23 de abril de 2008

As Sete Maravilhas.

Todos os dias me é dada a possibilidade de escolher entre o elevador e as escadas. Todos os dias o elevador leva a melhor. Ontem, não foi excepção. No entanto, com uma pequena nuance. Uma vez chegado ao piso pretendido, ao virar-me para a porta, um súbito receio emergiu. Pela primeira vez, num espaço semelhante, recordei a mítica cena de The Departed – Entre Inimigos (Martin Scorsese, 2006). Foi como reviver a magia do primeiro duche depois de Psico (Alfred Hitchcock, 1960). Muito lentamente, abri a porta. Suspirei, e em passo rápido sai em direcção à rua. O perigo tinha passado. Contudo, ao caminhar pelo passeio, já com um sorriso no rosto devido ao episódio idiota, pensei como seria bom poder visitar aquele preciso local do set de rodagem. Se tivesse a oportunidade de visitar um qualquer lugar por onde passaram as filmagens de The Departed, sem hesitar, escolheria o elevador daquele prédio abandonado no meio de Boston. Deste pensamento, ao que se seguiu, foi um passo: Que locais, presentes em filmes, gostaria de percorrer? Pergunta libidinosa. Por um lado, existem os filmes preferidos. Por outro, viagens que parecem divinais nas revistas da especialidade. Ao mesmo tempo, existe um ou outro local que já tive o privilégio de inspeccionar de perto. Nesse capítulo, os dias em Manhattan foram profícuos até mais não. Aproveitados de sol a sol. Ainda assim, ficaram uns quantos passeios por pisar, e uns quantos prédios por fotografar. Nada que um regresso não resolva. Agora, por tudo isto, os sete locais apresentados neste post, mais do que as Sete Maravilhas do Cinema, são os sete pontos espalhados por esse planeta, que este cinéfilo mais gostaria de visitar, por culpa de um determinado filme. Porque no final virá a questão da praxe, fica desde já o aviso que isto é coisa para levar um tipo a puxar os cabelos. Quando damos por nós a desejar uma viagem às profundezas dos oceanos, com o intuito de visitar o reino da pequena Ariel, percebemos que isto não é fácil. No mundo real, após uma rigorosa selecção, eis as sete maravilhas eleitas.

7– Shibuya

Na verdade, esta maravilha decompõe-se em duas. Num primeiro momento, subiria ao segundo andar do Starbucks onde Sofia Coppola assentou arrais com a equipa de filmagens. Ai, na mesa mais perto da janela, pediria um chocolate quente, e ficava a imaginar a jovem Charlotte perdida nas passadeiras de Shibuya. Uma vez terminada a bebida, desceria até à rua, e andava para trás e para a frente em todas aquelas passadeiras, até nenhuma ficar por percorrer. É que tinham de ser mesmo todas. Se não descobrisse a vagueante Charlotte, regressaria ao hotel. Aí, pelo menos, sabia que, ao balcão do bar, encontraria Bob.

6 – Boca da Verdade

Esta é a maravilha atravessada na garganta. A única razão pela qual a Fontana di Trevi, imortalizada por Anita Ekberg e Federico Fellini (A Doce Vida, 1960), não consta desta lista, é porque a cidade de Roma já consta das paragens de Alvy Singer. O problema é que a Boca da Verdade não foi um dos pontos de visita. Remorso é a única palavra no bolso para isto. É verdade que aquilo não passa de uma tampa de esgoto do tempo do Império Romano, onde, durante a Idade Média, os maridos levavam as suas mulheres. Estas metiam a mão dentro da boca da figura e dizia-se que, se a mulher tivesse sido infiel, a boca fecharia com a mão no seu interior. Floreados à parte, esta é o local onde Gregory Peck arrancou um grito genuíno a Audrey Hepburn, num dos melhores romances de sempre. Antes de passarmos à próxima maravilha, permitam-me só mais uma valente cabeçada na parede.

5 – Aeroporto Bob Hope

O nome não dirá grande coisa, para não dizer que não diz rigorosamente o quer que seja. Se dissermos que se trata do local onde ficou registado um dos melhores finais de todos os tempos, não estaremos a mentir. Se dissermos que foi aqui que se filmou uma das melhores ultimas frases de sempre, também não enganamos ninguém. Era para ter sido em Casablanca. Contudo, em plena II Guerra Mundial, nem a própria cidade de Los Angeles era suficientemente segura. Até em solo americano, as cenas foram filmadas apenas após o sol se pôr. E, apesar de o avião que vemos descolar, ter sido filmado em Van Huys, foi nos estúdios do outrora Aeroporto Burbank, hoje, Bob Hope, que Humphrey Bogart se virou para Claude Rains, e disse, “Louis…”.

4 – Moulin Rouge

É verdade. Paris. Certamente que haverá muito para ver na Cidade da Luz, no entanto, a escolher apenas uma, tem de ser esta. Não fosse o génio de Baz Lhurmann, e o Moulin Rouge não suscitaria metade da curiosidade. Sempre que alguém visita a capital francesa, a primeira pergunta nunca é sobre a Torre Eiffel. Então, foram ao Moulin Rouge? Até hoje, não consegui ainda construir um cenário mental do local. A cada descrição, a fantasia distorce-se. A única certeza é a de que, ao olhar para o moinho, antes de entrar, será obrigatório colocar os phones, e escutar a banda-sonora. Criar o ambiente. Fechar os olhos, e ouvir o medley Elephant Love.

3 – Sicilia

De todas as maravilhas, esta é a única em que se imporá uma indumentária a rigor. Botas gastas, calças de fazenda, uma camisa suja, colete, boina, e, vamos lá, uma espingarda de plástico. Até pode ser uma bisnaga. Desde que pareça real, e dê o efeito pretendido, não haverá qualquer objecção. Temos é de sentir-nos como Michael Corleone a caminhar por aqueles planaltos dourados. A aguardar um telefonema da famiglia. Um ser perigoso em ascensão, controlador de negócios sujos e do crime organizado de Nova Iorque. Passear por aquelas aldeias típicas da região, como Savoca e Forza d’Agro, e pedir um prato de esparguete com queijo e chouriço para o almoço. Sem esquecer, nunca, que somos um ser perigoso em ascensão. Perto dos amigos. Mas, ainda mais dos inimigos. Ir à Sicilia é uma viagem que jamais poderemos recusar.

2 – Lincoln Memorial

A exemplo do que acontece na maravilha anterior, aqui também seria necessário vestir a pele da personagem. Não tanto pela roupa, mas, fazer o que ela fez. No entanto, esta será uma tarefa ainda mais complicada, na medida em que implica recrutar um cúmplice. A receita passa por visitar Washington durante uma semana, com a nossa cara-metade. Ao primeiro dia, se possível, ainda no aeroporto – quanto mais cedo melhor –, aprontamos uma tremenda discussão, ao ponto de termos de ir para hotéis separados. Sem nunca perdermos o contacto (até porque teremos o regresso marcado para o mesmo dia, e alguém ficará com os dois bilhetes), arranjamos um encontro aparentemente fortuito no Lincoln Memorial. Mais ou menos à hora marcada, o ideal será conseguir arrancar o microfone de uma qualquer manifestação, por ali a decorrer. Ao avistarmos, ou ouvirmos, a nossa cara-metade, basta descer a escadaria, e correr na sua direcção. Correr, qual Forest. Caramba, se isto não fizer o dia de alguém, o que fará?

1 – Sunset Boulevard

O plano há muito que está delineado. A sua simplicidade, a isso também ajuda. A ideia passa por começar numa ponta, e acabar na outra. Nada de muito complexo. Olhar para o lado, e reconhecer tantos locais, referidos em outros tantos filmes. Um santuário da Sétima Arte. Respirar aquela que será, talvez, a avenida que mais vezes passou no grande ecrã. Pisar os passeios da avenida que deu o título à obra-prima de Billy Wilder. Local por onde todos passaram, e onde todos buscaram inspiração. São quase 35 quilómetros. Cada metro valerá a pena. Sobretudo aqueles junto do local onde ficava a casa de Norma Desmond.

Agora, o aviso até já tinha sido feito, a pergunta habitual no final deste tipo de posts. Quais as Sete Maravilhas do Cinema, para aqueles que visitam este espaço?

O regresso.

Aqui ficam as primeiras imagens do mais recente filme de Woody Allen. O JustJared publicou as primeiras fotografias, tiradas em pleno set, da obra ainda por intitular do realizador de Manhattan (1979). Para já, muito pouco se sabe sobre o filme. Por enquanto, os únicos aspectos do argumento a descoberto prendem-se com a relação entre um homem mais velho, Larry David (Curb Your Enthusiasm), e uma mulher mais nova, Evan Rachel Wood (Treze). Entre os dois, quarenta anos. Para além disto, teremos ainda um rapazote, interpretado por Henry Cavill (Os Tudors), com o qual a mãe de Rachel Wood gostava que a filha se casasse. Apesar de alguns rumores, ainda não está confirmada a presença de Emma Thompson como mãe. De volta à cidade que o viu nascer para o Cinema, esperemos apenas que este seja um regresso feliz. Não é assim, Alvy? Claro que é.

Disneynature.

A Disneynature, um dos novos ramos da Walt Disney Studios, será, nos próximos anos, um nome com forte presença nas salas de cinema. Na linha de A Marcha dos Pinguins (Luc Jacquet, 2004), a Disneynature prepara-se para lançar uma série de documentários sobre a natureza. O primeiro deles, Earth, tem estreia marcada para o Dia da Terra (22 de Abril) do próximo ano. Um ano antes, a Disney deu a conhecer o primeiro trailer. Realizado pelo produtor, já galardoado com um Emmy, Alastair Fothergill (Planet Earth), o filme relata a viagem de três famílias à volta do globo, e é narrado pelo actor James Earl Jones (Star Wars).

Para além deste, a Disneynature apresentou outros seis projectos em carteira: The Crimson Wing: Mistery of the Flamingos (Matthew Aeberhard and Leander Ward, estreia prevista para 2008), Oceans (Jacques Perrin e Jacques Cluzaud, 2010), Oragutans: One Minute to Midnight (Charlie Hamilton James, 2010), Big Cats (Keith Scholey e Alastair Fothergill, 2010), Naked Beauty (Louie Schwartzberg, 2011), e Chimpanzee (Alastair Fothergill e Mark Linfield, 2012).

22 de abril de 2008

Don't waste it.

