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17 de setembro de 2008

Já o Red dizia "Hope is a dangerous thing".

Aqueles que acompanham, de outras paragens, a escrita deste que se assina, provavelmente, já terão reparado. Mesmo assim, convenhamos, até pode ter passado despercebido. Verdade seja dita, o esforço tem sido sempre no sentido de camuflar este facto. Modéstia à parte, não seria surpreendente ouvir de alguém de bom senso, que Alvy Singer é um tipo sabido, cuja palavra deve ser escutada com ponderação. Caso alguém se entregue a estes textos dessa forma, fica aqui a recomendação para deixar de fazê-lo. É certo que, a cada dia, a experiência aumenta, bem como o conhecimento. No entanto, desde aquele primeiro post no Deuxieme, em Novembro de 2006, existe aqui uma dissimulada sapiência sobre a sétima arte. No entanto, apesar de reconhecer que até entendo qualquer coisa sobre Cinema, a verdade é que nada supera o empenho de fazer passar a ideia que percebo mais disto do que o tipo ao virar da esquina. Agora, para alguém mais perspicaz, isto é algo que salta logo à vista.

Na noite em que o Yada se redefine, sinto que é chegado o momento de acertar as pontas, e deixarmo-nos de rodeios. É chegada a altura de dizer que não passo de um fedelho. De um cinéfilo ainda a cheirar a fraldas, à procura de alimento para sonhos. De um tipo que há meia dúzia de anos nunca tinha visto um Kubrick, um Visconti, ou um Kurosawa. De um rapazola com uma barba de trazer por casa, que por vezes não abre a boca na presença de outros amantes da sétima arte, tal é receio de ser troçado, tantos são os filmes obrigatórios que ainda não viu – que Portugal ganhe o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, se disse algo para além de Olá, boa tarde, na primeira reunião de redacção na PREMIERE. Antes que esta chávena encontre um novo pires é importante sublinhá-lo. Não passo de um fedelho.

Um badameco que adora escrever sobre Cinema, e sonha um dia retirar desta sentença o vocábulo sobre. E, já que estamos numa de ser completamente transparentes, aqui revelo a minha derradeira fantasia. Escrever uma longa-metragem, e saber que esta foi a responsável por um divórcio. Isto porque, segundo uma qualquer corrente filosófica cuja terminação agora me falha, melhor do que fazer o bem, é emendar o mal. No fundo, tudo isto não passa de um desígnio manifesto de tocar vidas. Em Abril deste ano, o Deuxieme não parecia o reduto indicado para este regozijo. Deslocado no tempo e espaço, era necessário criar um novo blog e separar as águas. Hoje, com o regresso da PREMIERE, continuar aqui a escrever sobre Cinema seria o mesmo que dar tiros para o ar.

Faz amanhã uma semana que o telefone tocou por causa do primeiro trabalho para o novo número da PREMIERE. Aliás, foi só na entrega de trabalho que fiquei a saber que estaria novamente a bordo deste projecto. Palavra de honra, nunca soube tão bem ouvir a recomendação Não te estiques nos caracteres. O Yada, por seu lado, continuará. Se calhar, passará a ser um daqueles blogs de fim-de-semana, ou somente de um post por dia, talvez só com uma fotografia. Seja de que maneira for, existe um lado extra Cinema que encontrará forma de ser expelido por aqui. Tudo o resto, volta ao Deuxieme.

Da mesma forma que as palavras fugiam quando pretendia descrever a mescla de sensações ao perder a revista, hoje não é mais fácil espelhar a emoção ao saber que o esforço do José Vieira Mendes não tinha sido em vão. Há uns anos, quando a barba ainda não passava sequer de um mero vestígio, no caminho entre a papelaria da praxe e casa, ao folhear irreflectidamente as páginas da revista, lancei-me sem olhar para atravessar a estrada. Uma travagem brusca permitiu terminar aquele dia do Criswell. Nunca estive tão perto de ser atropelado como naquele dia em que o mestre falou sobre as vicissitudes de um afamado multiplex da capital. Daí que não seja difícil imaginar o quão feliz não estarei por saber que metade desta equação volta a ser real. Só falta mesmo a pura distracção antes de atravessar.

A partir de amanhã, Deuxieme. Caramba, ainda custa a dar isto por adquirido. Também, para quem gosta de Cinema e está habituado a acreditar em impossíveis, nada mais natural do que a concretização de um sonho.

18 de agosto de 2008

O ano de Downey.

