17 de junho de 2008

Qual é o Filme?

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8 - Body of Lies.

Reza a lenda que, no primeiro dia de filmagens, a equipa se dividiu em dois grupos: aqueles que já ganharam um Oscar, e aqueles que ainda não ganharam. Assim, de um lado, ficaram Russell Crowe, William Monahan e Pietro Scalia. Do outro, Ridley Scott, Leonardo DiCaprio, Carice Van Houten, Marc Streitenfeld e Alexander Witt. Quando, em qualquer obra, o grupo que não arrecadou ainda um Oscar é composto por estes elementos, é porque o trabalho só pode estar nivelado por cima.

Baseado na obra homónima de David Ignatius, o projecto começou por receber mesmo o nome de Body of Lies. Durante a rodagem, alguém se lembrou de mudar para House of Lies. Actualmente, parece que voltou a ser Body of Lies, tal como o livro. A história, essa, parece talhada para a exímia montagem de Pietro Scalia. Quando o agente da CIA Roger Ferris (DiCaprio) descobre forte indícios de que um líder terrorista jordano pode estar a operar em território estrangeiro, solicita ao veterano Ed Hoffman (Russell Crowe) autorização para uma missão onde terá de ir infiltrado. Esta missão levará Ferris a questionar até que ponto pode confiar naqueles que julga serem seus aliados. Hoffman, e todos os outros.

Com William Monahan (The Departed), responsável pela adaptação do argumento, estamos em crer que Scott poderá ainda subir mais a parada, depois do estupendo Gangster Americano. Nos últimos anos, a Academia tem demonstrado todo o seu afecto por obras onde o crime e a conspiração são os mais importantes ingredientes. Ao que tudo indica, acção será mesmo o prato forte deste título. E, apesar de andar a cheirar o Oscar sob a batuta de Scorsese, quem sabe se não será pela mão de Ridley Scott que Leonardo DiCaprio subirá ao palco do Kodak Theater. Nos Estados Unidos, o filme tem estreia prevista para 10 de Outubro. Antes disso, passará ainda pelo Festival de Veneza.

16 de junho de 2008

A próxima joint de Spike Lee.

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Na lista dos mais aguardados para este ano, que temos vindo a elaborar neste espaço, Miracle at St. Anna ocupou uma honrosa 17ª posição. o problema é que, depois de vermos o trailer, dá vontade de puxar este título um bocado para cima.

Toda uma outra época.

Dentro das bandas sonoras não originais – à falta do termo técnico, este parece-nos o mais correcto –, a de Platoon (Oliver Stone, 1986) está muito perto do topo. Rés-vés Campo de Ourique ali com a de Forrest Gump (Robert Zemeckis, 1994). No caso deste último, não falamos, obviamente, da sublime partitura de Alan Silvestri, mas do Cd que inclui singles dos The Byrds, Jefferson Airplane, ou Creedence Clearwater Revival. Este fim-de-semana, tive oportunidade de rever o magnifico filme de Oliver Stone e, acto contínuo, assim que a obra terminou, rapidamente me lancei nas músicas que o percorrem. Uma em particular, não só pela dimensão que traz à cena em que está inserida, como por ser uma belíssima canção, com todas as letras. Desde sábado, dia em que este leque invadiu o Mp3, que a banda-sonora do quotidiano não passa disto. Qual delas a melhor?

Tracks of my Tears – Smokey Robinson & The Miracles,
Okie From Muskogee – Merle Haggard,
Hello, I Love You – The Doors,
White Rabbit – Jefferson Airplane,
Respect – Aretha Franklin,
Dock of the Bay – Ottis Redding,
When a Man Loves a Woman – Percy Sledge,
Groovin’
– The Rascals.

Pelo meio, temos a sorte de poder reviver a experiência de ver o filme, em plena hora de ponta. É só vantagens.

Na mó de cima.

