16 de maio de 2008

Mais apostas.

Continuando na senda das primeiras previsões que vão despontando aqui e ali, eis que emerge uma crítica deveras lisonjeira, proveniente de Cannes, onde acaba de estrear Waltz wth Bashir (Ari Folman). Nas palavras de Kim Voynar: “I'm going to go out on a limb here and say that I wouldn't be surprised to see Waltz with Bashir show up on the slate at Telluride in September, and even less so to see it wind up with an Oscar nod come January. Folman has made a beautiful, disturbing and deeply compelling film that documents the horrors to which he and his friends were witnesses, while offering hope that he and others might, some day, heal from the ravages of war”.

Todos acreditam que a equipa de WALL·E poderá já encomendar o champanhe, porque dificilmente a vitória escapará à Pixar. Contudo, até ao lavar dos cestos é vindima, e não devemos descurar as hipóteses deste filme de animação sobre a guerra do Líbano, no início da década de oitenta. Depois de Persepolis, filme com o qual Voynar acha que este será sempre comparado, prosseguem as obras de animação mais orientadas para graúdos. Parece que o Cinema percebeu em definitivo que existe uma criança dentro de cada um de nós. Mesmo daquele que decide pegar em armas. Aqui fica o trailer do novo filme do cineasta israelita, para já, candidato a candidato aos próximos Oscares.

Apostar cedo.

Qualquer nome que surja por esta altura, mais do que prematuro, quase que assume o estatuto altruísta de carne para canhão. Muito falta ainda para os Oscares do próximo ano e, prever o quer que seja, em pleno Maio, é um rebuscado exercício de futurologia, só ao alcance daqueles que possuam nos seus calabouços uma Bola de Cristal de última geração – por falar em Bolas de Cristal, com algum atraso, aqui fica a primeira fotografia de Goku, em Dragonball. Agora, há quem tenha instrumentos destes. Há sempre alguém que consegue, com tantos meses de antecedência, avançar alguns actores como prováveis nomeados à cerimónia do próximo ano. Quando a época de blockbusters ainda mal começou, dificilmente estes nomes se aguentarão até ao final da corrida. Normalmente, o que surge antes do Verão, tem tendência a desaparecer a seguir ao Festival de Toronto. Ainda assim, nunca se sabe, e mais vale mantermos os olhos bem abertos. Se estas interpretações saltaram à vista, por alguma razão foi. E, porque nestas coisas, o Awards Daily costuma ser acertar, não custa nada darmos aqui uma olhadela a Redbelt e The Visitor, obras onde parece que brilham Chiwetel Ejiofor e Richard Jenkins, respectivamente.

O primeiro, realizado por David Mamet (State and Main, 2000), estreou a semana passada nos Estados Unidos. A história de um instrutor de artes marciais corrompido pelos flashes de Hollywood, até foi recebida, um pouco por todo o lado. No entanto, foi o desempenho de Ejiofor, alvo de elogios bem jeitosos, que mais se destacou nas críticas norte-americanas. Sobretudo de Peter Travers, da Rolling Stone, que não está com meias medidas: “Ejiofor confirms his status as one of the best actors anywhere. Born in London to Nigerian parents, Ejiofor can do film drama (Dirty Pretty Things) and comedy (Kinky Boots) and win raves onstage (as Othello). The resonant stillness he brings to Redbelt pulls you in”. Aqui fica o apetecivel trailer.

O segundo, realizado por Thomas McCarthy (A Estação, 2003), estreou já a 18 de Abril. Até mais do que no filme de Mamet, a obra no seu todo, passou com distinção aos olhos dos críticos norte-americanos. O relato de um professor universitário que regressa ao seu apartamento de Nova Iorque, onde encontra um casal de estranhos a viver, conquistou público e crítica. No entanto, quem arrebatou mesmo tudo e todos, parece ter sido Richard Jenkins. Lou Lumenick, do New York Post, sem papas na língua: “Best movie I've seen so far this year? Hands down, it's Tom McCarthy's superb "The Visitor," which turns Richard Jenkins, one of the best character actors in the business, into a full-fledged star”. O trailer dá-nos uma ideia do tesouro que pode estar aqui.

Agora, serão estes peixes demasiado pequenos para os tubarões dos grandes estúdios, a estrear lá mais para o final do ano? Provavelmente, sim. Contudo, isso não quer dizer que não estejamos perante material de primeira água. Sigamos com atenção os próximos passos destes dois.

