27 de junho de 2008

Mais Kung Fu.

A seu tempo, falaremos aqui de Kung Fu Panda. No entanto, porque esta semana tive oportunidade de assistir a um visionamento da mais recente animação dos estúdios Dreamworks, mais vale deixar desde já o aviso de que vem aí um sério candidato à nomeação para os Oscares – que não deverá depois ser concretizada em triunfo, ou não estivesse WALL•E já a bombardear tudo o que é jornal, revista, site, e blog com os seus aplausos estrondosos. Agora, para além deste alerta, que terá a mesma validade do que a opinião de Dustin Hoffman sobre o arroz agulha, parece-nos importante falar da sequela que parece já estar a ser preparada. Diz o TAGBlog:

Every building of the DW campus is bursting with activity. Monsters and Aliens, Shrek, Madagascar Deux, and on and on. DreamWorks' Lakeside Building is getting enlarged, and the administrative staff is gone from the upper floors. But down on the lower levels, artists are working. A story crew has started early work in Kung Fu Panda, the Sequel, even while animators are hand-drawing new material for the DVD of Kung Fu Panda, the original”.

O problema destas sequelas é quando gostamos do original. O que, na grande maioria dos casos, é o que acontece. Caso contrário, não haveria sequela. E, é um problema porque receamos que o que venha a seguir não esteja à altura. No entanto, em Kung Fu Panda, parece mesmo existir material para desenvolvimento. Assim como existia, por exemplo, em Ice Age. Nisto, basta pormo-nos na pele do estúdio. Pesando os prós e os contras, o pior que pode acontecer é a taxa de natalidade continuar a descer, e haver menos crianças para ver a sequela lá para 2011 ou 2012. Mais milhão, menos milhão, se o original foi bom, e um autêntico blockbuster, o risco será sempre reduzido. Agora, convém sempre procurar honrar aquilo que está na origem. Se isso não acontecer, aí temos o caldo entornado.

O Incrível Hulk.

A ideia era chegar aqui, e dissertar afincadamente sobre O Incrível Hulk. No entanto, tal não será possível. Pelo menos, não da forma habitual. Mesmo não gostando do filme, o ideal é sair da sala sempre com uma ideia formada. Chegados cá fora, por muito indecisos que estejamos relativamente a um ou outro desempenho, ou a uma ou outra passagem, normalmente, já somos capazes de afiançar thumbs up ou thumbs down. Não é saudável chegar ao fim da película e achar que aquilo não é suficiente para formar uma opinião. Mesmo que má. Porém, foi exactamente isto que aconteceu com o mais recente filme de Edward Norton. Quase dois dias depois, continuo sem saber se gostei ou não. Talvez isto tenha sido mais ou menos aquilo que Fernando Pessoa sentiu, quando um golo de Coca-Cola passou-lhe pela primeira vez no estreito. De qualquer forma, e isso é a parte pior, ainda não cheguei à fase do entranha-se. Hoje, O Incrível Hulk continua a apresentar-se como uma fita estranha. Como se um véu percorresse a obra, e escondesse tudo aquilo que vai para além das aparências. Até prova em contrário, o filme afigura-se como um enorme hábito, feito de sombras e silhuetas, onde nada é posto a descoberto.

Uma coisa é redefinir fórmulas e inovar. Outra, completamente diferente, é pegar em diferentes modelos, e conglomerá-los num único filme, a ver se pega. O problema de Hulk é que isso nem sempre acontece. Se o objectivo era fazer um filme de aventura, podemos dizer que, em parte, o mesmo foi atingido. No entanto, também podemos dizer que Louis Leterrier esteve perto de fazer um drama, um filme de acção, ou até mesmo um romance mal dissimulado. No final, se calhar até nos sentimos tentados a felicitar o argumento de Zak Penn. No entanto, para sempre ficará a dúvida de se o filme não teria mais a ganhar se tivesse optado por abrir menos portas. Pretendendo não projectar falhas pessoais em terceiros, não culpabilizarei a divagação do filme pela indecisão relativamente à sua qualidade. Mas, convenhamos que é chato começar a sentir que a adrenalina vai subir, para logo em seguida a narrativa amainar e vermos Liv Tyler com um pijama e toalhas na mão para Bruce Banner, a quem diz, antes de dormir, Espero que consigas descansar. Tendo o título a palavra incrível, talvez a expectativa criada em torno do filme não tenha sido a mais correcta.

