Em princípio, só no próximo fim-de-semana é que será possível ver o incrível Hulk em acção. No entanto, parece-nos importante destacar aqui este fenómeno, cada vez mais em voga nos nossos dias, que dá pelo nome de Se - o - filme - tiver- relativo - sucesso - no - primeiro - fim-de-semana - fala-se - logo - em - sequela. Desta feita, estávamos ainda no primeiro dia de exibição, os indícios já começavam a ser bons, sim senhor, quando dois dos actores vieram para a praça pública, mais propriamente a MTV News, dizer que a Marvel e os produtores os tinham contratado para três filmes. O curioso é que, cada um o fez, puxando a brasa à sua sardinha. Por um lado, Tim Blake Nelson, que desempenha o papel de Samuel Sterns, esperançoso com a ideia de vir a encarnar The Leader. Por outro lado, Ty Burrell, que interpreta a personagem de Dr. Leonard Samson, à espera de vir a sofrer as consequências de uma exposição a raios gama, e tornar-se num tipo com super poderes. Segundo o realizador Louis Leterrier, Nelson é capaz de ter mais hipóteses. Se calhar, Burrell terá de esperar pelo terceiro capítulo.
17 de junho de 2008
Harvey Dent aka Two Face.
A par de WALL•E, The Dark Knight será provavelmente o título mais aguardado, do qual menos falamos neste espaço, há já algum tempo. Como se bloqueássemos as noticias que por aí circulam sobre a película de Christopher Nolan. Talvez por ser tão fácil gostar à partida desta obra, depois de tudo aquilo que já vimos, existe um certo receio de estragar a experiência que será ver este filme. No entanto, após tanto marketing viral, e já depois do trailer oficial, fomos finalmente presenteados com o primeiro clip do filme. Um simples Hello de Two Face (Aaron Eckhart), e todo um frio que percorre a espinha. Contudo, em abono da verdade, com clip ou sem ele, hoje, a fotografia acima faria sempre parte deste espaço. Até agora, a melhor imagem de The Dark Knight. Simplesmente deslumbrante.
Vicky Cristina Barcelona - O Poster.
O filme é de Woody Allen. No elenco, encontramos os nomes de Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Patricia Clarkson e Rebecca Hall. As primeiras reacções, em Cannes, foram as melhores. Elogios e aplausos para argumento e Penélope. Resultado, The Weinstein Company pegou na obra, e abandonou os planos de uma distribuição limitada. Por tudo isto, a expectativa em torno deste título dificilmente poderia ser maior. Era escusado, por isso, que este poster fosse tão atraente.
Poucos anjos, mais demónios.
A Newsweek dá conta dos primeiros obstáculos na produção de Anjos e Demónios, o próximo filme de Ron Howard e Tom Hanks baseado numa obra de Dan Brown. Parece que duas das graciosas igrejas de Roma – Santa Maria del Popolo e Santa Maria della Vittoria, duas das mais conhecidas, e que incluem quadros de Caravaggio, esculturas de Bernini e uma capela desenhada por Rafael –, onde a equipa pretendia rodar parte da história, ficarão de portas fechadas. Tudo porque, nas palavras de Monsignor Marco Fibbi, porta-voz da diocese de Roma, “[the movie] does not conform to our views”. Segundo a diocese “It's a film that treats religious issues in a way that contrasts with common religious sentiment”. E, ao permitir a rodagem nos espaços pretendidos, “We would be helping them create a work that might well be beautiful but that does not conform to our views”. Discussões sobre consentimentos e restrições à parte, não deixa de ser admirável a forma como as obras de Dan Brown recebem todo o tipo de publicidade gratuita. Mas, agora que penso nisso, este post acaba por fazer exactamente o mesmo. Bolas, da próxima vez já não digo nada.
Stan Winston.
Muitos foram os filmes em que Deus quis, o homem sonhou, e Stan Winston criou. Vencedor de quatro Oscares, um por Aliens, outro por Parque Jurássico, e dois por Exterminador Implacável 2: Dia do Julgamento Final, Winston ficará para sempre ligado à História do Cinema, no qual contribuiu, como poucos, para o desenvolvimento de áreas como os efeitos especiais e caracterização. Para além dos quatro Oscares (para os quais foi nomeado nove vezes), constavam ainda do seu currículo três BAFTAS e dois Emmys. O espelho de uma carreira preenchida por títulos como Eduardo Mãos de Tesoura, Veio do Outro Mundo, AI, Entrevista Com o Vampiro, Batman Regressa, Big Fish, O Perdador e Galaxy Quest. O seu último trabalho no grande ecrã, Iron Man. Qual visionário sempre a desafiar os limites do possível, Winston foi responsável pelo nascimento de inúmeras personagens que, até então, apenas habitavam na mente dos cineastas. No Passeio da Fama, em Hollywood, foi o segundo director de efeitos especiais a receber uma estrela. O nosso caro Knoxville é que tem razão, “Stan Winston pode ser um nome desconhecido para uma vasta maioria de cinéfilos de todo o mundo. O seu trabalho, porém, não o é”. Muito antes de conhecermos o seu nome, já nós tínhamos proferido carradas de Wows com as suas criações. Winston faleceu este Domingo, aos 62 anos.
8 - Body of Lies.
Reza a lenda que, no primeiro dia de filmagens, a equipa se dividiu em dois grupos: aqueles que já ganharam um Oscar, e aqueles que ainda não ganharam. Assim, de um lado, ficaram Russell Crowe, William Monahan e Pietro Scalia. Do outro, Ridley Scott, Leonardo DiCaprio, Carice Van Houten, Marc Streitenfeld e Alexander Witt. Quando, em qualquer obra, o grupo que não arrecadou ainda um Oscar é composto por estes elementos, é porque o trabalho só pode estar nivelado por cima.
Baseado na obra homónima de David Ignatius, o projecto começou por receber mesmo o nome de Body of Lies. Durante a rodagem, alguém se lembrou de mudar para House of Lies. Actualmente, parece que voltou a ser Body of Lies, tal como o livro. A história, essa, parece talhada para a exímia montagem de Pietro Scalia. Quando o agente da CIA Roger Ferris (DiCaprio) descobre forte indícios de que um líder terrorista jordano pode estar a operar em território estrangeiro, solicita ao veterano Ed Hoffman (Russell Crowe) autorização para uma missão onde terá de ir infiltrado. Esta missão levará Ferris a questionar até que ponto pode confiar naqueles que julga serem seus aliados. Hoffman, e todos os outros.
Com William Monahan (The Departed), responsável pela adaptação do argumento, estamos em crer que Scott poderá ainda subir mais a parada, depois do estupendo Gangster Americano. Nos últimos anos, a Academia tem demonstrado todo o seu afecto por obras onde o crime e a conspiração são os mais importantes ingredientes. Ao que tudo indica, acção será mesmo o prato forte deste título. E, apesar de andar a cheirar o Oscar sob a batuta de Scorsese, quem sabe se não será pela mão de Ridley Scott que Leonardo DiCaprio subirá ao palco do Kodak Theater. Nos Estados Unidos, o filme tem estreia prevista para 10 de Outubro. Antes disso, passará ainda pelo Festival de Veneza.
16 de junho de 2008
A próxima joint de Spike Lee.
Na lista dos mais aguardados para este ano, que temos vindo a elaborar neste espaço, Miracle at St. Anna ocupou uma honrosa 17ª posição. o problema é que, depois de vermos o trailer, dá vontade de puxar este título um bocado para cima.
Toda uma outra época.
