De acordo com o Sunday Times, Christopher Tolkien tentará impedir as filmagens de The Hobbit e da sua sequela, na próxima semana . Aos 83 anos, o filho de J.R.R. Tolkien acusa a New Line Cinema de dever à família qualquer coisa como 158 milhões de dólares. A poucas semanas do inicio da rodagem, Christopher Tolkien diz que esta é a derradeira cruzada pelos direitos da família, salvaguardados num acordo assinado pelo autor da trilogia em 1969, onde ficou garantida uma percentagem de 7,5% dos lucros. A 06 de Junho, solicitará a um juiz californiano que dê razão à sua causa, e coloque um entrave ao início da produção. Os seus advogados já acusaram a New Line de sacanices financeiras. A Warner Brothers, detentora da New Line, não comentou. Mas, verdade seja dita, um engano de 158 milhões não é coisa pouca. Se alguém procurou aldrabar, podia ter sido mais comedido. Esperemos que as coisas se resolvam, e que o filme não volte a cair num impasse.
27 de maio de 2008
Um dia, será notícia.
Existem hábitos e costumes difíceis de quebrar. Romper com as rotinas, nunca é fácil, sobretudo se nos derem gozo. Confesso, a frequência com que hoje vou ao clube de vídeo já não é a mesma de outros tempos. Na altura em que estudava, poucas coisas ficavam mais perto da escola do que o clube de vídeo. Talvez só mesmo a mercearia da frente. Talvez porque ir ao clube de vídeo, seja mais do que ir apenas ao clube de vídeo, jamais poderei aceitar que chegará o dia em que deixarei de contar com ele. Ainda ontem lá fui, para devolver dois filmes. Até sujeito a pagar multa, sabe bem entrar num espaço que traz tantas memórias. Muitos dos primeiros filmes que vi, vieram daquelas estantes. Acredito que seja assim para muita boa gente. É porque, antes de termos dinheiro para comprar filmes, temos dinheiro para os alugar. Há que começar sempre por algum lado. E, muitos terão começado por aqui também. Espero apenas que este vídeo seja o retrato de um tempo muito, muito distante.
15 - Burn After Reading.
Deixar de fora desta lista o primeiro trabalho dos irmãos Coen, depois da vitória nos Oscares de No Country For Old Man, poderia ser mal interpretado. Colocá-lo lá mais para trás, seria o reconhecimento de uma entrada forçada. Apresentá-lo nos lugares cimeiros, seria desvirtuar as nossas mais profundas convicções. E, neste caso, o número quinze acaba por surgir naturalmente. Não por acharmos que o filme será uma virtude plena, mas por não sabemos muito bem o que achar. Se, por um lado, temos a dupla que temos atrás das câmaras, mais uma vez responsável pelo argumento, produção e realização, e um elenco de primeiríssima água, por outro lado, a História não se tem cansado de mostrar que, após um êxito retumbante, os adultos gostam de brincar um bocado. Experiências arriscadas que nem sempre dão bons resultados, aliadas a um esforço menor, que normalmente leva o espectador a dizer que tratar-se de um filme light. Se o filme for bom, por mais light que seja, saímos da sala com a cabeça a andar às voltas. Aquilo que receamos, é estar perante um daqueles lights em que nem sequer é preciso levar a cabeça para ver o filme.
Mas, mais uma vez, aí entra a dupla responsável. São os Coen. Auxiliados por gente como Emmanuel Lubezki, quatro vezes nomeado pela sua fotografia para os prémios da Academia, e David Swayze, director artístico que, depois de amealhar experiência com os melhores, parece ter um futuro brilhante à sua frente. No elenco, George Clooney, Brad Pitt, Tilda Swinton, John Malkovich, Frances McDormand, e Richard Jenkins. O plot, suficientemente rocambolesco para poder proporcionar óptimos momentos: um disco rígido que contém as memórias de um agente da CIA, vai parar às mãos de dois escrupulosos funcionários de um ginásio, que planeiam lucrar alguma coisa com a sua venda. Neste momento, as expectativas estão fifty-fifty. Vá lá, porque são os Coen, 51-49. E, é este um que faz com que este seja um dos títulos mais aguardados do ano. Em Portugal, a estreia está prevista para 02 de Outubro.