14 de maio de 2008

Let's Get It On.

A exemplo de tantos outros dias, há coisa de duas semanas, sentei-me em frente do televisor para regalar os olhos com mais um delicioso episódio de House. Maravilhas da medicina, diagnósticos mirabolantes, mistérios resolvidos à la Sherlock Holmes, os pacientes são todos uns mentirosos, por aí fora. Tudo seguia o seu rumo normal. Aliás, tudo seguiu. No entanto, a meio de Frozen, o décimo primeiro episódio da quarta temporada, House pede a uma paciente que se dispa, de modo a que ele possa examinar o corpo. Ela está no Poló Sul. Ele, em Princeton. Uma webcam permite a ligação. Assim que ela começa a despir-se, House liga a aparelhagem que se encontra ao lado do computador. A faixa do Cd que se ouve, Let’s Get It On.

Apesar de já ter ouvido, por diversas vezes, quer em filmes, quer em séries, este portento de Marvin Gaye, nunca me tinha dado ao trabalho de investigar em quantas obras é que se recorreu à melodia sedutora de Let´s Get It On. Porque o post ficaria demasiado longo, e o espaço arrenda-se, deixamos aqui apenas um lamiré.

House (Tv)
A Glória dos Campeões (2007)
Crank (2006)
Tudo o Que Sonhei (2006)
Jogos de Infidelidade (2005)
O Novo Diário de Bridget Jones (2004)
Mr. 3000 (2004)
O Rei do Bairro (Tv)
Alguém Tem de Ceder (2003)
Os Sopranos (Tv)
Scrubs (Tv)
High Fidelity (2000)
Um Caso a Três (1999)
Into the Night (1985)

E, mais haverá certamente. Sobretudo, mais antigos. Para todos os gostos e feitios. Não importa qual é o projecto. Se o mote é despir, e get to down to business, a música Let´s Get It On consegue isso mesmo. Esta parece ser a preferida de dezenas de produtores, centenas de realizadores, milhares de argumentistas, e milhões de famílias. Contudo, não tem de ser assim. E, daí este post. O repto lançado hoje como que penetra na libido de cada um de nós. Uma primeira parte deste desafio passa pela imaginação. Quais argumentistas/realizadores deveremos idealizar uma cena em que o objectivo seja passar à acção (não será necessário descrever a cena, isto é apenas para ajudar na segunda parte). Com os actores que quisermos, os meios que quisermos, tudo. Mais romântica, ou menos. Os limites vão desde The Brown Bunny (Vincent Gallo, 2003) a Quanto Mais Quente Melhor (Billy Wilder, 1959). Agora, com a liberdade criativa concedida, que música melhor criaria o ambiente tentador para o momento em questão? Atracção, provocação e encanto. Que música, no lugar de Let’s Get it On, seria a mais indicada? Dando o pontapé de saída, também de Marvin Gaye, mas por Ben Harper, porque é mais malandra, Sexual Healing.

20 - Nothing is Private.

Continuando a subir na lista dos filmes mais aguardados deste ano, começa a ser cada vez mais complicado adjectivar o grau de interesse em torno destas obras. Porque tudo não passa de prioridades, poderíamos somente dizer que esperamos por todos eles como se não houvesse amanhã. No entanto, se amanhã pudéssemos vê-los todos, começaríamos por esta ordem, porque alguma teria de ser. Havia de ser o bom e o bonito, se alguém dissesse que estes filmes estariam disponíveis para visionamento a partir de amanhã. Enfim, utopias que desviam-nos do propósito deste texto, o de dar a conhecer o número vinte desta lista.

Apesar de já ter estreado em Sundance, e a recepção que teve não ter sido das mais calorosas, por enquanto, nada abala a motivação para ver Nothing is Private. Baseado no romance de Alicia Erian, Towelhead, o filme, adaptado e realizado por Alan Ball, é uma jornada pelo quotidiano negro, intrépido e incrivelmente inusitado de Jasira (Summer Bishil), uma jovem norte-americana de ascendência árabe, de 13 anos, que vai percorrendo o sinuoso trilho da adolescência, e despertando para a sexualidade.