Dentro das bandas sonoras não originais – à falta do termo técnico, este parece-nos o mais correcto –, a de Platoon (Oliver Stone, 1986) está muito perto do topo. Rés-vés Campo de Ourique ali com a de Forrest Gump (Robert Zemeckis, 1994). No caso deste último, não falamos, obviamente, da sublime partitura de Alan Silvestri, mas do Cd que inclui singles dos The Byrds, Jefferson Airplane, ou Creedence Clearwater Revival. Este fim-de-semana, tive oportunidade de rever o magnifico filme de Oliver Stone e, acto contínuo, assim que a obra terminou, rapidamente me lancei nas músicas que o percorrem. Uma em particular, não só pela dimensão que traz à cena em que está inserida, como por ser uma belíssima canção, com todas as letras. Desde sábado, dia em que este leque invadiu o Mp3, que a banda-sonora do quotidiano não passa disto. Qual delas a melhor?
Tracks of my Tears – Smokey Robinson & The Miracles,
Okie From Muskogee – Merle Haggard,
Hello, I Love You – The Doors,
White Rabbit – Jefferson Airplane,
Respect – Aretha Franklin,
Dock of the Bay – Ottis Redding,
When a Man Loves a Woman – Percy Sledge,
Groovin’ – The Rascals.
Pelo meio, temos a sorte de poder reviver a experiência de ver o filme, em plena hora de ponta. É só vantagens.
Na mó de cima.
Provavelmente, até terá a ver com questões faciais. Uma série de estudos demonstra que as feições podem ser determinantes para a cognição social, e comunicação de emoções. Há quem diga, também, que os olhos são o espelho da alma, e por aí fora. Enfim, ramos da ciência e senso comum, ambos se interessam por este tema das impressões e comunicação não verbal. Apesar de uma introdução com um certo teor de seriedade ter sempre o seu lado mais atraente, mais vale dizer que Michael Douglas tem uma apetência extraordinária para interpretar tipos no topo do mundo, e deixarmo-nos de conversa fiada. Se, quando o filme começa, a personagem de Douglas não tem mais dinheiro e poder do que todas as outras juntas, basta esperar dez minutos. À passagem do quarto de hora, Michael Douglas está a interpretar o papel da personagem com maior autoridade em toda a história. Senão, vejamos.
Wall Street (Oliver Stone, 1987)

Como Gordon Gekko, Douglas está literalmente no topo do mundo. Não dá para perceber bem qual o edifício onde Gekko trabalha, de qualquer forma, o escritório fica lá bem para cima, nos andares mais altos. O filme de Oliver Stone valeu a Michael Douglas o seu primeiro Oscar como actor, e colocou em definitivo o nome de Douglas nos anais da História da sétima arte. Greed is good. Maravilhoso.
A Guerra das Rosas (Danny DeVito, 1989)

Este é daqueles em que ainda temos de esperar um bocado para ver a fama e fortuna de Douglas. No entanto, não demora muito. Casa, carro, mulher, filhos, nada lhe falta. É verdade que as coisas acabam um bocado para o torto, mas, mais uma vez, o papel do tipo de sucesso, cuja vida corre sobre rodas, assenta que nem uma luva a Michael Douglas. Por muitos considerado um filme menor, A Guerra das Rosas (1989) é uma autêntica relíquia em ponto pequeno. Como o seu realizador.
Uma Noite Com o Presidente (Rob Reiner, 1995)

Aqui, Michael Douglas é apenas Presidente dos Estados Unidos. É preciso dizer mais alguma coisa?
O Jogo (David Fincher, 1997)

Ao fim de algum tempo, talvez incomodado com todos os contos de fadas que Douglas ia vivendo no grande ecrã ao longo da sua carreira – apesar da chatice que terá sido ter uma Glenn Close e Demi Moore à perna, em filmes diferentes, acreditamos que o inicio de ambos corrobora esta tese –, David Fincher lembrou-se de pregar um susto do catano ao actor. Contudo, para todos os efeitos, este é mais um em que Douglas faz e acontece.
Um Homicídio Perfeito (Andrew Davis, 1998)

Neste, nem chegamos bem a saber o que a personagem faz. Parece que tem uma empresa, compra e vende acções como se não houvesse amanhã, vive em Upper East Side, e joga póquer com os amigos à quarta-feira. Para além disso, é casado com Gwyneth Paltrow, e consegue arranjar 400 mil dólares do pé para a mão. É obra.
Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1993)

Posto isto, não é irónico que um dos melhores filmes da carreira de Douglas seja sobre um tipo desempregado e frustrado com a sociedade que o rodeia? Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1993) é muitas vezes e injustamente, uma obra esquecida.
Filmes de Verão - A Praia.
É verdade que, no calendário, só está marcado para o próximo fim-de-semana. No entanto, este sábado, já parecia que o Verão tinha chegado em força. O calor fez-se sentir e bem, e as praias receberam as primeiras verdadeiras enchentes. E, é inevitável. Todos os anos, por esta altura, quando a incerteza da Primavera começa a ficar para trás das costas, alguns filmes invadem a mente. Como quando ouvimos o primeiro Jingle Bell, e recordamos Sozinho em Casa. Ou, quando olhamos para uma fotografia do Empire State Building, e recordamos Cary Grant e Deborah Kerr. Porque a magia do Cinema também é feita de memórias reavivadas pelo mais trivial dos elementos. Neste caso, sol e praia, acima de tudo. Vários são os filmes facilmente associados a este período no qual estamos prestes a entrar, para muitos, a mais querida das estações. Ao longo dos próximos tempos, provavelmente, até meados de Setembro, apresentaremos aqui um filme por semana, sobre este tema. De preferência, uma obra que dê ainda mais vontade de dar um pontapé no trabalho, fazer as malas, e ir de férias. Mesmo que não seja o melhor dos filmes. O que importa é que esteja presente o simbolismo da viagem. Como acontece no caso de A Praia (Danny Boyle, 2000).
Confesso, este é dos poucos em que li o livro. Apesar de não terem sido muitos, este confirmou a regra de que o original tende a ser melhor do que a adaptação. Aliás, a seguir ao terceiro tomo de O Senhor dos Anéis, este será talvez o caso mais gritante. Não que o filme seja mau. No entanto, a obra que lhe serve de base está anos-luz à sua frente. Tal como Tolkien, Alex Garland não tem culpa. Limitou-se a escrever um livro. Livro este que Danny Boyle não soube tratar da melhor maneira. É verdade que A Praia de Garland, não apenas por ser uma obra de culto, mas, sobretudo, pela temática abordada e escrita adoptada, não é dos materiais de mais fácil adaptação. No entanto, naquilo que dava para fazer a diferença entre um trabalho razoável e um bom trabalho, Boyle parece ter-se deixado levar pela beleza das paisagens tailandesas, e esqueceu-se do que realmente importava. No final, ficamos com a sensação de ter visto um filme interessante, sim senhor, agradável à vista, mas com falhas latentes. E, para quem leu o livro, havia tanto mais a explorar. Se quisermos, A Praia é uma antevisão daquilo que anos mais tarde chegaria à televisão pela mão da ABC, e que dá pelo nome de Lost. Um exercício de reflexão sobre as necessidades, e cadeias de motivação inerentes à condição humana. Um manifesto do viajante eternamente insatisfeito com o destino atingido. Um mergulho profundo na recusa aos bens materiais. Contudo, isto é aquilo que vemos somente a espaços na película de Danny Boyle. Procurando não reprovar em demasia o filme, a ideia que fica é a de um grupo de gente bonita a passear numa ilha paradisíaca, ao som de uma banda sonora comercial, e onde um triângulo amoroso banal acaba por emergir. Porém, a escrita de Garland, com todo aquele cinismo e ironia, vai muito mais além. Se calhar, até mais do que Titanic (James Cameron, 1997), este terá sido o filme que levou DiCaprio a olhar-se ao espelho e perguntar O que é que queres fazer da tua carreira? Mas, uma coisa é certa. Este filme dá uma vontade do camandro de ir de férias. Aqui fica o trailer de A Praia.