De realmente incrível, existem duas coisas. Os efeitos especiais, e o cameo no final. Se os primeiros ajudam a trazer alguma autenticidade que falta em muitas obras do género, o último é uma verdadeira lufada de ar fresco numa história demasiado negra, sem pingo de humor. O olhar de Banner é sempre pesado, não dando o mínimo espaço para o relaxamento. Todo um mal-estar que passa para o lado de cá. Nem no mais intenso dos Hitchcock se vive esta tenção. Bem, com isto tudo, até parece que estamos a chegar a uma conclusão mais negativa. Quem sabe? Acima de tudo, esperava-se outra coisa. Melhor ou pior, só o tempo o dirá. No entanto, uma coisa é certa. Poucos filmes acabam com a agilidade deste. Quando estávamos prontos para outra, é que o carrossel acaba.

25 de junho de 2008

Principio, meio e fim.

Hoje iniciei uma discussão deveras interessante com o meu botão de cima – aquele que, já dizia o outro, pode arruinar qualquer camisa. A coisa aqueceu de tal maneira, que o botão do meio achou por bem intervir. Cada um com a sua opinião, ainda não chegámos a um consenso. Por este andar, o melhor é ir dormir e amanhã logo se vê. No entanto, achámos por bem partilhar o nosso dilema. Cenário: Estamos em casa e preparamo-nos para ver um filme, que nunca vimos, e que já vem anunciado na programação há uma semana. Este é daqueles tão bons, que nem acreditamos que o primeiro visionamento será através da televisão. Com a excitação, nem o pomos a gravar. São nove da noite. O filme tem duas horas. Se, durante esses 120 minutos, existisse um corte de electricidade de 10 minutos, em que altura do filme é que ficariam, vamos lá, mais maçados? No inicio, das 21 às 21:10? A meio, das 21:55 às 22:05? Ou, no final, das 22:50 às 23? Se existir uma justificação, melhor ainda. Alguém que faça ver aos botões que é no início.

Qual é o Filme?

Photobucket

Porque o João Bizarro tem razão – He Got Game não é o filme em questão –, e a dúvida não deve persistir, aqui vai uma pista: O filme ganhou cinco Oscares.

3 - Frost/Nixon.

Chegados que estamos pódio, apercebemo-nos da tremenda dificuldade que foi escolher os trinta filmes mais aguardados do ano, e ainda partir para uma ordenação que tem por base a gradação de ansiedade. Fosse isto um processo aleatório, e talvez se poupasse um cabelo branco ou outro. Mas, não. Assim tem mais piada. Até porque o exteriorizar estas expectativas acaba por ter um efeito terapêutico. Guardar toda esta ânsia não deve fazer bem à saúde.

Posto isto, na terceira posição, encontramos um título como nenhum outro. Até agora, todas as expectativas em torno das obras tinham um cariz positivo. Nesta, não é bem assim. Para além de estarmos em pulgas para saber se o filme é realmente bom, existe também uma certa curiosidade em saber se isto não dará para o torto. Porque o Yin não existe sem o Yang, isto até poderá parecer conversa da treta. No entanto, indo directamente ao cerne da questão, algo nos diz que este poderá ser o grande flop na corrida aos galardões. Suposições que não passam de um tiro no escuro. Contudo, todos os anos têm o seu Dreamgirls. Este ano, porque Ron Howard está aos comandos de Frost/Nixon, apostamos neste projecto. Porém, se a História se repetir, como parece seu apanágio, Howard, como bom aluno, seguirá os cânones da Academia, e realizará um filme feito à medida da consagração no Kodak Theater. Baseado na peça sobre as entrevistas do jornalista britânico David Frost ao ex-presidente norte-americano Richard Nixon, Frost/Nixon aparenta ter todos os elementos necessários para um regresso em grande do cineasta. Peter Morgan (A Rainha), que também escreveu a peça, ficou encarregue da adaptação do argumento. Do elenco notável, fazem parte Kevin Bacon, Sam Rockwell, Rebecca Hall, Matthew Macfadyen, e Michael Sheen. Porém, será a interpretação de Frank Langella, vencedor do Tony Award de Melhor Actor de 2007, como Richard Nixon, aquela que mais impacto terá. Se pensarmos que Martin Scorsese, Mike Nichols, George Clooney, Sam Mendes e Bennett Miller estiveram, a determinada altura, interessados neste trabalho, é porque o ponto de partida já devia ter qualquer coisa de entusiasmante.

