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4 de julho de 2008

Hakuna Matata.

Ainda deveremos falar nos próximos dois dias. Até porque a Annie está a chegar. Mas, porque hoje é sexta-feira, aqui ficam os votos de boas entradas neste fim-de-semana, ou de férias, para quem for, ao som de Hakuna Matata.

Em português.
Em inglês.
Em francês.
Em espanhol.
Em italiano.
Em alemão.
Em russo.
Em norueguês.
Em checo.
Em holandês.
Em brasileiro.
Em mandarim.
Em árabe.
Em hebraico.

A par de Singin’ in the Rain, a melhor feel-good song de qualquer filme. A atestar isso mesmo, o reforçar dos votos num vídeo multilingue.

Pedra, papel ou tesoura.

Só porque no post abaixo se fala de Nicole Kidman, aqui fica um vídeo para desanuviar. Já agora, apesar da menor qualidade, eis a segunda parte. A Nintendo agradecerá certamente a publicidade gratuita.

3 de julho de 2008

Andre Braugher, e A Cidade dos Anjos.

Num daqueles zappings infrutíferos que nunca dão em nada, pois sabemos que desligaremos sempre a televisão num espaço de dois minutos, independentemente do que esteja a dar, passei ontem à noite por A Cidade dos Anjos (Brad Siberling, 1998), na RTP1. O adiantado das horas impedia grandes esticanços. No entanto, aquela vontade maliciosa de rever um guilty pleasure falou mais alto. Os dois minutos transformaram-se em cinco. De cinco passaram a dez. Os dez numa parte. Acabei por ir deitar-me quando faltava um quarto de hora para o final. O peso na consciência é uma coisa terrível.

Contudo, foi bom ter revisto o remake de As Asas do Desejo (Wim Wenders, 1987). Quanto mais não seja, por ter conseguido finalmente identificar as falhas no sistema interno que fazem com que goste deste filme, apesar de todas as suas insuficiências latentes. Primeiro, a banda sonora. Do mais lamechas que se fez no final dos nineties, mas um lamechas harmonioso que vale a pena. Daquele que sabe bem ouvir, pelo menos, de dez em dez anos. Excepto a dos U2, a de Sarah McLachlan, a dos Goo Goo Dolls, a de Peter Gabriel, a de Alanis Morissette, e todas as de Gabriel Yared. Essas, podemos ouvir mais vezes, que ninguém leva a mal. Em seguida, Meg Ryan. Mesmo em piloto automático, aquele sorriso infeliz é infalível. Porventura, o último filme a encaixar no perfil de namoradinha da América. Uma Meg Ryan que aceitava as vicissitudes das suas escolhas profissionais. Ninguém levava a mal as comédias românticas intervaladas apenas por dramas que roçavam o telefilme. Ao mesmo tempo, Nicolas Cage. Ainda está para vir o filme em que Nicolas Cage deixa o seu trabalho a meio. A história pode ser a mais intragável, que Nicolas Cage trata de dar-lhe uma volta. Aqui, o problema é a expressão facial. Quase sempre a mesma. No entanto, que isso não nos impeça de ver que muito bom actor seria incapaz de transmitir estas emoções, quanto mais só transmitir estas emoções. Por último, Andre Braugher. Andre Braugher é o típico actor do Caramba, como é que este tipo não foi mais longe? Braugher respira arte e engenho por todos os poros. Depois, tem aquele ar simples de quem cai no set de rodagem quase por acaso, e não sabe bem o que está ali a fazer. Não sabe bem, o caraças. Imaginando, por uns momentos, que seria professor num qualquer curso de representação – aí está, o delírio do dia –, a primeira recomendação aos meus discípulos seria Meus senhores, façam favor de pegar na série Departamento de Homicídios, ver as sete temporadas a eito, e estejam atentos àquele que diz ser o detective Frank Pembleton. Depois disso, as aulas seriam passadas a discutir a magnificência de Braugher. E, é isto. Eis as razões para ter ficado acordado mais tempo do que devia.