Há semanas assim.
De quarta-feira da passada semana, até esta sexta, foi um daqueles períodos em que prevaleceu a Lei de Murphy: Se alguma coisa pode correr mal, correrá. Tudo começou terça-feira, quando o computador, esse aparelhómetro que já no Deuxieme tinha feito das suas, decidiu ameaçar diversas vezes com um desligar por conta própria. Felizmente, bastava carregar no botão, e o dito cujo lá voltava a funcionar. Apesar de desagradado com a situação, dava para ir andando. Mas, não por muito tempo. Quarta-feira desligou-se em definitivo. Quinta, ao acordar, nada. Foi então que recrutei os prestáveis serviços de quem já me tinha socorrido quando, há uns meses, a motherboard foi desta para melhor. Agora, porque destas coisas de computador não percebo grande coisa, achei que enquanto estivessem aqui em casa a tratar do pobre coitado, seria uma boa altura para aproveitar, e ir ver as quatro de Manhattan em acção. Sol de pouca dura. Precisamente a meio do filme, no intervalo, um telefonema que pretendia serenar as hostes, mas que foi mais inquietante do que outra coisa qualquer. O computador tinha aquecido em demasia e fumo inclusive saído da caixa. Para quem estava aqui era bom sinal, porque o problema tinha sido detectado. Agora, para quem estava no Cinema, a ideia de que um fogo esteve perto de deflagrar no próprio quarto, não é lá muito agradável. Por muito que custasse, era obrigado a regressar, e deixar para trás a afável companhia de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Aliás, esse foi o último dia que vi o meu computador e Carrie. O primeiro, felizmente, reencontrei-o esta sexta-feira. Quanto a Carrie Bradshaw, digamos que a primeira metade do filme não foi suficiente para que, logo no instante a seguir, dissesse Caramba, tenho de regressar rapidamente à sala para acabar de ver isto. Aliás, posso afirmar que foi até uma decisão fácil, deixar o filme para trás, e regressar a casa. É claro que, por vontade própria, teria continuado de bom grado na minha cadeira, a assistir ao desenrolar da história. Quem sabe se a última hora não nos reserva a maior das surpresas. De qualquer forma, tenciono ver o resto da obra, quanto mais não seja para ficar com o quadro completo. Agora, porque aquilo que correu mal no resto da semana, nada tem que ver com Cinema, fiquemo-nos por aqui, pegando neste tema. Filmes de que saímos a meio. Este O Sexo e A Cidade foi o terceiro. Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto, porque a pessoa com quem estava adormeceu e decidimos que não valia a pena continuar, até porque já tinha visto o filme num visionamento, foi o primeiro. A Ronda da Noite, recentemente, porque a pessoa com quem estava ficou indisposta a meio, foi o segundo. Até hoje, nunca sai de uma sala de cinema pelo próprio pé. Não aguento mais! Vou-me embora! Vontade para tal, talvez já tenha existido. Desse lado, já alguém bateu com a porta nalgum filme?
Antes de terminar, resta dizer que não é fácil estar uma semana sem escrever no Yada. Se a Annie não pode neste momento, por questões de trabalho, da minha parte, há muito que passou a fazer parte do quotidiano escrever sobre cinema. Primeiro, no Deuxieme. Agora, aqui. Pelo silêncio, peço desculpa. No entanto, creio que Murphy ainda não se debruçou sobre o final das coisas. Este filme ainda agora começou, e muitos ovos estão ainda por colher.
13 de junho de 2008
Tomorrow.
Amanhã será explicada esta ausência súbita e acidental, que não fazia parte dos planos. Por agora, apenas poderei dizer que devido à falta de combustível, este regressar de mota não ajudou. Amanhã, a ordem será reposta, e saciada a sede de deitar cá para fora tudo e mais alguma coisa, desde a saída a meio, também súbita e acidental, de O Sexo e A Cidade, na passada semana. Está tudo ligado. Mas, já que estamos aqui, a resposta está certa. O filme abaixo é o belíssimo Sabrina (1955), de Billy Wilder.
4 de junho de 2008
9 - The Soloist.
O potencial deste filme é tanto, que a nona posição parece pouco. Mas, quando olhamos para aqueles que ainda faltam, percebemos que algum teria de ficar por aqui. Até agora, esta é, sem sombra de dúvidas, a obra com mais Oscar material. Assim de rajada, antecipamos possíveis nomeações em categorias de peso como Filme, Realização, Argumento Adaptado, Actor e Actor Secundário. Mas, lá está, para estas previsões precoces fazerem algum sentido em inícios de Junho, é preciso que o filme corresponda às elevadas expectativas que já vêm de longe.
Expectativas desde logo criadas quando vimos que Joe Wright (Expiação) seria o realizador; que Susannah Grant (Erin Brockovich) seria responsável pelo argumento; que a banda sonora estaria a cargo de Dario Marianelli, e que poderíamos contar com as presenças de Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Katherine Keener, Stephen Root e Marcia Gay Harden. O filme, baseado em factos reais, conta-nos a história de Nathaniel Ayers (Foxx), um prodígio musical que desenvolve esquizofrenia durante o segundo ano na Juilliard School. Ayers torna-se num sem abrigo, tocando violoncelo na baixa de Los Angeles para os transeuntes. Robert Downey Jr. é Steve Lopez, um jornalista do Los Angeles Times que se torna amigo de Ayers, à medida que vai redigindo um artigo sobre ele. Hoje, este está disponível no site do jornal. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 21 de Novembro. A curiosidade em torno deste filme é mais que muita.
Um misto de saudades e indignação.
Ainda antes de Arrested Development, já Ron Howard e Brian Grazer nos mostravam ter jeito para apostar em programas televisivos. Sobretudo, em séries acima da média com propensão para serem canceladas antes do tempo. Hoje, o dia começou com uma vontade enorme de rever isto. The PJ’s, criada por Eddie Murphy, Steve Tompkins, e Larry Wilmore, passou por cá pela mão da SIC Radical, mais ou menos por altura da troca dos milénios. Agora que o dia está a chegar ao fim, a vontade de rever esta preciosidade é ainda maior. Será que não há meio de alguém editar isto por estes lados? Caramba, é preciso estar sempre em bicos dos pés para espreitar além fronteiras.
Em defesa de Meyers.
Dia parco em notícias dá para tudo. Até para deitar os olhos num artigo do Hollywood Reporter sobre The Love Guru, e achar que isto é a coisa mais interessante que por aí anda. Tudo porque o escritor Deepak Chopra saiu em defesa do próximo filme de Mike Meyers – que, depois da reaparição de Dwayne’s World, voltou a cair nas graças de Alvy Singer, E, foi necessário sair em defesa, porque, ao envolver temas religiosos, a obra consegue já reunir opositores. As vozes contra o filme realizado por Marco Schnabel dizem que este é um trabalho que ridiculariza o Hinduísmo, utilizando termos sagrados de forma leviana. Chopra, amigo de Meyers há quinze anos, diz que estas queixas, baseadas em dois minutos e meio de trailer, não passam de propaganda religiosa – hoje, já tivemos aqui o exemplo político. Segundo Chopra, estas imagens dadas a conhecer no trailer, em nada têm que ver com o objectivo do filme, a mensagem que se pretende passar. O verdadeiro ponto alto do artigo surge quando Mike Meyers é citado, e ficamos a saber o real significado da palavra Drama.