Sydney Pollack.
Nestas alturas, procuramos sempre as palavras indicadas que não existem, para tentar retribuir aquilo que nos foi dado. E, Sydney Pollack foi daqueles que nos tratou melhor. Deu-nos um Dustin Hoffman irreconhecível, uma quinta em África, um romance de ontem, uma maratona de dança, um condor memorável, e muito mais. Hoje, despediu-se, aos 73 anos, vítima de cancro. Para sempre, ficam as obras do realizador que não dava valor aos filmes que tinha gostado de fazer. Se fossem bons, tinham dado uma trabalheira dos diabos. Deve ter dado valor a poucos, então.
Inevitabilidades.
Cinco actores. Cinco carreiras que, por entre altos e baixos, continuam talhadas para o sucesso. Estes são nomes de peso na indústria actual. Estrelas maiores no firmamento de Hollywood dos nossos dias. Ano após ano, seguimos as suas pisadas. Diga-se, no entanto, que uns começaram o voo mais cedo. Bale, curiosamente, foi o primeiro a dar nas vistas. Contudo, só anos mais tarde é que ganharia o estofo necessário para ombrear com Brad Pitt, Matt Damon, Johnny Depp, ou Leonardo DiCaprio. Os cinco que nos parecem mais perto de ganhar um Oscar. Não que a vitória seja uma iminência. Digamos que aparentam apenas possuir mais trunfos para esse feito. Posto isto, olhando para o que futuro próximo destes cinco actores nos reserva, e procurando assim antecipar aquilo que lá mais para a frente iremos encontrar, o Yada tem uma questão para hoje.
Christian Bale:
The Dark Knight (Christopher Nolan, 2008);
Terminator 4 (McG, 2008);
Public Enemies (Michael Mann, 2009);
Killing Pablo (Joe Carnahan, 2009);
Brad Pitt:
Burn After Reading (Ethan e Joel Coen, 2008);
The Curious Case of Benjamin Button (David Fincher, 2008);
Tree of Life (Terrence Mallick, 2009);
The Fighter (Darren Aranofsky, 2009);
Atlas Shrugged (Vadim Perelman, 2009);
Johnny Depp:
Public Enemies (Michael Mann, 2009);
Shantaram (Mira Nair, 2009);
The Rum Diary (Bruce Robinson, 2009);
The Imaginarium of Doctor Parnassus (Terry Gilliam, 2009);
Leonardo DiCaprio:
House of Lies (Ridley Scott, 2008)
Revolutionary Road (Sam Mendes, 2008)
Shutter Island (Martin Scorsese, 2009)
The Rise of Theodore Roosevelt (Martin Scorsese, 2009)
Freedom Within the Heart (Mark Mahon, 2009)
Matt Damon:
Margaret (Kenneth Lonergan, 2008);
Green Zone (Paul Greengrass, 2009);
The Informant (Steven Soderbergh, 2009).
Agora, a pergunta que se impõe é a seguinte,
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Uma questão de cor.
Hoje, é com orgulho que ostento esta calvície disfarçada. É um enorme prazer, passear com estes óculos de massa que escondem um rosto magro, pouco dado a feições másculas. No entanto, tempos houve em que o maior desejo era possuir uma loira e farta cabeleira. Com os anos, vamos percebendo as nossas limitações. Sobretudo, as genéticas. De qualquer forma, isso não impede um miúdo de sonhar. Verdade seja dita, esta é uma vontade secreta que ainda hoje se mantém. Muito por culpa da ficção. Esta tem sido toda uma existência marcada por referências na área. A influência de alguns era tanta, que nem foi preciso vê-los muitas vezes no ecrã. Porque hoje comemora-se o Memorial Day, e as noticias não abundam, fica aqui um rol de personagens que, a espaços, contribuíram para que um champô de camomila figurasse na lista de compras.