Depois do Regresso, Singer não deve voltar.

Ontem foi um daqueles dias curiosos. Noticias realmente interessantes, daquelas que nos levam a puxar o cabelo enquanto olhamos embasbacados para o monitor, era coisa que não abundava. Um dia demasiado normal para os nossos intentos. Contudo, pior do que isso é este oceano a separar-nos das principais fábricas de sonhos. O não nos guiarmos todos pelo mesmo relógio. Quer dizer, o relógio será sempre universal. Os ponteiros é que não indicam a mesma hora. Assim, em abono da verdade, as notícias de hoje, são as de ontem. Aparecem por lá à noitinha. Chegam aqui já de manhã. Ah, se desse para abdicar desse sono malandro que surge diariamente. Enfim, quanto mais andarmos aqui em rodeios, mais demoramos a tratar das declarações de Mark Millar. E, aquilo que Millar disse ontem, é importante. Antes de mais, convém esclarecer quem é este Mark Millar.

Millar é o autor do comic book Wanted, que serviu de base ao mais recente trabalho de Angelina Jolie e James McAvoy. Para além disso, é também o autor da saga Kick-Ass, que será transposta ao grande ecrã pela mão do realizador Matthew Vaugh (Layer Cake). No entanto, o trabalho mais importante no currículo de Millar deverá ser, muito provavelmente, Superman: Red Son. A definitiva rampa de lançamento. Quando o seu nome começou a ficar mais conhecido no meio, a Marvel não perdeu tempo, e lançou propostas irrecusáveis ao autor. A principal tarefa seria revigorar algumas sagas clássicas da marca, como X-Men, por exemplo. Millar tinha feito um magnífico trabalho na DC Comics, durante a década de noventa. Agora, era altura de mostrar serviço com outra camisola. Os projectos correram bem, tão bem, que Millar hoje já dita leis e opina sobre o próximo filme de Super-Homem. E, uma das primeiras coisas que o consultor criativo – estamos para ver que função Millar terá na ficha técnica – deixou a entender, é que Bryan Singer não deverá sentar-se na cadeira de realizador na próxima película. A ideia é fazer um reboot. Diz Millar: “The Superman brand is toxic after that last movie lost $200 million, but in 2011 we're hoping to restart it. Sadly I can't say who the director is, but we may make it official by Christmas. But fingers crossed it could work out, that would be my lifetime's dream”.

Parece que entrou em vigor a política das maçãs podres e, pelas contas de Millar, Singer deverá ter sido uma delas. Agora, para que não restassem dúvidas, e fazer com que as indirectas fossem um pouco mais objectivas, “A very well known American action director heard about my love of Superman, approached me and asked me to team up with he and his producer to make a pitch for this. We've been talking for several weeks now and, if this is going to happen, we'll know by Christmas”.

Posto isto, deverei confessar que o primeiro nome que se me atravessou à frente, qual anúncio de néon em azul intermitente, foi o de Michael Bay. Lá ao fundo, num cartaz vermelho e preto à la Sin City, facilmente imagino um Directed by… Tony Scott. E, coragem para isso, meus senhores?

2 de julho de 2008

Olivia de Havilland, 92.