O segundo post deste blog, o primeiro da autoria deste que se assina, deu o mote para os textos que não estão relacionados com o Cinema. A bem dizer, haverá sempre um ponto de partilha com a sétima arte. A exemplo do que aconteceu nesse post, em que se falou de Tom Hanks e Shelley Long, também aqui haverá uma maneira de estabelecer um paralelo. Contudo, mesmo que não haja, não há crise. A importância do assunto encarrega-se da justificação.

Até hoje, nunca me deu para estudar o motivo desta paixão – se é que podemos colocar as coisas nestes termos. Ainda não chegou aquela manhã em que, ao acordar, dou um salto da cama, bato palmas, e digo Hoje é que vou inscrever-me numa escola de Cinema. Já esteve mais longe, creio. No entanto, não chegou ainda esse dia. Até hoje, esta tem sido uma cinéfilia de trazer por casa. Poucos têm sido os livros lidos sobre o tema. Muitos são ainda os filmes para ver. Alguns deles, a exemplo da Annie, assumem-se como falhas inexplicáveis. Enfim, o caminho é longo, e a distância a percorrer é ainda muito maior do que aquela que ficou para trás. Contudo, muitos têm sido aqueles que vão ajudando a encurtar esta viagem. Muitos têm sido aqueles que, com a sua experiência e perícia, vão indicando a rota mais segura e enriquecedora. A Premiere, quando surgiu, por exemplo, foi como o completar da A2. Aquilo é que foi beber informação. As pérolas do Criswell, sempre apetecíveis para um cinéfilo sedento por mais e melhor. Daí para cá, tem sido o procurar permanente de novas revistas, novos sites, novos fóruns e novos blogs, que tenham algo de novo a dizer. Que tragam uma nova óptica sobre determinada obra, e nos possibilitem uma percepção diferente sobre um filme em particular. Porque, é muito bom sermos capazes de decompor todos os elementos que fazem de Rio Bravo (John Ford, 1959) um clássico, mas, sabe ainda melhor conhecer as motivações do realizador e de John Wayne por detrás do filme. Neste particular, até porque grande parte do tempo livre é passada na blogosfera, nos últimos tempos, as aulas de cinéfilia têm decorrido em alguns blogs. Hoje, um deles, dos mais importantes, deixou um sinal. Este não é um espaço qualquer. Desenganem-se aqueles que pensam tratar-se apenas de um blog sobre cinema. Seria o mesmo que dizer que um filme é apenas um filme. No dicionário, original tem bastantes sinónimos. E, todos eles se aplicam àquilo que diariamente o Wasted Blues tem para oferecer. Extraordinário pode ser dito de tantas formas diferentes. E, nenhuma delas é mal aplicada ao descrever o Wasted Blues. Porque este ainda não é o The End deste filme, resta-nos esperar pelos próximos capítulos. Quem nunca lá entrou, não faz ideia do que tem andado a perder. Aqui entre nós, o Mode: Edit é o maior tesouro da blogosfera.

29 - Fireflies in the Garden.

De vinte e cinco passaram a trinta. Apenas porque seria inexplicável deixar de fora os títulos que apresentaremos até chegarmos ao vigésimo quinto eleito. Este Fireflies in the Garden, por exemplo, passaria ao lado desta lista. A acontecer, isso seria, a todos os títulos, imperdoável.

Antes de mais, pelo elenco bastante simpático. Julia Roberts, Ryan Reynolds, Willem Dafoe, Emily Watson, Carrie-Anne Moss, e Hayden Panettiere. Em seguida, pela sinopse cativante. Fireflies in the Garden é o retrato de uma família, à procura de um ponto de união, após uma tragédia lacerante. Michael Taylor (Ryan Reynolds) é um escritor de sucesso que canalizou as terríveis memórias de infância para as suas obras. Relutante, regressa a casa para o doutoramento da mãe (Julia Roberts). Um pai austero e inseguro (Willem Dafoe), e uma irmã sombria (Hayden Panettiere), é aquilo que encontra à chegada. Era a esta a memória que tinha de ambos. Uma família com assuntos por resolver, num momento em que a força dos laços é testada como nunca. Michael precisará de confrontar o seu passado e encontrar a compreensão no seio familiar. Do pai, sobretudo. E, em si mesmo, também.

Sem trailer, do filme conhecemos, para já, algumas imagens, e outros tantos clips. Como, por exemplo, este, que nos leva a pensar que estaremos perante um cruzamento de A Familia Adams (Barry Sonnenfeld, 1991) com Beleza Americana (Sam Mendes, 1999). Realizado pelo estreante Dennis Lee, a obra assume-se como a grande aposta de Julia Roberts para a temporada de prémios. Ainda é cedo para dizer se este será o veículo para a próxima estatueta dourada da actriz. O que sabemos é que existe sempre alguma vontade em premiá-la – lembremo-nos de O Sorriso de Mona Lisa (Mike Newell, 2003), Closer (Mike Nichols, 2004), e Charlie Wilson’s War (Mike Nichols, 2007). Se as expectativas se confirmarem, alguma campanha em torno da actriz será o passo seguinte.

21 de abril de 2008

Savage Grace - O trailer.

Não sendo um dos mais aguardados do ano, devemos seguir com atenção os passos de Savage Grace (Tom Kalin, 2007). A história verídica da família Baekeland, marcada quer pelo sucesso, quer pelos dias negros de obsessões sexuais e homicídio. Por onde tem passado (Sundance, Dublin Film Festival), a obra tem sido recebida com algumas reticências. Aqui e ali, alguns pontos fortes, no entanto, pouco aplausos audíveis. Ainda assim, se pusermos de lado as criticas menos positivas, e centrarmo-nos apenas nas primeiras boas impressões, somos capazes de olhar de modo diferente para este título. Para além disso, esta pode ser a alavanca de Julianne Moore. Mesmo que o reconhecimento não surja com este filme, não haverá problema. O grande trunfo está guardado lá mais para a frente. Anos bons, são aquilo que geralmente faz toda a diferença. Aqui fica o trailer.

A notícia que não o chega a ser.

À primeira vista, parece mais difícil do que é na realidade. A verdade é que muito boa gente domina a arte de debitar palavras só para encher chouriço. Isto é gente que vive todos os dias na berlinda, caminhando vertiginosamente na linha que separa a exactidão do embuste. Sem qualquer rede de segurança, estes são destemidos informadores sem qualquer tipo de problema em relação a isso. Tão depressa estão a falar a sério, como a brincar. Tantas são as vezes que somos apanhados nestes seus malabarismos, que ficamos sem saber quando devemos acreditar. No entanto, por vezes, a manigância não sai tão bem. Hoje, querem fazer-nos acreditar que As Crónicas de Nárnia será apenas uma trilogia. Pelo menos, é esse o título do artigo no Worst Previews. No entanto, basta dar um salto ao First Showing, para perceber que estamos a falar de uma conjectura. Uma coisa calculada. E, uma vez prevista, dependerá obviamente de alguns factores, nomeadamente, receitas de bilheteiras.

As únicas certezas, por enquanto, passam pelo inicio das filmagens de Voyage of the Dawn Treader, ainda este ano, e pelo enfoque que a Disney pretende dar a Prince of Persia. Foram estas as palavras do produtor Mark Johnson, no New York Comic Con. Se depender do sucesso de Prince Caspian e Voyage of the Dawn Treader, o mais provável é termos um quarto capítulo. Aliás, o mais natural será uma adaptação para cada um dos sete livros. Entre não haver planos e não fazer, ainda vai um bom bocado. Agora, se for essa a verdadeira razão, será louvável o facto de a Disney não correr atrás de um franchise que, ao primeiro filme, rendeu mais de 745 milhões de dólares em todo o mundo. Se isto fosse pergunta de exame, mesmo que a descontar, responderíamos com profunda convicção: As Crónicas de Nárnia será uma trilogia? Falso.

Isto está a tornar-se repetitivo. Dia I.

Falta ainda um mês para a estreia e Indy 4 é notícia um pouco por todo o lado. Porque este é um blog que gosta de falar com os outros meninos, de modo a não nos sentirmos excluídos, temos de falar de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Temos é, obviamente, uma força de expressão. De muito bom grado abriríamos já hoje todo um novo blog inteiramente dedicado à saga do Dr. Jones. Até porque todos os dias surgem imagens novas. Informação que contradiz a noticia de há dois dias. Spoilers que não se confirmam, mesmo antes de alguém ter visto o filme. Enfim, a festa do cinema antes das luzes se apagarem.

Esta segunda-feira Indy 4 é notícia, antes de mais, pelo voltar atrás. Afinal, o Hollywood-Elsewhere percebeu mal, e o filme não vai para as duas horas e vinte. Parece que se fica pelas duas horas de duração, o tempo aproximado dos seus predecessores. Agora, este pequeno mal-entendido não é nada, quando confrontado com a crítica que Jeffrey Wells publica também no Hollywood-Elsewhere. Perdoem-me a comparação, contudo, esta foi a primeira imagem que associei a estas linhas. O efeito destas considerações aproxima-se do resultado provocado por aquela moçoila que se passeia em cima do ringue, de braços no ar, com o número do assalto nas mãos. Aliás, ninguém me convenceu ainda de que a verdadeira razão do combate não é disputar a atenção dela. Só assim consigo perceber motivo para tanto soco. Ou isso, ou, seguindo a sugestão de Seinfeld, provocar um acidente de viação à porta do pavilhão. A verdade é que será compreensível se estas frases nos levarem a saltar da cadeira, enquanto não chega 28 de Maio. Mas, um saltar calmo e ponderado. Porque, isto tudo pode não passar de uma campanha de marketing bem orquestrada. Ainda assim, é agradável ler as seguintes constatações:

“The best of the Indy sequels”,
“[Harrison Ford] gives his best performance in the role, not only physically belying his age but layering in welcome poignancy”,
“The film has the strongest supporting cast of the sequels”,
“There are many breakneck set pieces, with a protracted jungle chase being particularly memorable”,
“An ending that any longtime diehard fan of the films could only dream about. Expect a particularly resounding reaction in the theater”.

Quem é que falou em expectativas elevadas? Por último, para os mais corajosos, sem qualquer receio de um bom spoiler, aqui ficam catorze novas fotos disponíveis no /Film, e uma descrição de toda a história, num blog do Myspace devoto à nova obra de Spielberg. Para quem, como Alvy Singer, treme como varas verdes perante a ameaça de spoiler - neste caso limitei-me a carregar no link que abria a página e nada mais –, o melhor é fugir a sete pés, e aguardar pela estreia do filme.