Ryan O'Neal, Love Story (1970).
Ian Ziering, Beverly Hills.
Bart Simpson, Simpsons.
Errol Flynn, As Aventuras de Robin dos Bosques(1938).
Poupas, Rua Sésamo.
Gene Wilder, Balbúrdia no Oeste (1974).
Alan Ladd, Shane (1952).
Fred Jones, Scooby-Doo.
James Dean, Fúria de Viver (1955).
Robert Redford, O Nosso Amor de Ontem (1973).
James Stewart.
O dia passou, e nada dissemos. Os dias foram passando, e o silêncio manteve-se. Cada vez fazia menos sentido falar de James Stewart, e do facto de que o actor teria feito 100 anos, aos vinte dias deste mês. Mas, com a breca, estamos a falar de James Stewart. Nem que fosse daqui a três meses e meio, jamais seria demasiado tarde para escrever um post sobre o aniversário do Tenente. É verdade que as memórias se avivam nestes dias especiais. Contudo, deixada a nota sobre a data, nada nos impedirá de recordar a magnificência da estrela, só porque nos apetece.
E, que melhor exemplo do que esta cena, a primeira romântica no grande ecrã, após o regresso da II Guerra Mundial. Durante um telefonema que ficou para os anais, em Taxi Driver (1976), a câmara de Scorsese afasta-se, de modo a proteger o espectador do sofrimento de Travis Bickle. Em Do Céu Caiu Uma Estrela (1946), durante um telefonema que para sempre figurará nos livros, a câmara de Frank Capra mergulha nos rostos de Donna Reed e James Stewart. Este estava tão nervoso, e receoso com o sucesso da cena, que Capra fez questão de gravar o momento de perto. Afinal de contas, só foi preciso um take. E, a coisa correu tão bem, que a censura teve de intervir. Só os grandes. Clássico.
26 de maio de 2008
Biopics, é com ele.
Só uma coisa supera ser Hugh Hefner em pessoa. É ser Hugh Hefner no Cinema. Rumores dão conta que Robert Downey Jr. estará prestes a viver o sonho de milhões. Detestamos generalizações, no entanto, defendemos com unhas e dentes médias e estimativas. E, após um vasto inquérito, com uma amostra válida e representativa do universo em questão, estamos em condições de avançar que todo e qualquer ser humano do sexo masculino, gostaria de incarnar esta personagem. Caramba, quem me dera ser o Hugh Hefner, já terão muitos pensado, e deixado escapar em voz alta. O que é que disseste?, terão prontamente inquirido igual número de esposas e namoradas. No cinema, querida, no cinema, terão então esclarecido os primeiros.
Segundo o Chicago Sun-Times, Robert Downey Jr. está perto de assinar contrato e entrar em Playboy, projecto sobre a vida de Hugh Hefner. Um filme que, lá mais para trás, já teve Brett Ratner (Hora de Ponta) como realizador. Da equipa inicial, mantém-se, entre outros, o produtor Brian Grazer (Uma Mente Brilhante, Gangster Americano). Ainda sem acordo total, parece que é bastante provável a escolha do actor que interpretou recentemente Tony Stark. Sobretudo, porque o próprio Hefner já manifestou o seu agrado, depois de ter visto o desempenho de Robert Downey Jr. em Iron Man, destacando o humor e capacidade de mostrar vulnerabilidade do actor.
Evitando comparações deturpadas, até porque o trajecto de ambos está longe de ser paralelo, esperamos que Hulk seja o safanão que a carreira de Edward Norton precisa.
Mais do que meio-cheio.