Tecnicamente, foi ontem. No B.I., a data de nascimento de Olivia de Havilland é 01 de Julho. No Yada, porque os dias esticam à vontade do freguês, a data celebra-se a 02 de Julho. Mas, verdade seja dita, esticam por uma boa razão. Olivia de Havilland é daquelas por quem tenho maior estima. Ainda no tempo em que o Vhs estava na berra, perdi a conta ao número de vezes que rebobinei a fita para rever As Aventuras de Robin Hood (Michael Curtiz e William Keighley, 1938) e Vida Nova (Michael Curtiz, 1939). O mesmo só não acontecia com E Tudo O Vento Levou (1939), porque o tempo passado a rever o clássico de Victor Fleming, dava para ver os outros dois. O habitual espírito da promoção. Dois pelo tempo de um. Pouco depois, vim a saber que isto era apenas a ponta do iceberg. Não mais que um lamiré de uma das mais prestigiantes carreiras de Hollywood. Daquelas que atravessa e se eleva acima de qualquer Era Dourada. Vencedora de dois Oscares, pelos seus desempenhos em To Each His Own (Mitchell Leisen, 1946) e em A Herdeira (William Wyler, 1949), Olivia de Havilland deixou marca indelével na História da sétima arte. The Snake Pit (Anatole Litvak, 1948), Captain Blood (Michael Curtiz, 1935), It’s Love I’m After (Archie Mayo, 1937), Hold Back The Dawn (Mitchell Leisen, 1941), Hush…Hush…Sweet Charlotte (Robert Aldrich, 1964), In This Our Life (John Huston, 1942), The Strawberry Blonde (Raoul Walsh, 1942). E, a lista, acompanhada por esta mítica cena de Vida Nova, poderia continuar.

Viu a sua irmã mais nova, Joan Fontaine, se antecipar, e conquistar primeiro o tão desejado Oscar. Contudo, a primeira vez que o ganharia, seria Fontaine a anunciar e a entregá-lo. Hoje, continuam a ser as únicas irmãs a realizar este feito. Nunca foi muito de arrebatar corações. Vários foram os filmes que a forçaram a esconder a beleza por debaixo da personagem. Aquilo que nunca escondeu mesmo foi o talento.

1 de julho de 2008

Está dito, já não há volta atrás.

Antes de mais, vamos recapitular a semana. Primeiro, tivemos direito ao trailer de Ponyo on the Cliff, o próximo de Hayao Miyazaki. Depois, vieram as primeiras imagens de Quantum of Solace. De seguida, Eddie Murphy veio dizer que tenciona voltar a fazer standup comedy. Agora, esta simples frase de Jeffrey Tambor, publicada na Entertainment Weekly:

I think we have finally figured out for sure that we are indeed doing an Arrested Development movie”.

Ele há semanas boas. Mas, esta tem sido demais. Valeu a pena termos dado as mãos. Obrigado a todos pelo jeitinho.

Já não era sem tempo, ò Eddie.

Aquilo que começou por ser uma simples declaração de intenções transformou-se já numa discussão acerca de Beverly Hills Cop 4. Comecemos, então, pelo final. Depois de Eddie Murphy ter dito ontem que tenciona abandonar a representação, o actor rematou dizendo que dificilmente voltaria a vestir a pele de Axel Foley, porque o filme ainda não estava pronto. Ainda ontem, Brett Ratner teve oportunidade de retorquir, comunicando ao pessoal do Latino Reviews qualquer coisa como: “Dont believe everything you read on the internet. Believe me, this is going to be a hard core ‘R’ Beverly Hills Cop. I start shooting next year”. Seremos só nós, ou nota-se aqui alguma animosidade no ar? E, não por Ratner ter dito que isto vai ser hard core. Se Murphy tiver mandado uma sms esta manhã a Ratner, certamente não terá sido para desejar um bom dia.

Agora, o mais importante no meio disto tudo foi mesmo aquilo que motivou as primeiras declarações de Murphy ao Extra. Disse, então, o actor: “I have close to 50 movies and it’s like, why am I in the movies? I’ve done that part now. I’ll go back to the stage and do standup”.

Porque Bill Maher não nos está a ouvir podemos dizer que, sempre que Deus fecha uma porta, abre uma janela. Neste caso, uma janela bem maior do que as portas que Murphy nos tem habituado a passar nos últimos anos. Murphy voltar a fazer standup é, tão-somente, a melhor noticia deste mês – repare-se como o mês começa hoje mas, dito assim, até parece uma coisa enorme. Um pouco mais a sério, esta será talvez a melhor decisão de toda a sua carreira. Apesar de Murphy ter ainda outro filme em carteira para além de Meet Dave (A Thousand Words, NowhereLand, Shrek Goes Fourth), já se avista a luz ao fundo do túnel. Só por isso, vale a pena recordar esta passagem dessa pérola de 1982 que é Delirious.