Provavelmente, até terá a ver com questões faciais. Uma série de estudos demonstra que as feições podem ser determinantes para a cognição social, e comunicação de emoções. Há quem diga, também, que os olhos são o espelho da alma, e por aí fora. Enfim, ramos da ciência e senso comum, ambos se interessam por este tema das impressões e comunicação não verbal. Apesar de uma introdução com um certo teor de seriedade ter sempre o seu lado mais atraente, mais vale dizer que Michael Douglas tem uma apetência extraordinária para interpretar tipos no topo do mundo, e deixarmo-nos de conversa fiada. Se, quando o filme começa, a personagem de Douglas não tem mais dinheiro e poder do que todas as outras juntas, basta esperar dez minutos. À passagem do quarto de hora, Michael Douglas está a interpretar o papel da personagem com maior autoridade em toda a história. Senão, vejamos.

Wall Street (Oliver Stone, 1987)

Como Gordon Gekko, Douglas está literalmente no topo do mundo. Não dá para perceber bem qual o edifício onde Gekko trabalha, de qualquer forma, o escritório fica lá bem para cima, nos andares mais altos. O filme de Oliver Stone valeu a Michael Douglas o seu primeiro Oscar como actor, e colocou em definitivo o nome de Douglas nos anais da História da sétima arte. Greed is good. Maravilhoso.

A Guerra das Rosas (Danny DeVito, 1989)

Este é daqueles em que ainda temos de esperar um bocado para ver a fama e fortuna de Douglas. No entanto, não demora muito. Casa, carro, mulher, filhos, nada lhe falta. É verdade que as coisas acabam um bocado para o torto, mas, mais uma vez, o papel do tipo de sucesso, cuja vida corre sobre rodas, assenta que nem uma luva a Michael Douglas. Por muitos considerado um filme menor, A Guerra das Rosas (1989) é uma autêntica relíquia em ponto pequeno. Como o seu realizador.

Uma Noite Com o Presidente (Rob Reiner, 1995)

Aqui, Michael Douglas é apenas Presidente dos Estados Unidos. É preciso dizer mais alguma coisa?

O Jogo (David Fincher, 1997)

Ao fim de algum tempo, talvez incomodado com todos os contos de fadas que Douglas ia vivendo no grande ecrã ao longo da sua carreira – apesar da chatice que terá sido ter uma Glenn Close e Demi Moore à perna, em filmes diferentes, acreditamos que o inicio de ambos corrobora esta tese –, David Fincher lembrou-se de pregar um susto do catano ao actor. Contudo, para todos os efeitos, este é mais um em que Douglas faz e acontece.

Um Homicídio Perfeito (Andrew Davis, 1998)

Neste, nem chegamos bem a saber o que a personagem faz. Parece que tem uma empresa, compra e vende acções como se não houvesse amanhã, vive em Upper East Side, e joga póquer com os amigos à quarta-feira. Para além disso, é casado com Gwyneth Paltrow, e consegue arranjar 400 mil dólares do pé para a mão. É obra.

Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1993)

Posto isto, não é irónico que um dos melhores filmes da carreira de Douglas seja sobre um tipo desempregado e frustrado com a sociedade que o rodeia? Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1993) é muitas vezes e injustamente, uma obra esquecida.

Filmes de Verão - A Praia.

É verdade que, no calendário, só está marcado para o próximo fim-de-semana. No entanto, este sábado, já parecia que o Verão tinha chegado em força. O calor fez-se sentir e bem, e as praias receberam as primeiras verdadeiras enchentes. E, é inevitável. Todos os anos, por esta altura, quando a incerteza da Primavera começa a ficar para trás das costas, alguns filmes invadem a mente. Como quando ouvimos o primeiro Jingle Bell, e recordamos Sozinho em Casa. Ou, quando olhamos para uma fotografia do Empire State Building, e recordamos Cary Grant e Deborah Kerr. Porque a magia do Cinema também é feita de memórias reavivadas pelo mais trivial dos elementos. Neste caso, sol e praia, acima de tudo. Vários são os filmes facilmente associados a este período no qual estamos prestes a entrar, para muitos, a mais querida das estações. Ao longo dos próximos tempos, provavelmente, até meados de Setembro, apresentaremos aqui um filme por semana, sobre este tema. De preferência, uma obra que dê ainda mais vontade de dar um pontapé no trabalho, fazer as malas, e ir de férias. Mesmo que não seja o melhor dos filmes. O que importa é que esteja presente o simbolismo da viagem. Como acontece no caso de A Praia (Danny Boyle, 2000).