Até agora, podemos dizer que Robert Downey Jr. estará a ter, provavelmente, um dos melhores anos da sua carreira. No final, quiçá, o melhor de todos. Apesar de alguns detractores, a verdade é que Iron Man (Jon Favreau) conquistou milhões de admiradores pelos quatro cantos do planeta, e aliviou a expectante legião de fãs da BD de Stan Lee. O filme foi um sucesso de bilheteira e, mais importante do que isso, convenceu a critica sempre pronta a apontar o dedo às adaptações de afamados comics. Neste caso, a obra de Favreau passou com distinção e a carreira de Robert Downey Jr. voltou a conhecer limites estratosféricos – impulsionada pelo fato resistente do herói. Mais lá para o fim do ano, o actor nomeado para um Oscar da Academia pela sua interpretação em Chaplin (Richard Attenborough, 1992), deverá regressar ao centro das objectivas, tal é a curiosidade que já existe em torno de The Soloist, o aguardado biopic drama de Joe Wright. Normalmente, um bom desempenho é meio caminho andado para uma nomeação. No entanto, aquilo que muitas vezes faz a diferença é a solidez em outras interpretações, nesse mesmo ano. Caso Downey Jr. venha a ter um trabalho acima da média e diferenciado, em The Soloist, bem que poderá contar com o seu nome nas primeiras listas de potenciais nomeados. Possivelmente, como actor secundário, numa corrida cujo vencedor já há muito parece estar anunciado. Ainda assim, uma nomeação, é sempre uma nomeação – o estilo de La Palice sempre foi bastante apreciado por estas bandas. Contudo, aquilo que ninguém previa é que o seu papel em Tropic Thunder (Ben Stiller) viesse ornamentar ainda mais esta fase do seu trajecto profissional. A obra de Stiller foi recebida com pompa e circunstância, considerada mesmo por muitos a melhor comédia do ano, até ao momento. E, no mesmo destas ovações que temos acompanhado, o elogio ao desempenho de Robert Downey Jr. acaba por assumir uma posição de destaque. Sem quaisquer reservas, Sasha Stone identifica o actor como um dos primeiros candidatos a um possível Oscar. O facto de figurar já na coluna da direita, mostra-nos que isto é a sério. E, ao lermos o que Josh Tyler escreveu sobre a sua interpretação, quase que dá vontade de ir ali buscar um Valdispert para acalmar as hostes.

RDJ runs away with every scene he’s in, and I mean it when I say he deserves an Oscar for what he’s done here. His performance is nearly on par with what Heath Ledger did as the Joker, though since it’s a comedy he’ll never get the kind of credit he deserves for it. There’s never a moment in the film where he’s recognizable as Robert Downey Jr., not even when he takes off his mildly racist prosthetics. It’s a great performance, an epic comedy performance, instantly iconic. Your friends will be running around shouting out Robert Downey Jr. quotes for the next ten years. Here’s my current favorite: “You never go full retard.” Trust me, it’s hilarious in context”.

Foi impressão nossa, ou alguém acabou de comparar este desempenho ao Joker de Ledger? Isto funciona melhor do que mil teasers e quinhentos posters. Obrigatório.

Os Filmes dos Jogos.

A febre dos Jogos Olímpicos passa por estes lados. Até 24 de Agosto, a primeira coisa a fazer de manhã, seja qual for o dia da semana, é correr para a televisão e ver, durante uns breves minutos, o quer que seja. Está a dar em directo? Melhor ainda. Este fim-de-semana, por exemplo, salvo raras excepções, foi inteiramente passado no sofá. Michael Phelps e companhia serviram apenas para solidificar a intenção de marcar presença nos próximos de Londres. Saltos para a água, Natação, Ginástica, Tiro a 10 metros, Tiro a 25 metros, Halterofilismo, Badmington, o que for. Até o Hipismo tem o condão de agarrar. A cerimónia de abertura, dirigida por Zhang Yimou, foi uma entrada com o pé direito. Portentosa, abismal, colossal. Hoje, pegando no tema olímpico, até poderíamos partir para uma dissecação da carreira do cineasta chinês, e falar de filmes como Herói (2002) e Adeus Minha Concubina (1994). No entanto, a abordagem do Yada aos Jogos, tardia diga-se, será outra. Durante esta última semana, traremos aqui alguns dos mais emblemáticos títulos relacionados com as olimpíadas. Após uma primeira pesquisa na diagonal, parece que não há assim tantos quanto isso. Ainda assim, suficientes para fazermos um apanhado jeitoso. A começar pelo chefe de fila, Momentos de Glória.