Primeira ideia a reter: estamos a falar de Indiana Jones. Estamos a falar de um herói que marcou toda uma geração. Perdão, toda uma geração não. Que, durante uma geração (vá lá, oito anos, de 1981 a 89), marcou todas as gerações que o viram no grande, ou no pequeno ecrã. Porque, na altura, alguns eram muito pequenos para vê-lo no grande. Tiveram de esperar, e vê-lo apenas com todo o requinte que só um vhs permitia. Alguns, se calhar, até recordam os três primeiros capítulos da saga como três dos primeiros filmes que viram. Porque, aos sete anos, com maior ou menor dificuldade, já dá para acompanhar as legendas. Estamos a falar de um herói que atravessou gerações. Que uniu miúdos e graúdos, num fascínio inabalável por um tipo de chicote e chapéu. Um tipo que ganhava a vida num part-time como professor na Universidade, mas que era a escavar nos locais mais recônditos do planeta que ganhava a nossa estima.
Segundo dado importante a não esquecer: estamos a falar de Indiana Jones. Uma trilogia que ameaçou deixar-nos, para não mais regressar, em finais da década de 80. Estamos a falar de alguém que não nos procurou durante quase vinte anos. É chato quando queremos estar com alguém, e essa pessoa não quer estar connosco. Isso tem nome, mas rejeição é o único que me vem à cabeça. Com Indy, foi mais ou menos isso que nos aconteceu. Depois de termos visto os três primeiros filmes, queríamos mais. Mas, ele não estava para aí virado. Se pretendêssemos a sua companhia, lá tínhamos de ir à cassete, ou, posteriormente, ao Dvd, e recuperar as aventuras de outros tempos. Indy não queria voltar, mas nós fazíamos questão de tê-lo bem por perto, ali na estante, para o caso da saga se ficar mesmo pelo terceiro volume. O pack, para muitos, não é mobília. É família.
Terceiro aspecto que convém sublinhar: estamos a falar de Indiana Jones. Um nome que encerra em si muito mais do que uma simples película enrolada à volta de uma bobine. Estamos a falar de alguém que nos marcou, nos abandonou, e decidiu regressar às nossas vidas quando bem lhe apeteceu. Isto é coisa para deixar um tipo lixado. Mas, como é Indy, ainda conseguimos perdoar. Este é um filme que aparece, quando todos o aguardávamos de braços abertos. Tivesse um quarto capítulo surgido em meados da década de 90, e algumas vozes se insurgiriam. Vinte anos depois, todos sentem a sua falta. No entanto, vinte anos depois, nem todos aplaudiram o seu regresso. Aliás, mais do que isso, vinte anos depois, alguns dizem agora que preferiam ter ficado apenas com aquilo que há já bastante tempo se orgulham de ter ali na estante. Nem uma semana depois de o filme ter estreado, qualquer crítica positiva ao filme, constrói-se numa base de defesa à obra, e não dum enaltecimento da mesma.
Quarto, e último ponto a focar: estamos a falar de Indiana Jones. É precisamente por ter gostado deste quarto filme, que me recuso a defendê-lo. Porque estamos a falar de Indiana Jones, e Indiana Jones não o merece. Verdade seja dita, gostei tanto do filme, que até o sacana do Shia LaBeouf se safa. Não sei se o rapaz terá estofo para aquilo que ficou subentendido, no entanto, para o trabalho que lhe foi pedido agora, deu bem conta do recado. O mesmo com Cate Blanchett, Karen Allen e John Hurt. Por aí fora. Estas coisas não se decidem. Ou cai, ou não cai no goto. Felizmente, para Alvy Singer, este caiu. E, perdoem-me o tom paternalista destas últimas palavras, mas, depois de tudo aquilo que foi lido e ouvido nos últimos dias, há uma frase célebre que associo imediatamente àquilo que se está a passar com este filme. Não chores quando o sol se põe, porque isso impedir-te-á de ver as estrelas. Não acredito que vivalma tenha vertido uma lágrima, como resultado do enorme desgosto perante esta obra. No entanto, parece-nos que este é o verdadeiro mal em torno do filme. Uma das coisas que aprendemos com Indiana Jones foi a encontrar tesouros. E, este Reino da Caveira de Cristal tem alguns. Não estão é no sítio do costume.