24 de junho de 2008

The Reader, as primeiras imagens.

Photobucket

A fotografia é de Kate Winslet. A obra em questão, The Reader, o 12º na lista dos mais aguardados para este ano. No filme, Winslet será Anna Schmitz, uma guarda iletrada do campo de concentração de Auschwitz. Claramente, os primeiros passos para uma provável sexta nomeação. O Just Jared tem mais fotografias no set de rodagem.

O mundo subjectivo da tradução.

Por cá, o filme tem estreia marcada para 31 de Julho. Até lá, teremos tempo de sobra para antecipações e dissertações. Contar as participações de Anna Faris e John Krasinski, e ter passado com moderada distinção por Sundance, faz desta obra, uma das mais aguardadas da temporada. No entanto, por agora, fiquemos com a tradução do título, e reflictamos. Marijuana, Meu Amor. Isso mesmo. Para que não restem dúvidas, o original é Smiley Face. Em português, Marijuana, Meu Amor. Não fosse o levantar falsas suspeitas, e até seria capaz de apostar quem é que anda a fumar isto em demasia.

Interrogações.

Nunca fiz Bungee Jumping. Contudo, quando olho para determinados filmes, sinto que o frio na barriga deve ser parecido. Lá em cima, antes do salto, um misto de curiosidade e receio. A enorme vontade de pular para o vazio, aliada à incerteza da fiabilidade do elástico. Com algumas películas, antes da estreia, é mais ou menos isto que acontece. O enorme desejo de entrar na sala, misturado com as dúvidas relativamente às capacidades dos intervenientes. Se existe filme deste ano, pelo qual espero ansiosamente, mas que ao mesmo tempo, não sei bem se quero que chegue, é este.

É certo que os nomes de Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates e John Cleese, serenam as águas. Já os do realizador Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose), e do argumentista David Scarpa, nem tanto. Estamos a falar do remake de um clássico com todas as letras. Uma das mais belas páginas na História da sétima arte. Hoje, ao ver este poster, não pude deixar de sorrir. Para, logo de seguida questionar, E se…?

A Rádio e os Anos 50.

Tudo o que seja década de 40, mais a atirar para o final, e inicio dos fifties, tende a cair no goto de Alvy Singer. Salvo raras excepções, estamos a falar do mais puro período do pós-guerra. No entanto, mesmo que a obra verse sobre os dias que antecederam a II Guerra Mundial, normalmente, isso não constitui problema. O importante é que a aura da época esteja lá. Então, se a acção do filme se passar no apogeu dos anos 50, muito provavelmente não será preciso a narrativa se preocupar com lógicas, nem os actores em fazer um trabalho credível. Desde que o director artístico acerte o passo, o olhar embasbacado para os cenários encarregar-se-á de fazer esquecer um filme menos bom. No entanto, como cinéfilo constantemente em busca de certificação, é necessário deixar de lado estes caprichos, e procurar avaliar a obra no seu todo. Tarefa complicada, sempre que passa um Buick azul, sempre que alguém saca um pente do bolso da camisa, ou sempre que alguma mulher bonita com o cabelo mais longo é confundida com Rita Hayworth, por aí adiante.

Vários são os títulos deste tempo, ou que reportam ao mesmo, que compõem um dos grupos mais querido desta cinéfilia. Bem vistas as coisas, um filme contemporâneo que retrate a época é capaz de ser ainda mais atraente. Não só pela qualidade da imagem, mas também pela caricatura inerente. Algo que, na altura, não seria tanto assim. Era apenas o ver hábitos e costumes no grande ecrã.