30 - Cold Souls.

Ao iniciarmos esta lista dos 25 Filmes a Ver em 2008, deparámo-nos com uma pequena dificuldade. Vinte e cinco filmes dariam para realizar uma boa colheita, sim senhor. Quanto a isso, não havia grandes dúvidas. No entanto, reparámos que, caso alargássemos o leque de obras a destacar para trinta, o lote poderia ficar ainda melhor. Após alguns minutos a pesar os prós e os contra, constatámos que a única verdadeira adversidade passaria pela maior demora em chegar aos lugares cimeiros. Ora, caso consigamos apresentar um filme dia sim, dia não, tal significará que só daqui por dois meses é que chegaremos ao filme mais antecipado do ano. Como, falar de… portanto… dessa tal obra, apenas em finais de Junho, será deveras incómodo, teremos de acelerar o passo. Um por dia será praticamente impossível, apesar do que a Adidas diz. De qualquer modo, tudo faremos para até finais de Maio deixarmos aqui os trinta títulos mais aguardados de 2008.

O primeiro, um autêntico tiro no escuro. Quanto mais não seja porque não há rigorosamente nada do filme ainda para ver. Estamos completamente às escuras. Não há fotografias. Nem poster. Trailer, muito menos. Entrevistas de qualquer tipo. Nada. Apenas uma lista com os nomes do elenco. Uma realizadora. Uma sinopse de duas linhas. E, é isto. Está escolhido um dos trinta filmes mais aguardados do ano. Cold Souls, realizado pela estreante Sophie Barthes (responsável também pelo argumento), tem tudo para ser aquele indie do qual ninguém ouve falar até chegar a altura dos prémios. É verdade que pode ser este, como, outro qualquer. No entanto, apostamos neste, sobretudo devido ao protagonista, a maior estrela de cinema que não o é – o actor que, quase só é protagonista quando o projecto é demasiado arriscado para os outros meninos bem comportados. O filme retrata a vida de Paul (Paul Giamatti), um homem em plena crise de meia-idade, com dúvidas existências sobre tudo e mais alguma coisa. Paul, e aqui ainda estamos a falar do filme, é um dos actores mais famosos do mundo, que, por acaso, acaba por dar de caras com uma loja de almas, que mais não é do que um laboratório privado que possibilita aos nova-iorquinos um descanso dos seus estados de espírito pesados. Posto isto, até parece que está encontrado o As Confissões de Schmidt (Alexander Payne, 2002) deste ano. Talvez não. No entanto, uma cineasta acabada de chegar a Hollywood a querer provar o seu valor; um actor que assenta que nem uma luva em histórias pitorescas – veja-se, por exemplo, American Splendor –, e, um elenco onde ainda constam os nomes de Emily Watson e David Strathairn, tudo combinado, pode resultar numa agradável surpresa. Retumbante, só o tempo o dirá.

Frases de famosos pela boca dos actores.

Michael Corleone: “Keep your friends close, but your enemies closer”. – Sun Tzu.

em, O Padrinho – Parte II (Francis Ford Coppola, 1974).

20 de abril de 2008

Together.

Uma pérola perdida, à distância de um clique na imagem. Depois de Together (Wherever We Go), Judy deixou a luz dos holofotes para Liza. I’m out, you’re in. So go, Liza, go! Ela foi. E fez isto.

Bisbilhotice a mais.

High Noon (Fred Zinnemann, 1952), figura, sem sombra de dúvidas, no topo dos filmes ainda a ver. Das muitas falhas que ainda vão fazendo parte desta cinéfilia – algumas delas perfeitamente inconcebíveis –, High Noon assume contornos quase ofensivos. Já por duas vezes apanhei o filme a meio. E, nestas coisas, partilho o bom senso de não entrar num transporte em andamento. Pode ser arriscado. Por isso, nunca vi o mais famoso western de Fred Zinnemann, que para sempre associarei à referência feita por aqueles outros dois:

Hans Gruber: “John Wayne doesn't go riding off into the sunset with Grace Kelly”.
John McClane: “That was Gary Cooper, you asshole”.

A verdade é que este filme já devia ter sido visto. Por várias razões. A última, ter cometido o erro de ver um vídeo que dá pelo nome de High Tech Noon. Porque, queiramos ou não, isto é uma visita ao final do filme. Apesar de não saber se o filme termina mesmo deste modo. Se aquela é a última cena. No entanto, é provável que o vídeo tenha mais piada para quem está familiarizado com o tiroteio final. Detestaria pensar que acabo de arruinar a maravilhosa experiência de assistir a uma grande obra, a troco de mero passeio com um xerife cyborg, e uns quantos lasers espaciais. Gary Cooper e Grace Kelly mereciam maior cuidado. Por essa razão, antes do vídeo, apenas poderei deixar duas palavras: Tech spoiler.

19 de abril de 2008

Espírito de fim-de-semana.

Photobucket

Ainda nem começámos a lista dos 25 mais antecipados deste ano, e lançamo-nos num post para falar de um filme que só chegará em Janeiro de 2009. Daqueles que já sabemos que estrearão apenas no próximo ano, The Spirit estará certamente no lote dos que suscitam maior curiosidade. Realizado por Frank Miller, o filme conta com a participação de gente ilustre como Gabriel Macht, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson, Paz Vega, Johnny Simmons e Sarah Paulson. Agora, porque é que estamos em pulgas para ver este filme? Porque sim e nos apetece, talvez seja uma resposta demasiado infantil. Dizer que gostámos de Sin City, e encontramos aqui algumas semelhanças, já é ir mais ao fundo da questão. E, quando dizemos, aqui, não falamos apenas do poster. Referimo-nos também ao trailer, disponível a partir de hoje no site da MTV. Quando houver embedding, fazemos um update.

Irromper por esse fim-de-semana adentro.

Photobucket

A chegar às bancas a 25 de Abril, eis a capa do próximo número da Empire Magazine. Diz-se, a primeira totalmente em 3D. The Incredible Hulk, em todo o seu esplendor. São recreações destas que nos levam a suspirar, recordando os bons velhos tempos de uma revista. É que, antes de partir-se para o 3D, precisamos de um 2D. Um bocado como aquela história da casa e do telhado.

18 de abril de 2008

Tudo tem um preço.

Várias são as representações que compõem o imaginário colectivo. Se alguém disser Pai Natal, é natural que alguém se lembre de uma Coca-Cola. Se alguém gritar pelo Super-Homem, talvez ainda mais serão aqueles que se lembram de uma cabine telefónica. Agora, se alguém disser Hollywood, a determinada altura, será mais do que previsível recordar aquela enorme recepção de boas vindas, que é a palavra HOLLYWOOD, nas colinas da verdadeira cidade dos anjos. Ao longo dos anos, este Hollywood foi tornando-se no mais visível dos símbolos da indústria cinematográfica norte-americana. No entanto, o anúncio à cidade, que acaba por ser mais do que isso, parece estar algo ameaçado. De um dos flancos.

A Associated Press dá conta da decisão da Fox River Financial Resources, de colocar à venda 138 hectares para cima e esquerda, a partir do H. Os terrenos estão disponíveis para quem quiser negociar a partir da módica quantia de 22 milhões de dólares. O receio é o de que, uma vez vendida, a terra seja utilizada para construir edifícios, ou até mesmo outros cartazes, que danifiquem a imagem una e singular do anúncio construído em 1923. Adquiridos nos anos 40 por Howard Hughes, os terrenos em questão foram comprados pela Fox River Financial Resources, uma empresa investidora de Chicago, em 2002, por 1,7 milhões de dólares. O grupo já disse que os terrenos colocados estão bastante longe do anúncio, e que não representam qualquer perigo para o mesmo. No entanto, para já, uma das hipóteses em cima da mesa é a de que grandes bolsos se cheguem à frente, como aconteceu em meados dos anos 70. Por essa altura, de modo a substituir as nove letras já velhas e gastas, algumas celebridades, como Hugh Hefner e Alice Cooper, fizeram uma vaquinha, tendo todos contribuído com 28 mil dólares.

Hoje, os tempos são outros, e talvez não seja assim tão fácil chegar a um acordo. Garanto que, caso tivesse os tais 22 milhões de dólares na carteira, tudo faria para adquirir estes terrenos. Mesmo que não tivesse mais do que esse valor. Propunha-se uma espécie de leilão, e iria respondendo a outras ofertas de outra forma. Estou aqui a olhar para o lado, e a pensar. Se alguém desse 23 milhões de dólares, estaria disposto a ceder A Colecção Hitchcock – Os Primeiros Anos do Mestre do Suspense. Se alguém oferecesse 24 milhões, respondia com as séries de Seinfeld – isso é que ia custar como tudo. E, se alguém se esticasse até aos 25, fechava os olhos, e contrapunha com o pack de Frank Capra. Agora, a colecção de Woody Allen é que não. Nunca abdicar de nós próprios.

Corda a este relógio, não tinha sido má ideia.

Um bom thriller é como um Corneto. Por muito boas que sejam as pepitas de chocolate no topo, é o afunilar de doces no final que tem de valer o gelado. É por isso que, a determinada altura, muito boa gente quer saltar logo para o outro lado do cone, isto é, para o final do filme. Quando o Corneto, ou, neste caso, o thriller, é bastante bom, é exactamente isso que acontece. A vontade é a de saber logo o desfecho. Resolver o enigma e atribuir culpas. Ora, não é bem isso que acontece nestes mais recentes 88 Minutos de Al Pacino no grande ecrã. Antes de mais, será apropriado dizer que não partilhamos as profecias catastrofistas daqueles que afirmam estarmos na presença de um dos piores filmes de todos os tempos. Assim, de repente, lembro-me de uma mão cheia deles que colocaria à frente deste 88 Minutos (Jon Avnet). Agora, também é verdade que não está aqui um grande motivo de orgulho para os intervenientes. Incluido, Al Pacino. Sim, porque não há lugar para filhos e bastardos. Quanto mais não seja porque não soube escolher o papel. Acontece aos melhores. A Cuba Gooding Jr., muitas vezes.