A Palma fica em casa.
Numa entrevista ao jornal Le Monde, que antecedeu a entrega dos prémios em Cannes, Sean Penn deixou bem claros os seus intentos, bem como dos restantes membros do júri. The best way to be honest is to try to emancipate ourselves from the effects of fashion, to try to find what will stay with us forever. We've got to do the opposite of the Academy that gives out the Oscars, where manipulation and very good marketing are rewarded. Alfinetadas à parte, Entre Les Murs, de Laurent Cantet, arrebatou a Palma de Ouro. Este foi o regresso da França às vitórias, 21 anos depois de Maurice Pialat ter ganho com Sobre o Sol de Satã.
Baseado no livro de François Bégaudeau, Entre Les Murs retrata o quotidiano delicado de um professor (o próprio Bégaudeau), numa escola secundária dos arredores de Paris. Um professor cuja franqueza surpreende os alunos. Alunos estes, que questionam os métodos do professor.
Nas restantes categorias, destaque para as vitórias do turco Nuri Bilge Ceylan como melhor realizador, por Three Monkeys – segundo Penn, a segunda decisão unânime do certame –; de Gomorra, de Matteo Garrone, com o Grande Prémio do Júri; dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, com melhor argumento, por Le Silence de Lorna; de Il Divo, realizado por Paulo Sorrentino, com o Prémio do Júri; de Sandra Corveloni, como melhor actriz, por Linha de Passe; e de Benicio del Toro, como melhor actor, por Che.
25 de maio de 2008
Accessorize.
Porque a notícia cinematográfica pode soprar de qualquer quadrante, é preciso manter diariamente um nível de vigília elevado. Não nos podemos ficar pelos sites habituais. Por vezes, somos mesmo obrigados a mergulhar na escuridão de estaminés que, só a espaços, nos brindam com novidades da sétima arte. PerezHilton.com é uma destas fontes que todos os dias visitamos, à procura de algo verdadeiramente relevante. Que fique bem claro que não percorremos os posts deste blog à procura de bisbilhotices sobre as celebridades. Isso não poderia estar mais longe da verdade. Como se alguma vez nos interessássemos pelo dia-a-dia de Jessica Alba, e quiséssemos saber como é que está a correr a gravidez. Incrivelmente falso. Entrar no PerezHilton.com, assim como no TheSuperficial.com, é um suplício. Um suplício, com todas as sílabas. Acreditem, meus senhores. É melhor parar com a argumentação, caso contrário passará por ironia. O que não poderia estar mais longe do efeito pretendido.
A verdade é que, esta noite, valeu a pena passar por lá. Um featurette exclusivo mostra-nos o magnífico trabalho de Patricia Field, responsável pelo guarda-roupa de O Sexo e A Cidade. O equivalente a director do departamento de efeitos especiais em O Senhor dos Anéis. Uma das coisas que ficamos a saber aqui, é que o filme pretende deixar um small bag statement. Creio que este será o primeiro filme a recorrer unicamente a acessórios de roupa para fazer um vídeo promocional. E, não é que resulta?
16 - Guerrilla.
Os últimos dias têm sido algo controversos, no que diz respeito a Che. Após a estreia em Cannes, muitos se apressaram a dizer que estávamos perante um sério candidato, não só à Palma de Ouro, como também aos Oscares deste ano. No entanto, logo surgiu a crítica da Variety, qual balde de água fria a aconselhar uma certa ponderação que parecia ter sido esquecida.