“The teachings in this comedy are fictional and non-denominational. They are based on a made up system called D.R.A.M.A. D.R.A.M.A. is Distraction, Regression, Adjustment, Maturity and Action. It's a mythical creation. It's like the Force in 'Star Wars’”.
Isto é do mais interessante que as notícias de hoje têm para oferecer. Aqui fica o trailer de The Love Guru, com estreia prevista nas nossas salas para 28 de Agosto.
3 de junho de 2008
Bloody Bill.
Auckland, Nova Zelândia. País de Peter Jackson, país de O Senhor dos Anéis. A partir de hoje, provavelmente, país do melhor placard publicitário de um filme. Mas, nem sequer de uma obra em exibição nas salas. Esta pequena maravilha de marketing deve-se tão-somente à passagem do filme por um canal de televisão. Não era coisa para tanto, mas a gente agradece o regalo para a vista.
Cinematecas.
A notícia vem no Público de hoje, e vale a pena alertar aqui para o abaixo-assinado a favor da instalação de um pólo da Cinemateca Portuguesa no Porto. A petição, lançada quinta-feira por estudantes universitários, conta já com mais de 2200 assinaturas. No abaixo-assinado podemos ler:
“Os abaixo-assinados estão cientes desta situação e acreditam que, sendo insustentável que o funcionamento da Cinemateca não esteja de acordo com o seu âmbito nacional; sendo intolerável que a cidade de Lisboa, apenas por via desta instituição, tenha acesso, por dia, a cinco filmes na sua maioria anteriores à década de 90, enquanto que o Porto passa vários meses sem poder ver uma obra histórica relevante; havendo várias manifestações cívicas, associativas e pessoais, a reivindicarem o alargamento do âmbito do organismo em questão, é fundamental e urgente a criação de um pólo da Cinemateca Portuguesa na cidade do Porto”.
A estas vozes juntam-se a de João Bénard da Costa, director da Cinemateca, e de Isabel Alves Costa, filha do crítico e historiador de Cinema Henrique Alves Costa, actriz, programadora cultural e professora de Expressão Dramática.
“Essa foi uma batalha de toda a vida do meu pai que ele nunca viu concretizada. É muito triste o estado a que chegámos nesta cidade que teve um lugar tão importante na história do cinema em Portugal. Cinemateca Portuguesa não é a cinemateca de Lisboa, é nacional, por isso devia estender a sua actividade a todo o país, pelo menos às capitais de distrito”.
Também Beatriz Pacheco Pereira, directora do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto, manifestou o seu desagrado.
“Lamentavelmente, estamos limitados aos grandes êxitos norte-americanos e aos pacotes de filmes que eles impõem aos circuitos de distribuição com os filmes mais comerciais. Todos os anos são feitos milhares de filmes em todo o mundo que os portugueses não vêem porque o circuito de distribuição em Portugal está limitado aos filmes americanos”.
Aqui fica o link para o abaixo-assinado.
10 - Rachel Getting Married.
Entrados que estamos no famigerado top ten, convém avançar com relutância quando falamos dos filmes mais aguardados do ano. Sobretudo, deste número dez, ainda um tiro no escuro, por esta altura do campeonato. A verdade é que, quanto mais perto aproximamos do topo desta lista, menor devia ser a incerteza quanto ao potencial da obra. No entanto, como na roleta do casino, existe aqui uma vontade secreta de apostar em grande neste filme que, até ao inicio desta semana, tinha o nome de Dancing With Shiva. Hoje, parece que chegará às salas como Rachel Getting Married.
O filme, realizado pelo singular Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, 1991), longe de ser o mais popular dos cineastas, não possui um elenco de encher o olho. Tem Anne Hathaway, sim senhora, Debra Winger, Bill Irwin, e Rosemarie DeWitt (que podemos ver actualmente na magnífica Mad Men), ou seja, nada que leve multidões às salas. Também a estreante argumentista, Jenny Lumet, nada fez ainda que comprove o seu valor. Nem o apelido a liga a alguém que suscite interesse. No meio disto tudo, porquê aguardar ansiosamente por este título.
Antes de mais, a história. Descrito como um drama com pinceladas de humor agressivo, este é um filme sobre o regresso a casa de uma filha alienada, para o casamento da irmã. Quando a invulgar Kym (Hathaway) volta a casa, toda a dinâmica da família sofre alterações, reemergindo tensões passadas, algumas resolvidas a bem, outras, nem tanto. Acima de tudo, por parece-nos um conto sério e decente com arranjos de comédia. E, seja em que ano for, esse será sempre um tipo de filme a seguir com atenção. Depois, porque tem Demme aos comandos. Ainda ninguém nos convenceu de que não está para vir o dia em que este homem não subirá novamente ao mais imponente dos palcos. Em seguida, porque tem Anne Hathaway. A par de Natalie Portman, a actriz com o olhar mais angelical de Hollywood. Só isso explica porque tenha sido seleccionada para confrontar o Diabo. E, por último, a fotografia que dá cor a este post. Qualquer obra que se apresente com uma imagem destas, merece a nossa distinção.
Originalidades (continuação).
Aqui fica o cartaz de que falámos ontem. Imagem captada não à beira da 2ª Circular, mas em plena rotunda de Entrecampos. Convirá, porventura, esclarecer que a única razão pela qual resolvemos trazer material de propaganda partidária a este espaço, se prende com a enorme satisfação de ver um clássico da sétima arte ser adaptado às lides políticas. Satisfação, não. Orgulho. Quem diria, em 1975, que o filme de Spielberg serviria também para estas coisas? Aqui fica provada a grandiosidade da obra. No entanto, não podemos também deixar de constatar que isto revela falhas ao nível do sentido de oportunidade. Por esta altura, talvez espicaçasse mais um Obrigado Por Fumar (Jason Reitman, 2005), ou um O Informador (Michael Mann, 1999). Mas, nós percebemos, estes são títulos mais rebuscados, longe do alcance de um blockbuster, e o desenvolvimento de uma opinião pública não se compadece com películas menores. Só fica a dúvida de quem estará por detrás da banda sonora, elemento fulcral do filme.
Uma parte já está.
Após meses de negociações, o elenco de Os Simpsons chegou a acordo com a 20th Century Fox. As notícias diziam que a exigência dos actores de topo rondava os 500 mil dólares por episódio. Na última temporada, a 19ª, o vencimento era de 300 mil. Aritmética simples ditou que o acordo fosse atingido pela módica quantia de 400 mil. Do núcleo duro da série, apenas Harry Shearer (Mr. Burns, Smithers e Ned Flanders) não assinou ainda o contrato válido por quatro anos. No entanto, espera-se que tal aconteça nos próximos dias. Hoje, arranca a produção da vigésima temporada, onde estarão previstos 20 episódios, contrariamente aos habituais 22. Apesar deste contrato de quatro anos entre actores e estúdio, ainda não existe qualquer pedido para mais temporadas. O fantasma do cancelamento continua a pairar sobre o programa. Para afastar estes pensamentos sombrios da nossa mente, nada melhor que rever um qualquer anúncio amarelo. E, que venha a vigésima!
Warner Brothers e as mulheres.
Com O Sexo e A Cidade, chegou também às salas norte-americanas o trailer do remake de The Women (George Cukor, 1939). Nem uma semana depois, já corre tinta. Por estes dias, o entusiasmo em torno das quatro de Manhattan é tanto, que na Warner Brothers fala-se já numa possível sequela. A estreia estrondosa apanhou muita gente desprevenida, até porque estes 56 milhões obtidos no primeiro fim-de-semana estavam nas estimativas de muitos analistas, para todo o período de exibição. Contudo, este é apenas um lado da moeda. Do outro, a mesma Warner Brothers continua a deixar a moribunda e à beira da falência Picturehouse responsável pelo marketing e distribuição limitada deste tal remake de The Women.