Confesso, este é dos poucos em que li o livro. Apesar de não terem sido muitos, este confirmou a regra de que o original tende a ser melhor do que a adaptação. Aliás, a seguir ao terceiro tomo de O Senhor dos Anéis, este será talvez o caso mais gritante. Não que o filme seja mau. No entanto, a obra que lhe serve de base está anos-luz à sua frente. Tal como Tolkien, Alex Garland não tem culpa. Limitou-se a escrever um livro. Livro este que Danny Boyle não soube tratar da melhor maneira. É verdade que A Praia de Garland, não apenas por ser uma obra de culto, mas, sobretudo, pela temática abordada e escrita adoptada, não é dos materiais de mais fácil adaptação. No entanto, naquilo que dava para fazer a diferença entre um trabalho razoável e um bom trabalho, Boyle parece ter-se deixado levar pela beleza das paisagens tailandesas, e esqueceu-se do que realmente importava. No final, ficamos com a sensação de ter visto um filme interessante, sim senhor, agradável à vista, mas com falhas latentes. E, para quem leu o livro, havia tanto mais a explorar. Se quisermos, A Praia é uma antevisão daquilo que anos mais tarde chegaria à televisão pela mão da ABC, e que dá pelo nome de Lost. Um exercício de reflexão sobre as necessidades, e cadeias de motivação inerentes à condição humana. Um manifesto do viajante eternamente insatisfeito com o destino atingido. Um mergulho profundo na recusa aos bens materiais. Contudo, isto é aquilo que vemos somente a espaços na película de Danny Boyle. Procurando não reprovar em demasia o filme, a ideia que fica é a de um grupo de gente bonita a passear numa ilha paradisíaca, ao som de uma banda sonora comercial, e onde um triângulo amoroso banal acaba por emergir. Porém, a escrita de Garland, com todo aquele cinismo e ironia, vai muito mais além. Se calhar, até mais do que Titanic (James Cameron, 1997), este terá sido o filme que levou DiCaprio a olhar-se ao espelho e perguntar O que é que queres fazer da tua carreira? Mas, uma coisa é certa. Este filme dá uma vontade do camandro de ir de férias. Aqui fica o trailer de A Praia.

Há semanas assim.