Realizado por Hugh Hudson em 1981, este foi o filme que catapultou o nome de Vangelis e celebrizou o correr à beira-mar. Vencedor de quatro Oscares, incluindo Melhor Filme, o título de Hudson tornou-se num marco das obras desportivas, afirmando-se como dos mais completos testemunhos sobre a procura de glória e superação pessoal. No centro da história estão o britânico Harold Abrahams (Ben Cross), um sprinter judeu, e Eric Liddell (Ian Charleston), o seu rival conterrâneo e cristão. Após a estreia, alguma criticas quanto ao rigor do biopic surgiram. Alguns elementos foram introduzidos, sobretudo para enfatizar a tensão vivida durante as olimpíadas de Paris. No entanto, naquilo que compõe o arco narrativo, o argumento de Collin Welland não engana o espectador. Sam Mussabini (Ian Holm), foi mesmo o treinador árabe-italiano que revolucionou o espírito e mente de Abrahams e Liddell. Para ambos, o treino até podia ser semelhante. No entanto, as motivações não podiam ser mais díspares. Enquanto Abrahams corre pelo medo de perder, Liddell só quer retribuir a Deus os dotes físicos que lhe proporcionou. Numa altura em que não haviam patrocinadores pressionantes nem contratos milionários, o culto do atlético encontrava outros alimentos. Olhar para este filme filosoficamente tem os seus perigos, e pode desviar-nos do seu real intento. Não recomendável. Vê-lo em tempo de Jogos, isso sim, ajuda. Porque este é daqueles que não tem grandes entrelinhas. É sobre homens a correr na praia, sacrifícios, realização, e triunfo.

Qual é o Filme?

Porque a dúvida persiste, no mesmo filme...

20.

A Entertainment Weekly mostrou-nos recentemente a lista dos 20 filmes que estão para chegar ainda este ano, e que não quer perder, dê por onde der. Concordando e discordando, aqui e ali, olhamos para esta lista e apercebemo-nos imediatamente que isto é resultado de alguém bastante eclético ou de uma equipa equilibrada. Estão aqui títulos para todos os gostos. Nem todos parecem ter pedalada para a árdua temporada dos reconhecimentos, no entanto, isso também não parece ser o mais importante. Estão aqui obras aparentemente oscarizáveis, outras que apenas prometem ser sinónimo de um bom bocado às escuras. A reter o facto de que apenas nove desta lista marcam presença nos trinta mais aguardados do Yada. Aqui ficam os vinte eleitos para a EW.

Zack and Miri Make a Porno,
Rachel Getting Married,
Quantum of Solace,
Australia,
The Road,
Burn After Reading,
Eagle Eye,
Nick & Norah’s Infinite Playlist,
Body of Lies,
High School Musical 3: Senior Year,
Changeling,
Harry Potter and the Half Blood Prince (adiado para o Verão de 2009),
The Soloist,
Four Christmases,
Defiance,
Twilight,
The Curious Case of Benjamin Button,
W,
Marley & Me.

Afinal, vem mesmo com os Ferrero Rocher.

Durante bastante tempo, Valkyrie figurou na lista dos filmes mais antecipados para 2008. Por essa razão, foi com desagrado que vimos o adiamento da sua estreia para 2009. No entanto, consequência da Lei da Compensação, que sabiamente tira de um lado para pôr do outro, a MGM anunciou esta semana que o biopic de Bryan Singer chegará mesmo a 26 de Dezembro. Parece que a MGM não acredita ainda nas possibilidades do thriller para os Oscares, e que esta alteração se deve apenas à maior rentabilidade expectável. Mesmo que a nova data seja a mesma em que estreiam The Spirit, The Time Traveler’s Wife, Bedtime Stories, Marley & Me, e Gran Torino. Agora, isto só é gente a mais, se o filme não tiver a qualidade que se espera. E, depois desta antecipação, acreditamos que ele possa ter um pouco mais do que esperávamos. Com, ou sem Oscares.

Quem espera...

No calendário de muitos potterianos, 21 de Novembro tinha já um grande círculo a vermelho. Nalguns casos, circulo esse rodeado por setas, para enfatizar ainda mais. A importância da data assim o ditava, ou não estivesse previsto para esse dia a estreia de Harry Potter and the Half-Blood Prince, nos Estados Unidos. No entanto, a Warner Brothers veio anunciar esta semana que a chegada do filme seria adiada para 17 de Julho de 2009. A razão avançada, para já, é a de que a temporada de Verão é mais rentável, e que a greve dos argumentistas do ano passado resultou num enorme espaço vazio para essa altura, no próximo ano. Até podemos aceitar a justificação, se bem que com alguma desconfiança à mistura, quando vemos que os três filmes da saga estreados no Natal tiveram uma média de receitas de 916 milhões em todo o mundo, enquanto os dois que chegaram no Verão renderam 866 milhões de dólares.