A obra, realizada por Diane English, argumentista de séries como Murphy Brown, não tem tido o mais fácil dos partos. Depois do financiamento arrancado a ferros, parece que Jeff Robinov, um dos executivos da WB que há muito manifestou a sua opinião relativamente a filmes protagonizados por mulheres, não gostou do primeiro screening. Ora, isto só veio dificultar o que já não era fácil. Nas mãos de outro estúdio, qualquer um que não tivesse Robinov como executivo, era fácil resolver esta equação. Aliás, nem há equação. É uma mera soma de 1+1. Se este fim-de-semana serviu para alguma coisa, foi provar que mulheres são capazes de abrir um filme. Caramba, realizada por uma das mais influentes argumentistas e produtoras de uma das melhores sitcoms dos nineties, e com um elenco onde encontramos estrelas como Meg Ryan, Annette Benning, Eva Mendes, Carrie Fischer, Candice Bergen, Jada Pinkett Smith, Debi Mazar e Debra Messing, será assim tão complicado rentabilizar a obra? Nikki Fenke avança até com um possível slogan óbvio para a campanha “If you loved Sex In The City, then you need to see The Women that started it all”. No artigo de Fenke, dois desenvolvimentos ajudam a completar a história. O primeiro, diz-nos que alguém da WB terá informado que o estúdio planeia dar uma nova oportunidade ao filme, e vê-lo novamente. O segundo, para não pensarmos que Robinov baixou a guarda, diz-nos que Spring Breakdown, com Amy Phoeler, Parker Posey e Rachel Dratch, sairá directo para vídeo. Ele há mesmo pessoas inflexíveis. E casmurras. O que este Robinov precisava era de uma Maria austríaca, vibrante e a cantar Something Good, a entrar-lhe pela casa adentro. E, já agora, de uma rectoscopia. Mas, só para confirmar que está tudo bem. Aqui fica o trailer de The Women.
MTV Movie Awards.
Ontem cheguei à conclusão de que a cerimónia dos MTV Movie Awards será, muito provavelmente, a minha preferida. Isto porque é aquela em que não encontro um único nomeado pelo qual torcer afincadamente. É claro que ver o Johnny Depp é sempre motivo de enorme regozijo, no entanto, se Jack Sparrow não ganhar não me atiro de cabeça às almofadas do sofá. Digamos que é aquela que decorre mais serenamente, sem unhas a desaparecer, suores frios, ou braços no ar de exaltação. Todo um visionamento sereno, que possibilita tirar o máximo partido dos momentos de comédia. Bem hajam, MTV Movie Awards, desculpa esfarrapada para juntar estrelas de Hollywood, brincar ao marketing com os blockbusters da temporada, e piscar o olho ao espectador com a elegância de toda uma cultura pop.
No que aos prémios diz respeito, não tivemos direito a grandes surpresas – nestes eventos, verdade seja dita, também não sabemos muito bem o que esperar. Eis os grandes vencedores da noite:
Melhor Actriz – Ellen Page (Juno),
Melhor Actor – Will Smith (Eu Sou a Lenda),
Melhor Interpretação Cómica – Johnny Depp (Os Piratas das Caraíbas),
Melhor Revelação – Zac Effron (Hairspray),
Melhor Combate – Never Back Down,
Melhor Filme de Verão Até Agora – Iron Man,
Melhor Vilão – Johnny Depp (Sweeney Todd),
Melhor Beijo – Step Up 2 The Streets,
Melhor Spoof – Juno: Teen Pregnancy Redux,
MTV Generation Award – Adam Sandler,
Melhor Filme – Transformers.
Aqui fica o link com o espectáculo todo, para quem estiver na disposição de passar pelos 32 clips. Como se de teasers se tratassem, aqui ficam os dois momentos preferidos da noite. Desta que se assina, a primeira vez que Depp subiu ao palco, e Diablo Cody precisou de apanhar ar. O ar desolado de Seth Rogen diz tudo.
Para o outro deste estaminé, a reunião de Mike Meyers e Dana Carvey, como Wayne Campbell e Garth Algar. Quinze anos depois, o regresso do sketch clássico do Saturday Night Live.
2 de junho de 2008
Mundo pequeno.
Quando pensávamos que já mais nada poderia acontecer a Valkyrie, de Bryan Singer, após o adiamento da estreia para Fevereiro de 2009, eis que nos provam o contrário. Antes de mais, uma breve palavra sobre este adiamento. Desilusão. Já está. Desenvolvendo um pouco mais a ideia, podemos dizer que adiar um filme com buzz de Oscar para o inicio do ano seguinte, sem projectar qualquer passagem por um festival europeu, é o segundo ataque mais letal a qualquer película, imediatamente a seguir a pegar na bobine e dar-lhe uma valente guilhotinada.
Contudo, parece que alguém ainda não estava satisfeito com este cenário. Nomeadamente, Harvey Weinsten, que adquiriu os direitos de Operation Valkyrie (Jo Baier), um telefilme alemão de 2004 sobre o mesmo tema, e que relata precisamente os mesmos eventos. Curioso, no meio disto tudo, é o facto de a MGM estar por detrás da Valkyrie de Singer, e dos acordos de distribuição da Weinstein Company. Porém, a verdadeira pièce de résistance deste puzzle é Carice van Houten (Livro Negro). O filme alemão é protagonizado por Sebastian Koch (As Vidas dos Outros, Livro Negro), papel interpretado por Tom Cruise na obra de Hollywood. Nesta, Cruise conta com a participação de Carice van Houten, companheira de Koch na vida real. Ainda dizem que filmes, só na tela.
A questão que se coloca, neste momento, é saber se Harvey Weinstein terá coragem e dinheiro suficiente para fazer com que isto chegue às salas, antes de Bryan Singer estrear a sua aguardada obra. É que, do pouco que conhecemos de Weinstein, ele não é homem para deixar isto muito tempo nas prateleiras.
Originalidades.
Maldito trânsito, o da 2ª Circular. Nunca corre a nosso deleite. Ora está excessivamente lento para os nossos propósitos, ora demasiado fluído para as surpresas que possam despontar à beira da estrada. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que não é preciso travar ali em frente ao Colombo. Hoje, convidava-se a carregar a fundo no pedal. Com um sorriso no rosto, viro-me para o lado para felicitar o centro comercial. E, nesta fracção de segundos que separa um condutor responsável de um maníaco atrás do volante, reparo que um cartaz alusivo a O Tubarão (Steven Spielberg, 1975) é utilizado como arma de arremesso político. Chegado a casa, procuro na Internet, mas nada. Só consegui ver o realizador da película: José Sócrates. Porque isto parece interessante, amanhã já vou precavido e levo a máquina fotográfica no porta-luvas. Aguardam-se desenvolvimentos.
Extra! Extra!
O grau de importância exige um letreiro destes. Antes de mais, recuperemos aquilo que até ontem era do domínio público. Até dia 01 de Junho de 2008 sabia-se que Johnny Depp seria o protagonista da adaptação ao grande ecrã da clássica série de televisão norte-americana Dark Shadows. O programa, com as lendárias interpretações de Jonathan Frid e Grayson Hall, onde não faltavam vampiros, monstros, bruxas, fantasmas, zombies e fantasmas, marcou o inicio das séries sobre o sobrenatural, com uma atmosférica gótica sem precedentes até então. Até dia 01 de Junho de 2008 sabíamos isto. Dia 02 de Junho, ficámos a conhecer o argumentista e realizador da adaptação. E, deixem-me apenas dizer que isto é o equivalente àqueles momentos decisivos num concurso de Misses, em que anunciar a 1ª Dama de Honor, é o mesmo que dizer a grande vencedora. Aqui, anunciar o escrivão é o mesmo que dizer o realizador. Pois, dia 02 de Junho, John August (Charlie e a Fábrica de Chocolate, A Noiva Cadáver, Big Fish) foi anunciado como argumentista. Ainda é preciso dizer o realizador? Talvez as duas personalidades ligadas à sétima arte, que mais vezes provocaram arritmia. Cada uma, do seu lado da câmara. É, por isso, com enorme satisfação, que vemos novamente uma reunião nas carreiras de Johnny Depp e Tim Burton.