Se recordarmos que Alan Ball foi o argumentista de uma das maiores pérolas cinematográficas da última década, Beleza Americana (1999), e autor de uma das maiores pedradas no charco em matérias televisivas, Sete Palmos de Terra, por si só, isso já chegaria para antecipar a chegada deste filme. E, não nos equivoquemos, essa é mesmo a principal razão. É certo que os nomes de Aaron Eckhart, Toni Collette e Maria Bello, também puxam por nós, contudo, Ball é mesmo o centro das atenções. Aquando da estreia em Sundance, o seu argumento foi largamente mais elogiado do que qualquer outra coisa, incluindo a sua realização. Aqui entre nós, já estávamos mais ou menos à espera. Nisto do Cinema, como em tudo o resto, são poucos aqueles que vencem em todas as áreas. Ainda assim, esperamos para ver. Curiosa é a história do título. Primeiro, mantinha o nome do livro. Em seguida, Ball apelidou-o de Nothing is Private. Agora, parece que volta a ser Towelhead. Pelos menos, assim se apresenta no poster. No IMDB, continua o segundo. Pouco importa. Seja qual for o título, estaremos cá para o ver quando estrear. Já disponível, aqui fica o trailer.

13 de maio de 2008

Isto sim, é uma produção.

Já no Deuxieme tínhamos deixado uma primeira palavra sobre This Side of the Truth, o filme com que Ricky Gervais se estreará na realização. Para já, muito provavelmente, o título mais aguardado do próximo ano. Blockbusters, sequelas, Oscares e festivais, incluídos. Com David Brent, perdão, Ricky Gervais aos comandos, acompanhado por um elenco por demais vistoso – Jason Bateman, Tina Fey, Jonah Hill, Jennifer Garner, Jeffrey Tambor, John Hodgman, Rob Lowe, Christopher Guest, e o próprio Gervais – é difícil não começar já a sonhar com a reunião desta gente, que nos tem brindado com algumas das melhores comédias dos últimos tempos – outros, de apanhas mais antigas, já há muito mostraram aquilo que valem. A conduzir-nos pela produção desta obra, temos a sorte de contar com um blog da autoria do realizador. Confesso que nem sempre vou estando a par das actualizações. Por vezes, tem de ser um qualquer site a chamar à atenção. Foi o que aconteceu esta noite, quando visitei o I Watch Stuff. E, não é que estão lá dois vídeos novos bem catitas de Gervais a xingar a cabeça de Jason Bateman? Bolas, nota-se que aquela gente deve ter uma dificuldade do camandro em descomprimir no local de trabalho. Já aquela pistola, com que Gervais andou também a espalhar o terror ao lado de Rob Lowe, parece ser o artefacto predilecto lá do sítio. Acho que já sei porque é que visito poucas vezes o blog de This Side of the Truth. É porque, sempre que vejo um vídeo destes, tenho aquilo que a Mónica de Friends descreveria como tiny orgasm.

Bom prenúncio.

Excepto os co-produzidos pelos próprios canais, poucas são as vezes que vemos a anunciar na televisão a estreia de um filme não-pipoca. Hoje, com enorme satisfação, e talvez ainda maior surpresa, pude comprovar que andam a passar reclames de Lars e o Verdadeiro Amor (Craig Gillespie). Quererá isto dizer que a obra não conhecerá apenas as salas de um distrito? Esperemos que sim.

Horas depois de termos falado dele...

... eis que chega o teaser.

Sopa de Filmes.

Mais um passatempo, mais um desafio. Ainda a limar algumas arestas nesta nova distracção, comecemos com poucos, para ver até que ponto isto é difícil, ou se desse lado isto se resolve do pé para a mão. O repto é relativamente simples. Todos os nomes apresentados de seguida distribuem-se por cinco filmes apenas. Cinco filmes cinco. Todos eles, em parelhas de quatro. Ou seja, por filme, teremos três actores e um realizador. Até pode ser que eles se organizem de outra forma, de modo a que nenhum nome fique de fora. No entanto, com aquela utilizada para construir o desafio de hoje, é certo que todos terão uma obra. Sendo assim, o objectivo passará por agrupar os seguintes em conjuntos de quatro, e dar a conhecer o filme em que esses quatro trabalharam. Apesar de reunirmo-los em recipientes comuns, a ordem pela qual eles se encontram é puramente aleatória.

Realizadores: Woody Allen, Baz Lurhmann, Francis Ford Coppola, Brian de Palma, e Martin Scorsese.

Actores: Sam Rockwell, Jude Law, Mickey Rourke, Brian Dennehy, Robert De Niro, Leonardo DiCaprio, John Leguizamo, Matt Damon, Andy Garcia, Paul Rudd, e Alec Baldwin.