Com todo o buzz à sua volta, podemos questionar o peso que a estreia de Twilight parece estar a ganhar lá mais para o fim do ano. Apesar de chegar às salas apenas a 12 de Dezembro, a adaptação da obra de Stephenie Meyer será uma machada garantida na escalada do box office para qualquer título. Ao mesmo tempo, se o filme estivesse à caça de nomeações aos Oscares, também nos parece mais sensato este adiamento. Este ano, nem Indy deverá ter grandes aspirações às categorias técnicas. Aliás, neste capítulo, o futuro parece demasiado negro para os candidatos mais seguros. No meio disto tudo, a única boa nova é a de que a produção dos próximos filmes não sofrerá alterações. Esperamos mais agora, é certo. Contudo, lá mais para a frente, até parecerá que foram feitos em catadupa.

12 de agosto de 2008

É tudo uma questão de Xs e Ys.

12 de Agosto de 2008 deverá ficar gravado na História como o primeiro dia em que um actor perdeu um papel para uma actriz. Perdeu, desperdiçou, abdicou. A forma como isto foi parar às mãos de Angelina Jolie, não interessa muito. Quer dizer, até interessa. Sobretudo porque o papel estava destinado a Tom Cruise. Que tipo de casting é este que diz, Esperem lá, e se em vez de uma actriz… fosse um actor? O engraçado é que funciona para os dois lados. Isto só vem provar que nada é impossível, e que Jolie factura nas bilheteiras que é uma coisa parva.

Realizado por Phillip Noyce (O Coleccionador de Ossos), e escrito por Kurt Wimmer (Equilibrium), Edwin A. Salt era o thriller na carteira de Tom Cruise. Um filme sobre um agente da CIA acusado ser um espião russo, que tenta escapar à perseguição que lhe é movida, enquanto procura encontrar o verdadeiro infiltrado. Agora, entre outras mudanças ao argumento já a ser trabalhado, teremos obrigatoriamente uma alteração no título. Edwina A. Salt. Hum… Não pega. Grinch 2: How Jolie Stole the Part. Muito melhor.

Realidade imita a ficção.

Para quem nunca viu Serenata À Chuva (Stanley Donnen e Gene Kelly, 1952), duas sugestões. A primeira, que parem imediatamente de fazer aquilo que estão a fazer, e se mexam rapidamente no sentido de arranjar o Dvd desta preciosa obra. Depois do visionamento, nada será o mesmo. Palavra de cinéfilo. A segunda sugestão, essa ainda mais premente, que parem imediatamente de ler este post. Major spoiler, right ahead. Caso contrário, lá se vai a beleza daquele memorável final.

Para todos os outros, para aqueles que já tiveram o prazer de se cruzar com este extraordinário musical, aqui fica uma chamada de atenção para este artigo publicado hoje no site da CNN. Parece que a voz de Ode to Motherland, canção ouvida por biliões de pessoas quando a bandeira da China entrou no Ninho do Pássaro, durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, não pertencia à pequena Lin Miaoke. Yang Peiyi, na opinião dos organizadores, menos fotogénica, foi a verdadeira cantora longe das câmaras. Chen Qigang, director musical da cerimónia, afirmou tratar-se de uma decisão forçada para salvaguardar os interesses nacionais. Era esta a justificação que faltava. Mais uma vez, estou ao lado da Kathy Selden desta história. Se bem que a pequena Lina Lamont não tenha culpa nenhuma. Caraças, ninguém tinha avisado que o lema destes Jogos era Mais Alto, Mais Forte, Mais Longe, Mais Bonito.

11 de agosto de 2008

Prince.

Nisto de photos on set, o Just Jared não costuma brincar em serviço. Vai actor (Jake Gyllenhaal), vai namorada de mão dada (Reese Whiterspoon), vai tudo. E, nós agradecemos. No site estão mais quatro fotografias, as primeiras a serem conhecidas. Prince of Persia: The Sands of Time tem estreia marcada, nos Estados Unidos, para 28 de Maio de 2010. Ainda há muito que penar. A avaliar pelos músculos de Gyllenhaal, o actor foi quem começou primeiro.

