27 de maio de 2008

Promover 'The Promotion'.

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Porque temos um mau pressentimento em relação a isto, comecemos a falar deste filme quanto antes. As limitações de um espaço como o Yada, ainda são mais que muitas. Porque o nome Alvy não tem o mesmo peso de Nuno, nem Singer o de Markl – e, esta não é uma alusão disfarçada à formosura do reconhecido humorista –, seria ridículo iniciar aqui uma qualquer campanha em torno de uma obra, tal como aconteceu no Verão passado, por iniciativa do guionista, relativamente a Hot Fuzz (Edgar Wright, 2007). No entanto, uma voz aqui, uma voz ali, e quem sabe se não fazemos algum alarido. A única certeza que temos de ninguém nos ouvir, é quando ficamos calados. E, por estas bandas, temos o princípio de, quando não estamos calados, estamos a falar. Hoje, achámos por bem falar de The Promotion.

Isto porque o filme de Steve Conrad, argumentista de O Homem do Tempo (2005) e Em Busca da Felicidade (2006), que aqui se estreia na realização, tem todo o ar de quem vale a pena, e, ao mesmo tempo, de quem permanecerá esquecido por muito tempo pela distribuidora que nele decidir pegar. É verdade que nada confirma ainda este receio, no entanto, os sinais são visíveis. Nos Estados Unidos, o filme estreará apenas em Nova Iorque e Los Angeles. Logo, a receita de bilheteira não deverá ser estrondosa, o que não despertará a atenção dos que estão deste lado do oceano. Depois, falta um nome de peso. Até agora, Steve Conrad só se tinha dedicado à escrita. Seann William Scott, para muitos, continua a ser apenas mais um da troupe de American Pie. Para Alvy Singer, continua a ser um valor desaproveitado. Em tempos, cheguei mesmo a pensar que estaríamos na presença do próximo Tom Cruise. Hoje, reconheço o exagero. De qualquer forma, tenho para mim que este é o tipo de filmes que William Scott já devia ter começado a fazer há anos, se ainda quiser espremer algo mais do seu talento. A carreira é aquilo que fazemos dela. John C. Really, o tipo que, parecendo que não, já entrou em filmes como What’s Eating Gilbert Grape, Boogie Nights, Magnolia, Gangs de Nova Iorque, As Horas, O Aviador, Chicago, e A Prairie Home Companion, continua a ser… um secundário de luxo. Jenna Fischer, a afável Pam do The Office norte-americano, e Gil Bellows, o remoto Billy de Ally McBeal, por muito bom aspecto que tenham, não deverão chamar muitos às salas. Injustamente. Bem vistas as coisas, isto só vai lá mesmo com o boca-a-boca.

No entanto, também ninguém nos garante que está aqui uma relíquia. Gostaríamos apenas de nos certificar é que teremos a possibilidade de confirmar esta crença numa qualquer sala de cinema, e que não será preciso esperar pelo Dvd oriundo de um ponto distante do planeta. A história sobre dois empregados de uma grande superfície que lutam por uma promoção, pode até parecer algo trivial. Contudo, quem já o viu no Festival SXWX deste ano, já teve oportunidade de afirmar que não estamos perante um Judd Apatow, mas que esta é uma maravilhosa mistura entre a simplicidade de um filme indie, e os convincentes gags de um blockbuster. Para nós, isso chega. Isso, e o realizador não ser capaz de descrever uma das personagens por si criada. O trailer ajuda a elevar as expectativas, assim como estes quarenta segundos hoje dados a conhecer no Worst Previews. A partir de hoje, a espera começa.

Tem as mãos no Passeio da Fama...

... mas, o que realmente seria justo, era lá ter também as plantas dos pés. Gene Kelly, em Summer Stock (Charles Walters, 1950), é mais do que sapateado. É mais do que dançar. Basta carregar na imagem.

Complicações contabilísticas.

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De acordo com o Sunday Times, Christopher Tolkien tentará impedir as filmagens de The Hobbit e da sua sequela, na próxima semana . Aos 83 anos, o filho de J.R.R. Tolkien acusa a New Line Cinema de dever à família qualquer coisa como 158 milhões de dólares. A poucas semanas do inicio da rodagem, Christopher Tolkien diz que esta é a derradeira cruzada pelos direitos da família, salvaguardados num acordo assinado pelo autor da trilogia em 1969, onde ficou garantida uma percentagem de 7,5% dos lucros. A 06 de Junho, solicitará a um juiz californiano que dê razão à sua causa, e coloque um entrave ao início da produção. Os seus advogados já acusaram a New Line de sacanices financeiras. A Warner Brothers, detentora da New Line, não comentou. Mas, verdade seja dita, um engano de 158 milhões não é coisa pouca. Se alguém procurou aldrabar, podia ter sido mais comedido. Esperemos que as coisas se resolvam, e que o filme não volte a cair num impasse.

Um dia, será notícia.

Existem hábitos e costumes difíceis de quebrar. Romper com as rotinas, nunca é fácil, sobretudo se nos derem gozo. Confesso, a frequência com que hoje vou ao clube de vídeo já não é a mesma de outros tempos. Na altura em que estudava, poucas coisas ficavam mais perto da escola do que o clube de vídeo. Talvez só mesmo a mercearia da frente. Talvez porque ir ao clube de vídeo, seja mais do que ir apenas ao clube de vídeo, jamais poderei aceitar que chegará o dia em que deixarei de contar com ele. Ainda ontem lá fui, para devolver dois filmes. Até sujeito a pagar multa, sabe bem entrar num espaço que traz tantas memórias. Muitos dos primeiros filmes que vi, vieram daquelas estantes. Acredito que seja assim para muita boa gente. É porque, antes de termos dinheiro para comprar filmes, temos dinheiro para os alugar. Há que começar sempre por algum lado. E, muitos terão começado por aqui também. Espero apenas que este vídeo seja o retrato de um tempo muito, muito distante.


15 - Burn After Reading.

Deixar de fora desta lista o primeiro trabalho dos irmãos Coen, depois da vitória nos Oscares de No Country For Old Man, poderia ser mal interpretado. Colocá-lo lá mais para trás, seria o reconhecimento de uma entrada forçada. Apresentá-lo nos lugares cimeiros, seria desvirtuar as nossas mais profundas convicções. E, neste caso, o número quinze acaba por surgir naturalmente. Não por acharmos que o filme será uma virtude plena, mas por não sabemos muito bem o que achar. Se, por um lado, temos a dupla que temos atrás das câmaras, mais uma vez responsável pelo argumento, produção e realização, e um elenco de primeiríssima água, por outro lado, a História não se tem cansado de mostrar que, após um êxito retumbante, os adultos gostam de brincar um bocado. Experiências arriscadas que nem sempre dão bons resultados, aliadas a um esforço menor, que normalmente leva o espectador a dizer que tratar-se de um filme light. Se o filme for bom, por mais light que seja, saímos da sala com a cabeça a andar às voltas. Aquilo que receamos, é estar perante um daqueles lights em que nem sequer é preciso levar a cabeça para ver o filme.

Mas, mais uma vez, aí entra a dupla responsável. São os Coen. Auxiliados por gente como Emmanuel Lubezki, quatro vezes nomeado pela sua fotografia para os prémios da Academia, e David Swayze, director artístico que, depois de amealhar experiência com os melhores, parece ter um futuro brilhante à sua frente. No elenco, George Clooney, Brad Pitt, Tilda Swinton, John Malkovich, Frances McDormand, e Richard Jenkins. O plot, suficientemente rocambolesco para poder proporcionar óptimos momentos: um disco rígido que contém as memórias de um agente da CIA, vai parar às mãos de dois escrupulosos funcionários de um ginásio, que planeiam lucrar alguma coisa com a sua venda. Neste momento, as expectativas estão fifty-fifty. Vá lá, porque são os Coen, 51-49. E, é este um que faz com que este seja um dos títulos mais aguardados do ano. Em Portugal, a estreia está prevista para 02 de Outubro.

Sydney Pollack.

