16 de maio de 2008

Trocas entre oscarizados.

Uma frase que comece com Daniel Day-Lewis replaces…, normalmente, para não dizer sempre, é bom sinal. Devo reconhecer que confio mais nas qualidades do britânico, do que nas do espanhol. No entanto, para o projecto em causa, The Nine, Javier Bardem parecia mais indicado. Não que tenhamos qualquer conhecimento dos dotes musicais de ambos, contudo, para cantar e dançar sob a batuta de Rob Marshall (Chicago), mais rapidamente recrutávamos Bardem. Porém, parece que Anton Chigurh está cansado de tanto trabalho, e da desgastante temporada de prémios. Vai daí, e Daniel Plainview foi o escolhido para substitui-lo. O filme, realizado por Marshall para a Weisntein Company, convida-nos a conhecer o famoso cineasta Guido Contini, numa fase complicada, em que este procura equilibrar a sua vida profissional e sentimental, gerindo relações dramáticas com a mulher, a amante, a musa, o agente, e a mãe.

O musical, baseado em 8 ½, de Fellini, venceu cinco Tony Awards, em 1982. Adaptado agora para o grande ecrã por Michael Tolkin (O Jogador), o filme contará com as participações de Sophia Loren, Penelope Cruz e Marion Cotillard. Nicole Kidman e Judi Dench continuam em negociações. Rever e corrigir o argumento de Tolkin, foi um dos últimos trabalhos de Anthony Minghella.

Mais apostas.

Continuando na senda das primeiras previsões que vão despontando aqui e ali, eis que emerge uma crítica deveras lisonjeira, proveniente de Cannes, onde acaba de estrear Waltz wth Bashir (Ari Folman). Nas palavras de Kim Voynar: “I'm going to go out on a limb here and say that I wouldn't be surprised to see Waltz with Bashir show up on the slate at Telluride in September, and even less so to see it wind up with an Oscar nod come January. Folman has made a beautiful, disturbing and deeply compelling film that documents the horrors to which he and his friends were witnesses, while offering hope that he and others might, some day, heal from the ravages of war”.

Todos acreditam que a equipa de WALL·E poderá já encomendar o champanhe, porque dificilmente a vitória escapará à Pixar. Contudo, até ao lavar dos cestos é vindima, e não devemos descurar as hipóteses deste filme de animação sobre a guerra do Líbano, no início da década de oitenta. Depois de Persepolis, filme com o qual Voynar acha que este será sempre comparado, prosseguem as obras de animação mais orientadas para graúdos. Parece que o Cinema percebeu em definitivo que existe uma criança dentro de cada um de nós. Mesmo daquele que decide pegar em armas. Aqui fica o trailer do novo filme do cineasta israelita, para já, candidato a candidato aos próximos Oscares.

Apostar cedo.

Qualquer nome que surja por esta altura, mais do que prematuro, quase que assume o estatuto altruísta de carne para canhão. Muito falta ainda para os Oscares do próximo ano e, prever o quer que seja, em pleno Maio, é um rebuscado exercício de futurologia, só ao alcance daqueles que possuam nos seus calabouços uma Bola de Cristal de última geração – por falar em Bolas de Cristal, com algum atraso, aqui fica a primeira fotografia de Goku, em Dragonball. Agora, há quem tenha instrumentos destes. Há sempre alguém que consegue, com tantos meses de antecedência, avançar alguns actores como prováveis nomeados à cerimónia do próximo ano. Quando a época de blockbusters ainda mal começou, dificilmente estes nomes se aguentarão até ao final da corrida. Normalmente, o que surge antes do Verão, tem tendência a desaparecer a seguir ao Festival de Toronto. Ainda assim, nunca se sabe, e mais vale mantermos os olhos bem abertos. Se estas interpretações saltaram à vista, por alguma razão foi. E, porque nestas coisas, o Awards Daily costuma ser acertar, não custa nada darmos aqui uma olhadela a Redbelt e The Visitor, obras onde parece que brilham Chiwetel Ejiofor e Richard Jenkins, respectivamente.

O primeiro, realizado por David Mamet (State and Main, 2000), estreou a semana passada nos Estados Unidos. A história de um instrutor de artes marciais corrompido pelos flashes de Hollywood, até foi recebida, um pouco por todo o lado. No entanto, foi o desempenho de Ejiofor, alvo de elogios bem jeitosos, que mais se destacou nas críticas norte-americanas. Sobretudo de Peter Travers, da Rolling Stone, que não está com meias medidas: “Ejiofor confirms his status as one of the best actors anywhere. Born in London to Nigerian parents, Ejiofor can do film drama (Dirty Pretty Things) and comedy (Kinky Boots) and win raves onstage (as Othello). The resonant stillness he brings to Redbelt pulls you in”. Aqui fica o apetecivel trailer.

O segundo, realizado por Thomas McCarthy (A Estação, 2003), estreou já a 18 de Abril. Até mais do que no filme de Mamet, a obra no seu todo, passou com distinção aos olhos dos críticos norte-americanos. O relato de um professor universitário que regressa ao seu apartamento de Nova Iorque, onde encontra um casal de estranhos a viver, conquistou público e crítica. No entanto, quem arrebatou mesmo tudo e todos, parece ter sido Richard Jenkins. Lou Lumenick, do New York Post, sem papas na língua: “Best movie I've seen so far this year? Hands down, it's Tom McCarthy's superb "The Visitor," which turns Richard Jenkins, one of the best character actors in the business, into a full-fledged star”. O trailer dá-nos uma ideia do tesouro que pode estar aqui.

Agora, serão estes peixes demasiado pequenos para os tubarões dos grandes estúdios, a estrear lá mais para o final do ano? Provavelmente, sim. Contudo, isso não quer dizer que não estejamos perante material de primeira água. Sigamos com atenção os próximos passos destes dois.

14 de maio de 2008

Let's Get It On.

A exemplo de tantos outros dias, há coisa de duas semanas, sentei-me em frente do televisor para regalar os olhos com mais um delicioso episódio de House. Maravilhas da medicina, diagnósticos mirabolantes, mistérios resolvidos à la Sherlock Holmes, os pacientes são todos uns mentirosos, por aí fora. Tudo seguia o seu rumo normal. Aliás, tudo seguiu. No entanto, a meio de Frozen, o décimo primeiro episódio da quarta temporada, House pede a uma paciente que se dispa, de modo a que ele possa examinar o corpo. Ela está no Poló Sul. Ele, em Princeton. Uma webcam permite a ligação. Assim que ela começa a despir-se, House liga a aparelhagem que se encontra ao lado do computador. A faixa do Cd que se ouve, Let’s Get It On.

Apesar de já ter ouvido, por diversas vezes, quer em filmes, quer em séries, este portento de Marvin Gaye, nunca me tinha dado ao trabalho de investigar em quantas obras é que se recorreu à melodia sedutora de Let´s Get It On. Porque o post ficaria demasiado longo, e o espaço arrenda-se, deixamos aqui apenas um lamiré.

House (Tv)
A Glória dos Campeões (2007)
Crank (2006)
Tudo o Que Sonhei (2006)
Jogos de Infidelidade (2005)
O Novo Diário de Bridget Jones (2004)
Mr. 3000 (2004)
O Rei do Bairro (Tv)
Alguém Tem de Ceder (2003)
Os Sopranos (Tv)
Scrubs (Tv)
High Fidelity (2000)
Um Caso a Três (1999)
Into the Night (1985)

E, mais haverá certamente. Sobretudo, mais antigos. Para todos os gostos e feitios. Não importa qual é o projecto. Se o mote é despir, e get to down to business, a música Let´s Get It On consegue isso mesmo. Esta parece ser a preferida de dezenas de produtores, centenas de realizadores, milhares de argumentistas, e milhões de famílias. Contudo, não tem de ser assim. E, daí este post. O repto lançado hoje como que penetra na libido de cada um de nós. Uma primeira parte deste desafio passa pela imaginação. Quais argumentistas/realizadores deveremos idealizar uma cena em que o objectivo seja passar à acção (não será necessário descrever a cena, isto é apenas para ajudar na segunda parte). Com os actores que quisermos, os meios que quisermos, tudo. Mais romântica, ou menos. Os limites vão desde The Brown Bunny (Vincent Gallo, 2003) a Quanto Mais Quente Melhor (Billy Wilder, 1959). Agora, com a liberdade criativa concedida, que música melhor criaria o ambiente tentador para o momento em questão? Atracção, provocação e encanto. Que música, no lugar de Let’s Get it On, seria a mais indicada? Dando o pontapé de saída, também de Marvin Gaye, mas por Ben Harper, porque é mais malandra, Sexual Healing.

20 - Nothing is Private.

Continuando a subir na lista dos filmes mais aguardados deste ano, começa a ser cada vez mais complicado adjectivar o grau de interesse em torno destas obras. Porque tudo não passa de prioridades, poderíamos somente dizer que esperamos por todos eles como se não houvesse amanhã. No entanto, se amanhã pudéssemos vê-los todos, começaríamos por esta ordem, porque alguma teria de ser. Havia de ser o bom e o bonito, se alguém dissesse que estes filmes estariam disponíveis para visionamento a partir de amanhã. Enfim, utopias que desviam-nos do propósito deste texto, o de dar a conhecer o número vinte desta lista.