De quarta-feira da passada semana, até esta sexta, foi um daqueles períodos em que prevaleceu a Lei de Murphy: Se alguma coisa pode correr mal, correrá. Tudo começou terça-feira, quando o computador, esse aparelhómetro que já no Deuxieme tinha feito das suas, decidiu ameaçar diversas vezes com um desligar por conta própria. Felizmente, bastava carregar no botão, e o dito cujo lá voltava a funcionar. Apesar de desagradado com a situação, dava para ir andando. Mas, não por muito tempo. Quarta-feira desligou-se em definitivo. Quinta, ao acordar, nada. Foi então que recrutei os prestáveis serviços de quem já me tinha socorrido quando, há uns meses, a motherboard foi desta para melhor. Agora, porque destas coisas de computador não percebo grande coisa, achei que enquanto estivessem aqui em casa a tratar do pobre coitado, seria uma boa altura para aproveitar, e ir ver as quatro de Manhattan em acção. Sol de pouca dura. Precisamente a meio do filme, no intervalo, um telefonema que pretendia serenar as hostes, mas que foi mais inquietante do que outra coisa qualquer. O computador tinha aquecido em demasia e fumo inclusive saído da caixa. Para quem estava aqui era bom sinal, porque o problema tinha sido detectado. Agora, para quem estava no Cinema, a ideia de que um fogo esteve perto de deflagrar no próprio quarto, não é lá muito agradável. Por muito que custasse, era obrigado a regressar, e deixar para trás a afável companhia de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Aliás, esse foi o último dia que vi o meu computador e Carrie. O primeiro, felizmente, reencontrei-o esta sexta-feira. Quanto a Carrie Bradshaw, digamos que a primeira metade do filme não foi suficiente para que, logo no instante a seguir, dissesse Caramba, tenho de regressar rapidamente à sala para acabar de ver isto. Aliás, posso afirmar que foi até uma decisão fácil, deixar o filme para trás, e regressar a casa. É claro que, por vontade própria, teria continuado de bom grado na minha cadeira, a assistir ao desenrolar da história. Quem sabe se a última hora não nos reserva a maior das surpresas. De qualquer forma, tenciono ver o resto da obra, quanto mais não seja para ficar com o quadro completo. Agora, porque aquilo que correu mal no resto da semana, nada tem que ver com Cinema, fiquemo-nos por aqui, pegando neste tema. Filmes de que saímos a meio. Este O Sexo e A Cidade foi o terceiro. Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto, porque a pessoa com quem estava adormeceu e decidimos que não valia a pena continuar, até porque já tinha visto o filme num visionamento, foi o primeiro. A Ronda da Noite, recentemente, porque a pessoa com quem estava ficou indisposta a meio, foi o segundo. Até hoje, nunca sai de uma sala de cinema pelo próprio pé. Não aguento mais! Vou-me embora! Vontade para tal, talvez já tenha existido. Desse lado, já alguém bateu com a porta nalgum filme?

Antes de terminar, resta dizer que não é fácil estar uma semana sem escrever no Yada. Se a Annie não pode neste momento, por questões de trabalho, da minha parte, há muito que passou a fazer parte do quotidiano escrever sobre cinema. Primeiro, no Deuxieme. Agora, aqui. Pelo silêncio, peço desculpa. No entanto, creio que Murphy ainda não se debruçou sobre o final das coisas. Este filme ainda agora começou, e muitos ovos estão ainda por colher.

13 de junho de 2008

Tomorrow.

Amanhã será explicada esta ausência súbita e acidental, que não fazia parte dos planos. Por agora, apenas poderei dizer que devido à falta de combustível, este regressar de mota não ajudou. Amanhã, a ordem será reposta, e saciada a sede de deitar cá para fora tudo e mais alguma coisa, desde a saída a meio, também súbita e acidental, de O Sexo e A Cidade, na passada semana. Está tudo ligado. Mas, já que estamos aqui, a resposta está certa. O filme abaixo é o belíssimo Sabrina (1955), de Billy Wilder.

4 de junho de 2008

Qual é o Filme?

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9 - The Soloist.

O potencial deste filme é tanto, que a nona posição parece pouco. Mas, quando olhamos para aqueles que ainda faltam, percebemos que algum teria de ficar por aqui. Até agora, esta é, sem sombra de dúvidas, a obra com mais Oscar material. Assim de rajada, antecipamos possíveis nomeações em categorias de peso como Filme, Realização, Argumento Adaptado, Actor e Actor Secundário. Mas, lá está, para estas previsões precoces fazerem algum sentido em inícios de Junho, é preciso que o filme corresponda às elevadas expectativas que já vêm de longe.

Expectativas desde logo criadas quando vimos que Joe Wright (Expiação) seria o realizador; que Susannah Grant (Erin Brockovich) seria responsável pelo argumento; que a banda sonora estaria a cargo de Dario Marianelli, e que poderíamos contar com as presenças de Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Katherine Keener, Stephen Root e Marcia Gay Harden. O filme, baseado em factos reais, conta-nos a história de Nathaniel Ayers (Foxx), um prodígio musical que desenvolve esquizofrenia durante o segundo ano na Juilliard School. Ayers torna-se num sem abrigo, tocando violoncelo na baixa de Los Angeles para os transeuntes. Robert Downey Jr. é Steve Lopez, um jornalista do Los Angeles Times que se torna amigo de Ayers, à medida que vai redigindo um artigo sobre ele. Hoje, este está disponível no site do jornal. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 21 de Novembro. A curiosidade em torno deste filme é mais que muita.

