com pinceladas de humor agressivo, este é um filme sobre o regresso a casa de uma filha alienada, para o casamento da irmã. Quando a invulgar Kym (Hathaway) volta a casa, toda a dinâmica da família sofre alterações, reemergindo tensões passadas, algumas resolvidas a bem, outras, nem tanto. Acima de tudo, por parece-nos um conto sério e decente com arranjos de comédia. E, seja em que ano for, esse será sempre um tipo de filme a seguir com atenção. Depois, porque tem Demme aos comandos. Ainda ninguém nos convenceu de que não está para vir o dia em que este homem não subirá novamente ao mais imponente dos palcos. Em seguida, porque tem Anne Hathaway. A par de Natalie Portman, a actriz com o olhar mais angelical de Hollywood. Só isso explica porque tenha sido seleccionada para confrontar o Diabo. E, por último, a fotografia que dá cor a este post. Qualquer obra que se apresente com uma imagem destas, merece a nossa distinção.

2 de junho de 2008

11 - Milk.

Um biopic pela mão de Gus Van Sant é algo que desperta sempre a nossa atenção. Então, se o elenco for composto por gente ilustre como Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, James Franco e Diego Luna, melhor ainda. Harvey Milk (1930-1978), interpretado por Sean Penn, foi o primeiro homossexual assumido publicamente eleito por sufrágio universal para um cargo político. As primeiras imagens, chegadas à net bem cedo, em meados de Janeiro deste ano, deram-nos já a experimentar aquele ambiente retro de qualquer filme situado nos seventies. Apesar de faltarem ainda seis meses para o final do ano, nada nos coibirá de dizer que está aqui um projecto a ter em conta para os Óscares de 2008. Tema polémico, sensível, com actores de peso, e um afamado realizador, normalmente, dá certo. Para além do mais, depois de um flop como All The King’s Men, Sean Penn costuma frisar, com uma qualquer brilhante interpretação, que aquilo não passou disso mesmo, um flop. O normal é andar sempre nivelado por cima. Aliás, aquele que nos parece ter aqui mais hipóteses de ver o seu trabalho reconhecido pela Academia é mesmo Sean Penn. Primeiro, porque muitos continuam a achar que o seu trabalho foi injustamente esquecido o ano passado. E, embora tenha sido como realizador, facilmente se confundem categorias e repõe-se ordem na casa. Em segundo lugar, porque, parecendo que não, este é um daqueles papéis que exige uma transformação radical por parte do actor. Não, não estamos a falar de barba, cabelo e formosura. Nas palavras do produtor Dan Jinks “[Sean] is playing a guy who's not at all like him, way beyond the sexuality of the character. Harvey was this guy who wants everybody to love him, and he loves everybody else. Sean just completely became that guy. It's a real transformation”. Qual engordar, qual quê? Para Sean Penn, realmente difícil é tornar-se num tipo adorável. A Academia é capaz de gostar disto. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 05 de Dezembro.

30 de maio de 2008

12 - The Reader.

Este é daqueles que tem tudo para ser dos mais antecipados do ano. Pelo menos, no que aos prémios da Academia diz respeito. À primeira vista, tudo parece preencher os requisitos padronizados ao longo dos tempos. Um realizador conceituado – Stephen Daldry (Billy Elliot, As Horas) –, um elenco respeitável – Kate Winslet, Ralph Fiennes, Alexandra Maria Lara, e Bruno Ganz –, e um romance aclamado como base – The Reader, de Bernard Schlink, a primeira obra alemã a atingir o número um no top de vendas do New York Times.

Sobre o filme, para já, pouco se sabe. Tirando o plot, e algumas fotografias de rodagem. Sem poster nem trailer, até porque as filmagens deverão ainda decorrer até finais de Junho, continuamos a olhar para o livro como a verdadeira razão para esta curiosidade. Este conta-nos uma longa história de amor, passada na Alemanha contemporânea, onde um homem recupera as memórias do seu primeiro e secreto romance, que nasce nas cinzas do final da Guerra, com uma mulher mais velha. Ao mesmo tempo, esta é uma obra que acaba por tratar das relações que as gerações pós-guerra mantêm com o Holocausto.