Hoje, dois títulos são recordados com saudade. Estivesse algum deles nestas estantes atrás de mim, e esta noite era certo e sabido. A sorte destes safados é que ainda não lhes deitei a mão. Não há-de faltar muito. O primeiro, Esta Loira Mata-me (Jerry Rees, 1992), o filme que funcionou como Cupido de Kim Basinger e Alec Baldwin. O segundo, Os Dias da Rádio (Woody Allen, 1987), provavelmente aquele que mais merecerá estar ao lado de Annie Hall, Manhattan, e Ana e as Suas Irmãs. Duas películas que, tirando a tal etiqueta dos forties e fifties, pouco ou nada têm em comum. No entanto, o estilo, esse, faz toda a diferença. Assim como as músicas de Glenn Miller, Cole Porter e Billie Holiday. As mesmas histórias, com os mesmos contornos, situadas em 1979, não teriam metade da piada. A par destes dois, estou agora a ver Os Condenados de Shawshank, L.A. Confidential, Regresso ao Futuro II, Boa Noite e Boa Sorte, Conta Comigo, e tantos, tantos outros. Agora, dissecando o inconsciente, e procurando escrutinar as razões por detrás destas saudades, creio que isto será culpa de Steven Spielberg. Muita gente se perguntou sobre o interesse daquela primeira cena, em que um grupo de jovens decide espicaçar a coluna de camiões. Mas, será que alguém olhou para os penteados e vestuário dos irresponsáveis? Já para não falar da relíquia que era aquele carro. O objectivo era apenas o de contextualizar. E, logo aí, fiquei agarrado. No entanto, já agora, aqui fica uma memorável cena de Os Dias da Rádio.

4 - The Curious Case of Benjamin Button.

Por esta altura do campeonato, já quase tudo o que havia a dizer sobre The Curious Case of Benjamin Button, foi dito. Inclusive sobre o trailer (agora disponível também no site da Apple), que já está cá fora. Assim, quando Junho ainda nem sequer disser adeus, só nos resta esperar por Dezembro, altura em que o filme chega às salas norte-americanas, para ver a reacção. Se quisermos ser mesmo negativistas, e não importarmo-nos com opiniões de terceiros, então só nos resta fazer figas, e esperar que este não seja daqueles que vêm atrelados aos Oscares, lá para finais de Fevereiro.

Baseado na história de F. Scott Ftizgerald sobre um homem que nasce velho e, contrariamente à ordem natural das coisas, rejuvenesce à medida que o tempo passa, este é daqueles títulos com um rótulo Prioritário bem estampado na bobine. Realizado por David Fincher, um dos poucos que ainda pode orgulhar-se de todas as obras que assinou, este promete, para já, ser o mais surreal dos de 2008. Se a premissa já profetizava um trabalho invulgar, as primeiras imagens confirmam o conceito desafiador para os mais cépticos. Este parece ser daqueles que nos leva mesmo para um outro mundo. O argumentista Eric Roth (Forrest Gump, O Informador e Munique) é o homem indicado para este tipo de tarefas. Quanto ao naipe de actores, nada a dizer. Tilda Swinton, Cate Blanchett, Julia Ormond, Elias Koteas, e um Brad Pitt que ameaçou seriamente a Academia o ano passado, com o seu brilhante Jesse James. Se as expectativas se confirmarem, a nomeação será uma certeza, e o que vier por arrasto será bem-vindo.

A derradeira tentativa.