O filme peca por falta de originalidade, por preguiça na maior parte dos diálogos, e por alguns clichés que, vamos lá, em tão pouco tempo, seriam escusados. A derradeira prova dos nove para saber se o thriller funciona, em termos pessoais, será sempre o persistir da dúvida até final. Sem falsas modéstias, Alvy Singer não é dos mais astutos dos espectadores. Até hoje, e, isto é a mais pura das verdades, contam-se pelos dedos de uma mão, as vezes que identifiquei o criminoso. Disseram-me que O Assassinato de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, não conta. Quando 88 Minutos estava prestes a chegar ao fim, e pude constatar que o patife era aquele de quem suspeitava, é que ficou tudo estragado. O Corneto, que já vinha perdendo o sabor desde a parte em que entra a bolacha, tinha criado indisposição. Nem tudo foi mau, atenção. O inicio foi bom, e o filme prometia. Não estando ao seu nível, apesar de tudo, ver Pacino a trabalhar é sempre recompensador. Agora, quando as peças encaixam antes do tempo, o puzzle perde a piada. Poderíamos agora partir para analogias de outras coisas que, antes do tempo, perdem a piada, porém, só nos lembramos daquela reacção da Faith Hill. Para todos os efeitos, são 88 minutos que podem parecer um pouco mais.

Música, maestros.

Esta não tem sido das melhores semanas. Desde segunda-feira, parece que, para cada três coisas proveitosas, outras cinco surgem só como desmancha-prazeres. Todos os dias. A gota de água, outra que também não tem faltado nos últimos tempos, deu-se esta manhã quando, duas horas, para não dizer mais, foram passadas à volta deste blog, apenas com o intuito de colocar a questão Filme a ver este fim-de-semana? Nenhum dos sites encontrados resolveu o problema. Após o voto, quando se voltava a entrar no Yada Yada Yada, a caixa surgia com o número de votos já realizados. Pelo meio, apagou-se a coluna da direita. Foi necessário construir de novo as secções New York City e La-di-da, e controlar a paciência que roçou limites inferiores. Enfim, o cabo dos trabalhos, como consequência da mais simples das tarefas.

O bom do Cinema, e, lá está, o passar subtil para aquilo que nos une, é o servir de almofada nestas ocasiões. Por vezes, gosto de pensar na sétima arte como uma gigantesca instituição bancária, onde vamos fazendo vários depósitos ao longo da vida. Os filmes, nesta metáfora demasiado requintada para um serão de sexta-feira, serão o dinheiro. Aquele de que gostamos muito, aplicamos em fundos de investimento seguros, a longo prazo. Contas a não mexer. Aquele de que não gostamos, é o dinheiro que se gasta logo. Daquele que nem sequer damos por ele, e se esquece imediatamente. É por isso que, os filmes de que gostamos, são aqueles a que voltamos. Num momento de maior aperto, dirigimo-nos ao balcão e dizemos Gostaria de levantar uma cena de A Primeira Noite, por favor. Ou, quando a maré não está mesmo de favor, É para levantar tudo o que tiver na conta Bananas.

Hoje, foi necessário recorrer a dois investimentos. Estes, são daqueles infalíveis. Saldam todas as dívidas. O ar fica mais leve e tudo. E, aqui entre nós, isto acontece por duas ordens de razões. A primeira, porque estes homens têm dedo para a escrita. A segunda, porque têm ouvido para a música. Com efeito, esta manhã, Crowe pôs as contas em dia. À tarde, levantei uma cena de Tarantino apenas por puro divertimento. Extravagâncias. No entanto, isto foi suficiente para verbalizar uma questão que já há muito fazia a sua ronda inconsciente pela mente deste cinéfilo. Qual destes cineastas escolhe melhor a música dos seus filmes? Cameron Crowe ou Quentin Tarantino? Estamos a falar de obras, por vezes, diametralmente opostas. Um, é sangue por todo o lado, o outro, abraços e beijinhos. Um, é de motherfucker para cima. O outro, You had me at hello. No entanto, no seu género, ambos conseguem sempre surpreender pela opções que fazem. Tarantino, por não ter currículo na área, talvez devesse receber mais crédito pelo seu bom gosto. No entanto, para quem aprecia um bom rock, é com Crowe que vamos realmente à Enciclopédia da coisa. Aqui ficam as duas cenas levantadas hoje. A primeira, de Cameron Crowe, talvez o momento mais sublime de Elizabethtown (2005).

A segunda, de Quentin Tarantino, porventura a melhor entrada em cena acompanhada da melhor entrada de música (Al Green, Let's Stay Together), ao mesmo tempo, de toda a História.

Fica no ar a questão.

Been there, saw that.

Dizia Spielberg que a Internet serve como veículo arruinador de desfechos cinematográficos. Hum, que bela maneira de dizer que se estraga o final de um filme? Pode ser que sim. Agora, o próprio reconheceu que tem o maior dos cuidados na elaboração do material que promove os seus filmes, nomeadamente, trailers. Não é caso para menos. Nos últimos tempos, temos tido cada vez mais exemplos de obras que mostram mais do que seria desejável. Freud definiu este estado por neurose, mais propriamente, exibicionismo. A apresentação de mais qualidades (ou defeitos) do que seriam de supor. É claro que isto só constitui um problema, porque existe um depois. A coisa até funciona, quando serve exactamente para decidir se esse depois acontece ou não. É isso que se passa com o trailer de My Best Friend’s Girl (Howard Deutch).

Estes são daqueles que não seguem as palavras de Spielberg. Em pouco mais de dois minutos, seria difícil ficar a saber mais da história do que isto. Boy (Jason Biggs) meets girl (Kate Hudson). Boy é um atado e pede a Boy 2 (Dane Cook), que o ajude a conquistar girl extrovertida. Boy 2 acede a ajudar o amigo. Girl e Boy 2, tipo com elevada bagagem no mundo dos dates, começam a duvidar dos sentimentos que têm pelo outro. Boy 2 não quer estragar a amizade que tem com Boy. E, mais ou menos neste ponto, termina o trailer. Caraças, fazer um bom filme, acreditamos que não seja a tarefa mais fácil do mundo. Mas, será assim tão complicado acertar com um trailer? O pobre coitado é tão pequeno e, mesmo assim, conseguem meter os pés pelas mãos.

Jacksonismo.

Ainda não está formalizada, no entanto, deverá estar para breve a homologação da corrente filosófica que segue as orientações de Samuel L. Jackson. Melhor, das personagens interpretadas por Samuel L. Jackson. Consta que ficará para a História por Jacksonismo. Dificilmente algum manual escolar terá o atrevimento de abordar esta recente doutrina, contudo, estamos em crer que seria do interesse nacional leccionar os ditos de Samuel L. Jackson no grande ecrã. Provas de uma vida dura, testemunhos na primeira pessoa de realidades universais, aglutinados num compêndio sobre a obra do actor. Mais do que um mero capítulo teórico no meio de tantos outros, este seria o espaço prático de uma aprendizagem que tarda em deixar de ser uma lacuna nas escolas de todo o mundo. Porque, ao contrário do que muita gente pensa, dava jeito uma disciplina que ensinasse a tirar algo a uma pessoa que não nos quer dar esse algo. Dá sempre jeito mandar alguém dar uma volta ao bilhar grande, e continuarmos todos amigos. Dá sempre jeito saber levantar a voz de modo a que todos fiquem bem caladinhos a ouvir-nos. E, reveste-se sempre de alguma utilidade saber pedir com gentileza um determinado favor, quando alguém não está para aí virado. Essa disciplina bem que poderá ser a Filosofia, desde que abrace quanto antes, o Jacksonismo. Aqui estão alguns dos pensamentos e dissertações do mestre.

“My people, my people, what can I say, say what I can. I saw it but didn't believe it, I didn't believe what I saw. Are we gonna live together, together are we gonna live?” (Não Dês Bronca, 1989);

“I swear before God... and four more white people! This is the last time!” (A Febre da Selva, 1991);

“Anything lost can be found again, except for time wasted. “(Fresh, 1994);

“Hey, sewer rat may taste like pumpkin pie, but I'd never know 'cause I wouldn't eat the filthy motherfucker. Pigs sleep and root in shit. That's a filthy animal. I ain't eat nothin' that ain't got enough sense enough to disregard its own feces”. (Pulp Fiction, 1994);

“You having a nice day, sir? You feeling all right? Not to get too personal, but a white man standing in the middle of Harlem wearing a sign that says "I hate niggers" has either got some serious personal issues, or not all his dogs are barking.” (Die Hard – A Vingança, 1995);

“My ass may be dumb, but I ain't no dumbass.” (Jackie Brown, 1997);

“There's the right man's best friend and the wrong man's worst enemy.” (O Negociador, 1998);

“It's alright to be afraid, David, because this part won't be like a comic book. Real life doesn't fit into little boxes that were drawn for it.” (O Protegido, 2000);

“Enough is enough! I have had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane!” (Serpentes a Bordo, 2006);

“I remember my first time; it was out behind my uncle's barn with my second cousin. She was two tons if she weighed a pound, I could have done better for myself.” (Black Snake Moan, 2006);

“I'm not a bum; just homeless” (O Renascer do Campeão, 2007).

Frases que incitam à reflexão. Respostas de algibeira para qualquer ocasião, seja na fila para uma casa de banho em hora de ponta, ou num transporte público quando uma mão marota se atreve a ir mais longe. Em Samuel L. Jackson encerra-se um manual de sobreviência que ensina-nos a estar no século XXI. Meditemos, então.

17 de abril de 2008

Dia I.

Indiana Jones and the Kingdom of the Crystall Skull ganharia o prémio de Filme do Dia deste blog, caso tal prémio existisse. É uma ideia que fica para o futuro. Agora, porque é que Indy 4 – estas formas simplistas, parecendo que não, dão um jeitão – ganharia esse galardão, aos dezassete dias do mês de Abril de 08? Por diversas razões.