Apesar de já ter estreado em Sundance, e a recepção que teve não ter sido das mais calorosas, por enquanto, nada abala a motivação para ver Nothing is Private. Baseado no romance de Alicia Erian, Towelhead, o filme, adaptado e realizado por Alan Ball, é uma jornada pelo quotidiano negro, intrépido e incrivelmente inusitado de Jasira (Summer Bishil), uma jovem norte-americana de ascendência árabe, de 13 anos, que vai percorrendo o sinuoso trilho da adolescência, e despertando para a sexualidade.

Se recordarmos que Alan Ball foi o argumentista de uma das maiores pérolas cinematográficas da última década, Beleza Americana (1999), e autor de uma das maiores pedradas no charco em matérias televisivas, Sete Palmos de Terra, por si só, isso já chegaria para antecipar a chegada deste filme. E, não nos equivoquemos, essa é mesmo a principal razão. É certo que os nomes de Aaron Eckhart, Toni Collette e Maria Bello, também puxam por nós, contudo, Ball é mesmo o centro das atenções. Aquando da estreia em Sundance, o seu argumento foi largamente mais elogiado do que qualquer outra coisa, incluindo a sua realização. Aqui entre nós, já estávamos mais ou menos à espera. Nisto do Cinema, como em tudo o resto, são poucos aqueles que vencem em todas as áreas. Ainda assim, esperamos para ver. Curiosa é a história do título. Primeiro, mantinha o nome do livro. Em seguida, Ball apelidou-o de Nothing is Private. Agora, parece que volta a ser Towelhead. Pelos menos, assim se apresenta no poster. No IMDB, continua o segundo. Pouco importa. Seja qual for o título, estaremos cá para o ver quando estrear. Já disponível, aqui fica o trailer.

13 de maio de 2008

Isto sim, é uma produção.

Já no Deuxieme tínhamos deixado uma primeira palavra sobre This Side of the Truth, o filme com que Ricky Gervais se estreará na realização. Para já, muito provavelmente, o título mais aguardado do próximo ano. Blockbusters, sequelas, Oscares e festivais, incluídos. Com David Brent, perdão, Ricky Gervais aos comandos, acompanhado por um elenco por demais vistoso – Jason Bateman, Tina Fey, Jonah Hill, Jennifer Garner, Jeffrey Tambor, John Hodgman, Rob Lowe, Christopher Guest, e o próprio Gervais – é difícil não começar já a sonhar com a reunião desta gente, que nos tem brindado com algumas das melhores comédias dos últimos tempos – outros, de apanhas mais antigas, já há muito mostraram aquilo que valem. A conduzir-nos pela produção desta obra, temos a sorte de contar com um blog da autoria do realizador. Confesso que nem sempre vou estando a par das actualizações. Por vezes, tem de ser um qualquer site a chamar à atenção. Foi o que aconteceu esta noite, quando visitei o I Watch Stuff. E, não é que estão lá dois vídeos novos bem catitas de Gervais a xingar a cabeça de Jason Bateman? Bolas, nota-se que aquela gente deve ter uma dificuldade do camandro em descomprimir no local de trabalho. Já aquela pistola, com que Gervais andou também a espalhar o terror ao lado de Rob Lowe, parece ser o artefacto predilecto lá do sítio. Acho que já sei porque é que visito poucas vezes o blog de This Side of the Truth. É porque, sempre que vejo um vídeo destes, tenho aquilo que a Mónica de Friends descreveria como tiny orgasm.

Bom prenúncio.

Excepto os co-produzidos pelos próprios canais, poucas são as vezes que vemos a anunciar na televisão a estreia de um filme não-pipoca. Hoje, com enorme satisfação, e talvez ainda maior surpresa, pude comprovar que andam a passar reclames de Lars e o Verdadeiro Amor (Craig Gillespie). Quererá isto dizer que a obra não conhecerá apenas as salas de um distrito? Esperemos que sim.

Horas depois de termos falado dele...

... eis que chega o teaser.

Sopa de Filmes.

Mais um passatempo, mais um desafio. Ainda a limar algumas arestas nesta nova distracção, comecemos com poucos, para ver até que ponto isto é difícil, ou se desse lado isto se resolve do pé para a mão. O repto é relativamente simples. Todos os nomes apresentados de seguida distribuem-se por cinco filmes apenas. Cinco filmes cinco. Todos eles, em parelhas de quatro. Ou seja, por filme, teremos três actores e um realizador. Até pode ser que eles se organizem de outra forma, de modo a que nenhum nome fique de fora. No entanto, com aquela utilizada para construir o desafio de hoje, é certo que todos terão uma obra. Sendo assim, o objectivo passará por agrupar os seguintes em conjuntos de quatro, e dar a conhecer o filme em que esses quatro trabalharam. Apesar de reunirmo-los em recipientes comuns, a ordem pela qual eles se encontram é puramente aleatória.

Realizadores: Woody Allen, Baz Lurhmann, Francis Ford Coppola, Brian de Palma, e Martin Scorsese.

Actores: Sam Rockwell, Jude Law, Mickey Rourke, Brian Dennehy, Robert De Niro, Leonardo DiCaprio, John Leguizamo, Matt Damon, Andy Garcia, Paul Rudd, e Alec Baldwin.

Actrizes: Patricia Clarkson, Melanie Griffith, Winona Ryder, e Claire Danes.

Boa terça-feira.

21 - Vicky Cristina Barcelona.

Ano após ano, Woody Allen lá vai fazendo o seu filme. E, alguns de nós vão agradecendo. Outros, amaldiçoando o facto de o realizador tardar em regressar à boa forma de outros tempos. Por vezes, até vamos alternando entre estas duas posições. É tudo uma questão de ver o copo meio cheio, ou meio vazio. Apesar de tudo, para Alvy Singer, ele está quase sempre a transbordar. Daí estar permanentemente à espera do próximo. Mesmo quando já está a ser filmado um próximo, e o mais próximo ainda nem sequer estreou.

Segundo o Festival de Cannes, a sinopse de Vicky Cristina Barcelona reza mais ou menos assim: Duas jovens norte-americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) vão passar férias a Barcelona durante o Verão. Vicky, mais sensível, está destinada a casar; Cristina, mais emocional e sexualmente aventureira, só quer passar um bom bocado. Em Barcelona, deparam-se com o romantismo invulgar de Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor carismático, ainda envolvido com a sua intempestiva ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz).

Colocando as coisas nestes termos, torna-se difícil perceber se o filme terá mais contornos de comédia ou drama. É certo que, numa obra Allen, os dois acabam sempre por andar de mãos dadas, no entanto, quer-nos parecer que o realizador continuará a sua senda mais negra dos últimos anos, apenas interrompida por Scoop (2006). Mais uma vez, teremos a presença de Scarlett Johansson, a mais recente musa do cineasta. Penélope Cruz, ao que tudo aponta, terá aqui uma excelente oportunidade para brilhar pela mão de outro realizador que não Pedro Almodóvar. E, Javier Bardem, que não aceita um papel por dá cá aquela palha, ajuda a criar expectativas em torno desta obra. Já falta pouco para começarmos a reunir opiniões. O filme estreia este sábado, dia 17, em Cannes.

12 de maio de 2008

Boy, did she make her mark.

Just, Katharine. Passam hoje 101 anos do seu nascimento. Confesso, muito tenho ainda para ver da obra desta estrela maior. Porém, aquilo que já foi admirado, mais do que chegou para render-me às evidências. Que palavras podemos escolher para definir carreiras desta estirpe? Clint Eastwood, Kevin Bacon e Sharon Stone bem tentam, neste segmento do American Film Institute. Assim como Anthony Hopkins, nesta viagem relâmpago pelo trilho percorrido por Katharine. Às vezes gosto de pensar que o Cinema é uma monarquia, só para começar a distribuir títulos. E, acho que ninguém se oporia se disséssemos que muitas podem ser princesas nesta História; mas, que a nenhuma outra assenta tão bem a coroa como a Katharine.

Eu acredito, caramba.

Porque é que The X Files: I Want to Believe é tão importante na agenda desta temporada? Porque gostamos sempre de recordar aqueles com quem crescemos. Na companhia da série que serve de base a este filme, e um pacote de Filipinos, passei alguns dos melhores serões à frente de um ecrã de televisão. Com este programa, fez-se luz sobre o verdadeiro significado do conceito série. É que eram uns a seguir aos outros. Episódios cada vez melhores, e mais viciantes. Isto ainda é do tempo em que as estações de televisão tinham a decência de passar programas de qualidade antes da meia-noite, e não era qualquer embaraço ficar em casa sexta-feira à noite. Aliás, o chato era, na manhã de segunda-feira, não poder discutir calorosamente a última investigação de Mulder e Scully. É precisamente por não querer ficar de fora destes debates, e, ao mesmo, pretendendo recordar estes velhos compinchas, que lá estarei no fim-de-semana de estreia. Por enquanto, aqui fica o trailer disponibilizado ontem.