Ainda hoje, não consigo olhar para The New World (2006) com o mesmo brilho nos olhos que muito cinéfilo espalhado por esse mundo fora. Apesar de não ser um daqueles que divide radicalmente opiniões, com respostas diametralmente opostas, o último filme de Terrence Malick continua a ser apelidado de obra-prima e clássico instantâneo, por uns, e entretenimento satisfatório a roçar o bocejo, por outros tantos. Infelizmente, estou mais inclinado para este último grupo. Confesso, as expectativas para este filme, eram mais que muitas. Astronómicas é a palavra mais semelhante que me ocorre, contudo, mesmo assim, peca por defeito. Durante o visionamento, vários foram os momentos em que pensei sentir aquele formigueiro que nos visita sem qualquer notificação, quando estamos na presença de um filme que nos agita. Provavelmente, não passaria de uma comichão mal disfarçada. Ao mesmo tempo, durante o filme, por diversas vezes pretendi mergulhar no mesmo, e deixar-me levar por tudo aquilo que parecia mais apelativo. No entanto, a barreira entre o real e a ficção permaneceu sempre visível. Assim que o filme terminou, achei que, com o tempo, com o assentar das ideias, veria que tinha tido o privilégio de assistir a um título intemporal de Terrence Malick. Ainda hoje, é isso que desejo. Se houve filme do qual quis gostar, e muito, foi este. Aliás, este é um desejo que se mantém. Porque, no caso de Malick, não basta achar que o filme é bom. Se alguém diz que está ali uma obra-prima, e nós não vemos, sentimos que algo está errado connosco. Ou precisamos de óculos, ou estamos a passar ao lado de um acontecimento cinematográfico. Como a primeira hipótese já está preenchida, só resta a segunda. Continuando a resistir à ideia de que não gostei tanto quanto desejaria, do único filme de Terrence Malick que vi no grande ecrã, foi com um enorme sorriso que recebi esta boa nova. Quem sabe se um Extended Cut com mais 30 minutos não fará toda a diferença? A 14 de Outubro, teremos a resposta.

23 de junho de 2008

Eles têm razão. É fugir enquanto há tempo.

Já sabíamos que daqui, não havia de vir coisa boa. Os argumentistas e realizadores Jason Friedberg e Aaron Seltzer, a dupla por detrás de Date Movie (2006), Epic Movie (2007) e Uns Espartanos do Pior (2008), voltam à carga, desta feita com Disaster Movie. Como é habitual nestes casos, o material de propaganda excede em muito aquilo que posteriormente nos é oferecido na sala de cinema. Quem é que falou em juízos a priori? No caso de Disaster Movie, o nosso caro Knoxville já desmontou exemplarmente os três primeiros teaser posteres. E, podemos mesmo dizer que, ao terceiro poster promocional, a dupla descansou. Para não mais se encontrar, muito provavelmente. Se este quarto já nos deixa algo insatisfeitos, por não atingir os níveis de excelência dos seus predecessores, o que dizer do trailer? Quando um cartão-de-visita como este, com toda a importância que um trailer tem, começa com uma vaca a cair do céu, está tudo dito. Segundo a Lionsgate, este é o plot, ou o que de mais parecido há com ele, da obra: “The movie follows the comic misadventures of a group of ridiculously attractive twenty-somethings during one fateful night as they try to make their way to safety while every known natural disaster and catastrophic event - asteroids, twisters, earthquakes, the works – hits the city and their path as they try to solve a series of mysteries to end the rampant destruction”. Em relação a isto, nada temos a apontar. Excepto ali ao recurso do vocábulo comic para adjectivar as aventuras em questão. Ou muito me engano, ou ficaria ali bem melhor um sentimento oposto do espectro emocional.

George Carlin.

Amante devoto do neuroticismo de Woody Allen, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que entrasse por esta casa adentro. Admirador confesso das observações perspicazes de Jerry Seinfeld sobre o quotidiano, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que dissertasse, nesta casa, sobre tudo e mais alguma coisa. Entusiasta da gesticulação e palavreado arrojado de Richard Pryor, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que entrasse por esta casa adentro a ofender tudo aquilo que mexesse. Apaixonado pela irreverência e originalidade de Eddie Murphy, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que irrompesse por esta casa a falar de coisas sérias como se o mundo acabasse amanhã. Ao mesmo tempo, adepto da ordem e distinção de Chris Rock, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que entrasse por esta casa como um qualquer tutor helénico. No fundo, tudo não passou de uma grande ironia. Quis o destino que descobrisse por último, aquele que, provavelmente, encerrava em si o talento dos maiores stand-up comedians de todos os tempos. Bill Hicks, Lenny Bruce, Bill Cosby, por aí fora. Uma coisa é certa, o mundo do stand-up comedy nunca mais foi o mesmo, desde que George Carlin por lá passou. Aliás, até certo ponto, quase que é legitimo perguntar se existia stand-up antes de Carlin. Nomeado para cinco Emmys, este é o homem que desafiou todas as barreiras, e que, em meados da década de 70, chegou a ir ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos defender o seu material. O direito à piada, por assim dizer. Seven Words, o centro da polémica, é o clip abaixo que ilustra este post. George Carlin é daqueles que pede poucas palavras na despedida. Aliás, a melhor maneira de dizer-lhe adeus, é a rir a bandeiras despregadas. Por isso, se me dão licença, vou ali rever umas quantas passagens de Jammin in New York City, e volto já.