A saber, a primeira, pela nova fotografia disponibilizada. Harrison Ford, de lanterna em riste e apontada a um esqueleto, com teias de aranha por tudo quanto é sitio, acompanhado pelo jovem Shia LaBeouf. Em seguida, porque o Hollywood-Elsewhere dá conta deste quarto capitulo ser o mais longo, até ao momento, de toda a saga. Com pouco mais de 140 minutos, O Reino da Caveira de Cristal ultrapassará os 115 de Indiana Jones e Os Salteadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 1981), os 118 de Indiana Jones e o Templo Perdido (Steven Spielberg, 1984), e os 127 de Indiana Jones e a Grande Cruzada (Steven Spielberg, 1989). O site acrescenta ainda que o filme já foi apresentado num grande ecrã e testado com audiência, estando agora a pós-produção preocupada em ultimar pormenores antes da estreia no Festival de Cannes a 18 de Maio. Para além disto, o filme ainda é notícia pelas recentes declarações de Harrison Ford, à USA Today. Segundo o actor, um quinto filme não está posto de parte, desde que não demore novamente vinte a anos a preparar. Ora, afirmações destas são sempre importantes, até porque já circulavam rumores de que Indiana Jones morria no final deste filme. No entanto, o AICN destaca, e bem, que o pessoal com queda para as teorias da conspiração já chamou à atenção para a distracção a que estas declarações levam. Isto é um plano maquiavélico para pensarmos que não, mas ele morre mesmo, dizem eles. Se há universo infinito, é o dos ses. Por último, a conversa entre George Lucas e Steven Spielberg, publicada na Entertainment Weekly, sobre os efeitos da Internet no cinema de hoje. Spielberg começa por dizer que grande parte daquilo que circula por sites e blogs sobre cinema não são factos, mas frutos da profícua imaginação de muitos cinéfilos. Acusa a Internet de estragar a surpresa do filme, com demasiado spoilers. Lucas contrapõe, exemplificando com o livro de Jaws (1975), que saiu antes do filme. E, aí, Spielberg argumenta novamente:

But there’s lots and lots of people who don’t want to find out what happens. They want that to happen on the 22nd of May. They want to find out in a dark theater. They don’t wanna find out by reading a blog…. A movie is experiential. A movie happens in a way that has always been cathartic, the personal, human catharsis of an audience in holy communion with an experience up on the screen. That’s why I’m in the middle of this magic, and I always will be. … Yes. I think [the sanctuary of the dark theater] is being eroded, by too much information and too much misinformation, especially”.

Até hoje, não tinha sido capaz de colocar as coisas desta forma. Depois dos filmes, Spielberg lá conseguiu arranjar maneira de me pôr sentado a uma cadeira a pensar, com as suas palavras. Hoje, até a chuva ajudou a criar o ambiente reflexivo. Nenhum post do Deuxieme, ou agora no Yada, foi escrito com o intuito de arruinar qualquer experiência cinematográfica. Só de pensar nessa ténue possibilidade, arrepanha-se-me a pele. É precisamente por querer voltar para uma sala escura, assim que possível, que gosto de ocupar tanto do tempo disponível para escrever sobre cinema. E, no dia em que alguém disser que um texto redigido por Alvy Singer foi o suficiente para não ver determinado filme, será o último dia em que alguma linha será escrita.

Um brinde à Pixar.

A cada dia vai tornando-se mais difícil qualificar o tipo de excitação em torno de WALL·E (Andrew Stanton). Quando tínhamos seis anos não custava tanto esperar pela meia-noite. A culpa é da malta da Pixar. Filmes bons, atrás de filmes bons, normalmente dão nisto. Esta simples featurette é o que de mais recente por aí, e foi dada a conhecer na sequência da promoção ao canal Pixar, que estreia já na próxima terça-feira, 22 de Abril. Quatro minutos que nos mostram aquilo que aconteceu à Terra, aquilo que aconteceu aos semelhantes de WALL·E, e mais cenas entre WALL·E e EVE. Quatro minutos que nos mostram por que razão este é um dos filmes mais antecipados do ano.

E, porque, não só Uma boa parte de nós é Mimosa, como também, Uma boa parte de nós é Pixar, aqui fica o trailer de The Pixar Story, um documentário realizado por Leslie Iwerks, nomeado nos últimos American Cinema Editors. Se a ideia era passar a mensagem de que a própria história da Pixar, daria um filme Pixar, é precisamente essa a mensagem que passa. E, John Lasseter daria, sem dúvida alguma, um óptimo cartoon. Só pelas camisas, era aposta ganha. A melhor frase deste trailer? A de Steve Jobs: If you real look closely, most overnight successes, took a long time.

Ele e Ela.

Se é verdade que muitas notícias e posts espalhados por essa Internet fora, serão a razão de fundo para os textos a apresentar no Yada Yada Yada, também não é menos verdade que, volta e meia, a motivação para escrever surgirá dos comentários a essas mesmas notícias e posts. Saber, por exemplo, que o novo filme de Ficheiros Secretos chamar-se-á X Files: I Want to Believe, será, por si só, motivo para um post interessante, dizemos nós. Lançando até a pergunta, como é que será a tradução no nosso país. Ficheiros Secretos: Quero Acreditar? No entanto, vasculhando os comentários nos sítios em que a notícia já foi dada a conhecer, será talvez já mais importante discutir a má recepção que o título teve. Chavão piroso, dizem alguns. Falta de imaginação, apontam outros. Até já podemos fazer uma compilação de comparações e sugestões dadas por quem ficou, vamos lá, desgostoso, com esta opção:

Star Wars VII: May the Force Be With You
Die Hard 5: Yippie-ky-yah Motherfucker
I Am Legend II: I Can Help You
Terminator 4: I’ll Be Back
Driving Miss Daisy 2: I’m Driving Miss Daisy Again
Cloverfield 2: More Terrible Things
Scream 4: What’s Your Favorite Scary Movie
Walking Tall 2: Walking Taller
Forrest Gump 2: I Love You Jenny More Than Bubba Dirty
Dancing 2: Nobody Puts Baby in the Corner
X-Files: I believe werewolves are aliens.

Isto tudo para abordarmos um post lançado na passada terça-feira, no Awards Daily, onde, em nosso entender, um dos comentários acaba por ser tão ou mais pertinente do que o próprio texto. O post em questão incide num dos assuntos que ainda vai marcando a indústria, a de que filmes protagonizados por mulheres não apelam às massas. De forma sucinta, como as tabelas tão bem sabem fazer, podemos verificar que são os filmes em que os dois papéis principais são desempenhados por homens, que mais facturam nas bilheteiras. Desde 2004, apenas dois filmes protagonizados por mulheres figuraram no top 20 do ano. E, dos vinte melhor sucedidos nas bilheteiras, nenhum tem uma dupla do sexo feminino no comando.

Agora, esta tabela dá pano para mangas e, de facto, temos aqui bastante conversa para colocar em cima da mesa. No entanto, pegando precisamente nestes dados, um dos visitantes do Awards Daily, apresentado com Gentl Benj, direcciona o debate num outro sentido, apesar de partilhar a mesma linha de pensamento. Apresentando um artigo sobre as obras mais misóginas da década, Gentl Benj dá o exemplo de Super Baldas (Greg Mottola, 2007), um dos referenciados. Um filme em que o protagonista só pensa em sexo, que não prima pela inteligência, e roça a cretinice, sobretudo pela forma como olha para o sexo oposto. Porém, após reflectir um bocado sobre isto, Gentl Benj afirma que os filmes estão cheios de personagens assim. Com ar de pateta, estranhos, que nem sempre pensam duas vezes antes de abrir a boca, mas que conseguem ficar com a rapariga. Agora, personagens femininas idênticas? Nem por isso. Os homens passam a mensagem És adorável da maneira que és, mas, as mulheres não. Ou, será que passamos? Parece que sim, contudo, não através do cinema. Da televisão. Dos talk shows. Aí é que aparecem os Seths com peito. Perdão, mais peito.

16 de abril de 2008

Apocalypto 2008.

Por muito que queiramos, por vezes, não podemos partir para o ataque ao desbarato. É preciso contenção nas palavras, e serenidade na análise. Adoptar uma perspectiva mais racional, e lançar os porquês. Tentar perceber as motivações de determinado projecto. A quem se dirige. Quais as características do público-alvo, e antecipar a reacção do mercado.

É isso que acontece com Beverly Hills Chihuahua (Raja Gosnell), cujo poster foi recentemente dado a conhecer. Sobre o plot, sabemos que gira em torno de Chloe (Drew Barrymore), um distinto chihuahua de Beverly Hills, que se perde por terras mexicanas, durante umas merecidas férias. Transpondo duras adversidades, e ultrapassando uma mão cheia de peripécias, Chloe tudo fará para regressar a casa. Para além da voz de Barrymore, o filme conta com as participações de Piper Perabo, Jamie Lee Curtis, Andy Garcia, Placido Domingo, e Salma Hayek. Quanto à realização, essa, está a cargo de Raja Gosnell, o homem que também a(ssa)ssinou os filmes Scooby Doo. Ao olharmos para o poster, não podemos deixar de reparar na fonte fonética que auxilia a pronunciar a palavra chihuahua. Ao estilo de Ratatui (Brad Bird), no Verão passado. Será esta a única semelhança entre ambos? Ao mesmo tempo, questionamo-nos se o carimbo Walt Disney justificará alguma curiosidade por este título. E, por último, será que poderemos mesmo apontar o dedo a uma qualquer socialite, como fonte de inspiração para este filme? Quem disse que faltam ideias em Hollywood? Por muito que queiramos, e queremos mesmo muito, não podemos criticar este filme. Ainda.

Este, vale a pena ver. Falamos do trailer.

Eles têm sido tantos, e tão semelhantes entre si, que é difícil distingui-los. No entanto, este novo trailer de Speed Racer, com praticamente quatro minutos, traz-nos algumas novidades, o que faz com que se demarque dos outros 274 trailers e inúmeras featurettes que inundam a Net. Consta que o slogan adoptado pela Warner Brothers, relativamente a este filme, terá sido Água mole em pedra dura… A verdade é que a promoção tem sido intensa, com novas fotografias, novas cenas e novas entrevistas, todas as semanas. E, parece que até tem dado resultado. Um pouco por todo o lado, blogs, sites e fóruns, há quem vá dizendo que as primeiras imagens não eram convincentes, mas que, agora, já vão dando o braço a torcer.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Irmãos Wachowski no comando, elenco com Emile Hirsch, Matthew Fox, Christina Ricci, Susan Sarandon e John Goodman, e um orçamento considerável, são motivos válidos para querer ver um filme. No entanto, será legitimo afirmar que, visualmente, a obra deverá estar longe de reunir unanimidade. Por um lado, temos as sequências de corrida, que mais parecem tiradas de um qualquer jogo da série Wipeout. Por outro lado – e, não se levantem já das cadeiras em alvoroço –, parece existir ali um lado quase burtoniano, nos momentos mais calmos, como o demonstram as cores garridas, e as roupas das personagens. Não estamos com isto a dizer que Speed Racer terá, à partida, tudo aquilo que é necessário para ser uma obra-prima. Por esta altura do campeonato, até pode vir a ser um flop. Contudo, não virá grande mal ao mundo se os Wachowski voltarem a acertar na tecla.