A caminho.

Admito não ser o maior dos adeptos das visitas ao set de rodagem. Acabam por ser uma espécie de teaser rudimentar, quase a roçar a crueldade. Do lado de cá, daqueles que aguardam ansiosamente pelas obras, é apenas a confirmação de que ninguém anda a faltar ao trabalho, e de que muita água há-de passar ainda debaixo da ponte antes vermos o resultado numa sala de cinema. No entanto, porque se trata de Quantum of Solace, abrimos aqui uma excepção. Por três ordens de razões. A saber, a primeira, para confirmar que Daniel Craig continua a não ser a mais natural das visões na pele de James Bond. Porém, é uma incredulidade que sabe bem. Até porque, desta feita, já pudémos constatar de que é capaz dar conta do recado. A segunda, para darmos uma outra espreitadela a Olga Kurylenko – muitos de nós não viram Hitman. Talvez porque já tenha passado pela saga, parece haver ali qualquer coisa de Sophie Marceau. Uma terceira razão, porque não, passa por ouvir aqueles míticos acordes. Seja lá o que for que venha a seguir àquilo, parece sempre a coisa mais importante do mundo. E, vá lá, um quarto motivo, a carequinha de Forster.


Uma abordagem diferente.

Prefiro este tipo de crítica negativa inconvencional, a qualquer tentativa mais espaventosa e presunçosa de derrubar um filme. Claro que a figura do indivíduo não deixa de ser risível. Mas, essa é a intenção. Ao contrário de alguém que escreve, a propósito de Melinda e Melinda, Não é por ser sempre o mesmo filme que este filme é dolorosamente decepcionante, porque a fazer o mesmo filme Woody Allen tem feito filmes maiores (…) E diz-se que já está a realizar, em Londres, uma coisa chamada Match Point. É certo que isto também acaba por ter piada, no entanto, como mero fruto do acaso. Ainda assim, acho que fiquei com mais vontade de ver Speed Racer.

11 de maio de 2008

Foi mais ou menos assim que assisti a isto.

Porque este filme já roubou tempo demasiado, não me alongarei nestas considerações. Sempre defenderei a tese segundo a qual nenhum filme deve esbarrar na crítica de quem o viu. Porque todos gostamos de Cinema, jamais poderei ceder à tentação de não recomendar determinada obra. Em último caso, recomenda-se com o intuito de mostrar tudo aquilo que está mal. E, é única e exclusivamente com esse propósito, que aconselho este Loucuras em Las Vegas (Tom Vaughan). Apesar de ter visto o filme já há dois dias, continuo a tentar reconstituir os passos que levaram à sala de cinema, e perceber como é que me conseguiram levar nesta coboiada.

Enumerar os defeitos desta obra é cair no facilitismo. Opinar sobre as suas qualidades, quase um exercício de bruxaria. Esta é a comédia romântica que todos vimos, quando começámos a gostar de Cinema. As fórmulas do costume estão todas aqui, e não existe o mínimo esforço de deixar um cunho pessoal. Arte é quando 1+1 não é igual a dois. Em Loucuras em Las Vegas, esta soma dá zero. Quando o filme tem apenas cinco minutos, a dupla de protagonistas decide viajar para Las Vegas. Quem é que falou em apressar a narrativa? O maior cliché de todos, no entanto, são estas duas palavras que surgem em todo e qualquer filme em que ele é um preguiçoso de primeira, e não consegue assentar: Minor League. Estas duas palavras estão para as comédias românticas, como I’m Your Father está para Star Wars. Cameron Diaz e Asthon Kutcher, já mostraram bem mais do que isto. Mas, também, numa história como esta, quem é que os pode criticar. Se calhar até podemos. Bem, no início disse que não iria alongar-me, e isto já está a ficar demasiado grande. Resta dizer que, há momentos em que nos rimos, coisa que convém, num filme que se apresenta como comédia. Cabe a Rob Corddy (Daily Show) dar-nos os melhores gags. No entanto, em mais de hora e meia, são muito poucos os instantes de lucidez, em que conseguimos conectar com o enredo. Tudo funciona aos repelões. E largos. Um bocado como aqueles televisores em que a antena não apanha bem o sinal, e temos de dar uma valente pancada de lado – só há pouco tempo tenho Tv Cabo, por isso sei bem do que estou a falar. Posto isto, loucura é ver este filme. Sejam como Alvy Singer, e dêem azo ao vosso lado mais demente.

22 - Brothers.

Com este título, entramos nos verdadeiros candidatos aos Oscares deste ano. É certo que Synecdoche, New York e Happy-Go-Lucky já se perfilam como fortes hipóteses, assim como Defiance e Appaloosa, embora, nos primeiros, seja o argumento a suscitar mais curiosidade enquanto, nos últimos, é mais pelas interpretações. Se quisermos, com Brothers, abordamos o primeiro filme desta lista em que é tudo junto, com queijo e presunto. Sem qualquer distinção, todos os elementos presentes nesta obra levam-nos a esperar o melhor.

Remake do filme do mesmo nome de Susanne Bier, realizado em 2004, Brothers conta a história de dois irmãos separados pela guerra do Afeganistão. Tobey Maguire, recuperando o papel que foi de Ulrich Thompson, é o irmão responsável, com uma carreira militar de sucesso, que parte para a guerra. Jake Gyllenhaal, é o inconsciente irmão mais novo que gosta de viver nos limites, e que fica na terra natal, assim como a mulher de Maguire, interpretada por Natalie Portman. Quando o irmão soldado desaparece em batalha, a suposição de que este terá morrido conduz a uma alteração das relações daqueles que ficaram para trás.

Com Jim Sheridan, no comando das operações, este parece ser o projecto de afirmação definitiva para o trio de protagonistas. Um drama intenso, em cenário de guerra, óptimo para um actores brilhar e a Academia premiar. É verdade que Jake Gyllenhaal já terá provavelmente concluído a sua transição, no entanto, Natalie Portman e, sobretudo, Tobey Maguire procuram ainda obter um outro tipo de reconhecimento. Para Portman, nenhum ano na sua carreira foi tão proveitoso quanto 2004, com a chegada de Garden State e Closer. No caso de Maguire, apesar de As Regras da Casa (1999), Seabiscuit (2003) e Wonder Boys (2000), ainda não o vimos agarrar um personagem pelos cor… com o coração de um grande actor. Talvez o argumento de David Bienoff (A Ùltima Hora) potencie as suas capacidades. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 04 de Dezembro. Aquela altura do ano em que até um filme com o título Peúgas Encardidas – Viagem ao Cesto da Roupa Suja 3D é um sério candidato aos Oscares.

Poster Mistério.

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Mistério Wasted.

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Resposta correcta para a Mariahep, que acertou inclusivamente no dono do bicípete.

Star Wars - O Trailer.

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Já está disponível o trailer de Star Wars: The Clone Wars (Dave Filoni). Nos tempos que correm, não se brinca em serviço. As cópias saíram com a película de Speed Racer, que estreou este fim-de-semana, e, no próprio dia, chegaram à Net. Dá que pensar, quando fazemos a comparação com há uns anos atrás – e não é preciso recuar muito – nisto das campanhas cinematográficas. Enfim, dissertações que ficam para outra altura.

Spin off de Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones (2002), o filme de animação segue a odisseia interestelar de Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi e Padmé Amidala. A eterna luta do bem contra o mal, agora em versão animada. Após o visionamento deste trailer, a primeira impressão, muito francamente, é a de que estamos a ver o vídeo de apresentação de um qualquer jogo de consola. Não sei se isso será bom ou não. Palavra de honra, foi o que me lembrou. Em Portugal, a estreia está marcada para 28 de Agosto.

10 de maio de 2008

S. Darko.

Gostava de poder chegar aqui, e manifestar a minha opinião sobre esta notícia. No entanto, tal não é possível, na medida em que se tratam de novidades relativamente a uma sequela. E, as sequelas são um bocado como as propostas apresentadas no hemiciclo. Podemos tomar uma de três posições: a favor, contra, ou abstenção. Neste caso, terá de ser a abstenção porque ainda não vi o primeiro filme, Donnie Darko (2001). O que é mau. Neste tipo de coisas, uma pessoa tem de estar ao corrente da situação, para poder dizer de sua justiça. Faz todo o sentido, sim senhor. Ou, Mas que palhaçada vem a ser esta? Não ter visto Donnie Darko, implica não poder torcer pela sequela, nem enxovalhar os tipos que tomaram esta decisão. Sou obrigado a permanecer de mãos nos bolsos, e assobiar para o lado. Coisa que até não dá muito jeito, porque hoje levei uma cotovelada no lábio superior, e torna-se difícil assobiar como deve ser.