Crónica de uma obsessão anunciada.

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Desde a chegada do sorteio-mor, que muitos de nós adquirimos o hábito de dizer Caraças, se amanhã ganhasse o Euromilhões… O desabafo normalmente seguido por uma barbárie qualquer que normalmente habita somente no reino dos sonhos ou, na melhor das hipóteses, no imaginário de Tim Burton. No entanto, nem todas as satisfações de desejo requerem um encaixe financeiro na ordem dos milhões. Veja-se o exemplo do monge de Le Moine et Le Poisson, uns posts mais abaixo. Cada um tem os seus peixes. E, estes podem ser maiores, ou mais pequenos. De há uns dias a esta parte, um que nem é assim tão grande, tem-me perseguido sobremaneira. Acordo a pensar nisto. Adormeço a pensar no mesmo. Caramba, até quando olho para um copo de água vejo à tona o título The Heartbreak Kid. A agitar-se levemente. E, é o dia todo nisto.

Tráfico de influências é a expressão a reter. Recentemente fui alvo de uma injecção altamente lisonjeira sobre o original de 1972, realizado por Elaine May – recordemo-nos do remake com Ben Stiller, Malin Akerman e Michelle Monaghan, em 2007. Ao contrário de ilustres cinéfilos, longe de ser uma enciclopédia cinematográfica – quanto muito, serei um daqueles dicionários de bolso que têm na capa o anúncio Com mais de 1000 vocábulos! –, desconhecia que a obra realizada pelos irmãos Farrelly, no ano que passou, era uma nova versão de um filme de Elaine May. Sem grande interesse no filme, relembro ter visto o trailer e pouco mais. Daí que, depois de ter descoberto esta relação, as coisas tenham mudado um bocado. No entanto, aquilo que pretendo realmente conhecer com urgência é o intemporal – termo utilizado pelo cinéfilo facilmente confundido com comercial – filme da década de 70. Uma história sobre arrependimentos matrimoniais, em plena lua-de-mel, com Cybill Shepherd, Jeannie Berlin, e Eddie Albert. Quando um filme nos é apresentado como uma das mais radiosas reminiscências de A Primeira Noite, é porque temos de tirar duas horas da nossa vida para isto. Apesar da parca qualidade, aqui fica o trailer do filme. Se alguém já tiver passado os olhos por Casei-me Por Engano, título em português, e tiver algo contra esta causa, que se pronuncie agora, ou cala-se para sempre – porque o tema do filme é casamento, pareceu-nos apropriado o recurso a este dito fatalista.

Can you dig it?

Isaac Hayes, a voz grave por detrás do Chef de South Park, deixou-nos este Domingo, aos 65 anos. Autor de uma das músicas mais cool de sempre a levar o Oscar para casa, o inesquecível tema de Shaft (Gordon Parks, 1971), Hayes era o Mr. Funk que Hollywood justamente sempre acarinhou. O inicio do filme, que permanece como um dos maiores marcos da Blaxploitation, com Richard Roundtree a passear-se por Nova Iorque ao som de Shaft, é uma bela página na História do Cinema.

10 de agosto de 2008

Why so serious, son?

Se não fosse por mais nada, rever The Dark Knight valeria a pena só pelo prazer de ver Heath Ledger explicar novamente como ficou com aquelas cicatrizes. Ver um filme destes é uma experiência soberba. Revê-lo, é ainda melhor. Da primeira vez, somos completamente engolidos. Tantos são os momentos em que olhamos boquiabertos para o grande ecrã, que alguns dos pormenores mais deliciosos ficam esquecidos entre suspiros. Wally Pfistir é uma das principais culpadas. A sua fotografia, de tão arrebatadora, quase chega a ferir a vista. No entanto, com um segundo visionamento, percebemos facilmente que a nossa atenção fica à deriva devido a outros elementos. A banda sonora de James Newton Howard e Hans Zimmer é um deles. Da primeira vez, ficou a dúvida. Contudo, desta vez, já foi possível confirmar as similitudes com a partitura de Jonny Greenwood, em Haverá Sangue. Em ambos os casos, acordes angustiantes, que tardam a anunciar um futuro risonho. Presente em quase toda a acção, a banda sonora é a confirmação de que algo não está bem em Gotham City. Não é preciso o Joker aparecer. Basta ouvir as cordas.