Nestas alturas, procuramos sempre as palavras indicadas que não existem, para tentar retribuir aquilo que nos foi dado. E, Sydney Pollack foi daqueles que nos tratou melhor. Deu-nos um Dustin Hoffman irreconhecível, uma quinta em África, um romance de ontem, uma maratona de dança, um condor memorável, e muito mais. Hoje, despediu-se, aos 73 anos, vítima de cancro. Para sempre, ficam as obras do realizador que não dava valor aos filmes que tinha gostado de fazer. Se fossem bons, tinham dado uma trabalheira dos diabos. Deve ter dado valor a poucos, então.

Inevitabilidades.

Cinco actores. Cinco carreiras que, por entre altos e baixos, continuam talhadas para o sucesso. Estes são nomes de peso na indústria actual. Estrelas maiores no firmamento de Hollywood dos nossos dias. Ano após ano, seguimos as suas pisadas. Diga-se, no entanto, que uns começaram o voo mais cedo. Bale, curiosamente, foi o primeiro a dar nas vistas. Contudo, só anos mais tarde é que ganharia o estofo necessário para ombrear com Brad Pitt, Matt Damon, Johnny Depp, ou Leonardo DiCaprio. Os cinco que nos parecem mais perto de ganhar um Oscar. Não que a vitória seja uma iminência. Digamos que aparentam apenas possuir mais trunfos para esse feito. Posto isto, olhando para o que futuro próximo destes cinco actores nos reserva, e procurando assim antecipar aquilo que lá mais para a frente iremos encontrar, o Yada tem uma questão para hoje.

Christian Bale:
The Dark Knight (Christopher Nolan, 2008);
Terminator 4 (McG, 2008);
Public Enemies (Michael Mann, 2009);
Killing Pablo (Joe Carnahan, 2009);

Brad Pitt:
Burn After Reading (Ethan e Joel Coen, 2008);
The Curious Case of Benjamin Button (David Fincher, 2008);
Tree of Life (Terrence Mallick, 2009);
The Fighter (Darren Aranofsky, 2009);
Atlas Shrugged (Vadim Perelman, 2009);

Johnny Depp:
Public Enemies (Michael Mann, 2009);
Shantaram (Mira Nair, 2009);
The Rum Diary (Bruce Robinson, 2009);
The Imaginarium of Doctor Parnassus (Terry Gilliam, 2009);

Leonardo DiCaprio:
House of Lies (Ridley Scott, 2008)
Revolutionary Road (Sam Mendes, 2008)
Shutter Island (Martin Scorsese, 2009)
The Rise of Theodore Roosevelt (Martin Scorsese, 2009)
Freedom Within the Heart (Mark Mahon, 2009)

Matt Damon:
Margaret (Kenneth Lonergan, 2008);
Green Zone (Paul Greengrass, 2009);
The Informant (Steven Soderbergh, 2009).

Agora, a pergunta que se impõe é a seguinte,








Uma questão de cor.

Hoje, é com orgulho que ostento esta calvície disfarçada. É um enorme prazer, passear com estes óculos de massa que escondem um rosto magro, pouco dado a feições másculas. No entanto, tempos houve em que o maior desejo era possuir uma loira e farta cabeleira. Com os anos, vamos percebendo as nossas limitações. Sobretudo, as genéticas. De qualquer forma, isso não impede um miúdo de sonhar. Verdade seja dita, esta é uma vontade secreta que ainda hoje se mantém. Muito por culpa da ficção. Esta tem sido toda uma existência marcada por referências na área. A influência de alguns era tanta, que nem foi preciso vê-los muitas vezes no ecrã. Porque hoje comemora-se o Memorial Day, e as noticias não abundam, fica aqui um rol de personagens que, a espaços, contribuíram para que um champô de camomila figurasse na lista de compras.

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Ryan O'Neal, Love Story (1970).

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Ian Ziering, Beverly Hills.

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Bart Simpson, Simpsons.

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Errol Flynn, As Aventuras de Robin dos Bosques(1938).

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Poupas, Rua Sésamo.

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Gene Wilder, Balbúrdia no Oeste (1974).

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Alan Ladd, Shane (1952).

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Fred Jones, Scooby-Doo.

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James Dean, Fúria de Viver (1955).

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Robert Redford, O Nosso Amor de Ontem (1973).

James Stewart.

O dia passou, e nada dissemos. Os dias foram passando, e o silêncio manteve-se. Cada vez fazia menos sentido falar de James Stewart, e do facto de que o actor teria feito 100 anos, aos vinte dias deste mês. Mas, com a breca, estamos a falar de James Stewart. Nem que fosse daqui a três meses e meio, jamais seria demasiado tarde para escrever um post sobre o aniversário do Tenente. É verdade que as memórias se avivam nestes dias especiais. Contudo, deixada a nota sobre a data, nada nos impedirá de recordar a magnificência da estrela, só porque nos apetece.

E, que melhor exemplo do que esta cena, a primeira romântica no grande ecrã, após o regresso da II Guerra Mundial. Durante um telefonema que ficou para os anais, em Taxi Driver (1976), a câmara de Scorsese afasta-se, de modo a proteger o espectador do sofrimento de Travis Bickle. Em Do Céu Caiu Uma Estrela (1946), durante um telefonema que para sempre figurará nos livros, a câmara de Frank Capra mergulha nos rostos de Donna Reed e James Stewart. Este estava tão nervoso, e receoso com o sucesso da cena, que Capra fez questão de gravar o momento de perto. Afinal de contas, só foi preciso um take. E, a coisa correu tão bem, que a censura teve de intervir. Só os grandes. Clássico.

26 de maio de 2008

Biopics, é com ele.

Só uma coisa supera ser Hugh Hefner em pessoa. É ser Hugh Hefner no Cinema. Rumores dão conta que Robert Downey Jr. estará prestes a viver o sonho de milhões. Detestamos generalizações, no entanto, defendemos com unhas e dentes médias e estimativas. E, após um vasto inquérito, com uma amostra válida e representativa do universo em questão, estamos em condições de avançar que todo e qualquer ser humano do sexo masculino, gostaria de incarnar esta personagem. Caramba, quem me dera ser o Hugh Hefner, já terão muitos pensado, e deixado escapar em voz alta. O que é que disseste?, terão prontamente inquirido igual número de esposas e namoradas. No cinema, querida, no cinema, terão então esclarecido os primeiros.

Segundo o Chicago Sun-Times, Robert Downey Jr. está perto de assinar contrato e entrar em Playboy, projecto sobre a vida de Hugh Hefner. Um filme que, lá mais para trás, já teve Brett Ratner (Hora de Ponta) como realizador. Da equipa inicial, mantém-se, entre outros, o produtor Brian Grazer (Uma Mente Brilhante, Gangster Americano). Ainda sem acordo total, parece que é bastante provável a escolha do actor que interpretou recentemente Tony Stark. Sobretudo, porque o próprio Hefner já manifestou o seu agrado, depois de ter visto o desempenho de Robert Downey Jr. em Iron Man, destacando o humor e capacidade de mostrar vulnerabilidade do actor.

Evitando comparações deturpadas, até porque o trajecto de ambos está longe de ser paralelo, esperamos que Hulk seja o safanão que a carreira de Edward Norton precisa.

Mais do que meio-cheio.

Primeira ideia a reter: estamos a falar de Indiana Jones. Estamos a falar de um herói que marcou toda uma geração. Perdão, toda uma geração não. Que, durante uma geração (vá lá, oito anos, de 1981 a 89), marcou todas as gerações que o viram no grande, ou no pequeno ecrã. Porque, na altura, alguns eram muito pequenos para vê-lo no grande. Tiveram de esperar, e vê-lo apenas com todo o requinte que só um vhs permitia. Alguns, se calhar, até recordam os três primeiros capítulos da saga como três dos primeiros filmes que viram. Porque, aos sete anos, com maior ou menor dificuldade, já dá para acompanhar as legendas. Estamos a falar de um herói que atravessou gerações. Que uniu miúdos e graúdos, num fascínio inabalável por um tipo de chicote e chapéu. Um tipo que ganhava a vida num part-time como professor na Universidade, mas que era a escavar nos locais mais recônditos do planeta que ganhava a nossa estima.