Ainda assim, podemos dar a conhecer aquilo que o /Film avança em primeira mão. Antes de mais, como já deu para perceber, vem aí a sequela de Donnie Darko. Em segundo lugar, meio mundo está a levar as mãos à cabeça porque Richard Kelly não está associado ao projecto – este é o meio mundo que ainda não viu Southland Tales. Outro meio mundo aplaude de contentamento – este é o meio mundo que já viu Southland Tales. Aliás, parece que a Darko Entertainment não terá nada a ver com a obra. Em terceiro lugar, o nome do filme: S. Darko. Ao que parece, a sequela terá como protagonista Samantha Darko (Daviegh Chase). A história inicia-se sete anos após o término do primeiro filme, quando Samantha, já com dezoito anos, mete-se à estrada com a amiga Corey, numa roadtrip até Los Angeles. Pelo caminho, visões estranhas surgem como companhia. Em quarto, o realizador já está seleccionado. Segundo consta, Chris Fisher (Nightstalker) já terá assinado – o meio mundo que já viu Southland Tales, parece não ir muito à bola com a alternativa. A produção começa dia 18 deste mês. E, por último, não está prevista a presença de Donnie na sequela. Mas, parece que surgirão meteoritos e coelhos. Seja lá o que isso for.

9 de maio de 2008

A arte da caracterização.

Tirando-lhe o bigode do último filme, agora de cabelo grisalho e vestindo algo que não seja uma camisa esfarrapada e gasta pelo sol, o homem fica praticamente irreconhecível. Não fosse o nome do actor em questão estar presente no texto que acompanhava esta imagem e, provavelmente, nem tinha chegado lá. Para alguns, se calhar basta ver a fotografia e é logo Ah, olha o Josh Brolin. Está diferente. Para outros, isto é mesmo brincar ao Vê lá se sabes quem eu sou.

Segundo a Entertainment Weekly, a rodagem de W começa dentro de duas semanas. Depois de duas revisões ao argumento, o realizador já encomendou uma terceira – já se percebeu que é adepto de provérbios. Do filme farão parte alguns momentos como o célebre engasgamento do presidente com um aperitivo, enquanto via um jogo de futebol americano pela televisão, ou a cantoria em Yale de Whiffenpoof. Polémica é o que se espera, ainda para mais com Oliver Stone ao leme. Depois de Fahrenheit 9/11 (Michael Moore, 2004), voltamos a ter um filme que poderá desempenhar um papel importante nas urnas. No entanto, a estreia ainda não está confirmada para Outubro. Aquilo que se sabe, por enquanto, é que Josh Brolin e Elizabeth Banks serão a capa da próxima EW.

23 - They Marched Into Sunlight.

Tentar descobrir o quer que seja sobre este filme pode revelar-se uma tarefa desgraçada. Pouco ou nada se encontra, como se uma qualquer entidade secreta tivesse sido criada com o intuito ocultar a produção desta obra. Nós sabemos que o projecto existe. Que a sua estreia, inclusive, chegou a estar prevista para o ano passado. Por isso, não vale a pena escondê-lo. Aliás, promover este título é apenas seguir o rumo natural das coisas. É que nem actores associados ao projecto, se conhecem ainda.

Realizado por Paul Greengrass (Voo 93, Domingo Sangrento, Ultimato) e produzido por Tom Hanks e Gary Goetzman, parte da equipa por detrás da soberba Irmãos de Armas, este é um filme que tem tudo para dar certo. Baseado na obra homónima de David Maraniss, finalista dos Prémios Pulitzer em 2004, o filme retrata dois eventos separados de Outubro de 1967, que produziram um efeito semelhante. O primeiro, na Universidade de Wisconsin, onde os alunos protestam, à porta do Commerce Building, contra os representantes da Dow Chemical Company, empresa produtora de napalm. A contestação que havia iniciado pacificamente termina em motim, com intervenção policial. O segundo episódio decorre no Vietnam, onde um pelotão norte-americano é capturado pela guerrilha, e 61 soldados são assassinados. Estes dois episódios, separados por um curto espaço de tempo, contribuíram para uma maior oposição à Guerra do Vietnam, e um aumento da pressão sobre o presidente Lyndon Johnson.

Para já, tanto quanto se sabe, Greengrass ainda está a terminar a rodagem de Green Zone, com Matt Damon e Greg Kinnear. O que nos parece contraditório, dado que a estreia deste está agendada apenas para 2009. No fundo, o calendário do cineasta britânico deve estar uma barafunda. Que as coisas se resolvam pelo melhor, e este chegue mesmo às salas este ano. Apesar de se não se falar muito sobre They Marched Into Sunlight, isso não significa que não aguardemos por ele como se não houvesse amanhã. Este tem todo o ar daqueles que ninguém dá por ele, e depois… zumba. Pelo menos, assim esperamos.

Segundas impressões.

É ponto assente. Decidi abraçar este projecto. Após uma primeira reacção mais negativa, partilhada neste espaço, depois do primeiro trailer, dou o braço a torcer. Hoje admito, sinceramente, uma ida à sala de cinema mais próxima para ver este título. À procura de duas palavras que ajudassem a descrever o efeito provocado por este teaser, dei por mim a escrever coisas como estranhamente sedutor, inesperadamente atraente, surpreendentemente cativante, por aí fora. Algo que, até há bem pouco tempo, parecia improvável. Não estamos em crer que esteja aqui uma coisa formidável – em todo caso, não sabemos –, no entanto, para já, tem o mérito de apelar ao instinto canino dentro de nós. Para todas as cat persons, o mais certo é isto não dizer nada.

Igolândia.

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Porque a animação que está para vir de 2008 não se faz apenas de Wall.E, é chegada a altura de olharmos para Igor. Realizado por Anthony Leondis, este é o mais recente filme de animação da Weinstein Company. A história tem lugar num mundo de cientistas malucos e invenções maquiavélicas. Igor (John Cusack) é um assistente de laboratório corcunda, aspirante a cientista maluco. A Feira Anual de Ciência que se aproxima é a sua oportunidade de ouro. Para tornar o sonho realidade, basta ganhá-la. Basta, que é como quem diz.

Um elenco de luxo, onde, para além de Cusack, encontramos Steve Buscemi, Jay Leno, Molly Shannon, Eddie Izzard, Jennifer Coolidge e John Cleese. Depois de vermos o primeiro teaser, fica a sensação de que Cusack não tem qualquer alteração no seu timbre de voz normal. Dada a personagem, ninguém perderia se não reconhecêssemos imediatamente o actor. Um bocado como Meyers fez em Shrek. Ainda assim, não é isso que mancha este convidativo trailer. Aliás, a primeira impressão é a de que o filme parece ser suficientemente negro para funcionar.

A boda continua.

Há dias em que um tipo não deve sair de casa. Sobretudo, naqueles em que vê a sua obra, que exigiu um orçamento astronómico e efeitos especiais inovadores, ser ultrapassada por uma outra, onde aquilo que custou mais dinheiro foram vestidos. Apesar de tudo, não acreditamos que a vida de Chris Weitz, especialmente a nível da sua conta bancária, esteja a correr mal. No entanto, há aqui um brio profissional que importa manter. E, quando realizamos um filme como A Bússola Dourada, fica bem passar com distinção nas bilheteiras e, posteriormente, nas vendas de Dvds. A verdade é que, depois das bilheteiras, onde nos Estados Unidos se ficou pelos 70 milhões de dólares, A Bússola Dourada volta a destacar-se pela negativa, agora no top de vendas. A notícia até não é nada do outro mundo, contudo, parece-nos relativamente interessante o facto de o título de Chris Weitz, com Daniel Craig e Nicole Kidman, ter sido suplantado por Vestida Para Casar de Anne Fletcher, com Katherine Heigl. Mais curiosa ainda é a observação do Hollywood Reporter, segundo o qual A Bússola Dourada pode ter sido prejudicado pelo criticismo agudo de alguns grupos religiosos que boicotaram o filme, baseado nos livros de Philip Pullman, por o autor ser um ateu convicto. Já cá faltava o belo do preconceito a condicionar as escolhas cinematográficas de milhões de famílias.

8 de maio de 2008

Pergunta do Dia.

Não tem sido fácil arranjar um site que possibilite trazer uma votação diária a este espaço. Surge sempre qualquer imbróglio que desconjunta o esquema do blog. Uma coisa tão simples, que acaba por demorar uma eternidade, e sem qualquer resultado prático, a não ser uns quantos suspiros, e outras tantas injúrias injustas ao ecrã. Esperamos contornar esta dificuldade dentro em breve, e criar uma caixa neste estaminé onde seja só chegar aqui, clicar, votar, e dar de frosques. Nem sequer ler os posts do dia. Essa é a nossa ambição. Sim, nossa, porque a Annie continua por estes lados. Teve foi de atravessar o Atlântico para ir a uma audição em Los Angeles.

Agora, em relação à Pergunta do Dia, ando para aqui a engonhar com uma questão atravessada há já bastante tempo. Enquanto não resolvemos o problema da caixa, nada melhor do que criar mesmo um post, e expor a dúvida abertamente. Sem grandes rodeios, nem qualquer introdução, a pergunta, que acarreta em si um pouco de cultura cinematográfica, é bastante simples:

Qual o melhor biopic a ganhar o Oscar de Melhor Filme?

1 – O Grande Ziegfeld (1936),
2 – A Vida de Zola (1937),
3 – Lawrence da Arábia (1962),
4 – Música no Coração (1965),
5 – Um Homem Para a Eternidade (1966),
6 – Patton (1970),
7 – Gandhi (1982),
8 – Amadeus (1984),
9 – África Minha (1985),
10 – O Último Imperador (1987),
11 – A Lista de Schindler (1993),
12 – Braveheart (1995),
13 – Uma Mente Brilhante (2001).