Se não fosse por mais nada, rever The Dark Knight valeria a pena só pelo prazer de ver novamente os cortes em que, sob a batuta da montagem de Lee Smith, a câmara passa da Juíza Surrillo, para o Comissário Gillian B. Loeb, para a festa organizada por Bruce Wayne, para voltar ao Comissário Gillian B. Loeb, para voltar à festa organizada por Bruce Wayne, para voltar à Juíza Surrillo, vezes sem conta, com a música sempre em crescendo, antes de o Joker entrar em cena. Todo e qualquer instante com Heath Ledger, é um regalo. O olhar perdido no tecto. O tique da língua. O registo de voz, agora mais aguda, agora nem tanto. O andar. Para ver, e rever. Tudo nele é admirável. E, de certa forma, esta admiração é transposta para a personagem. Agora, resta saber até que ponto esta projecção de fascínio está prevista no argumento. Será que também era previsível sentirmos empatia pelo Neil McCauley de Roberto De Niro, em Heat (Michael Mann, 1995)? Ou pelo Frank Lucas de Denzel Washington, em Gangster Americano (Ridley Scott, 2007)? Em The Dark Knight, passa-se precisamente o mesmo. A certa altura, Joker diz que ele e Batman estão destinados a lutar a vida toda. É exactamente o que pretendemos. Que este combate jamais termine. Que o bem prevaleça, é certo, mas não porque o mal tenha de perder. Provavelmente, o argumento dos irmãos Nolan já tenha sido arquitectado com esse objectivo. Mesmo que assim seja, mérito seja dado a Heath Ledger por concluir o trabalho com distinção. E, que distinção.

Se não fosse por mais nada, rever The Dark Knight valeria a pena só pelo prazer de ver novamente dois barcos perdidos em pleno rio. Da primeira vez, ao sair da sala, a sensação foi a de ter visto um filme soberbo. Um dos melhores do ano, sem sombra de dúvidas. Da segunda vez, foi ainda melhor. A terceira será esta semana.

A Descoberta do Dia.

Le Moine et Le Poisson (Michael Dudok de Witt, 1994). Nomeado para o Oscar de melhor Curta-Metragem de Animação.

Magnífico.

Sem vontade de escrever um título...

Este tem sido um ano marcado por duras perdas. Este fim-de-semana, mais uma. Esta é a notícia que jamais queremos descobrir. O assunto do qual nunca queremos falar. O actor Bernie Mac (Ocean’s Eleven, Transformers), faleceu este sábado, aos 50 anos. O comediante não resistiu a uma infecção pulmonar e complicações resultantes de pneumonia, ao fim de uma semana de internamento. Confesso, isto era algo que desconhecia por completo. O acidente de viação de Morgan Freeman fez manchetes. O internamento de Bernie Mac passou muito mais despercebido. Nem este artigo optimista do New York Post, a meio da semana, se chegou à frente. Daí que este fim-de-semana tenha sido apanhado de surpresa, não só pela terrível notícia, como pelo facto de esta ser uma situação que já se arrastava há largos dias. No mundo da sétima arte, de Bernie Mac, recordaremos sempre a sua branda soberania na troupe de Danny Ocean. No pequeno ecrã, a série com o seu nome. No entanto, são mesmo as suas virtudes como comediante, de que mais sentiremos falta. Este breve clip mostra-nos um pouco do génio em ascensão que perdemos. Pessoalmente, sempre olhei para Bernie Mac como um seguidor dos passos de Samuel L. Jackson. Comparações à parte, aqui estava mais um actor de cor, que não chegou cedo ao mundo da representação, e que tinha tudo para triunfar em registos mais sérios. Contudo, também nos pareceu sempre que Bernie Mac jamais renunciaria às origens humorísticas da sua carreira. Basta olharmos para os projectos do actor que ainda não chegaram às salas. Para aliviarmos a coisa, nada melhor do que imaginar que, a esta hora, já estará em amena cavaqueira com tipos como George Carlin.

Agora, porque noticias desta natureza não costumam vir desacompanhadas, deixemos aqui este artigo publicado no Herald Sun, sobre o estado de saúde de Paul Newman. “Paul Newman has finished chemotherapy and has told his family he wants to die at home. The Oscar-winning actor was pictured being pushed from a New York cancer hospital in a wheelchair. Yesterday, it was reported in America that Newman, 83, had only weeks to live and had returned home to his wife, Joanne Woodward. Paul didn't want to die in the hospital, a source said. Joanne and his daughters are beside themselves with grief”. Enquanto procuro palavras para descrever com exactidão o sentimento provocado por estas linhas, deixo aqui um vídeo para ganhar tempo. Este é o exemplo perfeito do que é a excelência em representação. Newman sempre foi daqueles que chamam a câmara para si. Pudera, tanto talento num homem só, é coisa rara. Perdão, única.