Um misto de saudades e indignação.

Ainda antes de Arrested Development, já Ron Howard e Brian Grazer nos mostravam ter jeito para apostar em programas televisivos. Sobretudo, em séries acima da média com propensão para serem canceladas antes do tempo. Hoje, o dia começou com uma vontade enorme de rever isto. The PJ’s, criada por Eddie Murphy, Steve Tompkins, e Larry Wilmore, passou por cá pela mão da SIC Radical, mais ou menos por altura da troca dos milénios. Agora que o dia está a chegar ao fim, a vontade de rever esta preciosidade é ainda maior. Será que não há meio de alguém editar isto por estes lados? Caramba, é preciso estar sempre em bicos dos pés para espreitar além fronteiras.

Em defesa de Meyers.

Dia parco em notícias dá para tudo. Até para deitar os olhos num artigo do Hollywood Reporter sobre The Love Guru, e achar que isto é a coisa mais interessante que por aí anda. Tudo porque o escritor Deepak Chopra saiu em defesa do próximo filme de Mike Meyers – que, depois da reaparição de Dwayne’s World, voltou a cair nas graças de Alvy Singer, E, foi necessário sair em defesa, porque, ao envolver temas religiosos, a obra consegue já reunir opositores. As vozes contra o filme realizado por Marco Schnabel dizem que este é um trabalho que ridiculariza o Hinduísmo, utilizando termos sagrados de forma leviana. Chopra, amigo de Meyers há quinze anos, diz que estas queixas, baseadas em dois minutos e meio de trailer, não passam de propaganda religiosa – hoje, já tivemos aqui o exemplo político. Segundo Chopra, estas imagens dadas a conhecer no trailer, em nada têm que ver com o objectivo do filme, a mensagem que se pretende passar. O verdadeiro ponto alto do artigo surge quando Mike Meyers é citado, e ficamos a saber o real significado da palavra Drama.

The teachings in this comedy are fictional and non-denominational. They are based on a made up system called D.R.A.M.A. D.R.A.M.A. is Distraction, Regression, Adjustment, Maturity and Action. It's a mythical creation. It's like the Force in 'Star Wars”.

Isto é do mais interessante que as notícias de hoje têm para oferecer. Aqui fica o trailer de The Love Guru, com estreia prevista nas nossas salas para 28 de Agosto.

3 de junho de 2008

Bloody Bill.

Auckland, Nova Zelândia. País de Peter Jackson, país de O Senhor dos Anéis. A partir de hoje, provavelmente, país do melhor placard publicitário de um filme. Mas, nem sequer de uma obra em exibição nas salas. Esta pequena maravilha de marketing deve-se tão-somente à passagem do filme por um canal de televisão. Não era coisa para tanto, mas a gente agradece o regalo para a vista.

Cinematecas.

A notícia vem no Público de hoje, e vale a pena alertar aqui para o abaixo-assinado a favor da instalação de um pólo da Cinemateca Portuguesa no Porto. A petição, lançada quinta-feira por estudantes universitários, conta já com mais de 2200 assinaturas. No abaixo-assinado podemos ler:

Os abaixo-assinados estão cientes desta situação e acreditam que, sendo insustentável que o funcionamento da Cinemateca não esteja de acordo com o seu âmbito nacional; sendo intolerável que a cidade de Lisboa, apenas por via desta instituição, tenha acesso, por dia, a cinco filmes na sua maioria anteriores à década de 90, enquanto que o Porto passa vários meses sem poder ver uma obra histórica relevante; havendo várias manifestações cívicas, associativas e pessoais, a reivindicarem o alargamento do âmbito do organismo em questão, é fundamental e urgente a criação de um pólo da Cinemateca Portuguesa na cidade do Porto”.