11 - Milk.
Um biopic pela mão de Gus Van Sant é algo que desperta sempre a nossa atenção. Então, se o elenco for composto por gente ilustre como Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, James Franco e Diego Luna, melhor ainda. Harvey Milk (1930-1978), interpretado por Sean Penn, foi o primeiro homossexual assumido publicamente eleito por sufrágio universal para um cargo político. As primeiras imagens, chegadas à net bem cedo, em meados de Janeiro deste ano, deram-nos já a experimentar aquele ambiente retro de qualquer filme situado nos seventies. Apesar de faltarem ainda seis meses para o final do ano, nada nos coibirá de dizer que está aqui um projecto a ter em conta para os Óscares de 2008. Tema polémico, sensível, com actores de peso, e um afamado realizador, normalmente, dá certo. Para além do mais, depois de um flop como All The King’s Men, Sean Penn costuma frisar, com uma qualquer brilhante interpretação, que aquilo não passou disso mesmo, um flop. O normal é andar sempre nivelado por cima. Aliás, aquele que nos parece ter aqui mais hipóteses de ver o seu trabalho reconhecido pela Academia é mesmo Sean Penn. Primeiro, porque muitos continuam a achar que o seu trabalho foi injustamente esquecido o ano passado. E, embora tenha sido como realizador, facilmente se confundem categorias e repõe-se ordem na casa. Em segundo lugar, porque, parecendo que não, este é um daqueles papéis que exige uma transformação radical por parte do actor. Não, não estamos a falar de barba, cabelo e formosura. Nas palavras do produtor Dan Jinks “[Sean] is playing a guy who's not at all like him, way beyond the sexuality of the character. Harvey was this guy who wants everybody to love him, and he loves everybody else. Sean just completely became that guy. It's a real transformation”. Qual engordar, qual quê? Para Sean Penn, realmente difícil é tornar-se num tipo adorável. A Academia é capaz de gostar disto. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 05 de Dezembro.
A Descoberta do Dia.
The Critic (Ernest Pintoff, 1963). Oscar para melhor Curta-Metragem de Animação. O primeiro filme de Mel Brooks. A primeira pincelada.
Quatro dias, para a chegada das quatro.
Por esta é que muito poucos, só mesmo os mais optimistas, esperavam. A bilheteira demonstrou o seu afecto para com O Sexo e a Cidade, e os cinéfilos norte-americanos atiraram Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal para segundo lugar do box-office, logo na segunda semana em exibição. Apesar de as críticas estarem longe de enaltecer a grandiosidade da obra, o mérito de terem produzido a melhor estreia de sempre de um chick flick já ninguém tira às quatro donzelas de Manhattan. Quando semana sim, semana não, surge um artigo sobre a fraca rentabilidade das estrelas do sexo feminino, ora tomem lá quatro de uma assentada, e resolve-se já a falsa questão. A não ser que algum chico-esperto venha agora dizer que os 55.7 milhões de dólares foram resultado de um fascínio secreto por Mr. Big. No Elite encontramos uma fotografia que, de certa forma, até pode suportar esta tese. Em todo o caso, as criticas não têm sido o fim do mundo. No entanto, seguramente que esta estará a ser uma vitória com sabor especial, lá para os lados da Darren Star Productions.
Agora, porque a estreia nas nossas salas está na calha, aqui ficam três frases memoráveis, ainda dos tempos da série, proferidas por cada uma das moçoilas deste quarteto. De Samantha, caneco, foi difícil seleccionar apenas três.
Miranda:
“Okay, I'm definitely in the slow sexual group if even Charlotte is open to this”,
“Sexy is the thing I try to get them to see me as after I win them over with my personality”,
“How did it happen that four such smart women have nothing to talk about but boyfriends? It's like seventh grade with bank accounts”.
Charlotte:
“Can you have an affair with your own husband?”,
“I read that if you don't have sex for a year, you can actually become "revirginized",
“I've been dating since I was fifteen! I'm exhausted! Where is he?".
Carrie:
“Men in their forties are like the New York Times Sunday crossword puzzle: tricky, complicated, and you're never really sure you got the right answer”.
“Welcome to the age of un-innocence. No one has breakfast at Tiffany's and no one has affairs to remember”,
“New York City is all about sex. People getting it, people trying to get it, people who can't get it. No wonder the city never sleeps. It's too busy trying to get laid”.
Samantha:
“You dated Mr. Big. I'm dating Mr. Too Big”,
“The country runs better with a good looking man in the White House. I mean, look what happened with Nixon; no one wanted to fuck him, so he fucked everyone”,
“There isn't enough wall space in New York City to hang all of my exes. Let me tell you, a lot of them were hung”.
3rd.
Porque já não falávamos dele aqui há algum tempo, vale a pena dedicar uns quantos minutos do nosso precioso tempo a Judd Apatow, e ao seu terceiro filme como realizador. Ainda sem título, mas com inicio das filmagens já marcado para inícios de Setembro, parece que este será mais um passo do cineasta rumo a obras mais dramáticas. A história, passada no mundo do standup comedy, continuará a ser uma comédia. No entanto, segundo a Mtv.com, Apatow pretende com este título pisar terrenos mais sérios. Para já, associados ao projecto estão Adam Sandler, e os habituée Leslie Mann e Seth Rogen – no espírito ZON da coisa (Está tudo ligado), aqui fica o teaser de Zack and Miri Make a Porno.
Convém relembrar, por esta altura, que o próprio Apatow começou pelos meandros do standup. Chegou a abrir números de Jim Carey, em tempos idos. Com o passar dos anos, porém, o conforto dos bastidores foi-se tornando mais apelativo e Apatow passou apenas a escrever piadas para os outros. Daí a questão pertinente do /Film. Será que isto terá alguma coisa de autobiográfico? Provavelmente. Mas, por enquanto, aquilo que nos parece mesmo relevante é o facto de Judd Apatow estar à procura de um novo rumo para a sua carreira. Talvez à espera de um reconhecimento que, de outra forma, dificilmente chegará. Parece-nos bem, e aplaudimos a decisão. Agora, caro Judd, se nos estás a ler, jamais renuncies às tuas origens, e não te esqueças das parcas e sábias palavras de Donald O’Connor, em Serenata à Chuva: Make them laugh!
31 de maio de 2008
Como é bom virar o disco, e ouvir o mesmo.
Ontem convidei a Annie para ir ao cinema. Acedeu, desde que não fosse para ver The Sorrow and the Pity (Marcel Ophüs, 1969). Contudo, não ficou explícito se o convite era para ver o mesmo filme. Porque a ideia geral era apenas ir ao cinema, acabámos por ir, mas, uma vez chegados ao multiplex, foi cada um para seu lado. Uma sessão dupla estava fora de hipótese, por isso, havia que escolher ajuizadamente. Ela foi para Lars e o Verdadeiro Amor, enquanto eu fiquei-me por Um Belo Par… de Patins. Nesta relação já cedemos o que havia a ceder. Ambos começavam à mesma hora e, no final, o primeiro a sair não deveria ter de esperar muito tempo. Resolvido o breve impasse, lá fomos.