Segundo dado importante a não esquecer: estamos a falar de Indiana Jones. Uma trilogia que ameaçou deixar-nos, para não mais regressar, em finais da década de 80. Estamos a falar de alguém que não nos procurou durante quase vinte anos. É chato quando queremos estar com alguém, e essa pessoa não quer estar connosco. Isso tem nome, mas rejeição é o único que me vem à cabeça. Com Indy, foi mais ou menos isso que nos aconteceu. Depois de termos visto os três primeiros filmes, queríamos mais. Mas, ele não estava para aí virado. Se pretendêssemos a sua companhia, lá tínhamos de ir à cassete, ou, posteriormente, ao Dvd, e recuperar as aventuras de outros tempos. Indy não queria voltar, mas nós fazíamos questão de tê-lo bem por perto, ali na estante, para o caso da saga se ficar mesmo pelo terceiro volume. O pack, para muitos, não é mobília. É família.

Terceiro aspecto que convém sublinhar: estamos a falar de Indiana Jones. Um nome que encerra em si muito mais do que uma simples película enrolada à volta de uma bobine. Estamos a falar de alguém que nos marcou, nos abandonou, e decidiu regressar às nossas vidas quando bem lhe apeteceu. Isto é coisa para deixar um tipo lixado. Mas, como é Indy, ainda conseguimos perdoar. Este é um filme que aparece, quando todos o aguardávamos de braços abertos. Tivesse um quarto capítulo surgido em meados da década de 90, e algumas vozes se insurgiriam. Vinte anos depois, todos sentem a sua falta. No entanto, vinte anos depois, nem todos aplaudiram o seu regresso. Aliás, mais do que isso, vinte anos depois, alguns dizem agora que preferiam ter ficado apenas com aquilo que há já bastante tempo se orgulham de ter ali na estante. Nem uma semana depois de o filme ter estreado, qualquer crítica positiva ao filme, constrói-se numa base de defesa à obra, e não dum enaltecimento da mesma.

Quarto, e último ponto a focar: estamos a falar de Indiana Jones. É precisamente por ter gostado deste quarto filme, que me recuso a defendê-lo. Porque estamos a falar de Indiana Jones, e Indiana Jones não o merece. Verdade seja dita, gostei tanto do filme, que até o sacana do Shia LaBeouf se safa. Não sei se o rapaz terá estofo para aquilo que ficou subentendido, no entanto, para o trabalho que lhe foi pedido agora, deu bem conta do recado. O mesmo com Cate Blanchett, Karen Allen e John Hurt. Por aí fora. Estas coisas não se decidem. Ou cai, ou não cai no goto. Felizmente, para Alvy Singer, este caiu. E, perdoem-me o tom paternalista destas últimas palavras, mas, depois de tudo aquilo que foi lido e ouvido nos últimos dias, há uma frase célebre que associo imediatamente àquilo que se está a passar com este filme. Não chores quando o sol se põe, porque isso impedir-te-á de ver as estrelas. Não acredito que vivalma tenha vertido uma lágrima, como resultado do enorme desgosto perante esta obra. No entanto, parece-nos que este é o verdadeiro mal em torno do filme. Uma das coisas que aprendemos com Indiana Jones foi a encontrar tesouros. E, este Reino da Caveira de Cristal tem alguns. Não estão é no sítio do costume.

A Palma fica em casa.

Numa entrevista ao jornal Le Monde, que antecedeu a entrega dos prémios em Cannes, Sean Penn deixou bem claros os seus intentos, bem como dos restantes membros do júri. The best way to be honest is to try to emancipate ourselves from the effects of fashion, to try to find what will stay with us forever. We've got to do the opposite of the Academy that gives out the Oscars, where manipulation and very good marketing are rewarded. Alfinetadas à parte, Entre Les Murs, de Laurent Cantet, arrebatou a Palma de Ouro. Este foi o regresso da França às vitórias, 21 anos depois de Maurice Pialat ter ganho com Sobre o Sol de Satã.

Baseado no livro de François Bégaudeau, Entre Les Murs retrata o quotidiano delicado de um professor (o próprio Bégaudeau), numa escola secundária dos arredores de Paris. Um professor cuja franqueza surpreende os alunos. Alunos estes, que questionam os métodos do professor.

Nas restantes categorias, destaque para as vitórias do turco Nuri Bilge Ceylan como melhor realizador, por Three Monkeys – segundo Penn, a segunda decisão unânime do certame –; de Gomorra, de Matteo Garrone, com o Grande Prémio do Júri; dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, com melhor argumento, por Le Silence de Lorna; de Il Divo, realizado por Paulo Sorrentino, com o Prémio do Júri; de Sandra Corveloni, como melhor actriz, por Linha de Passe; e de Benicio del Toro, como melhor actor, por Che.

25 de maio de 2008

Accessorize.

Porque a notícia cinematográfica pode soprar de qualquer quadrante, é preciso manter diariamente um nível de vigília elevado. Não nos podemos ficar pelos sites habituais. Por vezes, somos mesmo obrigados a mergulhar na escuridão de estaminés que, só a espaços, nos brindam com novidades da sétima arte. PerezHilton.com é uma destas fontes que todos os dias visitamos, à procura de algo verdadeiramente relevante. Que fique bem claro que não percorremos os posts deste blog à procura de bisbilhotices sobre as celebridades. Isso não poderia estar mais longe da verdade. Como se alguma vez nos interessássemos pelo dia-a-dia de Jessica Alba, e quiséssemos saber como é que está a correr a gravidez. Incrivelmente falso. Entrar no PerezHilton.com, assim como no TheSuperficial.com, é um suplício. Um suplício, com todas as sílabas. Acreditem, meus senhores. É melhor parar com a argumentação, caso contrário passará por ironia. O que não poderia estar mais longe do efeito pretendido.

A verdade é que, esta noite, valeu a pena passar por lá. Um featurette exclusivo mostra-nos o magnífico trabalho de Patricia Field, responsável pelo guarda-roupa de O Sexo e A Cidade. O equivalente a director do departamento de efeitos especiais em O Senhor dos Anéis. Uma das coisas que ficamos a saber aqui, é que o filme pretende deixar um small bag statement. Creio que este será o primeiro filme a recorrer unicamente a acessórios de roupa para fazer um vídeo promocional. E, não é que resulta?

16 - Guerrilla.

Os últimos dias têm sido algo controversos, no que diz respeito a Che. Após a estreia em Cannes, muitos se apressaram a dizer que estávamos perante um sério candidato, não só à Palma de Ouro, como também aos Oscares deste ano. No entanto, logo surgiu a crítica da Variety, qual balde de água fria a aconselhar uma certa ponderação que parecia ter sido esquecida.

The Argentine, a primeira parte do diptico de Steven Soderbergh sobre Ernesto ‘Che’ Guevara, não tem sido tratado pelos media com o mesmo carinho e atenção de Guerrilla, o que nos leva a supor que este último será o verdadeiro cavalo de corrida. À imagem do que acontecia com As Bandeiras dos Nossos Pais, largamente mais antecipado do que Cartas de Iwo Jima. Por essa razão, nesta lista, incluímos apenas Guerrilla, aquele que foi sempre apresentado como a segunda parte desta obra conjunta. Contudo, hoje não sabemos muito bem o que esperar daqui. Parece que isto está feito numa valente salganhada, e nem mesmo Soderbergh tem certezas daquilo que quer. Em Cannes, os dois títulos fundiram-se e um filme apenas, com a duração de 268 minutos, foi exibido. O nome do filme: Che. Porém, todos recordamos o caso de Grindhouse, dividido em dois, de modo a render mais nas bilheteiras. Se dois filmes de acção não se aguentam juntos, o que esperar de dois dramas biográficos com mais de duas horas? Consta, então, que Soderbergh sugere às salas de cinema, e, destaque-se aqui o sugere, que mostrem o filme conjunto na primeira semana, a primeira parte na segunda semana, e a segunda parte na terceira semana. Esta ideia apresenta tantas falhas na muralha, que é com algum dó que decidimos nem atacá-la.