Às terças, é sempre a mesma coisa.

A paranóia – para não estar sempre a romantizar esta obsessão com o Cinema e chamá-la de paixão – chega ao ponto de encontrarmos, na mais rotineira das acções, o paralelismo com um qualquer filme. Seja o abrir a porta de um elevador; seja o sentar à mesa ao pequeno-almoço para comer uma tigela de cereais; seja o abrir o porta-bagagem do carro; seja o abotoar a camisa em frente ao espelho; seja o abrir os cortinados de manhã; seja o desligar o candeeiro; seja o estar sentado numa paragem de autocarro; seja o estar à chuva. Seja uma série de coisas. Tudo isto serve para recordarmos uma qualquer película. Até mesmo o simples facto de deixarmos a segunda-feira para trás, e recebermos em troca uma terça-feira.

Agora, não é todas as semanas que isto acontece. Confesso, esta é uma recuperação que ocorre tanto mais vezes quanto menor for a fezada para a terça-feira que se avizinha. Digamos que é uma memória agradável, ou não se tratasse de um belíssimo filme, associada a um sentimento que está longe de ser de euforia. No último Quiz Show, uma das questões era Melhor feel-good movie. Pois bem, este que recordo com alguma regularidade nas vésperas de terça-feira é dos maiores anticorpos que um feel-good movie pode encontrar. Se alguém estiver a precisar de ver o mundo com uma tonalidade mais rosada, mete no leitor O Fabuloso Destino de Amélie, Garden State, Love Actually, Little Miss Sunshine, ou A Bela e O Monstro. Por outro lado, se alguém acha que a vida é um mar de rosas, e se sente com estofo para levar murros no estômago em catadupa, então, Tuesdays With Morrie é o filme a ver. Que é para não haver gente demasiado bem-disposta. Se a Teoria da Compensação serve para alguma coisa, é para nos dizer que por cada sorridente, haverá algures um cabisbaixo. Isto é, por cada cinéfilo feliz da vida depois de ter visto O Despertar da Mente, deverá haver por aí um nas ruas da amargura depois de ter visto E.T.. E, é neste capítulo dos filmes deprimentes que entra Tuesdays With Morrie. Se calhar esta não será a melhor maneira de publicitar a obra, no entanto, não podemos escamotear a verdade. Este não é daqueles que nos deixa a pular de contentamento e a desenhar corações por cima dos is. Contudo, não deixa também de ser um dos maiores hinos à vida captados por uma câmara. Até agora temos dito filme. Porém, nos livros, o nome técnico é telefilme. A qualidade é tanta que nos confundimos. A película, que teve Oprah Winfrey como produtora executiva, chegou à televisão em Dezembro de 1999. No ano seguinte, viria a ser nomeada para um Globo de Ouro e a arrecadar quatro Emmys. Realizado por Mick Jackson (O Guarda-Costas), o filme conta-nos a história de Mitch (Hank Azaria), um jornalista e comentador desportivo cada vez com mais sucesso. Em prol da carreira, Mitch abdica dos pequenos prazeres da vida, e deixa que a relação com a sua namorada se deteriore lentamente. Num dia como tantos outros, Mitch está sentado em frente da televisão. No entanto, a reportagem que vê é sobre Morrie (Jack Lemmon), um dos seus professores de faculdade, que sofre da doença Lou Gehrig.