Duas hipóteses extra:

14 – Impossível escolher.
15 – Não gosto de biopics.

E, basicamente é isto. Era apenas a vontade de trazer a questão a este espaço. Preferencialmente, de outro modo. No entanto, assim, até podemos argumentar um bocado, e discutir, se estivermos para aí virados. Partir para os insultos é que não. Isso só com o computador. Agora, dando o mote, como sempre nestas coisas, Amadeus, de Milos Forman. Possivelmente, o melhor biopic alguma vez feito. A par de A Lista de Schindler, um filme que todo e qualquer professor de História do 3º Ciclo devia passar nas aulas.

24 - Synecdoche, New York.

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Antes de nos perguntarmos porque é que este título consta da lista dos mais aguardados para 2008, devemo-nos questionar sobre o significado da palavra synecdoche, em português, sinédoque. Convém saber do que estamos a falar (e, Alvy Singer não faz a mínima ideia), mesmo quando temos a desculpa do Word sublinhar o vocábulo a vermelho, por não constar do seu dicionário. Não se pode contar contigo para nada, XP. Segundo a Infopédia, sinédoque pode ser descrita da seguinte forma:

“Figura de retórica, para muitos autores indistinta da figura da metonímia, ou considerada como um tipo de metonímia na qual se exprime uma parte por um todo ou um todo por uma parte (Moscovo caiu às mãos dos alemães), o singular pelo plural (quando o Gama chegou à Índia), o autor pela obra (estou a estudar Pessoa), a capital pelo governo do país ("Washington decidiu enviar tropas para o Iraque"), uma peça de vestuário pela pessoa que o usa (um vestido negro surgiu pela porta), etc. Na verdade trata-se da inclusão ou contiguidade semântica existente entre dois nomes e que permite a substituição de um pelo outro”.

Agora sim, passemos ao filme. Razões para este fazer parte do eleito, são mais que muitas. A começar pelo realizador, que também assina o argumento: Charlie Kaufmann. Argumentista de pequenas pérolas como Natureza Humana (2001) ou Confissões de Uma Mente Perigosa (2002). Argumentista de obras magníficas como Queres Ser John Malkovich? (1999) ou Inadaptado (2002). E, por último, argumentista de clássicos instantâneos, como O Despertar da Mente (2004). Tem aqui, finalmente, a sua estreia na realização. Já não era sem tempo.

Para além do realizador, temos o elenco. Nomes de peso que só nos podem levar a esperar o melhor: Philip Seymour Hoffman, Michelle Williams, Catherine Keener, Jennifer Jason Leigh, Samantha Morton, Emily Watson e Dianne Wiest. Quantos cineastas é que se podem gabar de ter tido seis nomeados para um Oscar, no seu primeiro trabalho atrás das câmaras?

Em terceiro lugar, temos o plot. Existem, em diversos sites sinopses, com quase dois quilómetros. Como estamos a lidar com um argumento de Kaufmann, quanto menos, melhor. Por essa razão, dizemos apenas que esta é a história de Caden Cotard (Hoffman), um encenador que pensa estar à beira da morte. Receoso de partir em breve para outras paragens, Cotard decide criar a sua última peça, a sua obra-prima. O pensamento de que está a morrer condiciona as suas interacções com as pessoas que o rodeiam, com o seu trabalho e com as artes que tanto admira. O maior problema, contudo, surge quando é necessário criar um cenário credível de New York, em pleno palco. É que Cotard quer os tamanhos, o mais próximo da realidade.

Por último, o factor cidade. O filme chama-se Synecdoche, New York. E, estas duas últimas palavras fazem toda a diferença. As expectativas em torno deste filme estão tão elevadas quanto o observatório do Empire State Building.

7 de maio de 2008

Para alguns, esta será a primeira visita.

Os astros ainda não se conjugaram de modo a permitir o visionamento de Reviver o Passado em Brideshead (1981). Sempre que partilho esta realidade com alguém que já a viu, levo com um retumbante Idiota como resposta. Vencedora de um Emmy para Melhor Actor Secundário (Laurence Olivier), e dois Globos de Ouro, um dos quais para Melhor Mini-Série, esta foi eleita como a décima melhor de sempre, numa lista de 100 programas distinguidos pelo British Film Institute. Agora, depois da série, baseada na obra homónima de Evelyn Waugh, e que catapultou Jeremy Irons para os reveses da fortuna, é chegada a vez do filme.

Caso estivesse mais por dentro da história, e ciente da riqueza do material em questão, e possivelmente incluiría este filme na lista dos trinta mais aguardados do ano. No entanto, sobre a série, pouco mais sei do que os factos acima descritos. Sobre a obra de Waugh, menos ainda. Talvez por isso, não antecipe este projecto com os mesmos níveis de excitação que parece demonstrar a malta familiarizada com a adaptação da BBC. Para além do mais, alguns conhecedores da primeira adaptação, quando confrontados com o primeiro trailer, bradaram aos céus, descontentes com a versão que parece vir aí. Posto isto, não sabemos bem o que esperar. Por um lado, aparentemente, temos uma magnífica série que adapta um excelente livro. À partida, um filme nos mesmos moldes tem tudo para sair triunfante. Contudo, por outro lado, parece que vinte e cinco anos mudam perspectivas. E, a adaptação de hoje pode não captar a essência do livro com a mesma exactidão da mini-série. Não seria a primeira, nem a última vez, que uma enésima versão falharia após uma mão cheia de sucessos. Antes do trailer, para aqueles que, como Alvy Singer, nunca visitaram Bridishead, esta é a história do Capitão Charles Ryder (Matthew Goode), destacado no Castelo de Brideshead durante a II Guerra Mundial. Num local que conhece bem, Ryder reavive memórias, e relembra o envolvimento com os donos das terras de Brideshead, nos anos em que se tornava adulto: a aristocrática e devota família Flyte. Desses anos, recorda melhor aqueles que lhe eram mais próximos, os irmãos Sebastian (Bem Whishaw) e Julia (Hayley Atwell). Realizado por Julian Jarrold (Becoming Jane), e com a presença de Emma Thompson, o filme tem estreia marcada, nos Estados Unidos, para 25 de Julho. Se tiver êxito semelhante à mini-série, ou andar lá perto, pode muito bem ir além dos BAFTA.

MTV Movie Awards.

Aí estão eles outra vez. Todos os anos, sabemos que chegará a altura deles. No entanto, não deixa de ser com alguma surpresa que, todos os anos, lemos as primeiras notícias sobre os MTV Movie Awards. Não é que não sintamos falta deles. Não nos lembramos é muito disso. Ao olharmos para os nomeados, somos quase sempre obrigados a reler a categoria na qual estes estão inseridos. (Exaltação) Melhor filme do ano, Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo? (Aceitação) Ok, é mesmo para melhor filme. (Histerismo) Melhor actriz, Jessica Biel? (Consternação) Não, está certo, é para melhor actriz.

Nas palavras do produtor executivo, Mark Brunett, I consider the MTV Movie Awards to be the most relevant movie award show in America today. A introdução de duas letras nesta sentença seria o suficiente para aumentar a sintonia com o pensamento optimista de Brunett. Para além do questionável valor de alguns nomeados, o principal problema destes prémios é mesmo a futurologia. Num tom mais sério, não que os prémios sejam irrelevantes, longe disso, no entanto, é inteiramente escusada uma categoria com o título Best Movie of the Summer So Far, que pretende averiguar o melhor filme da temporada, quando alguns ainda nem sequer estrearam. Na última edição, o nome era, Best Movie of the Summer We Haven’t Seen Yet. Isto é uma chatice. Ter de fazer um espectáculo de Verão, sobre filmes de Verão. É uma pena não podermos contar novamente com um monólogo de abertura de Sarah Silverman. Vamos ver como se sai Mike Meyers. Aqui deixamos um clip sobre alguns dos principais nomeados. Dia 01 de Junho cá estaremos para falar dos vencedores.

X Files - O Poster.

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Já circula por aí o primeiro poster internacional oficial de X Files 2: I Want to Believe. Mais propriamente, polaco, o que logo inviabilizou uma tradução feita em cima do joelho. Aliás, qualquer tipo de tradução. Se houver por aí alguém fluente no idioma de Andrzej Wajda, por favor, que se chegue à frente. Caso contrário, ficaremos à espera de um numa língua mais familiar. De qualquer forma, em relação à imagem, essa é universal. Se, não deixa de ser verdade que o cenário até está interessante, com Mulder e Scully a dar um passeio na neve, na companhia de umas dezenas de estranhos e três suspeitos helicópteros, não é menos verdade que alguma coisa de errado se passa com as caras de David Duchovny e Gillian Anderson. Sobretudo, com a de Duchovny. O tipo responsável por isto não se safava a falsificar BIs.