A verdade é que, com o passar do tempo, a expectativa em torno desta(s) obra(s) tem vindo a esfumar-se. Receamos que isto não passe de um one man show de Del Toro – que acaba de ganhar o galardão de melhor actor em Cannes –, e pouco mais. Recordemo-nos das primeiras palavras de Jeff Wells. Confiemos na realização de Soderbergh. E, pode ser que tenhamos aqui um sério motivo de orgulho para o ano de 2008.

Apetite para este, também não falta.

Apesar de o Alvy continuar ali entretido com a lista dos mais aguardados para este ano, nada nos impede que falemos de determinados títulos, antes de darmos a conhecer a sua posição. Se assim fosse, hoje estaríamos de mãos atadas, e sem poder mostrar o primeiro trailer de The Curious Case of Benjamin Button, o próximo filme de David Fincher. E, convém aqui sublinhar o nome de David Fincher. Isto porque, após o visionamento do trailer, muitos perguntar-se-ão se não terão visto as primeiras imagens do próximo projecto de Tim Burton. Sasha Stone, do Awardsdaily, diz que isto mais parece Terry Gilliam. Como nós a percebemos. Uma coisa é certa, todos concordamos que isto não tem muito ar de Fincher. Mas, já Zodiac tinha pouco, e não foi por isso que deixámos de ter uma obra maravilhosa.

Com Brad Pitt como protagonista, acompanhado por Cate Blanchett e Tilda Swinton, e baseada num conto de F. Scott Fitzgerald, esta é a história de um homem que nasce velho, e envelhece (!) andando para trás, ficando cada mais novo, à medida que o tempo avança.

Aqui no Yada, apesar de toda a excitação em torno da obra, parece-nos precipitado falar em Oscares, e devida obtenção de reconhecimento. É porque o imaginário parece propicio à criação de uma obra-prima, no entanto, os padrões da Academia são bastante rígidos nestes domínios. Todos já aplaudimos filmes de Burton e Gilliam, contudo, quantos deles é que já foram nomeados para o Oscar de Melhor Filme? Aí está.

Em jeito de curiosidade, aqui fica um vídeo com a música do trailer, The Aquarium. Resta dizer que este encontra-se dobrado em espanhol. Dadas as imagens, pouco importa.

T-shirts para a estação.

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Um verdadeiro achado, meus senhores. Um verdadeiro achado. Pelo menos, para alguns de nós. Para outros, bem que estas podem ser as mais frescas novidades de ontem. Contudo, mesmo para aqueles que já conhecem o fabuloso Last Exit to Nowhere, nunca é demais deixar uma palavra sobre este espaço, lar de uma estupenda colecção de t-shirts alusivas à sétima arte, onde cada peça de vestuário diz respeito a um filme. Mais precisamente, a um qualquer local, instituição ou movimento presente na ficção representada. Um bom exercício de cultura cinematográfica será percorrer a apresentação, sem ler a informação imediatamente abaixo dos previews, e tentar identificar as diferentes obras. Onde é que vimos a campanha de Palantine? Quem é que andou no Liceu de Hill Valley? Vestir uma t-shirt destas, é um Vocês sabem do que é que eu estou a falar, só para cinéfilos. O meu estilo é mais camisa, colete e gravata. Mas, uma coisa destas também ia bem.

23 de maio de 2008

Poster Mistério.

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Mistério Criativo.

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Este puxou um pouco mais pelos galões. Mas, pesquisas recentes do JHB ditaram que o mistério fosse desvendado.

17 - Miracle at St. Anna.

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Continuando a desvendar os trinta títulos que mais despertam a nossa especial atenção este ano, é altura de virarmo-nos para um cineasta cujos trabalhos serão sempre aguardados com expectativa. Se olharmos para o elenco e virmos que nele constam os nomes de John Turturro, James Gandolfini, John Leguizamo e Joseph Gordon-Levitt, então ainda melhor.

Miracle at St. Anna é o filme em questão, e Spike Lee o seu realizador. A obra, baseada no livro de James McBride, responsável também pela adaptação do argumento, centrará as objectivas em quatro soldados afro-americanos que ficam presos numa pequena aldeia da Toscânia durante a campanha dos aliados, em Itália, na II Guerra Mundial. Hoje um memorial, esta aldeia foi palco do massacre de Sant’Anna di Stazzema, levado a cabo pelo exército alemão.

Depois do magnífico Inside Man (2006), Lee volta assim às longas-metragens. Ao que parece, o realizador já terá manifestado as enormes expectativas que deposita neste projecto, falando mesmo do seu épico, ao bom estilo de David Lean. Nos Estados Unidos a estreia está prevista para meados de Outubro. Logo pelo poster começamos a receber tudo aquilo que esperamos de uma obra de Spike Lee.

Preparar a chegada - Parte II.

São mais aqueles que têm saído da sala com um sorriso, do que os que têm torcido o nariz. Ainda assim, é impossível não sentir um certo desgosto no ar. Poucos são aqueles que têm aplaudido o regresso de Indy ao grande ecrã. E, verdade seja dita, as expectativas começam lentamente a baixar. Chegam a ser desesperantes, estes dias. O filme estreou hoje, mas desde as antestreias e sessões especiais que ouço e leio as opiniões de todos aqueles que tiveram oportunidade de ser os primeiros. Infelizmente, só lá para os últimos instantes do fim-de-semana é que poderei ver o filme. Caraças, Paul Thomas Anderson é que tinha razão. A vida é longa como tudo.

Talvez por isso, numa tentativa de ocupar melhor o tempo, só hoje vi O Templo Perdido. Porém, a ideia de pegar nos três primeiros capítulos e vê-los durante esta semana, tem-se revelado uma experiência diferente do esperado. O objectivo era aguçar ainda mais o apetite, e sair extasiado do filme. Um pouco como aquela morosa subida, antes do looping. Não tem piada subir tanto, se a seguir não ficarmos com os cabelos em pé. Hoje, ao acabar de ver O Templo Perdido, o primeiro pensamento não foi Embora lá então ver essa Caveira de Cristal. Foi mais, Será que amanhã verei o último filme de jeito desta saga? Espero que não, e que o próximo domingo traga uma óptima surpresa. Perdão, confirmação.

Vice-presidente a bordo.

O futebol está longe de ser uma paixão. Contudo, há uma frase, associada salvo erro ao Barcelona, da qual gosto bastante. Mais do que um clube. É um pouco isso que sinto em relação a W, ou como os sites norte-americanos começam a chamá-lo, Dubbya. Mal por mal, a simplicidade do primeiro. A cada dia que passa, parece que o projecto de Oliver Stone se torna em algo mais do que apenas um filme.

Com a dúvida a persistir, se Stone optará por um registo mais satírico ou, antes, algo mais na linha de JFK – embora nos pareça que o único mistério nesta administração seja quem é que conseguiu convencer Colin Powell de que havia mesmo armas de destruição maciça no Iraque –, a única certeza que vamos tendo, para já, é que Bush não sairá bonito na fotografia. Apesar da ameaça de greve do SAG pairar sobre a produção, a Lionsgate já tem a confirmação de que não surgirão complicações. A estreia continua marcada para Outubro, antes das eleições, e tudo será feito para que o Dvd chegue às lojas em Janeiro, por altura da saída de Bush da Casa Branca.

Hoje, o filme volta a ser noticia pelo anúncio de que Richard Dreyfuss terá sido recrutado para o papel de Dick Cheney. Para mais de metade da população norte-americana, as borradas de Cheney em muito ultrapassam as idiotices de Bush. Talvez por partilhar esta opinião, à primeira vista, esta não me parece uma boa decisão de casting. A não ser que o filme seja mesmo uma ridicularização daquilo que se passou em Washington nos últimos oito anos. Influências ou não de The Education of Max Bickford, Dreyfuss tem muito mais ar do avô que se senta connosco a beber um chocolate quente e a jogar às cartas, do que do ser mais terrível com ar de executivo que já pisou a terra. Quase que dá vontade de pegar naquelas bochechas e perguntar, Quem é o avô querido, quem é?