Actrizes: Patricia Clarkson, Melanie Griffith, Winona Ryder, e Claire Danes.

Boa terça-feira.

21 - Vicky Cristina Barcelona.

Ano após ano, Woody Allen lá vai fazendo o seu filme. E, alguns de nós vão agradecendo. Outros, amaldiçoando o facto de o realizador tardar em regressar à boa forma de outros tempos. Por vezes, até vamos alternando entre estas duas posições. É tudo uma questão de ver o copo meio cheio, ou meio vazio. Apesar de tudo, para Alvy Singer, ele está quase sempre a transbordar. Daí estar permanentemente à espera do próximo. Mesmo quando já está a ser filmado um próximo, e o mais próximo ainda nem sequer estreou.

Segundo o Festival de Cannes, a sinopse de Vicky Cristina Barcelona reza mais ou menos assim: Duas jovens norte-americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) vão passar férias a Barcelona durante o Verão. Vicky, mais sensível, está destinada a casar; Cristina, mais emocional e sexualmente aventureira, só quer passar um bom bocado. Em Barcelona, deparam-se com o romantismo invulgar de Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor carismático, ainda envolvido com a sua intempestiva ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz).

Colocando as coisas nestes termos, torna-se difícil perceber se o filme terá mais contornos de comédia ou drama. É certo que, numa obra Allen, os dois acabam sempre por andar de mãos dadas, no entanto, quer-nos parecer que o realizador continuará a sua senda mais negra dos últimos anos, apenas interrompida por Scoop (2006). Mais uma vez, teremos a presença de Scarlett Johansson, a mais recente musa do cineasta. Penélope Cruz, ao que tudo aponta, terá aqui uma excelente oportunidade para brilhar pela mão de outro realizador que não Pedro Almodóvar. E, Javier Bardem, que não aceita um papel por dá cá aquela palha, ajuda a criar expectativas em torno desta obra. Já falta pouco para começarmos a reunir opiniões. O filme estreia este sábado, dia 17, em Cannes.

12 de maio de 2008

Boy, did she make her mark.

Just, Katharine. Passam hoje 101 anos do seu nascimento. Confesso, muito tenho ainda para ver da obra desta estrela maior. Porém, aquilo que já foi admirado, mais do que chegou para render-me às evidências. Que palavras podemos escolher para definir carreiras desta estirpe? Clint Eastwood, Kevin Bacon e Sharon Stone bem tentam, neste segmento do American Film Institute. Assim como Anthony Hopkins, nesta viagem relâmpago pelo trilho percorrido por Katharine. Às vezes gosto de pensar que o Cinema é uma monarquia, só para começar a distribuir títulos. E, acho que ninguém se oporia se disséssemos que muitas podem ser princesas nesta História; mas, que a nenhuma outra assenta tão bem a coroa como a Katharine.

Eu acredito, caramba.

Porque é que The X Files: I Want to Believe é tão importante na agenda desta temporada? Porque gostamos sempre de recordar aqueles com quem crescemos. Na companhia da série que serve de base a este filme, e um pacote de Filipinos, passei alguns dos melhores serões à frente de um ecrã de televisão. Com este programa, fez-se luz sobre o verdadeiro significado do conceito série. É que eram uns a seguir aos outros. Episódios cada vez melhores, e mais viciantes. Isto ainda é do tempo em que as estações de televisão tinham a decência de passar programas de qualidade antes da meia-noite, e não era qualquer embaraço ficar em casa sexta-feira à noite. Aliás, o chato era, na manhã de segunda-feira, não poder discutir calorosamente a última investigação de Mulder e Scully. É precisamente por não querer ficar de fora destes debates, e, ao mesmo, pretendendo recordar estes velhos compinchas, que lá estarei no fim-de-semana de estreia. Por enquanto, aqui fica o trailer disponibilizado ontem.

A caminho.