A estas vozes juntam-se a de João Bénard da Costa, director da Cinemateca, e de Isabel Alves Costa, filha do crítico e historiador de Cinema Henrique Alves Costa, actriz, programadora cultural e professora de Expressão Dramática.

Essa foi uma batalha de toda a vida do meu pai que ele nunca viu concretizada. É muito triste o estado a que chegámos nesta cidade que teve um lugar tão importante na história do cinema em Portugal. Cinemateca Portuguesa não é a cinemateca de Lisboa, é nacional, por isso devia estender a sua actividade a todo o país, pelo menos às capitais de distrito”.

Também Beatriz Pacheco Pereira, directora do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto, manifestou o seu desagrado.

Lamentavelmente, estamos limitados aos grandes êxitos norte-americanos e aos pacotes de filmes que eles impõem aos circuitos de distribuição com os filmes mais comerciais. Todos os anos são feitos milhares de filmes em todo o mundo que os portugueses não vêem porque o circuito de distribuição em Portugal está limitado aos filmes americanos”.

Aqui fica o link para o abaixo-assinado.

10 - Rachel Getting Married.

Entrados que estamos no famigerado top ten, convém avançar com relutância quando falamos dos filmes mais aguardados do ano. Sobretudo, deste número dez, ainda um tiro no escuro, por esta altura do campeonato. A verdade é que, quanto mais perto aproximamos do topo desta lista, menor devia ser a incerteza quanto ao potencial da obra. No entanto, como na roleta do casino, existe aqui uma vontade secreta de apostar em grande neste filme que, até ao inicio desta semana, tinha o nome de Dancing With Shiva. Hoje, parece que chegará às salas como Rachel Getting Married.

O filme, realizado pelo singular Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, 1991), longe de ser o mais popular dos cineastas, não possui um elenco de encher o olho. Tem Anne Hathaway, sim senhora, Debra Winger, Bill Irwin, e Rosemarie DeWitt (que podemos ver actualmente na magnífica Mad Men), ou seja, nada que leve multidões às salas. Também a estreante argumentista, Jenny Lumet, nada fez ainda que comprove o seu valor. Nem o apelido a liga a alguém que suscite interesse. No meio disto tudo, porquê aguardar ansiosamente por este título.

Antes de mais, a história. Descrito como um drama com pinceladas de humor agressivo, este é um filme sobre o regresso a casa de uma filha alienada, para o casamento da irmã. Quando a invulgar Kym (Hathaway) volta a casa, toda a dinâmica da família sofre alterações, reemergindo tensões passadas, algumas resolvidas a bem, outras, nem tanto. Acima de tudo, por parece-nos um conto sério e decente com arranjos de comédia. E, seja em que ano for, esse será sempre um tipo de filme a seguir com atenção. Depois, porque tem Demme aos comandos. Ainda ninguém nos convenceu de que não está para vir o dia em que este homem não subirá novamente ao mais imponente dos palcos. Em seguida, porque tem Anne Hathaway. A par de Natalie Portman, a actriz com o olhar mais angelical de Hollywood. Só isso explica porque tenha sido seleccionada para confrontar o Diabo. E, por último, a fotografia que dá cor a este post. Qualquer obra que se apresente com uma imagem destas, merece a nossa distinção.

Originalidades (continuação).

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Aqui fica o cartaz de que falámos ontem. Imagem captada não à beira da 2ª Circular, mas em plena rotunda de Entrecampos. Convirá, porventura, esclarecer que a única razão pela qual resolvemos trazer material de propaganda partidária a este espaço, se prende com a enorme satisfação de ver um clássico da sétima arte ser adaptado às lides políticas. Satisfação, não. Orgulho. Quem diria, em 1975, que o filme de Spielberg serviria também para estas coisas? Aqui fica provada a grandiosidade da obra. No entanto, não podemos também deixar de constatar que isto revela falhas ao nível do sentido de oportunidade. Por esta altura, talvez espicaçasse mais um Obrigado Por Fumar (Jason Reitman, 2005), ou um O Informador (Michael Mann, 1999). Mas, nós percebemos, estes são títulos mais rebuscados, longe do alcance de um blockbuster, e o desenvolvimento de uma opinião pública não se compadece com películas menores. Só fica a dúvida de quem estará por detrás da banda sonora, elemento fulcral do filme.