Para além de Dreyfuss, do elenco fazem já parte Josh Brolin, Elizabeth Banks, Thandie Newton (Condoleeza Rice), Rob Corddry (Ari Fleischer), Scott Glenn (Donald Rumsfeld), Ellen Burstyn (Barbara Bush), James Cromwell (George Bush), Jeffrey Wright (Colin Powell) e Toby Jones (Karl Rove).

Estava na hora.

A ideia até pode ter surgido só depois deste anúncio de 2005. No entanto, na altura, este foi apenas mais um sinal de que era uma questão de tempo até Spike Lee reunir uns quantos microfones, e anunciar ao mundo que realizará um documentário sobre Michael ‘Air’ Jordan. O projecto, bem como o desejo de levar o documentário ao certame do próximo ano, foram ontem dados a conhecer em Cannes. Financiada pela NBA, a película promete mostrar imagens nunca vistas, sobretudo dos dois últimos anos da carreira de Jordan, ao serviço dos Washigton Wizards. Acima de tudo, aquilo que nos parece importante realçar aqui, é que o cineasta ideal aceitou levar ao grande ecrã a história de um dos melhores desportistas de todos os tempos. Um artigo definido não ofenderia ninguém.

Negociações.

Pedir que imaginemos alguém que não Viggo Mortensen, Ian McKellen e Andy Serkins, na pele de Aragorn, Gandalf e Gollum, respectivamente, é puxar o sistema operativo ao máximo. Por muito boa vontade que tenhamos, a ficção não dá para tanto. Se há quem regresse à personagem, quase duas décadas depois, não fazê-lo num intervalo de cinco anos será defraudar as expectativas de milhões. Guillermo del Toro afirmou recentemente, "We will all be involved in the script in some fashion but the exact definition is about a week away. I am all for keeping the actors who originated the parts, as much as availability and their willingness will allow".

É por isso que, nestas coisas, continuo a olhar para Don Corleone como um modelo a seguir. Ele tinha sempre as melhores técnicas para levar qualquer um a arranjar tempo na sua agenda.

O outro Batman da temporada.

Nunca fui grande fã de Batman. Gostar razoavelmente dos dois primeiros filmes da saga, da autoria de Tim Burton, não chega para dizer que sempre segui de perto todos os passos do justiceiro de Gotham. Por esse mundo fora existirão certamente milhares de coleccionadores de comics, que melhor se adequarão ao perfil de aficionado deste herói. Aqueles que reconhecem valor às obras de Schumacher, mais do que fãs, demonstram uma certa cegueira própria de quem ama em demasia.

Seja de que maneira for, o filme de Christopher Nolan modificou ligeiramente este cenário. Hoje, o morcego no céu seduz mais do que o S por baixo da camisa. Talvez por isso partilhe o entusiasmo do meu colega de estaminé, em torno de The Dark Knight. Mais antecipado até do que Indy, mesmo antes das primeiras criticas menos simpáticas. E, este recente fascínio pelas aventuras de Bruce Wayne traduz-se num desejo por tudo e mais alguma, inclusive, directos para vídeo. É esse o caso de Batman – Gotham Knight, um conjunto de seis histórias, que serve de ponte entre os dois títulos de Nolan, criadas por malta que já deu provas do seu valor em diversas áreas. Desde os argumentistas Josh Olsen (Uma História de Violência) e David S. Goyer (Batman Begins), passando pelo produtor Masao Maruyama (Monster), até aos realizadores Toshiyuki Kubooka (Nadia of the Seven Seas) e Yasohiro Aoki (Tweeny Witches). Depois do teaser, que já havia deixado água na boca, o trailer é chover no molhado. Curiosidade exacerbada é tudo o que me apraz dizer.


Prince.

Com a mesma emoção que hoje coloco o disco UMD de GTA Liberty City Stories na PSP, há coisa de dezoito anos introduzia a disquete de Prince of Persia num maravilhoso 386, salvo erro, já com o Windows 3.1. Esta relíquia de 1990 da Broderbund Software, é do tempo em que ainda entrávamos nos jogos pelo MS-DOS, e que a: ainda fazia parte do léxico informático de qualquer ser em crescimento que quisesse ser respeitado pelos pares. Uma outra era, onde os gráficos a duas dimensões mais do satisfaziam os requisitos mínimos para a folia geral. A sonorização, longe de ser a melhor, presenteava-nos com umas introduções à maneira e uns efeitos dignos de alguns calafrios. Para quem não acredita, confirme-se aqui a veracidade destas afirmações.

Posto isto, porque o Yada não aspira a ser um espaço onde se reavivem videojogos intemporais, resta dizer que Jake Gyllenhaal será o príncipe, na adaptação de Jerry Bruckheimer ao grande ecrã. Para além de Gyllenhaal, também Gemma Arterton (Quantum of Solace) já confirmou a sua presença no filme da Disney, Prince of Persia: The Sands of Time, realizado por Mike Newell (Quatro Casamentos e Um Funeral). No filme, Gyllenhaal será Dastan, um príncipe persa do Séc. VI que une esforços com uma outra princesa, Tamina (Arterton), numa cruzada para evitar que um vilão deite as mãos ao artefacto que permite viajar no tempo e dominar o mundo, Sands of Time. A ver vamos, se o filme estará à altura do clássico de plataformas.

22 de maio de 2008

A ver se isto funciona.








20 de maio de 2008

Preparar a chegada - Parte I.

Se fizermos bem as contas, nem dois dias faltam. Para muitos, o filme mais aguardado do ano. Para alguns, sem qualquer exagero, o mais aguardado de uma vida. Depois de tantas indecisões, o projecto lá se concretizou, para gáudio de milhões de fãs, e, hoje, Indy 4 está mesmo ao virar da esquina. O último ano em que vimos uma aventura de Indiana Jones no grande ecrã, foi o primeiro em que vimos Os Simpsons no pequeno. Isto diz bem do tempo que foi preciso esperar. Esta semana, o programa passa por ver os três primeiros filmes. Ontem, foi a vez de Os Salteadores da Arca Perdida (1981). Hoje, O Templo Perdido (1984). Amanhã, A Grande Cruzada (1989). No fim-de-semana, O Reino da Caveira de Cristal estará pronto a servir.

Nisto das trilogias, o mais fácil é partir para as comparações entre capítulos. Contudo, se olharmos para Os Salteadores da Arca Perdida, esquecendo não só os dois que se lhe seguiram, mas lembrando que à data, nenhuma das sequelas tinha sido realizada – Jacques de la Palice não diria melhor –, somos obrigados a reconhecer que este, entre outras coisas, será o mais vanguardista dos três. Não colocando em causa a qualidade das obras, esta foi aquela que definiu a fórmula. As duas sequelas limaram arestas. Esta construiu o monumento. Numa altura em que as mentes de Lucas e Spielberg fervilhavam de fantasias, juntar estes dois cineastas só podia resultar em algo deslumbrante. Spielberg continua a dizer que, para ele, este é apenas um filme de série B, com mais sucesso do que o esperado. Até certo ponto, somos obrigados a concordar. George A. Romero também não fazia ideia de que o orçamento de A Noite dos Mortos Vivos (1968) chegaria para redefinir um género. Contudo, em abono da verdade, os 22 milhões de dólares de Os Salteadores da Arca Perdida deram para algumas brincadeiras. Diversões simples, é certo, mas que chegaram para arregalar o olho. Porém, nem são os efeitos especiais que mais prendem o espectador. Spielberg consegue ainda apresentar-nos os dotes que faziam dele um realizador em ascensão, precisamente naquilo em que sempre demonstrou sentir-se mais à vontade. Apesar do maior reconhecimento obtido com obras dramáticas, como E.T. (1982) e A Lista de Schindler (1993), é na soma de acção e suspense que Spielberg se destaca realmente. Num outro patamar, somos capazes de recordar Duel (1971), logo na sequência inicial da bola de granito, e O Tubarão (1975), sempre que a orquestra de John Williams anuncia a chegada do chicote de Jones para salvar o dia.

O argumento de Kasdan, numa mistura exímia de aventura, humor e acção, desenrola-se harmoniosamente, de modo a possibilitar magnificas interpretações. Seja de Harrison Ford, na personificação do homem comum, com duas vidas paralelas, seja de Karen Allen, ao construir uma verdadeira mulher de armas, capaz de roubar o protagonismo ao herói e dispensá-lo se for preciso.