Aqui fica, então, o trailer de quatro minutos, e a melhor featurette que anda por aí sobre o filme. Para a estreia nos Estados Unidos falta menos de um mês. Por cá, chega a 26 de Junho.

The Wackness - Teaser.

A par de American Teen (Nanette Burstein) e Choke (Clark Gregg), The Wackness deve ter sido das obras mais badaladas no último Festival de Sundance. Podemos mesmo dizer que estas constituíram o triunvirato de Park City em 2008. A espreitar de perto o pódio da atenção está Assassination of a High School President (Brett Simon). The Wackness, que passou com distinção não só por Sundance, mas também pelo South By South West Film Festival, em Austin, é hoje notícia pelo teaser trailer que a Sony Pictures Classics decidiu finalmente disponibilizar para nosso regozijo. É que a sinopse já puxava por nós.

Nova Iorque, Verão quente de 1994. Luke Shapiro (Josh Peck) é um jovem problemático, traficante, que troca marijuana por sessões de terapia com o Dr. Squires (Ben Kingsley), um psiquiatra que também não lida bem com a questão das drogas. Não estando fáceis, as coisas ficam ainda mais complicadas quando Luke se apaixona por uma rapariga (Famke Janssen) com quem partilha as sessões do Dr. Squires, sobretudo porque é filha deste. Acima de tudo, The Wackness parece ser uma história sobre sexo, drogas, música – ou não se passasse no ano por muitos considerado como o melhor na História do hip-hop –, e o deixar a adolescência para trás. O filme é escrito e realizado por Jonathan Levine, cineasta que assinou também All The Boys Love Mandy Lane (2006).

A imagem de Ben Kingsley é aquela que mais perdura após o visionamento deste trailer. E, duas coisas vêm à mente, assim que este termina. Kids (1996), de Larry Clark, e os All-Star guardados e esquecidos ali no armário numa qualquer caixa. Reminiscências dos nineties. Altura em que as cassetes ainda mandavam no mundo.

15 de abril de 2008

O Dia das Mentiras revisitado.

A notícia já é de ontem, contudo, a dúvida permaneceu até hoje. O problema disto tudo passou pela interpretação. Mais ao nível do receptor, o pateta. Esclarecendo a situação, todos estamos cientes de que um filme Iron Man está aí ao virar da esquina. A sua chegada não será surpresa para ninguém. No entanto, ao ler que um filme de Iron Man seria baseado num trailer de enorme sucesso, com a duração de um minuto e meio, logo pensei que estariam já a falar de uma possível sequela. Instalou-se a confusão. O entusiasmo tem destas coisas. Leva-nos a ver mais do que realmente existe. Era apenas uma piada. Não que um segundo filme de Iron Man não possa ser uma hipótese. Mas, nunca baseado num trailer, caramba. Quase que faz lembrar aquela música dos rios que nascem no mar. É, por isso, com alguma atrapalhação, que reconheço ter guardado este vídeo até ter tido a certeza das suas intenções. Afinal, tudo não passa de um gag levado ao extremo. O pessoal da Onion News Network deve ter-se perguntado no final do sketch, Será que conseguimos enganar algum idiota? Alvy Singer: Presente. Bolas, é que nem os rodapés falsos fizeram soar o alarme.


O fresco já não é o que era.

Vinha no Metro de ontem. Não sabemos se virá no de hoje. O anúncio de uma página – na terceira, que a importância assim obriga –, ao novo canal do Meo, o Sony Entertainment Television. Em letras garrafais, a apresentação, Chega um canal com estilo próprio. Simples. Directo. Sem margem para dúvidas. O problema viria a seguir. Em letras mais pequenas, Com uma programação fresca e variada, e uma perfeita combinação de séries de diversos géneros e cinema actual, chega Sony Entertainment Television. E, é precisamente aqui que a porca torce o rabo. Estaria tudo bem, se o anúncio não viesse acompanhado de seis séries promocionais. Seis séries que provariam a veracidade desta afirmação ou, que nos mostrariam que tudo isto não passava de uma enorme balela. Relembrando o adjectivo utilizado, fresca, aqui ficam as seis séries que figuram no anúncio: Friends, O Sexo e a Cidade, Frasier, Dawson’s Creek, Investigação Médica, e A Teoria do Big Bang.

Ora, tendo em conta que Friends já vai no rerun do renun, na RTP2, que O Sexo e a Cidade já teve a sua cota parte, mais do que uma vez, quer na SIC, quer na SIC Mulher, que Frasier já serviu de fecho de programação na TVI, um bom par de vezes, e que, a horas mais decentes, passou na extinta SIC Comédia, e que Dawson’s Creek teve o mesmo tratamento de Frasier na TVI, uma das vezes na versão original, outra, dobrada em português, estamos em crer que talvez seja algo despropositado afirmar que esta é uma programação fresca. Nos dias que correm, quem não sabe o número exacto de vezes que Ross e Rachel atam, desatam, reatam, e voltam a desatar, não é digno de se sentar numa esplanada a discutir séries de televisão. Quem não sabe com quantos homens de nacionalidade diferente é que Samantha partilhou uma noite intensa e apaixonada, deve pensar duas vezes antes de sair casa, com receio de ser enxovalhado. A Teoria do Big Bang, provavelmente a verdadeira relíquia a descobrir no meio desta meia dúzia, quase que nem se percebe no anúncio. O título é pouco perceptível, talvez porque as pernas de Kelsey Grammer o cortem a meio. Quanto a Investigação Médica, não querendo estar a mentir, tenho a profunda convicção de que já tropecei aqui num qualquer canal da televisão portuguesa. Talvez fosse da Tv Cabo. O mais engraçado, que não tem piada nenhuma, é que, no anúncio, a série vem com o nome de Investigasão Médica. Meus senhores, o acordo ortográfico ainda não foi aprovado, mas, mesmo que seja, não se traduz em regabofe. Haja maneiras.

Posto isto, podemos concluir que, ou, de fresco, o canal tem muito pouco, ou o departamento de marketing anda a dormir na forma, e deixou os grandes nomes de fora. Contudo, quando visitamos o Hot Tv News, e começamos a ver outros títulos (A Juíza; O Tutor; A Missão de Joan; Sabrina, a Bruxinha Adolescente), percebemos que é mais a primeira hipótese. Ficamos à espera do cinema actual.

Por detrás de um grande homem...

… estão as costas de um mutante. O IGN deu a conhecer esta noite o mais recente poster de The Incredible Hulk (Louis Leterrier). Estabelecendo aqui um meio-termo, podemos afirmar que talvez não esteja ao nível daquele magnifico de The Dark Knight (Christopher Nolan), mas, também não é inferior aqueloutro de Iron Man (Jon Favreau). Digamos que, pelo menos, chama à atenção. E, não é esse o grande objectivo de um poster? O problema, e o /Film destaca isso mesmo, é que o New York Times publicou recentemente um artigo cujas primeiras palavras eram Bad Buzz. Caramba, se há filme pelo qual torço que as coisas corram bem, é este. Se o Génio da Lâmpada dissesse, Ainda tens um desejo, e podes tornar um filme do qual ninguém espera nada de jeito, numa das surpresas do ano, plim!, seria este.

A poção mágica de Dany Boon.

Já que estamos numa de bilheteiras, falemos de Bienvenue Chez Les Ch’tis, a comédia realizada e interpretada por Dany Boon, que tornou-se, há dias, no filme francês mais visto de sempre, contabilizando, em mês e meio, 17,5 milhões de espectadores. Ora, a primeira coisa a fazer nestas situações, de modo a apreciar devidamente a sua grandiosidade, é transportar os números para o nosso país. Dizem os relatórios que a França tem, aproximadamente, 61 milhões de habitantes. Diz o INE que Portugal anda um pouco acima dos 10 milhões. Apontamos num papel o número de franceses que foram às salas de cinema ver este filme: 17,5 milhões. Como bom discípulo de Guterres, sempre gostei de lidar com dilemas das matemáticas. Trabalhar algoritmos e funções exponenciais. Neste caso, o problema nem se coloca. Uma regra de três simples resolve a questão, como o engenheiro, outrora, tão bem nos ensinou. Ora, noves fora 17,5 milhões, mais 17,5 milhões, 10 milhões de portugueses, e 17,5 de 61 milhões de franceses a ir ao cinema, menos os 17,5 milhões, diz-nos que, em Portugal, o equivalente seria um filme levar qualquer coisa como 3 milhões de pessoas aos cinemas. Está longe de ser brincadeira. Quase uma em cada três pessoas já viram Bienvenue Chez Les Ch’tis, filme que, neste capítulo, destronou o clássico A Grande Pérola (Gérad Oury, 1966).

Sobre a obra, a história versa sobre Philippe Abrams (Kad Merad), carteiro em Salon-de-Provence, no centro do país. Casado com Julie (Zoé Félix), tenta satisfazer a mulher, dona de uma natureza depressiva, pedindo transferência para a Côte d’Azur. Contudo, em vez de ir para o sul, Abrams é transferido para Bergues, uma pequena localidade no norte do país. No inicio, Philippe vai sozinho. Esperando o pior, para sua surpresa, descobre um local encantador, inclusive, com uma linguagem própria, o ‘cheutimi’. Conhece Antoine (Dany Boon), de quem se torna amigo, o carteiro da vila, e tudo corre às mil maravilhas. O problema é que o resto da família, que ficou para trás, ainda não conhece a magia do local nem das gentes do norte. Antes de deixarmos o trailer, e o site oficial, dizer apenas que Dany Boon nasceu no norte de França.

14 de abril de 2008

Quando o sete é o novo um.

Isto de ser primeiro tem muito que se lhe diga. Mais do que relativo, por vezes, é um atentado a toda lógica Kantiana – parece bem, de vez em quando, ir mandando postas destas. Alturas há em que ser primeiro se consegue com uma perna às costas. No reverso da medalha, alturas há em que é difícil como tudo subir até lá a cima. As receitas de bilheteira, sobretudo nos Estados Unidos, são exemplo disso mesmo. Esta semana, talvez porque o filme que ficou no topo das preferências, não aquece nem arrefece, parece-nos pertinente deixar aqui uma palavra sobre este tema. Mentira, pensando melhor, o filme arrefece até mais não. Deixemo-nos de simpatias. Qual iglo, onde entramos de fato-de-banho, falar de Prom Night faz um frio de rachar. Até podemos estar enganados, que esperamos estar. Mas, franqueza acima de tudo, esta é a primeira impressão sobre a obra de Nelson McCormick, realizador que já passou por todas as séries do planeta: Sheena, Balada de Nova Iorque, V.I.P., Alias, CSI, House, CSI NY, Os Homens do Presidente, Serviço de Urgência, Nip/Tuck, The Closer, e Prison Break.