Uma parte já está.

Após meses de negociações, o elenco de Os Simpsons chegou a acordo com a 20th Century Fox. As notícias diziam que a exigência dos actores de topo rondava os 500 mil dólares por episódio. Na última temporada, a 19ª, o vencimento era de 300 mil. Aritmética simples ditou que o acordo fosse atingido pela módica quantia de 400 mil. Do núcleo duro da série, apenas Harry Shearer (Mr. Burns, Smithers e Ned Flanders) não assinou ainda o contrato válido por quatro anos. No entanto, espera-se que tal aconteça nos próximos dias. Hoje, arranca a produção da vigésima temporada, onde estarão previstos 20 episódios, contrariamente aos habituais 22. Apesar deste contrato de quatro anos entre actores e estúdio, ainda não existe qualquer pedido para mais temporadas. O fantasma do cancelamento continua a pairar sobre o programa. Para afastar estes pensamentos sombrios da nossa mente, nada melhor que rever um qualquer anúncio amarelo. E, que venha a vigésima!

Warner Brothers e as mulheres.

Com O Sexo e A Cidade, chegou também às salas norte-americanas o trailer do remake de The Women (George Cukor, 1939). Nem uma semana depois, já corre tinta. Por estes dias, o entusiasmo em torno das quatro de Manhattan é tanto, que na Warner Brothers fala-se já numa possível sequela. A estreia estrondosa apanhou muita gente desprevenida, até porque estes 56 milhões obtidos no primeiro fim-de-semana estavam nas estimativas de muitos analistas, para todo o período de exibição. Contudo, este é apenas um lado da moeda. Do outro, a mesma Warner Brothers continua a deixar a moribunda e à beira da falência Picturehouse responsável pelo marketing e distribuição limitada deste tal remake de The Women.

A obra, realizada por Diane English, argumentista de séries como Murphy Brown, não tem tido o mais fácil dos partos. Depois do financiamento arrancado a ferros, parece que Jeff Robinov, um dos executivos da WB que há muito manifestou a sua opinião relativamente a filmes protagonizados por mulheres, não gostou do primeiro screening. Ora, isto só veio dificultar o que já não era fácil. Nas mãos de outro estúdio, qualquer um que não tivesse Robinov como executivo, era fácil resolver esta equação. Aliás, nem há equação. É uma mera soma de 1+1. Se este fim-de-semana serviu para alguma coisa, foi provar que mulheres são capazes de abrir um filme. Caramba, realizada por uma das mais influentes argumentistas e produtoras de uma das melhores sitcoms dos nineties, e com um elenco onde encontramos estrelas como Meg Ryan, Annette Benning, Eva Mendes, Carrie Fischer, Candice Bergen, Jada Pinkett Smith, Debi Mazar e Debra Messing, será assim tão complicado rentabilizar a obra? Nikki Fenke avança até com um possível slogan óbvio para a campanha “If you loved Sex In The City, then you need to see The Women that started it all”. No artigo de Fenke, dois desenvolvimentos ajudam a completar a história. O primeiro, diz-nos que alguém da WB terá informado que o estúdio planeia dar uma nova oportunidade ao filme, e vê-lo novamente. O segundo, para não pensarmos que Robinov baixou a guarda, diz-nos que Spring Breakdown, com Amy Phoeler, Parker Posey e Rachel Dratch, sairá directo para vídeo. Ele há mesmo pessoas inflexíveis. E casmurras. O que este Robinov precisava era de uma Maria austríaca, vibrante e a cantar Something Good, a entrar-lhe pela casa adentro. E, já agora, de uma rectoscopia. Mas, só para confirmar que está tudo bem. Aqui fica o trailer de The Women.

MTV Movie Awards.