E, apesar dos rasgados elogios que a Annie tinha reservado para Lars e o Verdadeiro Amor, creio que, à saída, o maior sorriso era o deste que se assina. Ainda não é com este filme que podemos dizer mal da Apatow crew. Longe disso. Nem sequer podemos dizer que não corresponde às expectativas. Um grande filme é aquele que corresponde às expectativas, e guarda ainda alguns trunfos na manga. Este, no mínimo, corresponde. Não estamos perante um Knocked Up. Nem um Superbad. Contudo, isso não significa necessariamente que esta é uma obra inferior. Até pode ser, mas, mesmo que seja, é por muito pouco.
À imagem do que acontece em outros filmes com o dedo de Judd Apatow, Jason Segel, o argumentista, assume também o protagonismo, continuando a provar a tese de que aquele que escreve a história parece ter uma apetência natural para o papel principal. Na realização, o estreante Nicholas Stoller não compromete. A máquina desta equipa que vai deixando marcas na comédia recente, parece tão bem oleada, que este tipo de projectos deverá ser cada vez mais encarado como o princípio de carreira ideal para qualquer cineasta. Dificilmente alguma coisa há-de correr mal. Em última instância, e se quisermos ser reducionistas obtusos desprovidos de qualquer sentido de humor, os filmes com o cunho de Apatow limitam-se a mudar linguagens. Por isso é que surgem aquelas sentenças taxativas “Superbad é a melhor comédia adolescente desde…”, ou “Knocked Up é a melhor comédia romântica desde…”. A grande razão para estas comédias serem as melhores dos nossos tempos, é porque retratam nos nossos tempos. Falam do tipo que mora do outro lado da rua. Daquele que, em pleno século XXI, resolve um desgosto amoroso com uma viagem ao Hawai.
Num filme repleto de gags bem conseguidos, mérito seja dado à forma como algumas das melhores piadas do filme acabam por ser aquelas que provocam os mais silenciosos dos risos. A começar no tema Actores de televisão que pretendem dar o salto para o Cinema, que não podia ser mais adequado, quando vemos na tela actrizes como Mila Kunis (That’s 70 Show), e Kristen Bell (Veronica Mars), ambas celebrizadas em séries já canceladas. Também o recurso a uma série com o nome de Crime Scene, quando Jason Segel participou em três episódios de CSI. Ou, talvez a melhor, a referência a American Psycho II, obra no currículo de Mila Kunis, na cena em que Peter (Segel) e Aldous (Russell Brand) ridicularizam as opções de carreira de Sarah Marshall (Kristen Bell). Para além destes recreios, aquilo que podemos esperar é um continuar da fórmula de filmes anteriores desta troupe eficiente.
Algumas piadas de cariz sexual que convidam os mais pequenos a ficar em casa. Alguma previsibilidade que fica sempre bem num desgosto desta natureza. Mas, tudo regado com um toque especial. Como a running joke da lua-de-mel problemática da personagem de Jack McBrayer, que leva com um workshop sobre o tema em plena praia. Ou como a deliciosa música do Conde Drácula criada por Peter para o seu musical estilo Marretas, ou a mais libertina de Aldous Snow, Inside of You. A presença de caras habituais como Jonah Hill, Paul Rudd ou Bill Hader transmitem uma sensação de familiaridade agradável. No final, acaba por ser a melhor comédia do ano, até esta altura. O pior disto tudo, é que a malta de Apatow continua a habituar-nos mal. Um dia, hão-de fazer um filme mau – cruzes canhoto –, e, irados, caímos-lhes todos em cima. Nessa altura, convém recordar que já fizeram qualquer coisa como este belíssimo Forgetting… não, o nosso é mais bonito… Um Belo Par… de Patins.
(O que a Annie não sabe é que lá estarei amanhã para ver Lars e o Verdadeiro Amor. No mesmo sitio, à mesma hora).
Um filme real.
Ontem o Alvy convidou-me para ir ao cinema. Acedi, desde que não fosse para ver The Sorrow and the Pity (Marcel Ophüs, 1969). Contudo, não ficou explícito se o convite era para ver o mesmo filme. Porque a ideia geral era apenas ir ao cinema, acabámos por ir, mas, uma vez chegados ao multiplex, foi cada um para seu lado. Uma sessão dupla estava fora de hipótese, por isso, havia que escolher ajuizadamente. Ele foi para Um Belo Par… de Patins, enquanto eu fiquei-me por Lars e o Verdadeiro Amor. Nesta relação já cedemos o que havia a ceder. Ambos começavam à mesma hora e, no final, o primeiro a sair não deveria ter de esperar muito tempo. Resolvido o breve impasse, lá fomos.
Desconhecendo o resultado de um outro visionamento, apenas poderei dizer que dificilmente seria melhor do que este. Lars e o Verdadeiro Amor, realizado pelo estreante Craig Gillespie, é um dos filmes mais originais dos últimos tempos. No entanto, dizer isto não chega. No Cinema, como em tudo o resto, não basta ser original. Há que ser um original positivo, daqueles que levam os outros a pensar que vale a pena copiar a fórmula. E, neste filme, há muito material inovador para ser reproduzido pelas mentes mais preguiçosas de Hollywood.
Contudo, deveremos também reconhecer que nem tudo é novo nesta obra. A começar na mensagem, porventura a mais recorrente dos filmes da Disney: Aceitação. No fundo, este é um filme sobre diferenças interpessoais e de como, por vezes, somos capazes de esbater essas mesmas desigualdades com um pouco de flexibilidade mental. Lars e o Verdadeiro Amor testa-nos. Põe-nos à prova. Leva-nos a questionar até que ponto estaríamos receptivos a enfrentar esta realidade, e de que forma lidaríamos com a mesma. Porque, o original aqui é a forma como o argumento brilhante de Nancy Olivier nos coloca no fio da navalha. Uma comunidade inteira aceitar que um homem acredite estar a namorar com uma boneca de plástico, anatomicamente correcta, não é coisa que se faça de ânimo leve. E, todos sabemos que alhos não são bugalhos. No entanto, a narrativa encarrega-se de mostrar-nos que não é assim tão difícil fazer passar alhos por bugalhos.
Mais do que apelar a moralismos, o filme procura promover reflexões. Daí todas as transições, algumas vezes até bruscas, entre momentos hilariantes e mais sombrios. Aliás, convém não irmos ao engano, e até alertar talvez para o facto de o trailer passar a imagem de um filme muito mais cómico do que é na realidade. Em grande parte, esta é a triste história de um homem que tudo faz para evitar o contacto humano. Mas, em abono da verdade, o conto só é triste enquanto não abraçamos a ilusão. Uma vez na sua fantasia, tudo isto não passa de uma experiência como outra qualquer. Perdão, uma maravilhosa experiência como outra qualquer. Resta dizer que Ryan Gosling está feito um senhor actor. Num ano demasiado competitivo, e nivelado por cima, era complicado obter uma nomeação para o Oscar. Porém, após o visionamento deste filme, garanto que hoje não me chocaria se tal tivesse ocorrido. Uma obra magnífica, que demorou demasiado tempo a chegar às nossas salas.
(O que o Alvy não sabe é que amanhã vou ver Um Belo Par… de Patins. Só espero é que, se ele se lembrar de ir ao cinema, não vá ao mesmo sitio…).
30 de maio de 2008
12 - The Reader.
Este é daqueles que tem tudo para ser dos mais antecipados do ano. Pelo menos, no que aos prémios da Academia diz respeito. À primeira vista, tudo parece preencher os requisitos padronizados ao longo dos tempos. Um realizador conceituado – Stephen Daldry (Billy Elliot, As Horas) –, um elenco respeitável – Kate Winslet, Ralph Fiennes, Alexandra Maria Lara, e Bruno Ganz –, e um romance aclamado como base – The Reader, de Bernard Schlink, a primeira obra alemã a atingir o número um no top de vendas do New York Times.