Para a História fica um filme sem igual. No imaginário colectivo, chapéu, casaco de tweed e chicote, são sinónimo de um nome só. Hoje será a vez de O Templo Perdido. Isto é que vai ser uma semana.

18 - Seven Pounds.

Estes são os melhores. Os tiros no escuro. Aqueles que olhamos para eles, lá bem ao fundo, e dizemos para com os nossos botões, Hum, este é capaz de ir longe. No final de contas, o critério de selecção e desempate entre estes eleitos, é apenas o potencial. E, por vezes, gostamos de arriscar. Que é o que acontece com este Seven Pounds.

Alguns até poderão olhar de lado para o realizador. Verdade seja dita, Em Busca da Felicidade (2006) não derreteu corações da forma que se esperava. Muitos consideram ainda L’Ultimo Bacio (2003) como o seu melhor trabalho. Grant Nieporte, o argumentista, apresenta-se no IMDB apenas como responsável por um episódio de Sabrina, a Bruxinha Adolescente, e dois de 8 Simple Rules. Apostar nas suas qualidades, é quase tão certo como sair coroa. Por isso mesmo, acaba por ser o elenco que nos transmite mais confiança. Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson, Barry Pepper e Michael Ealy. O plot, esse, parece simples. Resumidamente, esta é a história de Ben (Will Smith), um homem que se apaixona enquanto tenta suicidar-se, e como isto influencia a vida de outras sete pessoas. Provavelmente, a melhor premissa do ano.

90210.

Não podemos fugir. Muito menos esconder. 90210, o spin-off de Beverly Hills, 90210 vem aí, e não há nada que possamos fazer para o impedir. Este é o tipo de afirmação preconceituosa que procuramos evitar, contudo, desta feita é impossível. Já ontem falámos do filme baseado em 21 Jump Street. Parece que, à falta de melhor, a indústria vai repescando aquilo que se criou há duas décadas. Por Hollywood, nestes dias, o axioma em voga deve ser Se não sabes o que fazer, vê o que já está feito. E, neste caso em concreto, receamos que as motivações por detrás desta decisão não sejam as mais lucrativas para os espectadores. Seja para aqueles que tiveram o contentamento de ver o original, seja para aqueles que só agora descobrirão uma série com este código postal.

Porque, o mundo não é o mesmo de há dezoito anos. E, nos dias que correm, por terras do tio Sam, a malta jovem adere sobretudo a reality shows como o popular The Hills, que, atestando bem a sua influência, é a mais recente capa da Rolling Stone. Sem desprimor para o programa da MTV, que funciona um pouco como paradigma dos consumíveis para os teens norte-americanos, será com produtos deste calibre que 90210 estará a competir directamente. A saída de cena de O.C., fez com que este novo programa perdesse o seu melhor adversário. Acima de tudo, parece-nos que haverá aqui um nivelamento por baixo, como consequência de um despique por um público-alvo hoje mais orientado para outro tipo de coisas. É certo que a nova série tem alguns pontos de interesse, com o regresso de Jennie Garth (Kelly Taylor), ou a presença de Jessica Walter (Lilith). Contudo, o afastamento de Darren Star não engana ninguém.

Confesso, aquilo que mais desejaria era estar daqui a um ano, a dar a mão à palmatória, quando a CW anunciasse a segunda temporada. Porém, hoje, o futuro deste spin-off parece curto. Aqui fica um primeiro promo.

Traduções.

Não é só no nosso país que as traduções levam alguns cinéfilos a colocar questões retóricas. Porque gente criativa existe um pouco por todo o lado, aqui ficam alguns exemplos de títulos mirabolantes. Alguns deles, até podemos orgulhar-nos da simplicidade com que ficaram por estas bandas.

Finding Neverland - Wenn Träume fliegen lernen (Alemanha), em inglês, When Dreams Learn to Fly;
Haverá Sangue – Pozos de Ambicion (Espanha);
Música no Coração – Sonrisas y Lágrimas (Espanha);
Closer – Cegados por el Deseo (Espanha);
Intriga Internacional – Con la Muerte en los Talones (Espanha);
Shaun of the Dead – Zombies Party (Espanha);
Sozinho em Casa - Maman, j'ai raté l'avion! (França), em inglês, Mom, I Missed the Plane!;
Assalto ao Arranha-Céus – A un Passo Dall’inferno (Itália);
Annie Hall – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Brasil);
Mulholland Dr. – Sueños, Misterios y Secretos (México);
Juno – Crecer, Correr y Tropezar (México);
Moulin Rouge! – Amor en Rojo (México);
Há Lodo no Cais – Nido de Ratas (Argentina, México e Venezuela);
Thelma & Louise – Un Final Inesperado (Venezuela).

E, assim nos rimos um bocado.

Veremos o que sairá daqui.

Aquilo que no inicio não passava de um rumor, é hoje uma verdade absoluta. A suspeita deu lugar à certeza, e confirma-se. Jonah Hill estará mesmo por detrás de uma adaptação ao grande ecrã de 21 Jump Street. Dito desta forma, acreditamos que não será grande motivo para euforias, para aqueles que ainda se recordam do programa que catapultou Johnny Depp para outros voos. Aliás, Hill é o primeiro a admitir que haja alguém que olhe para esta novidade de pé atrás. No entanto, segundo o próprio, a abordagem será totalmente diferente. Parece que a ideia é fazer uma comédia. Nada de slapstick, mas a cair para o divertimento. Não há nada melhor do que começar logo a bipolarizar opiniões. Há já quem diga que isto será desvirtuar a obra, e mais valia deixar 21 Jump Street sossegada. Outros, não só defendem o projecto, como depositam enorme confiança no argumento e produção de Jonah Hill.

Para Alvy Singer, isto é brincar um bocado com o fogo. Hill está a ter um brilhante início de carreira. Faça o que fizer daqui para a frente, Superbaldas e Um Azar do Caraças serão sempre dois títulos maiores no seu currículo. Numa altura em que o seu crédito na representação está em alta – recordemos que acabou de rejeitar um papel em Transformers 2 –, arriscar noutras áreas será um pau de dois bicos. Se as coisas correrem bem, sim senhor, é um virtuoso. Contudo, se der para o outro, talvez alguns se esqueçam de que o rapaz até é bom actor. Formular hipóteses sempre foi fácil, e suposições destas não levam a lado nenhum. A verdade é que preferia ver Jonah Hill concentrar-se mais na representação, nos próximos anos, e deixar coisas destas para mais tarde. Se Johnny Depp aceitar a parte que parece estar-lhe destinada, será bom sinal. Para reavivar a memória, aqui fica o genérico de 21 Jump Street.

Novo poster de The Happening.

Somos obrigados a concordar com o /Film. Apesar de as primeiras impressões não terem sido as melhores, mérito seja dado ao pessoal da Fox. Não será pela equipa de marketing, que o novo projecto de M. Night Shyamalan fracassará. Depois do primeiro teaser poster, e dos primeiros trailers, este novo poster continua a deixar antever um filme em grande estilo.

Photobucket

19 de maio de 2008

Australia - Trailer.

Quando chegarmos aos lugares cimeiros da lista dos mais aguardados para este ano, falaremos mais aprofundadamente deste Australia, de Baz Lurhmann. Ele estará lá bem para cima, talvez no pódio. Contudo, nada nos impedirá desde já de manifestar o enorme entusiasmo em torno deste projecto. Estamos em crer que o primeiro trailer, hoje dado a conhecer, encarregar-se-á de justificá-lo. Com a devida ponderação, é caso para dizer que se a obra funcionar como um todo, e cair no goto de crítica e público, poderemos estar perante um multi nomeado. Realização, fotografia, interpretações, guarda-roupa, banda sonora, direcção artística, por aí fora. Aqui, o difícil não é encontrar algo que desperte o interesse, mas sim o contrário.

19 - The Young Victoria.