Sobre a história, envolta ainda em algum secretismo, o que até é revelador de congruência, sabe-se pouca coisa. Quando um grupo de mulheres desaparece numa localidade rural do estado da Virgínia, as únicas pistas que vão surgindo são pedaços de corpos que vão aparecendo na neve, ao longo da auto-estrada. A polícia não consegue descortinar o caso, quando as visões de um padre postulam que uma bizarra e secreta experiência científica pode estar por detrás dos desaparecimentos. Apesar de o FBI ter abandonado as investigações paranormais, ninguém parece estar tão qualificado para este trabalho como os ex-agentes Fox Mulder e Dana Scully. O filme, realizado por Chris Carter, e com a participação de David Duchovny, Gillian Anderson, Xzibit, Amanda Peet e Billy Connolly, tem estreia prevista para 07 de Agosto, no nosso país.

25 - Happy-Go-Lucky.

Aos chegarmos ao número vinte e cinco desta lista, encontramos o primeiro filme que já leva um prémio na bagagem. Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh, valeu o Urso de Prata de Melhor Actriz a Sally Hawkins (Cassandra’s Dream), na última Berlinale. Se as expectativas já eram elevadas, depois disto, ainda subiram mais um bocado.

Realizado pelo cineasta que já nos deu filmes como (1993) e Segredos e Mentiras (1996), Happy-Go-Lucky é a chave para o mundo de Poppy, uma londrina em plena Primavera. A sua profissão, professora primária. A sua vida amorosa vai de vento em popa. Tudo parece correr bem, até conhecer Scott (Eddie Marson), instrutor de condução. Ele é o oposto da sua boa disposição e constante estado de felicidade. Surge então a dúvida. Será Poppy uma mulher irresponsável ou, apenas, terrivelmente sensível?

Ao olharmos para o elenco, nenhum nome salta verdadeiramente à vista – pese embora a vitória em Berlim tenha conferido uma outra dimensão a Sally Hawkins. Um pouco por essa razão, quase que somos obrigados a acreditar que o talento de Mike Leigh, por si só, orquestrou aqui mais uma obra notável. E, não custa muito admitir esta realidade. Para começar, Hawkins já viu o seu trabalho ser reconhecido. O que é bom. O AICN e a Variety também deixam antever um bom ano para este filme. O argumento de Leigh parece ser a parte que recebe mais elogios. Aqui fica o trailer.

Sons de Verão.

Escrever um post tem destas coisas. Começamos por abordar um assunto, e acabamos com o desejo de partir para dissertações que pouco ou nada têm que ver com a primeira ideia. Esta tarde, com o texto a propósito do anúncio sobre o filme de MacGyver, deu-se um episódio mais ou menos semelhante. O simples facto de ter procurado o tema da série, de modo a colocar o link neste blog, fez com que recordasse, durante breves minutos, auxiliado pelo site do costume, temas de outros programas dos eighties e nineties. Um mergulho ao passado. E, mergulho é, de longe, a melhor palavra para descrever esta experiência. Talvez porque o clima já se tenha mostrado colaborante, a verdade é que só deu vontade de relembrar temas de séries associadas ao Verão. O mote era procurar tudo aquilo que, com um fechar e uns pozinhos de imaginação, permitisse uma rápida visita à praia. Desse período, pelo menos cinco séries tornam o desejo realidade. Se esta lista tivesse de ter um título, este seria, Séries cujo genérico, mesmo quando estamos em casa e é Véspera de Natal, dá vontade de vestir o fato de banho e abrir uma Seven-up, antes de começarmos a correr de um lado para o outro, só para suar um bocado, e justificar o mergulho de cabeça na banheira. De forma mais simplificada, Temas de Séries de Verão.

Miami Vice (1984-1989) – Este genérico, não só dá vontade de dar um mergulho no mar, como já diz a canção, como pode ainda aliciar a coisas maiores. É claro que, para isso, teremos de abrir os cordões à bolsa. Agora, que este minuto, tempo que dura o tema de Jan Hammer, é uma porta aberta para o mundo das tentações, parece-nos inequívoco. Carros desportivos, barcos, flamingos a correr… A vida devia ter mais disto. Os fatos brancos de Don Jonhson dispensamos.

Pacific Blue (1996-2000) – Parecendo que não, bicicletas e praia pode ser uma combinação explosiva. Pelo menos, no ecrã. Esta série é um dos motivos pelos quais hoje possuo uma bicicleta. No entanto, os meus passeios são sempre mais monótonos do que os desta gente. O que me entristece bastante. Nunca saltei por cima de um carro. Às vezes salta é a corrente. Depois de Pacific Blue, fiquei à espera de uma série sobre polícias que patrulhassem as praias de Malibu, de skate. E, quem diz skate, diz patins em linha. Ou, trotineta. Até hoje.

Acapulco H.E.A.T. (1993-1994) – Foi preciso chegar aos anos noventa para termos direito ao genérico mais disco de toda a História. No entanto, estes dois minutos tinham uma coisa boa. É que mostravam logo um dos defeitos da série: gente a mais. Dois minutos para apresentar os actores mais importantes é uma eternidade. Vá lá que a acção desenrolava-se em Acapulco, e dava para encher o tempo com motas de água, Hummers em pôr-do-sol, resorts bem frequentados, e, porque não, Catherine Oxenberg. Quatro anos mais tarde, a série regressaria, somente com dois dos actores originais, e apenas para uma sofrível temporada.

Tropical Heat (1991-1993) – O genérico, por excelência, das séries de Verão. Num ambiente assim, qualquer um combate o crime. Desde quando é que alguma coisa corre mal no Paraíso? Passar um episódio desta série, num dia de chuva, devia ser proibido por lei. Por cá, a série passou no canal um da RTP, se a memória não me falha. Anos mais tarde, ainda teve direito a rerun. É verdade que tudo tem o seu tempo. Mas, caramba, como sabia bem ver isto nas tardes da estação quente, antes dos Jogos Sem Fronteiras.

Marés Vivas (1989-2001) – Porque esta é a mais antiga, reavivemos a memória com a primeira introdução da série. Save Me, de Peter Cetera, a música original da NBC, antes da série se ter tornado num êxito mundial. Agora, provavelmente o mais célebre tema de qualquer série de televisão, I’ll Be Ready, de Jimi Jamison, é o equivalente ao toque de entrada para a sala de aula. Ao ouvirmos os primeiros acordes, é impossível não pensar em praia. Calor. E… outras tantas coisas que faziam desta, uma série singular. Que venha o filme.

6 de maio de 2008

Twilight, para nos lembrarmos lá mais para a frente.

Nas habituais visitas aos sites da especialidade, que tantas vezes fornecem as notícias trazidas a este espaço, é raro o dia em que não surja algo sobre Twilight. Chega mesmo a dar a ideia de que nenhum outro projecto, por esta altura, terá uma média de novidades por 24 horas, tão elevada quanto este. Ele é Twilight para a esquerda, Twilight para a direita, e nós sem sabermos muito bem do que é que eles estão para ali a falar. Ciente da hipotética ridicularização, admito que, nisto do cinema e televisão, nunca tinha ouvido este título sem um convidativo Zone a seguir. Contudo, esta ignorância não podia ser tolerada durante muito mais tempo. O receio de estar a passar ao lado de algo grandioso, assim o ditava. Os grandes entusiastas dizem que podemos estar prestes a presenciar o maior fenómeno de massas desde Harry Potter. Pelo menos, em relação ao público-alvo. E, as comparações começam logo pelo nascimento literário de ambas as sagas. Tal como o pequeno feiticeiro, antes de chegar ao cinema, também Twilight se deu a conhecer ao mundo através dos livros.

Descrita como uma obra sobre vampiros jovens-adultos, criada por Stephenie Meyer, esta é a história de Isabella ‘Bella’ Swan (Kristen Stewart), uma adolescente que se muda de Phoenix, Arizona, para Forks, Washington, para ir viver com o pai. Mas, Bella não muda apenas de casa. Toda a sua vida fica do avesso, quando se apaixona por um vampiro com mais de cem anos, Edward Cullen, que também é seu colega de turma. Porque Edward tem inimigos, como convém, Bella também passará a ter. E, aí é que residem os principais perigos e começam as peripécias.

Este é apenas o primeiro capítulo de uma trilogia já publicada – Twilight, New Moon e Eclipse. Enquanto o primeiro volume rendeu diversos prémios à autora, o segundo esteve dez semanas a liderar a tabela dos bestsellers do New York Times, e o terceiro orgulha-se de ter sido o último a derrubar Harry Potter dos tops. Breaking Dawn será o quarto volume. A verdade é que os fãs da saga são mais que muitos. E, não será imprudente dizer que começamos a notar alguns movimentos semelhantes àqueles que se fizeram notar antes da estreia de Harry Potter e a Pedra Filosofal. A 20 de Abril, o /Film dava conta da enorme curiosidade que este projecto suscitava no IMDB, suplantando a procura de títulos como O Sexo e A Cidade, The Incredible Hulk, Harry Potter and the Half Blood Prince, Indiana Jones 4 e Speed Racer. No STARmeter, também do IMDB, dos trinta actores mais procurados, dezoito fazem parte deste projecto. Este post do /Film, blog/site onde se contam pelos dedos de uma mão o número de textos que tiveram mais de cem comentários, teve 1411 respostas. No fórum do IMBD, raramente passa um minuto (!) sem que alguém vá lá dizer de sua justiça. E, ao longo dos últimos dias, a bola de neve continua a crescer. Chegou a dizer-se que o teaser associado a Speed Racer poderia ser o suficiente para salvar o filme dos irmãos Wachowski. Hoje, deixamos aqui o primeiro teaser poster e o primeiro teaser trailer.