Ontem cheguei à conclusão de que a cerimónia dos MTV Movie Awards será, muito provavelmente, a minha preferida. Isto porque é aquela em que não encontro um único nomeado pelo qual torcer afincadamente. É claro que ver o Johnny Depp é sempre motivo de enorme regozijo, no entanto, se Jack Sparrow não ganhar não me atiro de cabeça às almofadas do sofá. Digamos que é aquela que decorre mais serenamente, sem unhas a desaparecer, suores frios, ou braços no ar de exaltação. Todo um visionamento sereno, que possibilita tirar o máximo partido dos momentos de comédia. Bem hajam, MTV Movie Awards, desculpa esfarrapada para juntar estrelas de Hollywood, brincar ao marketing com os blockbusters da temporada, e piscar o olho ao espectador com a elegância de toda uma cultura pop.

No que aos prémios diz respeito, não tivemos direito a grandes surpresas – nestes eventos, verdade seja dita, também não sabemos muito bem o que esperar. Eis os grandes vencedores da noite:

Melhor Actriz – Ellen Page (Juno),
Melhor Actor – Will Smith (Eu Sou a Lenda),
Melhor Interpretação Cómica – Johnny Depp (Os Piratas das Caraíbas),
Melhor Revelação – Zac Effron (Hairspray),
Melhor Combate – Never Back Down,
Melhor Filme de Verão Até Agora – Iron Man,
Melhor Vilão – Johnny Depp (Sweeney Todd),
Melhor Beijo – Step Up 2 The Streets,
Melhor Spoof – Juno: Teen Pregnancy Redux,
MTV Generation Award – Adam Sandler,
Melhor Filme – Transformers.

Aqui fica o link com o espectáculo todo, para quem estiver na disposição de passar pelos 32 clips. Como se de teasers se tratassem, aqui ficam os dois momentos preferidos da noite. Desta que se assina, a primeira vez que Depp subiu ao palco, e Diablo Cody precisou de apanhar ar. O ar desolado de Seth Rogen diz tudo.

Para o outro deste estaminé, a reunião de Mike Meyers e Dana Carvey, como Wayne Campbell e Garth Algar. Quinze anos depois, o regresso do sketch clássico do Saturday Night Live.

2 de junho de 2008

Mundo pequeno.

Quando pensávamos que já mais nada poderia acontecer a Valkyrie, de Bryan Singer, após o adiamento da estreia para Fevereiro de 2009, eis que nos provam o contrário. Antes de mais, uma breve palavra sobre este adiamento. Desilusão. Já está. Desenvolvendo um pouco mais a ideia, podemos dizer que adiar um filme com buzz de Oscar para o inicio do ano seguinte, sem projectar qualquer passagem por um festival europeu, é o segundo ataque mais letal a qualquer película, imediatamente a seguir a pegar na bobine e dar-lhe uma valente guilhotinada.

Contudo, parece que alguém ainda não estava satisfeito com este cenário. Nomeadamente, Harvey Weinsten, que adquiriu os direitos de Operation Valkyrie (Jo Baier), um telefilme alemão de 2004 sobre o mesmo tema, e que relata precisamente os mesmos eventos. Curioso, no meio disto tudo, é o facto de a MGM estar por detrás da Valkyrie de Singer, e dos acordos de distribuição da Weinstein Company. Porém, a verdadeira pièce de résistance deste puzzle é Carice van Houten (Livro Negro). O filme alemão é protagonizado por Sebastian Koch (As Vidas dos Outros, Livro Negro), papel interpretado por Tom Cruise na obra de Hollywood. Nesta, Cruise conta com a participação de Carice van Houten, companheira de Koch na vida real. Ainda dizem que filmes, só na tela.

A questão que se coloca, neste momento, é saber se Harvey Weinstein terá coragem e dinheiro suficiente para fazer com que isto chegue às salas, antes de Bryan Singer estrear a sua aguardada obra. É que, do pouco que conhecemos de Weinstein, ele não é homem para deixar isto muito tempo nas prateleiras.