The Argentine, a primeira parte do diptico de Steven Soderbergh sobre Ernesto ‘Che’ Guevara, não tem sido tratado pelos media com o mesmo carinho e atenção de Guerrilla, o que nos leva a supor que este último será o verdadeiro cavalo de corrida. À imagem do que acontecia com As Bandeiras dos Nossos Pais, largamente mais antecipado do que Cartas de Iwo Jima. Por essa razão, nesta lista, incluímos apenas Guerrilla, aquele que foi sempre apresentado como a segunda parte desta obra conjunta. Contudo, hoje não sabemos muito bem o que esperar daqui. Parece que isto está feito numa valente salganhada, e nem mesmo Soderbergh tem certezas daquilo que quer. Em Cannes, os dois títulos fundiram-se e um filme apenas, com a duração de 268 minutos, foi exibido. O nome do filme: Che. Porém, todos recordamos o caso de Grindhouse, dividido em dois, de modo a render mais nas bilheteiras. Se dois filmes de acção não se aguentam juntos, o que esperar de dois dramas biográficos com mais de duas horas? Consta, então, que Soderbergh sugere às salas de cinema, e, destaque-se aqui o sugere, que mostrem o filme conjunto na primeira semana, a primeira parte na segunda semana, e a segunda parte na terceira semana. Esta ideia apresenta tantas falhas na muralha, que é com algum dó que decidimos nem atacá-la.
A verdade é que, com o passar do tempo, a expectativa em torno desta(s) obra(s) tem vindo a esfumar-se. Receamos que isto não passe de um one man show de Del Toro – que acaba de ganhar o galardão de melhor actor em Cannes –, e pouco mais. Recordemo-nos das primeiras palavras de Jeff Wells. Confiemos na realização de Soderbergh. E, pode ser que tenhamos aqui um sério motivo de orgulho para o ano de 2008.
Apetite para este, também não falta.
Apesar de o Alvy continuar ali entretido com a lista dos mais aguardados para este ano, nada nos impede que falemos de determinados títulos, antes de darmos a conhecer a sua posição. Se assim fosse, hoje estaríamos de mãos atadas, e sem poder mostrar o primeiro trailer de The Curious Case of Benjamin Button, o próximo filme de David Fincher. E, convém aqui sublinhar o nome de David Fincher. Isto porque, após o visionamento do trailer, muitos perguntar-se-ão se não terão visto as primeiras imagens do próximo projecto de Tim Burton. Sasha Stone, do Awardsdaily, diz que isto mais parece Terry Gilliam. Como nós a percebemos. Uma coisa é certa, todos concordamos que isto não tem muito ar de Fincher. Mas, já Zodiac tinha pouco, e não foi por isso que deixámos de ter uma obra maravilhosa.
Com Brad Pitt como protagonista, acompanhado por Cate Blanchett e Tilda Swinton, e baseada num conto de F. Scott Fitzgerald, esta é a história de um homem que nasce velho, e envelhece (!) andando para trás, ficando cada mais novo, à medida que o tempo avança.
Aqui no Yada, apesar de toda a excitação em torno da obra, parece-nos precipitado falar em Oscares, e devida obtenção de reconhecimento. É porque o imaginário parece propicio à criação de uma obra-prima, no entanto, os padrões da Academia são bastante rígidos nestes domínios. Todos já aplaudimos filmes de Burton e Gilliam, contudo, quantos deles é que já foram nomeados para o Oscar de Melhor Filme? Aí está.
Em jeito de curiosidade, aqui fica um vídeo com a música do trailer, The Aquarium. Resta dizer que este encontra-se dobrado em espanhol. Dadas as imagens, pouco importa.
T-shirts para a estação.