8 de agosto de 2008

Aterragem para breve.

WALL•E chega na próxima semana às salas nacionais. Sete dias, mais coisa menos coisa, para visitar o robot profissionalmente mais dedicado de que há memória. Tal como aconteceu com The Dark Knight, este é outro que seguimos com atenção há já largos meses. Teasers, trailers, posters, fotografias, entrevistas, anúncios, por aí fora. Papámos tudo e mais alguma coisa. A cada hora que passa, parece que nos esquecemos cada vez mais de tudo o que foi visto, e não sabemos rigorosamente nada do filme. Temos de ver para relembrar o que já nos passou diante dos olhos, e descobrir aquilo que será a novidade completa.

No entanto, contrariamente a The Dark Knight, o novo filme da Pixar surge apenas um ano depois de um outro filmaço, com o qual facilmente poderão surgir comparações. Mas, mesmo que estas não apareçam, quanto mais não seja para celebrar a existência de algo tão encantador como Ratatui, aproveitei esta manhã para recordar as linhas escritas há sensivelmente um ano, no Deuxieme. Não retiro uma única vírgula. Relembro como se tivesse sido ontem, o impacto provocado por este filme. O cambalear com que sai da sala patenteava o arrebatamento. Nas considerações sobre o chef Remy, tomei a liberdade de avançar com ofensas como “Esta obra extravasa engenho e arte. As limitações do género são algo que não existe. Aquilo que Bird constrói a cada frame é um filme universal, que não conhece fronteiras quando se dirige ao público sentado na cadeira”, e “Nada melhor do que um filme sobre sonhos impossíveis, para nos pôr a sonhar. Contudo, fica aqui o aviso: o sonho começa depois das palavras The End. Antes disso, aquilo é bem real. Parecendo que não, é possível fazer um filme tão bom quanto este, um filme que enche o coração”.

Hoje, a poucos dias de ver WALL•E, recordo com um sorriso a deliciosa e, porque não, saborosa, experiência que foi o visionamento de Ratatui. A obra de Andrew Stanton até pode vir a ser algo nunca visto, no entanto, mesmo que seja apenas para entrar no lote dos melhores da Pixar, tem de passar além do Bojador. Antes de conhecermos o compactador de lixo mais afável da História, aqui fica Put On Your Sunday Clothes, com o prólogo Out There, uma das canções de Hello, Dolly! (Gene Kelly, 1969). Uma fonte de inspiração para Andrew Stanton.

5 de agosto de 2008

Confissões - Parte II.

Para além do Cinema, outros motivos de interesse existem na vida de Alvy Singer. A destacar: Chocapic, Ucal, pizza com azeitonas, carne picada, chouriço e ananás, Seinfeld, PES, bastões de basebol (quiçá pelo aspecto fálico da coisa), Filipinos, e documentários sobre a construção desenfreada de arranha-céus, nos Estados Unidos, durante os anos 30. Porém, nem sempre nos podemos entregar aos prazeres de um capricho – Fernando Savater certamente ficaria orgulhoso deste apontamento. E, não vale a pena negá-lo. Escrever no Yada é dos maiores regozijos experienciados a cada 24 horas. Palavra de honra. Agora, como terá sido possível constatar desse lado, ao longo deste último mês, diversos percalços têm surgido. Apesar de não o ter comunicado neste espaço na devida altura, estas ausências intercalares estavam previstas no calendário. Recordo aquelas palavras que tão bem se adequam a estes últimos tempos, Porque somos todos reais por detrás destas linhas que escrevemos… Há momentos em que a realidade não dá jeito nenhum. Como que nos espeta uns quantos tabefes na fronha, até ficarmos meio zonzos, sem conseguir reunir o discernimento suficiente para fazer algo tão simples como escrever para um blog. Mas, isto é chão que já deu uvas. Hoje apanhei a realidade meio a dormir e apliquei-lhe, não o démodé golpe da burra, mas a Five Pointed Palm Exploding Heart Technique. Assim como Uma, não consegui esconder uma lágrima marota. Até que a realidade lá se levantou, e deu os seus derradeiros passos. Resumindo e baralhando, a partir de hoje, as actualizações do Yada deverão regressar definitivamente ao seu modo diário. Excepto nas noites em que surgir uma vontade extrema de nada fazer senão comer pizza com azeitonas, carne picada, chouriço e ananás, ver um documentário de duas horas sobre a construção do Chrysler Building, e dar o dia por terminado com uma garrafa de Ucal. Agora, se me dão licença, tenho ir ali escrever ao Tarantino a agradecer a técnica infalível que deu cabo da realidade. Para amanhã, ficam guardados todos os possíveis posts destes treze que estão para aqui em banho-maria. Até lá, eis dois novos pés. Os últimos, eram mesmo os de Scarlett.