Admito não ser o maior dos adeptos das visitas ao set de rodagem. Acabam por ser uma espécie de teaser rudimentar, quase a roçar a crueldade. Do lado de cá, daqueles que aguardam ansiosamente pelas obras, é apenas a confirmação de que ninguém anda a faltar ao trabalho, e de que muita água há-de passar ainda debaixo da ponte antes vermos o resultado numa sala de cinema. No entanto, porque se trata de Quantum of Solace, abrimos aqui uma excepção. Por três ordens de razões. A saber, a primeira, para confirmar que Daniel Craig continua a não ser a mais natural das visões na pele de James Bond. Porém, é uma incredulidade que sabe bem. Até porque, desta feita, já pudémos constatar de que é capaz dar conta do recado. A segunda, para darmos uma outra espreitadela a Olga Kurylenko – muitos de nós não viram Hitman. Talvez porque já tenha passado pela saga, parece haver ali qualquer coisa de Sophie Marceau. Uma terceira razão, porque não, passa por ouvir aqueles míticos acordes. Seja lá o que for que venha a seguir àquilo, parece sempre a coisa mais importante do mundo. E, vá lá, um quarto motivo, a carequinha de Forster.


Uma abordagem diferente.

Prefiro este tipo de crítica negativa inconvencional, a qualquer tentativa mais espaventosa e presunçosa de derrubar um filme. Claro que a figura do indivíduo não deixa de ser risível. Mas, essa é a intenção. Ao contrário de alguém que escreve, a propósito de Melinda e Melinda, Não é por ser sempre o mesmo filme que este filme é dolorosamente decepcionante, porque a fazer o mesmo filme Woody Allen tem feito filmes maiores (…) E diz-se que já está a realizar, em Londres, uma coisa chamada Match Point. É certo que isto também acaba por ter piada, no entanto, como mero fruto do acaso. Ainda assim, acho que fiquei com mais vontade de ver Speed Racer.

11 de maio de 2008

Foi mais ou menos assim que assisti a isto.

Porque este filme já roubou tempo demasiado, não me alongarei nestas considerações. Sempre defenderei a tese segundo a qual nenhum filme deve esbarrar na crítica de quem o viu. Porque todos gostamos de Cinema, jamais poderei ceder à tentação de não recomendar determinada obra. Em último caso, recomenda-se com o intuito de mostrar tudo aquilo que está mal. E, é única e exclusivamente com esse propósito, que aconselho este Loucuras em Las Vegas (Tom Vaughan). Apesar de ter visto o filme já há dois dias, continuo a tentar reconstituir os passos que levaram à sala de cinema, e perceber como é que me conseguiram levar nesta coboiada.

Enumerar os defeitos desta obra é cair no facilitismo. Opinar sobre as suas qualidades, quase um exercício de bruxaria. Esta é a comédia romântica que todos vimos, quando começámos a gostar de Cinema. As fórmulas do costume estão todas aqui, e não existe o mínimo esforço de deixar um cunho pessoal. Arte é quando 1+1 não é igual a dois. Em Loucuras em Las Vegas, esta soma dá zero. Quando o filme tem apenas cinco minutos, a dupla de protagonistas decide viajar para Las Vegas. Quem é que falou em apressar a narrativa? O maior cliché de todos, no entanto, são estas duas palavras que surgem em todo e qualquer filme em que ele é um preguiçoso de primeira, e não consegue assentar: Minor League. Estas duas palavras estão para as comédias românticas, como I’m Your Father está para Star Wars. Cameron Diaz e Asthon Kutcher, já mostraram bem mais do que isto. Mas, também, numa história como esta, quem é que os pode criticar. Se calhar até podemos. Bem, no início disse que não iria alongar-me, e isto já está a ficar demasiado grande. Resta dizer que, há momentos em que nos rimos, coisa que convém, num filme que se apresenta como comédia. Cabe a Rob Corddy (Daily Show) dar-nos os melhores gags. No entanto, em mais de hora e meia, são muito poucos os instantes de lucidez, em que conseguimos conectar com o enredo. Tudo funciona aos repelões. E largos. Um bocado como aqueles televisores em que a antena não apanha bem o sinal, e temos de dar uma valente pancada de lado – só há pouco tempo tenho Tv Cabo, por isso sei bem do que estou a falar. Posto isto, loucura é ver este filme. Sejam como Alvy Singer, e dêem azo ao vosso lado mais demente.

22 - Brothers.

Com este título, entramos nos verdadeiros candidatos aos Oscares deste ano. É certo que Synecdoche, New York e Happy-Go-Lucky já se perfilam como fortes hipóteses, assim como Defiance e Appaloosa, embora, nos primeiros, seja o argumento a suscitar mais curiosidade enquanto, nos últimos, é mais pelas interpretações. Se quisermos, com Brothers, abordamos o primeiro filme desta lista em que é tudo junto, com queijo e presunto. Sem qualquer distinção, todos os elementos presentes nesta obra levam-nos a esperar o melhor.