Novos membros da AMPAS.

O Awards Daily dá a conhecer a lista completa dos novos membros da Academia de Hollywood. Provenientes das mais diversas áreas, 137 personalidades ligadas ao Cinema foram convidadas a integrar a prestigiada AMPAS, um grupo que, entre outras coisas, é responsável por decidir quem leva os Oscares para casa. Em relação aos eleitos deste ano, não podemos deixar de nos congratular com a inclusão de Josh Brolin, Allison Janney, Walter Salles, Dylan Tychenor, e Judd Apatow. No entanto, também não podemos deixar de sentir um forte ímpeto de dar uma valente lambada a quem decide estas coisas, quando vemos que, só agora, entrou gente como Michael Haneke, Ruby Dee, Michael Giacchino e Jean-Claude Carrierè. Para não ir mais longe, como é que é possível que Jean-Claude Carrierè tenha sido convidado no mesmo ano de Sacha Baron Cohen? Não é assim tão difícil nivelar o fio-de-prumo.

Existencialismo.

Com estreia marcada só lá para meados de 2010, muita água está ainda por passar debaixo da ponte, antes da chegada de The Smurfs, esse marco, criado pelo belga Peyo, para toda uma geração encantada com uns bonecos azuis, na maioria das vezes com um chapéu branco enfiado até às orelhas. A tanto tempo da estreia do filme realizado por Colin Brady (Everyone’s Hero), pouco ou nada há a dizer sobre o mesmo. Por enquanto, nem sequer os nomes de John Lithgow e Julia Sweeney estão confirmados. Quanto à animação, sabe-se, para já, que será 3D. No entanto, dois aspectos há a destacar esta semana sobre o projecto. A saber, o primeiro, o tratamento que a obra recebeu na passada quarta-feira no Colbert Report. O segundo, o animado fórum do IMDB, onde uma dúvida pertinente assalta grande parte dos visitantes: Como se reproduzem os Smurfs? Algumas teorias parecem ter vindo a ganhar fiéis seguidores. Para quem já viu o filme, parece que Donnie Darko tem a chave do enigma. Outras duas boas soluções são a Lua Azul e o inevitável smexo.

Mudam-se os tempos...

Aquela velha máxima de Nós só damos ao público aquilo que este pretende, parece não fazer tanto sentido nos dias que correm. Porque, das duas, uma. Ou o público mudou radicalmente de gostos, ou o pessoal responsável pelas dobragens não deixa mesmo escapar uma, criando um cenário tal que, nos dias de hoje, um filme com o rótulo Disney não consegue escapar a uma versão dobrada. É certo e sabido que As Crónicas de Nárnia de C. S. Lewis são uma das sagas de maior sucesso da literatura infanto-juvenil. Contudo, sê-lo-á assim tanto, ao ponto de justificar uma dobragem nas nossas salas? Que a versão dobrada permite o visionamento da pequenada que ainda não consegue acompanhar as legendas, e que os estúdios podem assim cortar uma fatia maior do bolo, já sabemos. No entanto, não será segredo para ninguém que isto também diminuirá o número de salas com a versão original, mais interessante para todo e qualquer cinéfilo com mais de nove anos. Se quisermos ir mais longe, quem sabe se isto não se traduzirá também num facilitismo pouco ou nada pedagógico para a criançada, a quem um bom par de legendas para exercitar a leitura não fazia mal nenhum? Depois, passado uns anos, vêm dizer que os exames de Quimica e Matemática são demasiado fáceis. Pudera, com benesses destas, desde tenra idade, a Português.