A verdade é que, não poucas vezes, filmes que ninguém dava nada por eles, acabaram por chegar ao primeiro lugar. E, em nosso entender, existem dois momentos propícios para a ocorrência deste fenómeno. O primeiro, a silly season, altura em que nos encontramos. Aquela fase do ano, a seguir aos prémios, em que ficamos à espera dos blockbusters, na esperança de que algum deles salve a entrada no Verão, enquanto ficamos com tempo de sobra para pensar na morte da bezerra. Deverei, no entanto, dizer que sou contra estas generalizações. Subscrevo sim, a silly week, expressão que, nos dias de hoje, parece fazer mais sentido. O segundo momento, é o sair de cena de um campeão nas bilheteiras. Quando um peso pesado domina em todas as salas de cinema, poucos são os estúdios que optam por lançar um filme onde depositem alguma esperança. Aqueles que saem são os designados carne para canhão. O mais estranho no meio disto tudo é que, por vezes, a carne vem mal passada, e o público acaba por aderir. Vejamos, a título de curiosidade, alguns dos títulos que expulsaram recordistas de bilheteira.

Titanic (James Cameron, 1997) – Perdidos no Espaço (Stephen Hopkins, 1998);
Star Wars – A Ameaça Fantasma (George Lucas, 1999) – Austin Powers – O Espião Irresistível (Jay Roach, 1999);
O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei (Peter Jackson, 2003) – Along Came Poly (John Hamburg, 2004);
O Sexto Sentido (M. Night Shyamalan, 1999) – Stigmata (Rupert Wainwright, 1999);
Harry Potter e a Ordem da Fénix (David Yates, 2007) – Declaro-vos Marido e… Marido (Dennis Dugan, 2007).

O filme de Nelson McCormick limitou-se a passar à frente de A Última Cartada (Robert Luketic), que entre nós estreará a 01 de Maio. No entanto, já que temos à nossa disposição um blog para opinar, convém dizer que a verdadeira razão de abraçar este assunto esta noite, prende-se com o facto de Prom Night já ter data de estreia no nosso país – pois claro, parece que saiu em Diário da República que, filme número um nos Estados Unidos, que não estreie por cá, é excomungado – e, de Smart People (Noam Murro), filme que também chegou às salas norte-americanas este fim-de-semana, ainda não ter. E, o sétimo lugar arrancado, não deve ajudar muito a que chegue brevemente. Isto tem mais ar de quem vai ser esborrachado ali para Outubro ou Novembro, antes das grandes apostas do Natal. Agora, para clarificar que mais rapidamente correria para a bilheteira a adquirir o ingresso para o sétimo na tabela, aqui fica o trailer do primeiro, e o do dito sétimo. Isto, já para não dizer que o sete é um número com toda uma simbologia catita.

Qual é o Filme?

Começar o primeiro post no Yada Yada Yada com um simples La-di-da, seria menos que original. Mais do que esperada, seria uma entrada demasiado receosa e, já basta os nervos com que estou. Pronto, acabei de meter o pé na poça. Já disse que estou nervosa. Chiça. Tinha prometido ao Alvy que isto não ia acontecer. Espero que ele não se aborreça. Apesar de estar com vontade de contribuir, e muito, para este novo espaço, confesso estar um bocado ansiosa. Ele disse-me para não estar. Para começar com posts simples, que, daqui por umas semanas, sem me aperceber, já seria capaz de entrar por aqui adentro a mandar vir com o final de Citizen Kane (Orson Welles, 1941), se fosse preciso. Coisa que não é, porque adoro o final de Citizen Kane. Só para ficarmos esclarecidos. Era mais para dar uma ideia do ganho de confiança. Alguém que diz mal do final de Citizen Kane, quase que não precisa de pára-quedas. Pára no ar.

Com o tempo, essa segurança deverá mesmo surgir. Hoje, gostaria de iniciar a minha colaboração neste espaço, seguindo uma recomendação do Alvy. Nada demasiado complexo. Um desafio, à imagem de outros simples que ele efectuou no Deuxieme. Revelando alguns dos meus filmes de eleição, a ideia passa por descobrir quais os três filmes em questão. Aí estão eles.

Este foi o primeiro filme realizado por uma mulher a ultrapassar a barreira dos 100 milhões de dólares, nas bilheteiras norte-americanas. Neste filme entra um actor que, nessa mesma década, tinha participado no remake de um filme dos anos 30. O argumento deste remake agradou tanto ao realizador convidado, que este desistiu imediatamente da ideia de filmar Flashdance (1983). Neste remake entra também a actriz que, nessa mesma década, viria a protagonizar um filme que esteve destinado a Madonna. Por esse filme, a actriz ganharia uma nomeação para os Oscares.

De facto, isto assim não custa nada.

Ganhar ou não ganhar?

A questão foi colocada pelo Michael128 no fórum do IMDB. Secção, Oscar Buzz, mais precisamente. Na essência, transportamo-la para aqui. Com algumas nuances, para acentuar o dramatismo. Alguns poderão olhar para esta pergunta e pensar, Pff, mas tem alguma dificuldade escolher uma das duas? A verdade é que, para Alvy Singer, isto não é assim tão linear. Aqui, o busílis, é entre o ganhar e o não ganhar. É o subir ao palco, e o não subir. É o levantar o braço com o troféu na mão, e o não levantar o braço com o troféu na mão. É o poder agradecer a todos aqueles que gostaríamos de agradecer, e o não poder agradecer a todos aqueles que gostaríamos de agradecer. Por esta altura, a ideia já deve ter passado.

Vamos imaginar, assim, por uns momentos, que todos temos uma carreira na sétima arte. Não deveremos andar muito longe da verdade se dissermos que, provavelmente, isto já deve ter passado pelas mentes da maioria, pelo menos, uma vez. Vamos pensar que estamos nas cerimónias de entrega de dois dos prémios mais apetecidos de Hollywood. No caso dos homens, vamos imaginar que estamos todos vestidos a rigor para a ocasião. Um tuxedo talvez seja a opção mais consensual. No caso das senhoras, um vestido de cerimónia, cujo estilista caberá a cada uma decidir. Versace, Vera Wang, Prada, Armani, Carolina Herrera, Escada, Jean Paul Gaultier, Chanel, Valentino, Michael Kors, Roberto Cavalli, Oscar de la Renta, Dior, Nina Ricci, por aí fora. A fantasia não tem limite, por isso, não se acanhem. Agora, o desfecho destas duas festas, Oscares e Globos de Ouro, é que será diferente.

Com efeito, num ápice, imaginemos que chegámos ao final da nossa carreira. Daqui para a frente, já não há mais nada. A memória daquela noite em que vimos o nosso trabalho reconhecido soube bem. Olhamos para trás, e vemos um destes dois cenários. Apenas um. Qual dos dois preferiam ver no vosso currículo?

Uma nomeação para os Oscares.
Uma vitória nos Globos de Ouro.

Pois bem, apesar de ser um assíduo espectador dos Oscares, e um verdadeiro entusiasta pela História dos prémios, não poderei concordar com a maioria daqueles que disseram de sua justiça no IMDB. O que me leva a decidir nestes casos é o mesmo de sempre. A ideia de abrir a porta de casa, deitar as chaves para cima do móvel, e ouvir alguém berrar lá do fundo, Então, ganhaste? Isto, partindo do principio que ninguém tinha seguido os prémios pela televisão. Caramba, um Globo de Ouro não é assim tão mau. E, ganhar, sempre tem mais piada do que perder. Ou, será que ser nomeado para um Oscar não é já uma grande vitória? Seja de que maneira for, iria para o Globo de Ouro.

Frases de famosos pela boca dos actores.

General Hummel: "A árvore da liberdade deve ser regada de tempos a tempos com o sangue dos patriotas e dos tiranos". Thomas Jefferson.

John Mason: "O patriotismo é a virtude dos corruptos", de acordo com Oscar Wilde.

em, O Rochedo (Michael Bay, 1996).

13 de abril de 2008

Teens para gente grande.

Antes do trailer de American Teen, será apropriado fazer uma ressalva. Em breve, iniciaremos neste espaço, uma lista cujo título não deverá levantar grandes dúvidas: 25 Filmes a Ver em 2008. Vinte e cinco filmes que, no nosso entender, merecem, pelo menos, um acompanhar pormenorizado até às salas. Alguns deles, muito provavelmente, só chegarão ao nosso país em 2009. Isto porque, o critério de selecção desta lista baseia-se, meramente, nessa particularidade que é o oscar material. Apesar de faltarem ainda dez meses para próxima cerimónia, é já possível descortinar uns quantos favoritos. Favoritos talvez seja um termo demasiado forte. Digamos que existem uns que se destacam mais. Seja pelo realizador. Pelo elenco. Pela obra que serve de base. Por tudo isto. Por nada disto. Pelo orçamento. Enfim, procuraremos apenas incidir um primeiro olhar sobre vinte e cinco filmes que poderão fazer correr alguma tinta daqui por um ano. Seja pelos prémios ganhos, ou por aqueles que deixaram escapar. O objectivo não passa por uma previsão definitiva dos candidatos aos próximos Oscares mas, tão-somente, por um “dar a conhecer” daquilo que chegará lá mais para o fim do ano, e que por agora não passa de um mero objecto de interesse. Curiosidade exacerbada, será a melhor forma de descrever aquilo que sentimos em relação a estas obras. A primeira delas vem já aí.

E, curiosidade exacerbada, será talvez a maneira ideal de descrever a excitação sentida em torno de American Teen. O documentário de Nanette Burstein, nomeada para o Oscar de Melhor Documentário por On the Ropes (2002), tem andado nas bocas do mundo desde que passou por Sundance. Por essa altura, um dos que fez mais alarido em torno da obra foi Jason Reitman (Juno). O filme chegou a ganhar um prémio e, antes de o festival ter terminado, já os direitos tinham sido comprados pela Paramount Vantage. Terá sido, provavelmente, o filme que saiu com melhor reputação de Park City. Aliás, qualquer filme comparado com The Breakfast Club (John Hughes, 1986), sai com boa reputação de onde quer que seja. As comparações com o delicioso teen movie de Hughes foram mais que muitas. Era a primeira analogia saída da pena de qualquer crítico. Tantas foram as vezes que isto aconteceu, que a Paramount decidiu aproveitar o mote. No seu espaço, o caro Knoxville demonstra exactamente como.