O primeiro terço desta lista já ficou para trás. Cold Souls; Fireflies in the Garden; Crossing Over; Defiance; Apaaloosa; Happy-Go-Lucky; Synecdoche, New York; They Marched Into Sunlight; Brothers; Vicky Cristina Barcelona, e Nothing Is Private, compuseram um terço, no mínimo, convidativo. Agora, ao olharmos para os dez que se seguem, não podemos deixar de depositar enorme esperança nas obras deste ano.

Na décima nona posição, um outro título do qual ainda pouco se sabe. Chegou a falar-se de uma possível exibição como abertura do Festival de Cannes. Contudo, tal não veio a verificar-se. Por enquanto, existem rumores de uma possível estreia para inícios de Setembro. O que também será pouco provável, dado que ainda nem trailer temos. No fundo, tudo isto só contribui para aumentar a curiosidade, já de si grande, mesmo antes destes imbróglios.

Começando pelo realizador, Jean-Marc Vallée, responsável por um dos títulos mais aclamados de 2005, que ainda não tive a decência de ver, C.R.A.Z.Y., passando pelo argumentista, Julian Fellowes, vencedor de um Oscar pela magnífica escrita de Gosford Park, e terminando na protagonista, Emily Blunt, que ameaça arrebatar tudo e todos num papelão, a qualquer instante, esta é uma obra a seguir de perto. A história, como o próprio nome deixa antever, relata os primeiros anos do reinado da Rainha Vitória (Emily Blunt), coroada aos dezoito anos. Com vinte anos, casa-se com o Príncipe Albert (Rupert Friend), que, para além de marido, torna-se num valioso conselheiro político. Contudo, a felicidade da família real não dura muito tempo, e a morte súbita de Albert levará a Rainha Vitória a uma vida de reclusão, que lhe valeu o cognome de Viúva de Windsor. Para além de Emily Blunt e Rupert Friend, o elenco conta ainda com os nomes de Miranda Richardson, Jim Broadbent, e Paul Bettany.

Desumano.



Wall-E Spotted in LA! from Blink on Vimeo.

Temos tentado resistir aos inúmeros vídeos de WALL•E com que a Pixar tem bombardeado a Internet. Até agora, com sucesso. Contudo, este é impossível deixar de fora. Por duas ordens de razões. A primeira, para alertar todos aqueles com pequenotes aí por casa. Imaginando que alguém se lembra mesmo de fazer um brinquedo destes, descoberto a tempo, este é o melhor amigo que toda a criançada quererá por alturas do Natal. Não há Playstation 3, bicicleta, ou casa de bonecas que chegue aos calcanhares desta amorosa geringonça. A segunda razão, também partindo do princípio que uma coisa destas chega às lojas, prende-se precisamente com a desculpa que os mais graúdos podem utilizar, dizendo que isto é para os petizes. Porque, convenhamos, parece-nos plausível que todos, mas mesmo todos, cedam aos encantos deste robot. Aquela voz débil e aquele olhar infeliz são pior do que Kryptonite.

18 de maio de 2008

Como é bom ver uma recepção destas.

Perdoem-me a franqueza. Não estou em mim, e mais vale assumi-lo. Qualquer tentativa de articular pensamentos através da escrita, nos próximos minutos, sairá furada. Aliás, tentar o quer que seja, nos próximos minutos, tirando o sorriso de orelha a orelha, dificilmente trará algo de bom. Daí a redacção telegráfica deste post. De modo a não cometer grandes barbaridades, nada melhor do que ser sucinto.

Vicky Cristina Barcelona estreou em Cannes este fim-de-semana. Stop. Após um primeiro par de reacções mistas, a poeira assentou, e a maioria tem sido mais do que positiva. Stop. Penélope Cruz tem sido a mais aplaudida. Stop. Parece que o filme inclina-se mais para a comédia. Stop. Há mesmo quem diga tratar-se do melhor trabalho de Woody Allen desde Crimes e Escapadelas (1990). Stop. Mesmo que não venha a gostar do filme, a satisfação desta noite já ninguém me tira. Stop. Aqui ficam algumas das principais críticas sobre o filme. Stop. Isto do stop é uma enorme parvoíce. Stop.

Hollywood Reporter – "Vicky Cristina Barcelona may, for others, represent a welcome return to the neurotic, impetuous romances of his Annie Hall and Manhattan and even his Husbands and Wives periods. Not that Vicky is in the category of those Allen classics. But he is not taking himself too seriously here and he is not imposing a story on a foreign city with scant regard for its culture. Boxoffice results should follow the usual pattern with Allen's more successful comedies”.

The Independent – “It’s coffee-table cinema, to be sure, and slightly less sparkling than a good glass of Cava - but occasionally there’s the odd Woody zinger, and it all momentarily seems worthwhile. “If you don’t start undressing me soon,” Johannson’s Cristina tells Bardem, “this is going to turn into a panel discussion”.

Fox News – “The result is Allen’s funniest movie since Manhattan Murder Mystery and Bullets Over Broadway in the mid 1990s. It’s simple, straightforward and hilarious, with all the actors working at their highest levels, no one mimicking Allen’s delivery and Cruz stealing the film when she enters almost half way through the picture”.

Screen Daily – “Vicky Cristina Barcelona... is as close to consistently delightful as Allen has been able to deliver since 1994's Bullets Over Broadway. Given a dramatic boost by the vitality and charisma of Spanish superstars Javier Bardem and Penelope Cruz, this sunny romantic comedy could well be the director's biggest audience-pleaser in years”.

Variety – “Vicky Cristina Barcelona is a sexy, funny divertissement that passes as enjoyably as an idle summer's afternoon in the titular Spanish city. With Javier Barden starring as a bohemian artist involved variously with Scarlett Johansson, Penelope Cruz and Rebecca Hall, pic offers potent romantic fantasy elements for men and women and a cast that should produce the best commercial returns for a Woody Allen film since Match Point. And, in the bargain, if Barcelona wants even more visitors than it already attracts, this film will supply them".

Cinematical – “Suffice it to say that Allen has created one of his best works in years, a film that is funny, philosophical, and imaginatively explorative of the meaning of love and desire. Cruz turns in a performance that's better, even, than her Oscar-nominated turn in Volver; her Maria Elena is on-the-edge crazy, but is also very funny and engaging”.

Time – “Well, maybe not in that empyrean, but arguably in the ballpark. It's hard not to feel warmly toward Allen after VCB, his first vital movie since Match Point three years ago (we quickly throw the veil of oblivion over Scoop and Cassandra's Dream), and maybe his most engaging large-scale effort since, let's say, Crimes and Misdemeanors nearly 20 years ago. It doesn't percolate with the inventive comic situations or quotable one-liners of the films that established his meta-movie credentials, Annie Hall and Manhattan; but, like them, this one is about people whose jobs are incidental to their real vocations of falling in love and messing things up. With seven major characters, five of whom have affairs during one Spanish summer, VCB is a God's-eye view of the thesis that "only unfulfilled love can be romantic".

Deuxieme – (José Vieira Mendes) “A chuva e o mau tempo surpreenderam Cannes com um fim-de-semana bastante molhado e fresco. As starletes, ‘mulheres do outro mundo’, sempre à procura de uma oportunidade, passeavam um pouco mais tapadinhas que o costume e de guarda-chuva em punho. A propósito de belas mulheres, já que um homem ama várias, melhor é levá-las todas para sua casa. Este é o mote da nova comédia de Woody Allen, intitulada Vicky Cristina Barcelona, num regresso a velhas histórias, problemáticas do amor e geniais diálogos, num bilhete turístico-cinematográfico de Barcelona e Oviedo, interpretado magistralmente por Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz e Javier Bardem”.

Clips.

Há dias falámos dele aqui, e foi possível comprovar que este é daqueles que levará muito boa gente a pegar num marcador vermelho com uma mão, no calendário com a outra, e desenhar um belo círculo à volta do dia de estreia. Seja lá quando isso for. Por enquanto, não há data à vista. Aquilo que já se vê, e bem, são os três clips recentemente disponibilizados. Façam o favor de carregar na imagem, e sentir ao de leve, a magia de Charlie Kauffman.

Ondas de cifrões.