5 - Doubt.

A relação de John Patrick Shanley com o Cinema tem sido mais proveitosa no capítulo da escrita. Entre outros, Shanley foi o escrivão do maravilhoso argumento de O Feitiço da Lua (1987), bem como do agradável Estamos Vivos (1993). Como realizador, no seu currículo, conta apenas com Joe Contra o Vulcão (1990), obra que que também escreveu e que marcou o inicio da parelha Tom Hanks/Meg Ryan. Agora, em 2008, John Patrick Shanley pode vir a conhecer a luz dos mais poderosos holofotes de Hollywood. Com quatro Tony Awards, incluindo Melhor Peça, Melhor Encenador e Melhor Actriz, Doubt será adaptada ao grande ecrã pela mão do mesmo homem que escreveu a peça e a levou aos palcos da Broadway: John Patrick Shanley. O filme relata os acontecimentos vividos num Liceu Católico do Bronx, quando a Irmã Aloysius (Meryl Streep) acusa um padre popular (Philip Seymour Hoffman) de pedofilia. No meio destas incriminações, uma jovem freira cresce desesperada. Um drama que se espera intenso, e com interpretações sólidas, como a Academia tanto gosta.

Para além das expectativas resultantes da obra que serve de base a este filme, o elenco também ajuda à festa. Meryl Streep, que poderá muito bem depositar aqui fortes esperanças em mais uma nomeação, Philip Seymour Hoffman, que joga outra forte cartada depois de Synecdoque, New York, Amy Adams, em busca do reconhecimento definitivo, e Viola Lewis, que poderá ser a surpresa do ano (ela que também aparecerá em Nights in Rodanthe), contribuem e muito para a curiosidade em torno desta obra. Assim como o director de fotografia, nada mais, nada menos do que Roger Deakins, esse colosso responsável pela belíssima imagem de O Assassinato de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, nomeado para sete Oscares, e que nunca ganhou. Até o produtor, Scott Rudin, provoca alvoroço, ou não estivesse ele por detrás de obras como The Truman Show (1998), As Horas (2002), Diário de Um Escândalo (2006), e Este País Não É Para Velhos (2007). Sim, este era aquele homem ao lado dos Coen. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 10 de Outubro.

A Descoberta do Dia.

Duck Amuck (Chuck Jones, 1953). Apesar de não ter tido direito a Oscar, este será um dos melhores trabalhos, senão o melhor, da dupla Chuck Jones/Michael Maltese. O final, esse, desarma qualquer um.

22 de junho de 2008

Erros em duplicado.

Qual masmorra que a todos alicia, mas onde ninguém quer ir parar, os erros, vulgo goofs, constituem aquele assunto que todos receamos. Porque nunca sabemos o dia de amanhã, e a possibilidade de virmos a ser cineastas de renome é bem real, mais vale não cuspir para o ar. Aliás, em abono da verdade, deverei dizer que não sou um entusiasta deste tenebroso território. No entanto, há quem faça disto um desporto, levando-o mesmo muito a peito. Em alguns filmes, o erro posto a nu é tão minúsculo, que somos obrigados a concluir que isto é pessoal que vai de bata e microscópio para a sala de cinema. Isto é malta à cata do erro. Certamente que o nível de atenção de cada espectador é diferente, contudo, alguns preciosismos só devem ser descobertos após uma boa dúzia de visionamentos. O pior de tudo é quando aquilo que podia ser um simples apontamento transforma-se na ridicularização de um filme. Agora, estes famosos goofs, sobrevalorizados na maioria das vezes, quando vistos com alguma moderação, podem de facto levar-nos a algumas gargalhadas. É o que acontece neste caso.