Remake do filme do mesmo nome de Susanne Bier, realizado em 2004, Brothers conta a história de dois irmãos separados pela guerra do Afeganistão. Tobey Maguire, recuperando o papel que foi de Ulrich Thompson, é o irmão responsável, com uma carreira militar de sucesso, que parte para a guerra. Jake Gyllenhaal, é o inconsciente irmão mais novo que gosta de viver nos limites, e que fica na terra natal, assim como a mulher de Maguire, interpretada por Natalie Portman. Quando o irmão soldado desaparece em batalha, a suposição de que este terá morrido conduz a uma alteração das relações daqueles que ficaram para trás.

Com Jim Sheridan, no comando das operações, este parece ser o projecto de afirmação definitiva para o trio de protagonistas. Um drama intenso, em cenário de guerra, óptimo para um actores brilhar e a Academia premiar. É verdade que Jake Gyllenhaal já terá provavelmente concluído a sua transição, no entanto, Natalie Portman e, sobretudo, Tobey Maguire procuram ainda obter um outro tipo de reconhecimento. Para Portman, nenhum ano na sua carreira foi tão proveitoso quanto 2004, com a chegada de Garden State e Closer. No caso de Maguire, apesar de As Regras da Casa (1999), Seabiscuit (2003) e Wonder Boys (2000), ainda não o vimos agarrar um personagem pelos cor… com o coração de um grande actor. Talvez o argumento de David Bienoff (A Ùltima Hora) potencie as suas capacidades. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 04 de Dezembro. Aquela altura do ano em que até um filme com o título Peúgas Encardidas – Viagem ao Cesto da Roupa Suja 3D é um sério candidato aos Oscares.

Poster Mistério.

Photobucket

Mistério Wasted.

Photobucket

Resposta correcta para a Mariahep, que acertou inclusivamente no dono do bicípete.

Star Wars - O Trailer.

Photobucket

Já está disponível o trailer de Star Wars: The Clone Wars (Dave Filoni). Nos tempos que correm, não se brinca em serviço. As cópias saíram com a película de Speed Racer, que estreou este fim-de-semana, e, no próprio dia, chegaram à Net. Dá que pensar, quando fazemos a comparação com há uns anos atrás – e não é preciso recuar muito – nisto das campanhas cinematográficas. Enfim, dissertações que ficam para outra altura.

Spin off de Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones (2002), o filme de animação segue a odisseia interestelar de Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi e Padmé Amidala. A eterna luta do bem contra o mal, agora em versão animada. Após o visionamento deste trailer, a primeira impressão, muito francamente, é a de que estamos a ver o vídeo de apresentação de um qualquer jogo de consola. Não sei se isso será bom ou não. Palavra de honra, foi o que me lembrou. Em Portugal, a estreia está marcada para 28 de Agosto.

10 de maio de 2008

S. Darko.

Gostava de poder chegar aqui, e manifestar a minha opinião sobre esta notícia. No entanto, tal não é possível, na medida em que se tratam de novidades relativamente a uma sequela. E, as sequelas são um bocado como as propostas apresentadas no hemiciclo. Podemos tomar uma de três posições: a favor, contra, ou abstenção. Neste caso, terá de ser a abstenção porque ainda não vi o primeiro filme, Donnie Darko (2001). O que é mau. Neste tipo de coisas, uma pessoa tem de estar ao corrente da situação, para poder dizer de sua justiça. Faz todo o sentido, sim senhor. Ou, Mas que palhaçada vem a ser esta? Não ter visto Donnie Darko, implica não poder torcer pela sequela, nem enxovalhar os tipos que tomaram esta decisão. Sou obrigado a permanecer de mãos nos bolsos, e assobiar para o lado. Coisa que até não dá muito jeito, porque hoje levei uma cotovelada no lábio superior, e torna-se difícil assobiar como deve ser.