A partir daí, o filme transforma-se num valente tabefe para o mais amorfo que há em nós. Um Vê lá se acordas que faz-se tarde. O último trabalho – e que maravilha – creditado, do monstro Jack Lemmon. Aquele que mais nos levará a pensar que Azaria terá talvez tido umas aulas de representação. E, sem dúvida alguma, o momento de maior genialidade na carreira de Mick Jackson. Para os demasiado afortunados, ou mesmo para os desventurados, aqui fica a sugestão. É que, por vezes, o fogo combate-se com fogo. Apesar de a obra estar no Youtube na íntegra, não cometam a atrocidade. Depois desta primeira parte, há que ver o filme com a qualidade que ele merece.

29 de junho de 2008

Bê-à-Bá.

Este fim-de-semana fui confrontado com um desafio. Quem me conhece, sabe que gosto destas coisas. E, quem me conhece melhor, sabe que gosto ainda mais de passá-los aos outros. A provocação era simples. Escolher um filme para cada letra do alfabeto. O melhor filme, para essa letra. Dito assim, até parece fácil. A verdade é que foi necessário ir buscar uma folha e uma caneta. Só depois de rabiscar um bom bocado é que cheguei à lista definitiva, dada aqui a conhecer:

Annie Hall (Woody Allen, 1977),
Beleza Americana (Sam Mendes, 1999),
Casablanca (Michael Curtiz, 1942),
Do Céu Caiu Uma Estrela (Frank Capra, 1946),
Escândalo na Tv (Sidney Lumet, 1976),
Férias em Roma (William Wyler, 1953),
Glória de Pamplinas, A (Clyde Bruckman e Buster Keaton, 1927),
Heat – Cidade Sobre Pressão (Michael Mann, 1995),
Imperdoável (Clint Eastwood, 1992),
Jerry Maguire (Cameron Crowe, 1996),
Kill Bill – A Vingança (Quentin Tarantino, 2004),
Luzes na Cidade (Charlie Chaplin, 1931),
Mundo a Seus Pés, O (Orson Welles, 1941),
Não Dês Bronca (Spike Lee, 1989),
O Mais Selvagem Entre Mil (Martin Ritt, 1963),
Padrinho II, O (Francis Ford Coppola, 1974),
Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000),
Rei Leão, O (Roger Allers e Rob Minkoff, 1994),
Silêncio dos Inocentes, (Jonathan Demme, 1991),
Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976),
Um Amor Inevitável (Rob Reiner, 1989),
Vida é Bela, A (Roberto Begnini, 1998),
Walk The Line (James Mangold, 2005),
X-Men II (Bryan Singer, 2003),
Zodiac (David Fincher, 2007).

O repto está lançado. Parecendo que não, uma folha e uma caneta ajudam.

Qual é o Filme?

Durante a intensa rodagem deste filme, Burt Lancaster ameaçou dar um soco ao argumentista, que terá respondido “Força, o dinheiro dá-me jeito”. Este argumentista, seis vezes nomeado para um Oscar, mas sem uma única vitória no currículo, viria a adaptar o argumento do filme que esteve mais tempo em exibição nas salas francesas, com um total de 249 semanas.

Neste filme que, ainda hoje, detém esse recorde, entra o actor que, anos mais tarde, participaria numa série de televisão que motivou a Hallmark a fazer um calendário. No entanto, esse calendário nunca chegaria a ver a luz do dia, porque uma das principais actrizes da série pousou para a Playboy. Entre outros, esta série foi criada por um cineasta que, anos mais tarde, viria a realizar um filme, segundo o próprio, passado no mesmo mundo. Neste filme, entra a irmã da actriz que serviu de base a uma música dos Toto.

Os maus hábitos da RTP.

Passar Mr. Bean ininterruptamente, aos Domingos, à hora de almoço, de há meio ano a esta parte.

Repetir os filmes de Hercule Poirot com David Suchet, pelas madrugadas de fim-de-semana adentro, há uns bons meses.

Se o primeiro não nos permite esquecer as trapalhadas de Bean, o segundo raramente nos possibilita manter acordados até ao desenlace da trama. Qual dos dois o mais desesperante?