29 de julho de 2008

Qual é o Filme?

Antes de partirmos para o próximo, convém dizer que, lá para trás, era mesmo Kate Winslet, em Pecados Íntimos (Todd Field, 2006).

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28 de julho de 2008

Não há quatro sem cinco.

Um filme apenas pode ter alterado todo um estado de espírito partilhado por uma legião de fãs e, esta noite, a entrevista de George Lucas à Times Online poderá não ser recebidas com a mesma euforia com que se reagiu à boa nova de um quarto filme Indiana Jones. Em abono da verdade, Lucas também não diz preto no branco que virá aí um Indy 5. No entanto, deixa no ar uma forte suspeita. E, sabendo nós o que a casa gasta, fumo sem fogo é coisa que não há muito para os lados de Lucas e Spielberg. Com O Reino da Caveira de Cristal a facturar mais de 750 milhões de dólares em todo o mundo, Lucas deixa à sua imaginação a concretização de um eventual quinto filme. Se surgir uma ideia, temos filme. Se não surgir, é menos provável. Agora, curiosa mesmo, é a confissão da tensão que existe entre Lucas e Spielberg, com o primeiro a dizer que puxa a saga para o futuro, enquanto o último procura naus recuperar elementos dos primeiros filmes. Mas, isto é apenas a vontade no que respeita ao sentido do filme. Porque, vontade de fazê-lo, têm ambos.

Really, with the last one, Steven wasn’t that enthusiastic. I was trying to persuade him. But now Steve is more amenable to doing another one. Yet we still have the issues about the direction we’d like to take. I’m in the future; Steven’s in the past. He’s trying to drag it back to the way they were, I’m trying to push it to a whole different place. So, still we have a sort of tension. This recent one came out of that”.

Com as declarações de Lucas ficamos também a saber as reais dificuldades na actual produção de um Indiana Jones.

Indiana Jones only becomes complicated when you have another two people saying ‘I want it this way’ and ‘I want it that way’, whereas, when I first did Jones, I just said, ‘We’ll do it this way’ — and that was much easier. But now I have to accommodate everybody, because they are all big, successful guys, too, so it’s a little hard on a practical level”.

Apesar de pertencer àqueles que gostam da ideia de um quinto filme, sobre este último pensamento de Lucas só me ocorre uma palavra. Bullshit.

Afinal de contas, é um clã.

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Até ontem, vivi com a profunda convicção de que Michelle Pfeiffer era filha única. Sem qualquer motivo para pensar o contrário, mais mimada, menos mimada, sempre imaginei Pfeiffer ser apelido de uma actriz apenas. Contudo, não é bem assim, e parece que estamos na presença de uma tripleta. Michelle, Dedee, e Lori. Lori, pouco ou nada fez. Entrou apenas em dois filmes, dando a sensação de que foi quase obrigada a participar em algo ligado à sétima arte, só por causa do nome. Já todos nós ajudamos mais vezes um vizinho a carregar sacos, do que Lori entrou em películas. Os filmes em que entrou foram realizados em 1990 e 2000. Quem sabe se, em 2010, não teremos um regresso?

Já com Dedee Pfeiffer, a coisa já não é bem assim. Dedee tem currículo. Muitos dos filmes em que participou, como Frankie e Johnny (Garry Marshall, 1991), Into the Night (John Landis, 1985), e Íntimo e Pessoal (Jon Avnet, 1996), foram sob a alçada da irmã mais velha. Dedee é a do meio. Também a podemos ver no magnifico Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1994), e, mais recentemente, no aclamado Fix, que a Variety descreve agradavelmente, e do qual deixamos aqui o trailer. No entanto, o irónico da situação é que já me havia cruzado com Dedee dezenas de vezes. É o que dá nem sempre ligar ao guest starring. Quem diria que a Victoria do sublime episódio The Opposite, em que George Costanza desvenda o caminho para a realização pessoal, era uma das irmãs mais novas de Michelle? O mundo é mesmo pequeno.