A propósito ainda das comparações entre os filmes que estrearam no Verão de 2007, e aqueles que chegarão este ano pela mesma altura, o New York Times tem um artigo curioso. No fundo, não passam de constatações que evidenciam a quantia arrancada nas bilheteiras por determinado título, no ano passado, para em seguida dizerem que, se o filme que estreia este ano, no mesmo fim-de-semana, quiser suplantar a receita do seu predecessor, tem de fazer mais que xis. E, o artigo não passa disto. No entanto, não deixa de ser uma análise interessante. Pessimista, mas interessante. A ideia que fica é a de que Michael Cieply não acredita que os filmes deste ano consigam superar os valores obtidos há um ano. Parece que a turma de 2008 não é tão aplicada como a de 2007. Mas, voltamos ao mesmo. Se as obras tiverem maior qualidade, quem é que quer saber das receitas? Bolas, os produtores – é isso. O pessoal que entra com o carcanhol. Se calhar até convém que os filmes se saiam bem nas bilheteiras.

No entanto, o aspecto mais interessante deste artigo, é o link para um outro artigo, também do New York Times, com as flutuações de bilheteira de todas as obras que estrearam nas salas norte-americanas desde 1986. Para quem gosta destas coisas de facturação, olhar para este gráfico pode ser um passatempo para durar um bom quarto de hora. Para quem não gosta, pode sempre procurar pela onda de Parque Jurássico (Steven Spielberg, 1993), só para ver quanto tempo é que os dinossauros se aguentaram em exibição. Longevidade é pouco.

Cleveland.

Com Cannes a decorrer, as estações de televisão norte-americanas a anunciarem as novas grelhas, e uma outra mão cheia de assuntos que ontem e hoje inundaram a Internet, este tem sido um fim-de-semana recheado de boas novas. Uma pessoa sai de casa para apanhar um bocado de ar, espairecer um pouco, e é isto. Volta a sentar-se em frente do computador, e leva com uma série de novidades. Sobre tudo e mais alguma coisa. Por isso, organização precisa-se. Numa noite que se adivinha dedicada a estas lides, há que ir por partes, e procurar não perder o fio à meada. Assim sendo, comecemos pelo regalo da estimável Fox.

Por enquanto, o título em cima da mesa, The Cleveland Show, ainda é provisório. Com este nome, até poderíamos pensar tratar-se de um programa sobre as gentes e costumes da cidade do estado de Ohio, mas não. É mesmo o primeiro spin-off da série Family Guy, escrito e produzido pelo criador desta, Seth MacFarlane, Rich Appel (Os Simpsons), e Mike Henry (Family Guy).

A primeira sinopse oficial diz-nos que, há muitos anos, Cleveland Brown (Mike Henry) era um estudante do secundário, terrivelmente apaixonado por Donna, uma colega. Para infortúnio de Cleveland, o seu amor nunca foi correspondido, e Donna acabou por casar com outro homem. Contudo, o coração de ouro de Cleveland Brown ditou que este manifestasse o seu eterno afecto. Antes de seguirem caminhos diferentes, Cleveland diz a Donna que, se algo de mal acontecesse, bastava que ela lhe telefonasse. E, um dia, o telefone toca. O marido de Donna sai de casa para ir viver com outra mulher. Cleveland, que após aquele romance fugaz entre Glen Quagmire e Lorreta, voltou a ficar disponível para o romance, nem pensa duas vezes antes de aceitar mudar-se para Stoolbend, com Cleveland Jr.. Chegado à nova casa, Cleveland depara-se com algumas surpresas, entre as quais, uma enteada provocante, um enteado de cinco anos já desperto para a sexualidade, e uns quantos vizinhos peculiares, como o casal inglês que parece ter ficado retido na era Victoriana. Isto já para não falar na família de ursos ao fundo da rua. E, ursos não são uma metáfora.

Se esta série seguir as pisadas, quer de Family Guy, quer de American Dad, ficamos com um triunvirato à maneira. Para já, as expectativas estão altas. Contudo, mesmo que a coisa não arranque com o pé direito, não é caso para alarme. Basta recordarmos os inícios hesitantes dos outros dois programas de Seth MacFarlane, para nos lembrarmos de que, por vezes, é preciso tempo para o produto amadurecer. Até mesmo, na questão das vozes. Quem ouve o Peter Griffin da primeira temporada, apesar de reconhecer imediatamente, identifica algumas diferenças entre os registos. Já agora, por falar em ouvir Peter Griffin, aqui fica um vídeo com os actores de Family Guy em acção. Mike Henry, a voz de Cleveland Brown, é aquele que diz Glenn Quagmire, you’re dead.

16 de maio de 2008

Porque hoje ainda não tinhamos tido um...

O lançamento do teaser estava anunciado para hoje, e esta malta de Hollywood tem o terrível hábito de cumprir as suas promessas. O que é chato, porque assim já não há desculpa para não postar as novidades, assim que estas surgem. O Não sabíamos, ou Mas, eles demoraram mais tempo, não pega. Os grandes estúdios apregoam para toda a gente ouvir, e depois assumem o compromisso. Isto tudo para dizer que já chegou o trailer de The Mummy 3: The Tomb of the Drangon Emperor (Rob Cohen). Os efeitos especiais parecem simpáticos. Resta saber se o resto da produção acompanhou essa parte.

Diz que é um tipo porreiro.

Photobucket

Este Verão não parece estar a criar a mesma excitação do último. Pelo menos, é essa a sensação que fica, quando lemos ou ouvimos alguém falar das obras que estão para chegar na temporada que agora se inicia. O ano passado, a grande maioria fazia questão de ver as tripletas que tardavam em estrear, como Ocean’s Thirteen, Shrek 3, Homem-Aranha 3, Os Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo. E a temporada ainda reservava títulos sonantes como Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, Transformers, Live Free or Die Hard, Evan Almighty, Harry Potter e a Ordem da Fénix, Os Simpsons, Ultimato e Ratatui.

Este ano, no que ao reino das pipocas diz respeito, aparentemente, é o regresso do Dr. Jones, Hulk versão Ed Norton, a aguardada sequela de Batman: O Início, o filme anual da Pixar, e pouco mais. Contudo, após um início auspicioso com Iron Man, este ano bem que pode ficar nos anais como aquele que ninguém dava nada por ele, e depois arrancou aplausos a meio mundo. Ao olhar para as estreias previstas até Setembro, não há um único fim-de-semana de se deitar fora. Então, aquele em que estreia Hellboy II: The Golden Army, nem se fala. Aqui fica o mais recente poster, acompanhado pelo teaser trailer.

Quando o nome não ajuda.

Alguns posts demoram mais tempo a escrever do que outros. E, contrariamente àquilo que pensava quando me iniciei nesta vida da blogosfera, nem sempre é porque tenhamos mais a dizer. Por vezes, inesperadas pedras no sapato, de tão pequenas que quase não damos por elas, atrasam a escrita. Ontem, ao redigir o texto sobre Redbelt, pude identificar claramente um destes empecilhos. Pois, por muito que goste das personalidades abaixo enumeradas, os seus nomes em nada facilitam a vida deste pobre coitado que só quer ter uns minutos de descanso enquanto escreve sobre Cinema. E, como Alvy Singer, certamente haverá milhares de cinéfilos por essa Internet fora, que volta e meia dizem Deixa lá ir ao IMDB ver se isto está bem escrito. Os dez que se seguem, são apenas alguns dos que sou obrigado a confirmar sempre pelos livros. Tantas consoantes, para tão poucas vogais. Parece que alguma coisa não está bem. Porque é que não se chamam todos Mel Gibson?

Jake Gyllenhaal, David Schwimmer, Chiwetel Ejiofor, Arnold Schwarzenegger, Herman J. e Joseph L. Mankiewicz, David Strathairn, Shohreh Aghdashloo, Andrzej Wajda e Krzysztof Kieslowski. A cereja no topo do bolo é este actor de Fitzcarraldo (Werner Herzog, 1982), que conta apenas com mais um trabalho em toda a sua carreira. Talvez o nome não tenha contribuido para o salto: Huerequeque Enrique Bohorquez.