28 de junho de 2008

É o delírio.

Será mais incomodativo o burburinho dos dois tagarelas nos assentos de trás, durante todo o filme, ou toda uma audiência em alvoroço quando chega o tão aguardado momento? Porque a magia do Cinema também é isto. Pop culture no seu melhor, à distância de um clique na imagem.

O primeiro dos três.

Photobucket

Lá em baixo, a resposta era mesmo Voando Sobre Um Ninho de Cucos (Milos Forman, 1975). Filme que valeu a Jack Nicholson o primeiro Oscar da sua carreira. Alguém disse um dia que o R.P. McMurphy de Nicholson não era uma interpretação do actor, mas sim o próprio Jack Nicholson, em todo o seu esplendor. Há quem diga que este foi o seu desempenho mais fácil de todos. Bastou ser ele próprio. Sem truques na manga. Só por isso, vale a pena relembrar as suas palavras quando, em 1976, se chegou à frente no Dorothy Chandler Pavillion, para arrebatar o Oscar de Melhor Actor. Já na altura, os óculos de sol eram uma imagem de marca.

Os primeiros passos de uma prequela/sequela.

Ainda não é certo o que está para vir. Verdade seja dita, ainda não se sabe se virá ou não. Mas, das duas uma, a acontecer, ou será uma prequela, ou uma sequela. Depende de para onde derivar a mente de Frank Miller. Neste momento, o ponto de situação é este. Frank Miller vai pensar um bocado, fazer uns desenhos, e depois logo entra em contacto com os produtores Mark Canton e Gianni Nunnari, e o realizador Zack Snyder, para dar conta do produto final. Se Snyder gostar do resultado, o mais provável é a Warner Brothers ter um novo blockbuster em carteira. Nas palavras do realizador de Watchmen, dadas a conhecer nesta entrevista ao Collider: “I’ve talked to Frank a little bit about it, and he’s going to do something, I think he’s going to draw something. We’ll see what he does. If something’s cool we’ll make a movie out of it”. Pondo de lado algum negativismo que uma notícia deste tipo pode trazer, esta parece-nos ser uma óptima novidade. Se há filme do qual vinha mesmo a calhar um novo capitulo, era 300. Aliás, até prova em contrário, tudo o que tiver o dedo de Frank Miller é bem-vindo. Nunca estamos demasiado entretidos.

27 de junho de 2008

Será mesmo a melhor?

No mesmo fim-de-semana em que WALL•E chega, vê e vence – pelo menos, do outro lado do Atlântico –, outro nome faz correr tinta. Apesar de faltarem ainda três semanas para a chegada de The Dark Knight – que já tem sessões da meia-noite esgotadas para o fim-de-semana de estreia –, Sasha Stone do Awards Daily acha por bem acreditar na palavra de Sam Rubin, um dos primeiros grandes defensores de Juno. E, o que diz Sam Rubin? No fundo, que o filme é fenomenal, e Heath Ledger ainda melhor.

I just returned from a screening and I wanted to commit this to a public forum as quickly as possible. Heath Ledger gives a blockbuster performance in the new Batman movie. His work, as The Joker, will absolutely be nominated for an Oscar, and at this point in the year, Ledger is also a hands-down favorite to win it posthumously. Ledger offers perfect pitch, perfect tone, his Joker hits all the right notes. 'The Dark Knight' is among the better super-hero movies of all time, and Ledger is THE BEST villain in a super hero movie of all time. Really. It will only add to the conversation of all that Ledger could have accomplished had he lived. Amazing work.”

E, para dar ainda um toque mais especial a esta estrondosa ovação, David Germain da Associated Press não é menos simpático.

The buzz over Heath Ledger's performance as the Joker in The Dark Knight for the last several months was justified. With his final full film role, Ledger delivers what may be remembered as the finest performance of his career”.