Será esta a mina de ouro da Summit Entertainment para os próximos anos? Para já, o que sabemos é que o filme de Catherine Hardwick (Thirteen, Os Reis de Dogtown) estreará nos Estados Unidos a 12 de Dezembro. Três semanas depois de Harry Potter.

Diga-se o que se disser...

... um dos meus favoritos. Carregar na imagem, para aceder a tomcruise.com, o site oficial lançado recentemente. Só pelo vídeo de boas-vindas, vale a pena a visita.

O regresso de um clássico.

Ainda me lembro do dia em que a SIC Radical anunciou que pegaria no velhinho MacGyver, figura familiar dos lares portugueses em finais dos anos oitenta. Nesse dia, como hoje, a reacção foi a de correr para a rua, de braços no ar, pregoando Aqui vou ser feliz, caneco. Profecia, ironicamente, infeliz. No entanto, reconheço, estarei sempre de bem com a vida, onde houver uma televisão a passar MacGyver. Não poderia ser de outra forma. A MacGyver deverão ser atribuídas, entre outras coisas, as traves mestras do Guia de Sobrevivência para Idiotas – um dia, nós sabemos, ele chegará às bancas. Agora, antes de perder-me em divagações, eis o porquê de abordarmos aqui este verdadeiro ícone, que sempre sonhei um dia vir a descobrir ser meu tio.

Sem qualquer pompa, e muito menos circunstância, em plena Maker Faire 2008, o criador da série, Lee David Zlotoff, divulgou os seus planos para um filme de grande orçamento baseado na personagem. Zlotoff garantiu ter os direitos da obra, adquiridos há alguns anos, o que lhe permite o controlo da pré-produção. Nada se falou de cineastas em carteira, nem na possibilidade de Richard Dean Anderson regressar ao papel. A confirmar-se o projecto, Anderson tem de ser o primeiro nome a vir à baila. Se Harrison Ford chega para as encomendas (a ver vamos), Anderson, que só precisa de mexer uma palha, dois clips, um cartão de crédito, e um dedo de plasticina, ainda deve chegar mais. Contudo, não coloquemos a carroça à frente dos bois. Regozijemo-nos com o anúncio. (A trautear) Tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan. Ah, isto é que era prender o espectador.

5 de maio de 2008

Cameos.

O Awards Daily, via Cineleet, relembra-nos alguns cameos famosos de realizadores. O nome do artigo está bem apanhado “Don’t Quit Your Day Job”. Felizmente, não deixaram. Na peça podemos encontrar, entre outros, o maravilhoso cameo de Scorsese em Taxi Driver – que apenas se concretizou porque o actor George Memmoli, a quem estava destinado o papel do frustrado marido, tinha tido um infeliz acidente na rodagem de The Farmer (1977). Tarantino em Pulp Fiction, Scorsese em Akira Kurosawa’s Dreams, Coppola em Apocalipse Now, Shyamalan em Sinais, Pollack em Tootsie, Truffaut em Encontros Imediatos do Terceiro Grau, Peter Jackson em O Senhor dos Anéis e, ainda mais alguns, fazem parte deste rol. Alguns importantes, contudo, estão em falta. O mais gritante, provavelmente, o encontrão de Travolta a Stallone. Ainda assim, o maior dos mestres, como não podia deixar de ser, tem papel de destaque. O meu preferido, o de Stage Fright (1950). Como se não fosse nada com ele.

Back to black.

De Casino Royale, só tenho boas recordações. Um dos melhores da saga, um dos melhores do seu ano. O reavivar de um mito, onde nada foi deixado ao acaso. Daniel Craig, a dar-nos uma valente bofetada de luva branca. Eva Green, a recordar-nos Bond Girls de outros tempos. Martin Campbell, a mostrar-nos que, sempre que pega em Bond, o agente secreto ganha novo fôlego. E, até mesmo o tema original estava bem. Antes de prosseguir, devo dizer que faço parte do restrito grupo que foi à bola com a música de Chris Cornell, You Know My Name. Apesar de apreciar mais outros temas, este encaixa no filme na perfeição. Já a voz de Cornell, essa fica sempre bem.

Ainda assim, o facto de ter gostado do último tema, não significa que não olhe com bons olhos para a próxima artista responsável por essa parte importante do filme. No entanto, parece que Amy Winehouse já não dará voz a Quantum of Solace. O MI6 dá conta de um desentendimento entre Mark Ronson, o produtor, e a cantora. Depois de uma semana a trabalhar no tema, consta que Winehouse não terá ficado satisfeita com o resultado. F***ing rubbish, terá dito. Não está pronta para trabalhar, retorquiu o colega. Hoje, vai para ali uma embrulhada que ninguém se entende. O mais certo é os produtores de Quantum of Solace irem bater a outra porta. É uma pena.

Já tinhamos saudades de um aperitivo.

Quando pensávamos já ter visto tudo o que havia para ver sobre The Dark Knight, eis que o novo trailer, agora sim, com a qualidade habitual, nos mostra que estávamos enganados. Para quem pensava que o nível de excitação já não podia subir. Bolas, nunca mais chega a hora de ter este doce nas mãos.

4 de maio de 2008

Começamos bem.

Ver o primeiro blockbuster da temporada, no fim-de-semana de estreia, é uma tradição que tenho procurado manter ao longo dos anos. Há qualquer coisa de mágico, naquela romaria para o Cinema. Ver a sala maior do multiplex a encher, o número de cabeças a aumentar até às primeiras filas, e sentir que até os trailers provocam burburinho. Apesar de, ainda hoje, ter a possibilidade de assistir a antestreias, nada recompensa a partilha de emoções com mais quatrocentas vivalmas. As gargalhadas gerais, os Ooohh, o sentir que alguém, sete lugares à esquerda, deu um salto da cadeira, os suspiros conjuntos. Felizmente, foi com Iron Man que tudo isto aconteceu, este fim-de-semana.

Antes de mais nada, que se coloquem todas as cartas em cima da mesa. Até este sábado, nunca tinha entrado na casa de Tony Stark. Nunca tinha lido uma única tira da Marvel sobre este herói. Nem sequer visto um desenho animado. Sabia da sua existência, conhecia o fato. Assim como sei de Muralha da China, e conheço os tijolos. Tudo muito superficial. Até hoje, por exemplo, Pepper era apenas sinónimo de uma bebida. A partir deste fim-de-semana, e, pelo menos, até deitar as mãos a algum comic book, o filme de Jon Favreau é a referência na mitologia do homem de ferro. O maior elogio que poderei deixar ao filme do homem que passou como secundário em séries como Friends, é o de ter deixado uma vontade do camandro de ler e conhecer tudo o que há para conhecer sobre este herói da Marvel. Temos de tratar disso.

Mais especificamente, podemos afirmar que Iron Man é um dos melhores filmes do ano. Até diria que é tudo aquilo que uma adaptação deve ser, se soubesse mais sobre aquilo que está a adaptar. No fundo, sabe bem ver um filme de entretenimento, que entretém. No entanto, não só diverte, como ainda se dá ao luxo de atirar para o ar algumas farpas, que alguns entusiastas não resistem a apanhar, para longo partirem para discussões sobre políticas internacionais. Acima de tudo, Jon Favreau parece saber o que quer e, mais importante, como obtê-lo. Assim como o fato, este é um filme com cabeça, tronco e membros. Consciente da importância do pontapé de saída numa saga (sim, porque a sequela já está agendada para 2010), o realizador não teve qualquer problema em optar um registo mais sério, pragmático e sem pressas. O filme não se perde em gags inconsequentes. Em Iron Man, tudo leva o seu tempo. Talvez por isso, a história tenha tão poucas ramificações. Não há muito assunto para tratar. O enredo é bastante linear, e o propósito é bem visível, desde inicio. O que é bom, porque, aquilo que nos é contado surge de forma pormenorizada. Será preciso, talvez, recuar até ao primeiro Batman (Tim Burton, 1989), para vermos uma tão boa desconstrução do homem que dá lugar ao herói.

No entanto, Iron Man padece do mesmo mal de outros primeiros filmes. Ao ser necessário dar a conhecer como tudo começou, facilmente dividimos a obra em dois momentos, bastante diferentes entre si. Neste caso, a construção do fato determina o inicio do segundo e último acto. E, talvez aqui, Jon Favreau pudesse ter tido maior atenção, dado que a transição ocorre de forma algo atabalhoada. A acção, embora sempre presente, salta de forma inesperada do ecrã nos últimos minutos. Não que isso seja muito grave. Contudo, teria sido melhor, logo no inicio, dar-nos algo mais violento, ao bom estilo de RoboCop (Paul Verhoeven, 1987) para equilibrarmos a balança.