Ainda assim, podemos dar a conhecer aquilo que o /Film avança em primeira mão. Antes de mais, como já deu para perceber, vem aí a sequela de Donnie Darko. Em segundo lugar, meio mundo está a levar as mãos à cabeça porque Richard Kelly não está associado ao projecto – este é o meio mundo que ainda não viu Southland Tales. Outro meio mundo aplaude de contentamento – este é o meio mundo que já viu Southland Tales. Aliás, parece que a Darko Entertainment não terá nada a ver com a obra. Em terceiro lugar, o nome do filme: S. Darko. Ao que parece, a sequela terá como protagonista Samantha Darko (Daviegh Chase). A história inicia-se sete anos após o término do primeiro filme, quando Samantha, já com dezoito anos, mete-se à estrada com a amiga Corey, numa roadtrip até Los Angeles. Pelo caminho, visões estranhas surgem como companhia. Em quarto, o realizador já está seleccionado. Segundo consta, Chris Fisher (Nightstalker) já terá assinado – o meio mundo que já viu Southland Tales, parece não ir muito à bola com a alternativa. A produção começa dia 18 deste mês. E, por último, não está prevista a presença de Donnie na sequela. Mas, parece que surgirão meteoritos e coelhos. Seja lá o que isso for.

9 de maio de 2008

A arte da caracterização.

Tirando-lhe o bigode do último filme, agora de cabelo grisalho e vestindo algo que não seja uma camisa esfarrapada e gasta pelo sol, o homem fica praticamente irreconhecível. Não fosse o nome do actor em questão estar presente no texto que acompanhava esta imagem e, provavelmente, nem tinha chegado lá. Para alguns, se calhar basta ver a fotografia e é logo Ah, olha o Josh Brolin. Está diferente. Para outros, isto é mesmo brincar ao Vê lá se sabes quem eu sou.

Segundo a Entertainment Weekly, a rodagem de W começa dentro de duas semanas. Depois de duas revisões ao argumento, o realizador já encomendou uma terceira – já se percebeu que é adepto de provérbios. Do filme farão parte alguns momentos como o célebre engasgamento do presidente com um aperitivo, enquanto via um jogo de futebol americano pela televisão, ou a cantoria em Yale de Whiffenpoof. Polémica é o que se espera, ainda para mais com Oliver Stone ao leme. Depois de Fahrenheit 9/11 (Michael Moore, 2004), voltamos a ter um filme que poderá desempenhar um papel importante nas urnas. No entanto, a estreia ainda não está confirmada para Outubro. Aquilo que se sabe, por enquanto, é que Josh Brolin e Elizabeth Banks serão a capa da próxima EW.

23 - They Marched Into Sunlight.

Tentar descobrir o quer que seja sobre este filme pode revelar-se uma tarefa desgraçada. Pouco ou nada se encontra, como se uma qualquer entidade secreta tivesse sido criada com o intuito ocultar a produção desta obra. Nós sabemos que o projecto existe. Que a sua estreia, inclusive, chegou a estar prevista para o ano passado. Por isso, não vale a pena escondê-lo. Aliás, promover este título é apenas seguir o rumo natural das coisas. É que nem actores associados ao projecto, se conhecem ainda.

Realizado por Paul Greengrass (Voo 93, Domingo Sangrento, Ultimato) e produzido por Tom Hanks e Gary Goetzman, parte da equipa por detrás da soberba Irmãos de Armas, este é um filme que tem tudo para dar certo. Baseado na obra homónima de David Maraniss, finalista dos Prémios Pulitzer em 2004, o filme retrata dois eventos separados de Outubro de 1967, que produziram um efeito semelhante. O primeiro, na Universidade de Wisconsin, onde os alunos protestam, à porta do Commerce Building, contra os representantes da Dow Chemical Company, empresa produtora de napalm. A contestação que havia iniciado pacificamente termina em motim, com intervenção policial. O segundo episódio decorre no Vietnam, onde um pelotão norte-americano é capturado pela guerrilha, e 61 soldados são assassinados. Estes dois episódios, separados por um curto espaço de tempo, contribuíram para uma maior oposição à Guerra do Vietnam, e um aumento da pressão sobre o presidente Lyndon Johnson.

Para já, tanto quanto se sabe, Greengrass ainda está a terminar a rodagem de Green Zone, com Matt Damon e Greg Kinnear. O que nos parece contraditório, dado que a estreia deste está agendada apenas para 2009. No fundo, o calendário do cineasta britânico deve estar uma barafunda. Que as coisas se resolvam pelo melhor, e este chegue mesmo às salas este ano. Apesar de se não se falar muito sobre They Marched Into Sunlight, isso não significa que não aguardemos por ele como se não houvesse amanhã. Este tem todo o ar daqueles que ninguém dá por ele, e depois… zumba. Pelo menos, assim esperamos.