Antes de mais, convém dizer que este é um dos meus de eleição. Beleza Americana (Sam Mendes, 1999), é daqueles em que o título está mesmo a dizer. Beleza e Americana. Um dos melhores argumentos de sempre, uma exímia realização, e um elenco de primeiríssima água. O resto é História, e para muitos um caso gritante de sorte de principiante para Mendes. Seja como for, este é um filme igual a tantos outros. Com erros e tudo. E, o que faz deste erro – no qual nunca tinha reparado até ter visto este vídeo no Youtube – tão especial, é o facto de ocorrer por mais de uma vez e deliberadamente. Isto é, a falha acontece repetidamente entre planos, e tem origem na colocação ou remoção, depende do ponto de vista, de objectos. Já basta aquilo que foge ao controlo da equipa de rodagem. Agora, provocar o erro, e insistir no mesmo, isso é traz piada à coisa. Vejamos, então, os quatro momentos.

Chris Cooper e Allison Janney, com objectos em cima da televisão.

Photobucket

Chris Cooper e Allison Janney, sem objectos em cima da televisão.

Photobucket

Chris Cooper, Allison Janney e Wes Bentley, com objectos em cima da televisão.

Photobucket

Chris Cooper, Allison Janney e Wes Bentley, sem objectos em cima da televisão.

Photobucket

No rasto de LaPaglia.

Muitos são aqueles que hoje imediatamente reconhecem Anthony LaPaglia como o agente do FBI de Sem Rasto, Jack Malone. Contrariamente à grande maioria das séries de sucesso, esta é uma daquelas que tem vindo a conquistar o seu espaço. Sem grandes euforias e recebida com pouco alarido, Sem Rasto tem ganho fiéis seguidores a cada temporada. E, merecidamente, diga-se. A próxima, a sétima, já começou inclusive a ser filmada. Ao fim de muitos anos, numa carreira pautada por demasiados altos e baixos, LaPaglia lá chegou a um palco à medida do seu talento. No entanto, aqueles que recordam os primeiros passos de LaPaglia, talvez concordarão se dissermos que este não era, à partida, o mais provável dos destinos. Ainda hoje, quando penso neste actor, aquilo que recordo mais facilmente é Betsy’s Wedding (1990), esse pequeno tesouro orquestrado por Alan Alda.

Alda, um dos nomes maiores da representação, lembrou-se um dia de pegar no casamento da sua filha, e escrever o argumento de um belíssimo filme que o próprio realizaria. A obra, rocambolesca como tudo, relata-nos as peripécias por detrás de um matrimónio entre dois jovens provenientes de famílias algo diferentes, sobretudo em questões monetárias. De um lado, a neurótica família de Betsy Hooper (Molly Ringwald). Do outro, a pacata e abastada família de Jake Lovell (Dylan Walsh). No centro da trama está Eddie Hooper (Alan Alda) demasiado preocupado, obcecado mesmo, em fazer boa figura. A vontade de arranjar dinheiro para a cerimónia é tanta, que Eddie não tem qualquer problema em recorrer a quem viola a lei com a mesma facilidade com que muda de roupa interior. E, se Joe Pesci costuma tratar esse tipo de papéis por tu, foi um jovem de seu nome Anthony LaPaglia que mais deu nas vistas, com a chegada deste filme. Este é daqueles títulos que a História do Cinema se encarregou de guardar numa estante demasiado alta e poeirenta. Este é daqueles em que temos de ir buscar uma cadeira, arranjar um lenço para colocar à volta do nariz, e andar para ali a remexer até o encontrar. O mesmo é dizer, descobri-lo nas lojas não é tarefa fácil. Ainda assim, vale a pena. Assim como vale a pena procurar o Samuel L. Jackson taxista, perdido lá para o meio do filme. Se este post tem algum propósito, é o de levar o bom fã de LaPaglia que pouco conhece sobre as suas origens, até este filme. Hoje, LaPaglia será quase o mais fofo dos agentes do FBI que o pequeno ecrã já nos deu. Sereno, eficaz e humanitário, o Jack Malone de Sem Rasto é o polícia de sucesso que todos gostaríamos de ser, mas com menos barriga. No entanto, back in the day, LaPaglia era um tipo esguio, que até vestia bem um fato de treino à mafioso. No caso de Betsy’s Wedding, até como mau da fita o homem mostra ter bom coração. É difícil não gostar deste actor. Que a série se mantenha por muitos e longos anos e que, depois dela, o sucesso prossiga.