Ganham assim forma, as primeiras convicções de que Heath Ledger seria um forte candidato na categoria de Melhor Actor Secundário. Para já, é difícil imaginar uma interpretação superior à do magnífico Ennis Del Mar. Aguardamos ainda com mais ansiedade.

Hoje, o Hollywood Report deu também a conhecer o tributo que surgirá a Heath Ledger e Conway Wickliffe, no final do filme, antes dos créditos.

In memory of our friends Heath Ledger and Conway Wickliffe”. Wickliffe foi o técnico de efeitos especiais que faleceu num desastre de automóvel, no set de rodagem.

25 de junho de 2008

Principio, meio e fim.

Hoje iniciei uma discussão deveras interessante com o meu botão de cima – aquele que, já dizia o outro, pode arruinar qualquer camisa. A coisa aqueceu de tal maneira, que o botão do meio achou por bem intervir. Cada um com a sua opinião, ainda não chegámos a um consenso. Por este andar, o melhor é ir dormir e amanhã logo se vê. No entanto, achámos por bem partilhar o nosso dilema. Cenário: Estamos em casa e preparamo-nos para ver um filme, que nunca vimos, e que já vem anunciado na programação há uma semana. Este é daqueles tão bons, que nem acreditamos que o primeiro visionamento será através da televisão. Com a excitação, nem o pomos a gravar. São nove da noite. O filme tem duas horas. Se, durante esses 120 minutos, existisse um corte de electricidade de 10 minutos, em que altura do filme é que ficariam, vamos lá, mais maçados? No inicio, das 21 às 21:10? A meio, das 21:55 às 22:05? Ou, no final, das 22:50 às 23? Se existir uma justificação, melhor ainda. Alguém que faça ver aos botões que é no início.

Qual é o Filme?

Photobucket

Porque o João Bizarro tem razão – He Got Game não é o filme em questão –, e a dúvida não deve persistir, aqui vai uma pista: O filme ganhou cinco Oscares.

24 de junho de 2008

O mundo subjectivo da tradução.

Por cá, o filme tem estreia marcada para 31 de Julho. Até lá, teremos tempo de sobra para antecipações e dissertações. Contar as participações de Anna Faris e John Krasinski, e ter passado com moderada distinção por Sundance, faz desta obra, uma das mais aguardadas da temporada. No entanto, por agora, fiquemos com a tradução do título, e reflictamos. Marijuana, Meu Amor. Isso mesmo. Para que não restem dúvidas, o original é Smiley Face. Em português, Marijuana, Meu Amor. Não fosse o levantar falsas suspeitas, e até seria capaz de apostar quem é que anda a fumar isto em demasia.

A Rádio e os Anos 50.

Tudo o que seja década de 40, mais a atirar para o final, e inicio dos fifties, tende a cair no goto de Alvy Singer. Salvo raras excepções, estamos a falar do mais puro período do pós-guerra. No entanto, mesmo que a obra verse sobre os dias que antecederam a II Guerra Mundial, normalmente, isso não constitui problema. O importante é que a aura da época esteja lá. Então, se a acção do filme se passar no apogeu dos anos 50, muito provavelmente não será preciso a narrativa se preocupar com lógicas, nem os actores em fazer um trabalho credível. Desde que o director artístico acerte o passo, o olhar embasbacado para os cenários encarregar-se-á de fazer esquecer um filme menos bom. No entanto, como cinéfilo constantemente em busca de certificação, é necessário deixar de lado estes caprichos, e procurar avaliar a obra no seu todo. Tarefa complicada, sempre que passa um Buick azul, sempre que alguém saca um pente do bolso da camisa, ou sempre que alguma mulher bonita com o cabelo mais longo é confundida com Rita Hayworth, por aí adiante.

Vários são os títulos deste tempo, ou que reportam ao mesmo, que compõem um dos grupos mais querido desta cinéfilia. Bem vistas as coisas, um filme contemporâneo que retrate a época é capaz de ser ainda mais atraente. Não só pela qualidade da imagem, mas também pela caricatura inerente. Algo que, na altura, não seria tanto assim. Era apenas o ver hábitos e costumes no grande ecrã.