No final, ficamos com um óptimo filme. Um magnifico tiro de partida para a temporada que se avizinha. Terrence Howard, num papel que faz com uma mão atrás das costas, mais do que preenche os mínimos. Jeff Brigdes, igual a si próprio, não deixa ninguém mal visto. Gwyneth Paltrow, sem a mesma cor do seu par, cria a química suficiente para acreditarmos. Até Stanley Lee, qual Hefner, porventura no melhor cameo da sua carreira, se sai bem. No entanto, o filme tem dois grandes vencedores. Jon Favreau, o realizador que convenceu. E, Robert Downey Jr., que regressa a um patamar do qual nunca deveria ter saído. Perdão, três vencedores. Sim, três. Apesar do dinheiro que lhe sai do bolso, o espectador também ganha alguma coisa, caramba.

The Happening - Trailer.

Depois de A Senhora da Água (2006), todos quererão ver este filme. Aqueles que sempre gostaram de M. Night Shyamalan e ficaram desiludidos com o seu último trabalho, para ver se o realizador volta a entrar nos eixos, e, aqueles que sempre gostaram de M. Night Shyamalan incluído o seu último trabalho, de modo a saciarem a sua sede bianual por um filme do cineasta. Apesar de já ter um outro projecto em carteira, The Last Airbender, assegurando assim o seu futuro mais imediato, a verdade é que Shyamalan deverá ter todos os cuidados, e mais alguns, com este The Happening. É que, depois de um filme com a recepção que A Senhora da Água teve – e, lembremo-nos que, nos Estados Unidos, A Vila (2004) não foi dos mais amados –, um segundo pé na poça pode hipotecar parte importante da sua carreira. Esperemos que isso não aconteça. Para já, o primeiro trailer deixa boas perspectivas. Melhores ainda, do que o teaser.



Título rebelde.

Confesso, gosto de ler a Maria. Já no Deuxieme, a publicação tinha sido alvo de um post. Na altura, a propósito dos nomeados para o Oscar de Melhor Actor deste ano. Pelas contas da revista, os nomeados eram os mesmos do ano passado. Hoje, voltamos a falar desta publicação que, volta e meia, mete os pés pelas mãos. No entanto, fica aqui o devido reparo. Não é só na Maria que coisas destas acontecem. A falta de cuidado quando se fala de Cinema chega a ser assustadora, em quase tudo o que é imprensa cor-de-rosa. Mas, como em tudo, há excepções. Agora, há dias em que a Maria acerta. Há dias em que não. Num dos filmes que menos merece este tipo de equívocos.

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Imagino o conflito interno – caso a dúvida tenha sido de uma pessoa apenas –, ou a discussão que ia naquela mesa de redacção – caso estivessem todos a tentar lembrar-se do nome do filme. Às vezes, ele está mesmo debaixo da língua, caramba. Indisciplinado. Revoltoso. Insubmisso. Desobediente. Tumultuoso. Rebelde? Não. O Indomável Will Hunting. Mais parece a sequela de Lobijovem (Rod Daniel, 1985).

2 de maio de 2008

Uma rodagem que de 'lovely', tem tido pouco.

A História está repleta de filmes que tiveram um parto difícil. Imperdoável (Clint Eastwood, 1992) ou Rain Man (Barry Levinson, 1988), em que ninguém queria pegar nos guiões. Outros casos, como Robin Hood: Príncipe dos Ladrões (Kevin Reynolds, 1991), e quase todas as obras protagonizadas por Marlon Brando, em que as filmagens estiveram longe de correr dentro da normalidade. Enfim, pedras no caminho que, uma vez acumuladas, se traduzem em cabelos brancos para os responsáveis, e mais tempo de espera para os espectadores. Se servirem o interesse do projecto, tudo bem. Não nos importamos de esperar. Agora, se as discussões não levarem a bom porto, isso é que é um sarilho.

Daqui por um ano, quando elaborarmos a lista dos mais antecipados de 2009, The Lovely Bones certamente estará entre os eleitos. No entanto, após algumas complicações, um dos pés começou a ficar ligeiramente para trás. Primeiro foi Ryan Gosling, que abandonou o projecto, em detrimento de Mark Wahlberg. Diferenças criativas entre realizador e actor, como sempre, foi a justificação apresentada. O que ninguém duvida é de que Gosling estaria nas sete quintas, se este tivesse sido o seu primeiro grande projecto como protagonista. Desta feita, Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) não se entende com um seus directores artísticos. Ao que parece, o ponto de discórdia está na representação do Céu. Dado que grande parte do filme decorre nesse local, onde a personagem Susie Salmon (Saoirse Ronan) olha para a família lá em baixo, após o seu assassinato, este não é um pormenor apenas. Neste momento, o Flicks.Nz afirma que a rodagem está interrompida. Talvez este não fosse o momento indicado para Susan Sarandon vir dizer, no tapete vermelho de Speed Racer, que não está segura do resultado final. Por aqui, apesar do pára-arranca, continuamos confiantes.

26 - Appaloosa.

Por enquanto, a única dúvida em relação a este título prende-se com a data de lançamento. Tivéssemos nós garantias de que o filme estreará ainda em 2008, e ele não ocuparia este lugar. Bem mais para cima, era onde ele estaria. No entanto, quando a Warner Brothers entrou em cena, ao adquirir a New Line Cinema (grupo que detinha os direitos da obra), o horizonte ficou algo nublado. Logo surgiram rumores de que a película até poderia ficar esquecida numa qualquer estante. Dramatismos para os quais não contribuímos. No dia em que um projecto com um elenco deste calibre não vir a luz do dia, Leslie Nielsen voltará a ter cabelo preto. Agora, esperemos que o final de 2008, previamente agendado como altura do lançamento, se confirme.

No filme, baseado na obra de Robert B. Parker, encontramos dois homens do velho oeste, Virgil Cole (Ed Harris) e Everett Hitch (Viggo Mortensen), no momento em que estes descobrem Apaaloosa. Uma localidade pequena, suja, onde a lei raramente sai dos livros. O rancheiro opressor é Randall Bragg (Jeremy Irons), um homem que controla tudo e todos. Mantimentos, cavalos e mulheres. Mata sem pudor. Espalha o pânico pelos habitantes. Coisa que Cole e Hitch não são. Bragg revela-se um adversário merecedor dos seus cuidados, e, juntos, os dois procurarão trazer justiça a um sítio que há muito a esqueceu.

Nos principais papéis, para além destes três imponentes nomes, encontramos Renée Zellweger e Lance Henriksen. Em cinco, dois deles já ganharam Oscar. Outros dois, já foram nomeados. E, caramba, não são uns vencedores e nomeados quaisquer. Estamos a falar de Jeremy Irons, Ed Harris (que assume também a realização) e Viggo Mortensen. Livrem-se de não distribuir este filme convenientemente, Warner Brothers. Já termos as primeiras imagens, é um bom prenúncio.

1 de maio de 2008

Implicações.

O filme, que até foi bem recebido nos Estados Unidos, e tem sido alvo de rasgados elogios, por parte de alguma critica, tem estreia prevista, no nosso país, para o fim-de-semana de 29 de Maio. Durante algum tempo, equacionámos a redacção de um post realmente extenso, sobre o verdadeiro motivo de abordarmos aqui a aguardada obra de Nicholas Stoller – cujo trailer deixamos para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ver. No entanto, já tantas vezes se falou sobre isto e, contra factos não há argumentos. Resta-nos apenas dizer que, em Portugal, o filme ficará com o nome Um Belo Par... de Patins. Eu sei a quem é que punha uns.

Inspirações.

Anos mais tarde, Patrick Fugit vestiria a pele de Cameron Crowe, enquanto Billy Cudrup teria, em si, algo de Tom Petty. Estes são apenas dois minutos de uma MTV Beach Party, seja lá o que isso for – embora o nome seja convidativo. Terão sido momentos como este, em que Crowe dispara sobre pássaros de papel, e fala sobre capas e versões de singles dos Tom Petty and the Heartbrakers, que serviram de base a uma das melhores obras de 2000. Dia de feriado também é isto. Posts sobre nada.

What's it all about, Alfie?

Perfeição. Dizem que tal coisa não existe, e que só vem nos livros. Não acredito. Já Ludwig Wittgenstein – volta e meia, lá vamos buscar a chata da Psicologia – afirmava que os limites do pensamento são os limites da linguagem. Se a palavra subsiste, por alguma razão é. E, sempre que tenho sede de perfeição, relembro Alfie, a canção composta por Burt Bacharach e Hal David, nomeada para um Oscar da Academia. Seja no final da versão distribuída nos Estados Unidos, pela voz de Cher; pela voz de Cilla Black, no final da película que passou pelas salas do Reino Unido; pela voz, emocionada, do próprio Bacharach; ou, pela voz de Dionne Warwick, a 47ª pessoa a gravar esta canção, as notas seguem sempre o curso ideal. Talvez a de Warwick seja a melhor das interpretações. Talvez a melodia se adeqúe mais ao seu timbre de voz. Confesso, disso, não percebo nada. Nem quero. Basta-me ouvir.