Um verdadeiro achado, meus senhores. Um verdadeiro achado. Pelo menos, para alguns de nós. Para outros, bem que estas podem ser as mais frescas novidades de ontem. Contudo, mesmo para aqueles que já conhecem o fabuloso Last Exit to Nowhere, nunca é demais deixar uma palavra sobre este espaço, lar de uma estupenda colecção de t-shirts alusivas à sétima arte, onde cada peça de vestuário diz respeito a um filme. Mais precisamente, a um qualquer local, instituição ou movimento presente na ficção representada. Um bom exercício de cultura cinematográfica será percorrer a apresentação, sem ler a informação imediatamente abaixo dos previews, e tentar identificar as diferentes obras. Onde é que vimos a campanha de Palantine? Quem é que andou no Liceu de Hill Valley? Vestir uma t-shirt destas, é um Vocês sabem do que é que eu estou a falar, só para cinéfilos. O meu estilo é mais camisa, colete e gravata. Mas, uma coisa destas também ia bem.
23 de maio de 2008
Poster Mistério.
Mistério Criativo.
Este puxou um pouco mais pelos galões. Mas, pesquisas recentes do JHB ditaram que o mistério fosse desvendado.
17 - Miracle at St. Anna.
Continuando a desvendar os trinta títulos que mais despertam a nossa especial atenção este ano, é altura de virarmo-nos para um cineasta cujos trabalhos serão sempre aguardados com expectativa. Se olharmos para o elenco e virmos que nele constam os nomes de John Turturro, James Gandolfini, John Leguizamo e Joseph Gordon-Levitt, então ainda melhor.
Miracle at St. Anna é o filme em questão, e Spike Lee o seu realizador. A obra, baseada no livro de James McBride, responsável também pela adaptação do argumento, centrará as objectivas em quatro soldados afro-americanos que ficam presos numa pequena aldeia da Toscânia durante a campanha dos aliados, em Itália, na II Guerra Mundial. Hoje um memorial, esta aldeia foi palco do massacre de Sant’Anna di Stazzema, levado a cabo pelo exército alemão.
Depois do magnífico Inside Man (2006), Lee volta assim às longas-metragens. Ao que parece, o realizador já terá manifestado as enormes expectativas que deposita neste projecto, falando mesmo do seu épico, ao bom estilo de David Lean. Nos Estados Unidos a estreia está prevista para meados de Outubro. Logo pelo poster começamos a receber tudo aquilo que esperamos de uma obra de Spike Lee.
Preparar a chegada - Parte II.
São mais aqueles que têm saído da sala com um sorriso, do que os que têm torcido o nariz. Ainda assim, é impossível não sentir um certo desgosto no ar. Poucos são aqueles que têm aplaudido o regresso de Indy ao grande ecrã. E, verdade seja dita, as expectativas começam lentamente a baixar. Chegam a ser desesperantes, estes dias. O filme estreou hoje, mas desde as antestreias e sessões especiais que ouço e leio as opiniões de todos aqueles que tiveram oportunidade de ser os primeiros. Infelizmente, só lá para os últimos instantes do fim-de-semana é que poderei ver o filme. Caraças, Paul Thomas Anderson é que tinha razão. A vida é longa como tudo.
Talvez por isso, numa tentativa de ocupar melhor o tempo, só hoje vi O Templo Perdido. Porém, a ideia de pegar nos três primeiros capítulos e vê-los durante esta semana, tem-se revelado uma experiência diferente do esperado. O objectivo era aguçar ainda mais o apetite, e sair extasiado do filme. Um pouco como aquela morosa subida, antes do looping. Não tem piada subir tanto, se a seguir não ficarmos com os cabelos em pé. Hoje, ao acabar de ver O Templo Perdido, o primeiro pensamento não foi Embora lá então ver essa Caveira de Cristal. Foi mais, Será que amanhã verei o último filme de jeito desta saga? Espero que não, e que o próximo domingo traga uma óptima surpresa. Perdão, confirmação.
Vice-presidente a bordo.