Verdade seja dita, se o filme corresponder às expectativas, ficaremos também com curiosidade de saber se é desta que Winslet (que substituiu uma grávida Nicole Kidman) adicionará uma vitória à já longa lista de nomeações aos Oscares. É que ainda há outro título de peso para a actriz, este ano. Mas, por agora, foquemo-nos em The Reader. Apesar de já terem surgido alguns rumores de que a data de estreia poderia passar para 2009, nas agendas continua assinalada a de 12 de Dezembro. Época alta.

29 de maio de 2008

13 - Nights in Rodanthe.

Acima de tudo, por causa dos actores. Perdão, pelos papéis. Esta é uma dupla pela qual temos particular estima. Diane Lane e Richard Gere. E, Nights in Rodanthe parece ser o filme ideal para estes dois brilharem. Sobretudo, a primeira.

Adrienne Willis (Diane Lane), é uma mulher com a vida feita num oito, que decide abrigar-se da realidade na localidade costeira de Rodanthe, onde passará o fim-de-semana na pousada de uma amiga. Aí, espera obter a tranquilidade necessária para reflectir sobre os conflitos que a rodeiam – um marido errante que pede para regressar a casa, e uma filha adolescente sempre pronta a questionar. Quase ao mesmo de Adrienne, chega à pousada o Dr. Paul Flanner (Richard Gere), numa altura em que começa um tremendo temporal. Flanner não pretendia escapar ao seu quotidiano, mas apenas enfrentar a sua crise de consciência. Com a tempestade a aumentar e aproximar-se, os dois procuram conforto nos braços do outro. Um fim-de-semana que deixará marcas para toda uma vida.

Realizado pelo estreante George C. Wolfe (O Diabo Veste Prada), e baseado no romance de Nicholas Sparks, esta será provavelmente o filme desta lista mais consciente das suas limitações. Não deixa de ser legítimo aspirar sempre aos principais prémios da Academia. Contudo, uma estreia prevista para inícios de Outubro, deixa claramente antever um filme que quer ser lembrado, mas sem se intrometer muito na corrida. E, estes filmes também sabem bem. Normalmente, as boas interpretações vêm daqui. Daqueles filmes bons que, não sendo grandes, são isso mesmo, bons. Aqui fica o trailer lançado hoje.

28 de maio de 2008

14 - The Road.

A partir daqui, as coisas complicam-se sobremaneira. A dificuldade em comparar curiosidades exacerbadas aumenta, e já não é tão fácil identificar se queremos mais ver este filme, do que o anterior. Na segunda metade destes trinta que temos vindo a apresentar, estão mesmo os catorze mais antecipados do ano. Obras que, pela gente envolvida, ou pelas obras em que se baseiam, ou pelos elogios que já se fizeram ouvir, ou ainda, por tudo isto, devemos procurar seguir com atenção.

The Road é um destes casos. Baseado na obra vencedora de um Pulitzer de Cormac McCarthy, o mesmo de No Country For Old Man, e realizado por John Hillcoat (The Proposition, 2005), este é um filme sobre um homem que procura conduzir o filho a um local seguro, num cenário pós-apocalíptico. A paisagem coberta por cinzas mostra uma terra queimada. Sob o céu sombrio, o vento sopra ininterruptamente. Faz frio, e a neve que cai é cinzenta. Os dois caminham para a costa dos Estados Unidos, embora não saibam o que os espera por lá. Não têm nada, excepto uma faca para protecção e a roupa no corpo.

No elenco encontramos os nomes de Viggo Mortensen (o pai), Charlize Theron (a mulher), Robert Duvall (o velho), Guy Pearce (o veterano), e Kodi Smit-McPhee (o filho). Num primeiro momento, dá vontade de dizer que este bem pode ser o Children of Men deste ano. Uma história que não vai muito de encontro aos padrões da Academia, mas que pode surpreender os mais cépticos e mostrar que hoje os Oscares estão receptivos a outras propostas. Também, para isso, é preciso que o filme confirme as expectativas. Para já, é bom sinal ver ali Viggo Mortensen. O actor parecia ter feito um compromisso de participar apenas num filme por ano. Desde 1999 que assim era. Este ano entra em três. A par de Apaaloosa, este é aquele em depositamos mais esperanças. A rodagem terminou recentemente, e ainda não existe trailer. Existem sim imagens, como estas publicadas na Entertainment Weekly. Nos Estados Unidos, a estreia está marcada para finais de Novembro.