Hoje, dois títulos são recordados com saudade. Estivesse algum deles nestas estantes atrás de mim, e esta noite era certo e sabido. A sorte destes safados é que ainda não lhes deitei a mão. Não há-de faltar muito. O primeiro, Esta Loira Mata-me (Jerry Rees, 1992), o filme que funcionou como Cupido de Kim Basinger e Alec Baldwin. O segundo, Os Dias da Rádio (Woody Allen, 1987), provavelmente aquele que mais merecerá estar ao lado de Annie Hall, Manhattan, e Ana e as Suas Irmãs. Duas películas que, tirando a tal etiqueta dos forties e fifties, pouco ou nada têm em comum. No entanto, o estilo, esse, faz toda a diferença. Assim como as músicas de Glenn Miller, Cole Porter e Billie Holiday. As mesmas histórias, com os mesmos contornos, situadas em 1979, não teriam metade da piada. A par destes dois, estou agora a ver Os Condenados de Shawshank, L.A. Confidential, Regresso ao Futuro II, Boa Noite e Boa Sorte, Conta Comigo, e tantos, tantos outros. Agora, dissecando o inconsciente, e procurando escrutinar as razões por detrás destas saudades, creio que isto será culpa de Steven Spielberg. Muita gente se perguntou sobre o interesse daquela primeira cena, em que um grupo de jovens decide espicaçar a coluna de camiões. Mas, será que alguém olhou para os penteados e vestuário dos irresponsáveis? Já para não falar da relíquia que era aquele carro. O objectivo era apenas o de contextualizar. E, logo aí, fiquei agarrado. No entanto, já agora, aqui fica uma memorável cena de Os Dias da Rádio.

A derradeira tentativa.

Ainda hoje, não consigo olhar para The New World (2006) com o mesmo brilho nos olhos que muito cinéfilo espalhado por esse mundo fora. Apesar de não ser um daqueles que divide radicalmente opiniões, com respostas diametralmente opostas, o último filme de Terrence Malick continua a ser apelidado de obra-prima e clássico instantâneo, por uns, e entretenimento satisfatório a roçar o bocejo, por outros tantos. Infelizmente, estou mais inclinado para este último grupo. Confesso, as expectativas para este filme, eram mais que muitas. Astronómicas é a palavra mais semelhante que me ocorre, contudo, mesmo assim, peca por defeito. Durante o visionamento, vários foram os momentos em que pensei sentir aquele formigueiro que nos visita sem qualquer notificação, quando estamos na presença de um filme que nos agita. Provavelmente, não passaria de uma comichão mal disfarçada. Ao mesmo tempo, durante o filme, por diversas vezes pretendi mergulhar no mesmo, e deixar-me levar por tudo aquilo que parecia mais apelativo. No entanto, a barreira entre o real e a ficção permaneceu sempre visível. Assim que o filme terminou, achei que, com o tempo, com o assentar das ideias, veria que tinha tido o privilégio de assistir a um título intemporal de Terrence Malick. Ainda hoje, é isso que desejo. Se houve filme do qual quis gostar, e muito, foi este. Aliás, este é um desejo que se mantém. Porque, no caso de Malick, não basta achar que o filme é bom. Se alguém diz que está ali uma obra-prima, e nós não vemos, sentimos que algo está errado connosco. Ou precisamos de óculos, ou estamos a passar ao lado de um acontecimento cinematográfico. Como a primeira hipótese já está preenchida, só resta a segunda. Continuando a resistir à ideia de que não gostei tanto quanto desejaria, do único filme de Terrence Malick que vi no grande ecrã, foi com um enorme sorriso que recebi esta boa nova. Quem sabe se um Extended Cut com mais 30 minutos não fará toda a diferença? A 14 de Outubro, teremos a resposta.