O futebol está longe de ser uma paixão. Contudo, há uma frase, associada salvo erro ao Barcelona, da qual gosto bastante. Mais do que um clube. É um pouco isso que sinto em relação a W, ou como os sites norte-americanos começam a chamá-lo, Dubbya. Mal por mal, a simplicidade do primeiro. A cada dia que passa, parece que o projecto de Oliver Stone se torna em algo mais do que apenas um filme.
Com a dúvida a persistir, se Stone optará por um registo mais satírico ou, antes, algo mais na linha de JFK – embora nos pareça que o único mistério nesta administração seja quem é que conseguiu convencer Colin Powell de que havia mesmo armas de destruição maciça no Iraque –, a única certeza que vamos tendo, para já, é que Bush não sairá bonito na fotografia. Apesar da ameaça de greve do SAG pairar sobre a produção, a Lionsgate já tem a confirmação de que não surgirão complicações. A estreia continua marcada para Outubro, antes das eleições, e tudo será feito para que o Dvd chegue às lojas em Janeiro, por altura da saída de Bush da Casa Branca.
Hoje, o filme volta a ser noticia pelo anúncio de que Richard Dreyfuss terá sido recrutado para o papel de Dick Cheney. Para mais de metade da população norte-americana, as borradas de Cheney em muito ultrapassam as idiotices de Bush. Talvez por partilhar esta opinião, à primeira vista, esta não me parece uma boa decisão de casting. A não ser que o filme seja mesmo uma ridicularização daquilo que se passou em Washington nos últimos oito anos. Influências ou não de The Education of Max Bickford, Dreyfuss tem muito mais ar do avô que se senta connosco a beber um chocolate quente e a jogar às cartas, do que do ser mais terrível com ar de executivo que já pisou a terra. Quase que dá vontade de pegar naquelas bochechas e perguntar, Quem é o avô querido, quem é?
Para além de Dreyfuss, do elenco fazem já parte Josh Brolin, Elizabeth Banks, Thandie Newton (Condoleeza Rice), Rob Corddry (Ari Fleischer), Scott Glenn (Donald Rumsfeld), Ellen Burstyn (Barbara Bush), James Cromwell (George Bush), Jeffrey Wright (Colin Powell) e Toby Jones (Karl Rove).
Estava na hora.
A ideia até pode ter surgido só depois deste anúncio de 2005. No entanto, na altura, este foi apenas mais um sinal de que era uma questão de tempo até Spike Lee reunir uns quantos microfones, e anunciar ao mundo que realizará um documentário sobre Michael ‘Air’ Jordan. O projecto, bem como o desejo de levar o documentário ao certame do próximo ano, foram ontem dados a conhecer em Cannes. Financiada pela NBA, a película promete mostrar imagens nunca vistas, sobretudo dos dois últimos anos da carreira de Jordan, ao serviço dos Washigton Wizards. Acima de tudo, aquilo que nos parece importante realçar aqui, é que o cineasta ideal aceitou levar ao grande ecrã a história de um dos melhores desportistas de todos os tempos. Um artigo definido não ofenderia ninguém.
Negociações.
Pedir que imaginemos alguém que não Viggo Mortensen, Ian McKellen e Andy Serkins, na pele de Aragorn, Gandalf e Gollum, respectivamente, é puxar o sistema operativo ao máximo. Por muito boa vontade que tenhamos, a ficção não dá para tanto. Se há quem regresse à personagem, quase duas décadas depois, não fazê-lo num intervalo de cinco anos será defraudar as expectativas de milhões. Guillermo del Toro afirmou recentemente, "We will all be involved in the script in some fashion but the exact definition is about a week away. I am all for keeping the actors who originated the parts, as much as availability and their willingness will allow".
É por isso que, nestas coisas, continuo a olhar para Don Corleone como um modelo a seguir. Ele tinha sempre as melhores técnicas para levar qualquer um a arranjar tempo na sua agenda.





