Agora, esta sexta-feira, chegou um trailer bem apetitoso. Longo, mas, parecendo não revelar em demasia, o trailer percorre aqueles corredores típicos dos liceus norte-americanos. Curiosa é a pergunta lançada: Who were you? Sem qualquer embaraço, no secundário, posso dizer que era o movie geek que, quando lhe espetavam na cara com o prato do dia em plena cantina, dizia, Epá, isso faz lembrar aquele filme… Ou, quando chegava à escola com uns ténis novos, e os colegas os estreavam logo às pisadelas, retorquia, Epá, isso faz lembrar aquele filme… Ou, quando cortava o cabelo, e toda a gente oferecia três carolos bem dados, respondia, Epá, isso faz lembrar aquele filme.

Diz, quem já viu, que estereótipos é coisa que não abunda por aqui. Que o filme vai mais além, e pode mesmo vir a ser um marco do ano. A ver vamos. Uma coisa é certa, comparações com The Breakfast Club, é elevar a fasquia. E, apesar de esperar o melhor deste documentário, duvido muito que, a nível musical, tenha algo do gabarito de Don’t You (Forget About Me). A estreia nos Estados Unidos está marcada para 25 de Julho. Por cá, devemos ter de esperar. Aqui fica o trailer.

Space Jam.

Naquilo que respeita a paixões e afectos, o Cinema estará sempre num pedestal. Podem vir futebóis e PSPs, que, em termos de diversão, nada chegará aos calcanhares da sétima arte. Talvez por esta não ser somente sinónimo de diversão. Ser muito mais do que isso. Ser uma via de motivação e reflexão. Um lugar de descobertas. Interiores e do mundo. No entanto, em termos de entretenimento e, entretenimento apenas, algo tem vindo a ganhar o seu espaço no quotidiano de Alvy Singer. Basquetebol. É verdade. Ao contrário do futebol, onde são vinte e dois idiotas atrás duma bola, aqui são apenas dez paspalhões. A bola anda dum lado para o outro, daquela forma desvairada habitual, que por vezes leva-nos a perguntar Mas que raio, porque é que eles correm tanto? Convém dizer, para quem não está dentro do assunto, que, a NBA, liga profissional dos Estados Unidos, é o Olimpo da modalidade. Só os melhores do planeta jogam por lá. Os melhores, e os filhos de alguns treinadores. Dado comum em qualquer desporto. No entanto, isso não consta dos aspectos a abordar neste texto. Por esta altura, já alguns se terão questionado o porquê de um post sobre basquetebol num blog sobre cinema.

A verdade é que já há algum tempo andava à procura de uma brecha para puxar este tema. Não estava fácil. Contudo, a coisa resolveu-se quando surgiu a notícia de que Jonathan Dayton e Valerie Faris seriam responsáveis por três spots promocionais aos playoffs, prestes a começar. Antes de mais nada, é compreensível a decisão dos administradores da NBA, ao terem optado por Dayton e Faris. Ao olhar para trás, dificilmente encontraremos uma história tão convincente e, ao mesmo tempo, tão íntegra, sobre a perseguição de um sonho, como em Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos (2006). Aos olhos de uma criança, aceitamos que nem sempre se distinga a linha que separa a ilusão da realidade. Mas, o que é o sonho, senão o diluir dessa mesma linha? Seja na demanda da pequena Olive (Abigail Breslin), ou na procura destes homens com mais de dois metros, e já com idade para terem juízo, pelo ceptro de campeão. Porque nisto dos sonhos, somos todos inocentes e ingénuos. No caso destes calmeirões, o sonho está lá, como demonstra este primeiro vídeo, que mais parece um dos passos para o sucesso da teoria de Richard (Greg Kinnear). Assim como o medo, neste outro, que faz lembrar aquela frase do avô (Alan Arkin): Losers are people who are so afraid of not winning, they don't even try. No entanto, talvez seja pelo revelar de peito aberto que este é um sonho que carregam desde os nove anos – maior comparação do que esta era difícil –, dos três, o meu vídeo favorito é este. O facto de também estar aqui o meu jogador preferido da actualidade é capaz de ter ajudado. É o da esquerda. Chama-se LeBron e, um dia, será campeão. Pelo menos, ele acredita. Se Dayton e Faris decidirem, daqui a uns anos, fazer um filme sobre ele, têm o meu aval. Com a condição de que o tio venha atrás.

12 de abril de 2008

Façam favor. Os aperitivos são na sala.

Agora que já conhecem o hall desta nova casa, podemos passar aos salões. Antes de mais nada, peço desculpa pela desarrumação. Não liguem às caixas no chão. A olho nu, ainda podem passar despercebidos, mas, a verdade é que muitos pormenores ainda estão por ultimar. Há cortinados por colocar, candeeiros por montar e quadros para pendurar. Tudo, coisas da Annie. Mas, já lá vamos. Digamos que, aquilo que é essencial numa habitação, já estará por aqui. Desde a cozinha com os electrodomésticos indicados para confeccionar alimentos (ali a coluna New York City), até à sala de estar, que se espera acolhedora, onde poderemos encontrar-nos todos em sã confraternização (o espaço para comentários, entenda-se). Só não vos mostro o quarto, porque isso passaria pelo revelar das passwords deste estaminé. Garanto-vos, apenas, que é do mais confortável que a última geração em camas tem para oferecer. Agora, se me perguntarem o que mais gosto nesta casa, sem dúvida alguma, a vista. Como bom coscuvilheiro que sou, gosto sempre de espreitar a casa do vizinho da frente. Isto é gente que já mora aqui no bairro há muito tempo. Quando me mudei para aqui, confesso, também foi pela boa vizinhança. Por enquanto, a coluna La-di-da permite apenas perscrutar a residência de oito laboriosos cinéfilos. Laboriosos e jeitosos, acrescente-se. No entanto, a zona da varanda ainda vai ser trabalhada, no sentido de aumentar o raio de alcance. Isto é coisa para alargar a vista nos próximos tempos. Não nos parece que alguém vá levar a mal por entrarmos assim em sua casa.

Porque este primeiro post deverá ser o menos relacionado com cinema em toda a existência deste blog, vale a pena comparar esta saída do Deuxieme, com a saída de casa dos pais. Agora, quem paga as contas, é aquele que se assina. Se, numa noite de maior folia, fizermos aqui muito barulho, já não dá para assobiar para o lado como se nada fosse. Se entrar por aqui alguém a barafustar, temos de ser nós a ir à reunião de condomínio. Caraças, afinal, nem tudo é bom e o raio da rosa traz sempre um espinho atrás. De qualquer das formas, sabe bem sair de casa e encontrar o nosso próprio espaço. Tal como acontece com a casa dos nossos pais, em termos de blogosfera, para não ir mais longe, gosto de pensar que o Deuxieme será sempre a minha casa.

Posto isto, convém deixar uma palavra sobre o falar na primeira pessoa do plural, e o que faz ali o nome de Annie Hall no perfil. Quando, há coisa de duas semanas, decidi em definitivo que era altura de partir para um novo espaço, achei que esta aventura saberia melhor ao lado daquela que me lixou a vida, mas com a qual passei alguns dos melhores momentos de que me recordo. Sem pensar duas vezes, comprei então a passagem de avião para Los Angeles, onde iria propor à Annie que colaborasse comigo neste Yada. A sua companhia era a peça que faltava. E, a reacção não poderia ter sido melhor. Aliás, ficou tão contente com o convite, que logo quis retribuir com um jantar em casa dela. Lagostas era o prato. Gentilmente, recusei. Acho que ela não levou a mal. Acabámos por ir jantar a um restaurante de macrobiótica. A seguir a poder virar à direita num semáforo, o melhor desta cidade é ter mais restaurantes destes do que Nova Iorque. Enfim, deixemos estas considerações para outra altura. Aquilo que importa é que a Annie Hall será presença assídua neste espaço. Uma voz feminina sempre se traduz em equilíbrio. Basta ir ao top do IMDB, para ver que A Vida É Bela (Roberto Benigni, 1998) é o 14º melhor filme para o sexo feminino. Já para os homens, apenas podemos constatar que não entra sequer nos cinquenta primeiros, limite inferior da lista. Ora, isto quererá dizer alguma coisa. Agora, ainda amanhã, ou, talvez, só no inicio da semana, a Annie dará aqui o primeiro ar da sua graça. Ela diz que não está muito confiante. Já lhe disse que isto é meia bola e força. O pior que pode acontecer é chatearmo-nos um com o outro, e ir cada um para seu lado.

Apenas uma última palavra para o consultor imobiliário que ajudou a encontrar esta bela casa. Um verdadeiro achado na blogosfera. O preço é melhor nem dizer. A quantia cobrada foi tão irrisória, que recuso-me a partilhá-la, tal seria a vergonha. A verdade é que este auxílio na construção do Yada Yada Yada foi mais do que precioso. Se há coisa de que não percebo rigorosamente nada, são blogs e como abrir um pacote de leite com as mãos. O sacana entorna-se por todo o lado. Felizmente, desta vez, encontrei quem me ajudasse convenientemente. Mais do que consultor imobiliário, ele foi um autêntico decorador de interiores. Bastava-me dar a ideia do pretendido, e o desejo era realizado. Foi uma magnífica noite, aquela em que assinei a escritura desta casa. E, em jeito de segredo, qual prefácio, o primeiro post foi da sua autoria. Essência captada de forma tão eloquente, jamais o poderia retirar.

Em suma, resta-me dar as boas vindas a todos aqueles visitarão este espaço. Os sentidos em que esta casa crescerá, permanecem, até para nós, um mistério. A cada dia tentaremos mobilá-la mais de acordo com a nossa identidade. Só com o tempo é que isso virá. Para já, estamos gratos por a casa não ter vindo abaixo, como no filme de Richard Benjamin (1986). Bolas, aquilo é que deve ter sido uma fase complicada para Tom Hanks e Shelley Long. Se bem que a boa disposição de Hanks deva ter aliviado um bocado o ambiente.

10 de abril de 2008

Um

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Alvy Singer: I don't want to move to a city where the only cultural advantage is being able to make a right turn on a red light.