Sobre o filme, para já, pouco se sabe. Tirando o plot, e algumas fotografias de rodagem. Sem poster nem trailer, até porque as filmagens deverão ainda decorrer até finais de Junho, continuamos a olhar para o livro como a verdadeira razão para esta curiosidade. Este conta-nos uma longa história de amor, passada na Alemanha contemporânea, onde um homem recupera as memórias do seu primeiro e secreto romance, que nasce nas cinzas do final da Guerra, com uma mulher mais velha. Ao mesmo tempo, esta é uma obra que acaba por tratar das relações que as gerações pós-guerra mantêm com o Holocausto.
Verdade seja dita, se o filme corresponder às expectativas, ficaremos também com curiosidade de saber se é desta que Winslet (que substituiu uma grávida Nicole Kidman) adicionará uma vitória à já longa lista de nomeações aos Oscares. É que ainda há outro título de peso para a actriz, este ano. Mas, por agora, foquemo-nos em The Reader. Apesar de já terem surgido alguns rumores de que a data de estreia poderia passar para 2009, nas agendas continua assinalada a de 12 de Dezembro. Época alta.
O maior cobarde.
Para além do standup de Woody Allen, ontem foi ainda possível rever O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford (Andrew Dominik). Isto poderá ser um ultraje para muitos, no entanto, bastou passar os olhos novamente por esta cena, para continuar a alimentar uma forte suspeita que há muito se vem mantendo. Entre secundários e principais, Casey Affleck é capaz de ter arrancado a melhor interpretação do ano que passou. O que muitos actores não davam para ter ficado com este papel. Agora, o que ele fez com ele, poucos. Muito poucos.
Noutro formato.
Ontem descobri isto. Ainda não deu para ouvir tudo, mas o pouco que já passou pelo canal auricular, deu um gozo tremendo. Quando começamos a descobrir mais sobre a personalidade e carreira de Woody Allen, uma das primeiras coisas que nos dizem é Olha, este começou por fazer standup comedy. Os realizadores dividem-se em dois tipos: os que tiveram formação, e os que não tiveram. Woody Allen faz parte da minha metade preferida, com a aliciante de ter sido expulso. Fez-se à vida, e começou a escrever piadas. Aquilo que não sabia, é que havia um Cd com grande parte delas. Com quase todas aquelas que o mestre elaborou e contou, entre 1964 e 1968. Algumas delas entraram posteriormente em filmes de Allen. Ainda não deu para ouvir tudo. Mas, já deu para ouvir a clássica do Moose. E, não é que há um site onde todas as piadas estão descritas, incluindo esta? Por estes dias, encontra-se de tudo na Internet.
Que melhor maneira de começar uma sexta-feira...
...do que vendo o red band trailer de Burn After Reading? Assim, de repente, não estamos a ver nenhuma.
Castings do Dia - Parte II.
Já há algum tempo também que corria o rumor de que Guillermo del Toro e Peter Jackson concordavam em relação a alguns actores, para o papel de Bilbo Baggins. Hoje, veio a saber-se que existem dois bem posicionados, e um que só não ficará com o trabalho se não quiser. Segundo uma fonte do Daily Express:
“A number of names have privately been doing the rounds, including Daniel Radcliffe and Jack Black but James is the one the film’s bosses really want”.
James McAvoy não seria uma das primeiras apostas de Alvy Singer. Mas, agora que penso nisso, a ideia não soa assim tão mal. Nós sabemos que a caracterização faz milagres, e que os hobbits têm uma esperança média de vida superior à nossa. No entanto, sempre que imaginava o jovem Bilbo Baggins, era um rapaz com ar mais jovial. É que McAvoy é britânico, logo, por inerência, os 29 anos parecem mais. Ainda assim, não será a pior das escolhas. Ou, será?
Castings do Dia - Parte I.
Há dois dias estivemos para escrever um post sobre o assunto. No entanto, sabendo já o que a casa gasta, resolvemos poupar esforços. Assim, hoje podemos vir dizer que aquilo que foi noticia há dois dias, era falso. Hoje, é que temos a verdade verdadinha. Tudo não passou de um embuste, e Tobey Maguire continua a ser o Peter Parker por detrás da máscara, para Homem-Aranha 4 e 5 que, ao que tudo indica, serão rodados em simultâneo. Hoje, Steve Elzer da Sony/Columbia Pictures disse:
“No one is being considered for the role but Tobey. Period”.
Quer isto dizer, então, que Patrick Fugit (Quase Famosos) e Michael Angarano (Sky High) não são, por agora, cartas em cima da mesa. Há dois dias, quase parecia que o primeiro já tinha um pé no projecto, e que Angarano seria a segunda opção se o outro pé de Fugit não fosse atrás. Agora, fica a ideia de que Maguire continua a ser a única aposta da Sony. Não que isso nos aborreça especialmente. Após os dois primeiros filmes da saga, ninguém conseguiu provar o insucesso do filme com base na prestação do actor. Aliás, embalado pela aceitação dos dois primeiros capítulos, até já havia quem dissesse que o olhar de Parker sempre foi tão difuso como o de Maguire. Contudo, no terceiro, já não foi bem assim. A obra não funcionou, e houve logo quem dissesse que Maguire não era capaz de safar o filme. Agora, parece que estas duas primeiras alternativas, que não o foram, não provocarm uma reacção positiva nos fanboys do herói da Marvel. Presença é o atributo em falta. Considerações sobre as mais-valias e pontos fracos dos actores deixaremos para mais tarde, quando surgiu um anúncio oficial. Para já, aquilo que gostaríamos mesmo de destacar é este diz que disse. O que hoje é verdade, amanhã só é se apetecer. Depois, o ar natural com que se refutam informações. Sobre estas trocas e baldrocas, por vezes ficamos sem saber bem em quem acreditar. António Aleixo tem uma quadra sublime sobre isto.
“P’ra a mentira ser segura,
E atingir profundidade,
Tem de trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade”.
Um filme sobre a sua vida não seria mal pensado. Apesar de não estar em tantos lares portugueses como Eu, Carolina, Este Livro Que Vos Deixo seria certamente um melhor ponto de partida para uma obra cinematográfica.
29 de maio de 2008
13 - Nights in Rodanthe.
Acima de tudo, por causa dos actores. Perdão, pelos papéis. Esta é uma dupla pela qual temos particular estima. Diane Lane e Richard Gere. E, Nights in Rodanthe parece ser o filme ideal para estes dois brilharem. Sobretudo, a primeira.
Adrienne Willis (Diane Lane), é uma mulher com a vida feita num oito, que decide abrigar-se da realidade na localidade costeira de Rodanthe, onde passará o fim-de-semana na pousada de uma amiga. Aí, espera obter a tranquilidade necessária para reflectir sobre os conflitos que a rodeiam – um marido errante que pede para regressar a casa, e uma filha adolescente sempre pronta a questionar. Quase ao mesmo de Adrienne, chega à pousada o Dr. Paul Flanner (Richard Gere), numa altura em que começa um tremendo temporal. Flanner não pretendia escapar ao seu quotidiano, mas apenas enfrentar a sua crise de consciência. Com a tempestade a aumentar e aproximar-se, os dois procuram conforto nos braços do outro. Um fim-de-semana que deixará marcas para toda uma vida.
Realizado pelo estreante George C. Wolfe (O Diabo Veste Prada), e baseado no romance de Nicholas Sparks, esta será provavelmente o filme desta lista mais consciente das suas limitações. Não deixa de ser legítimo aspirar sempre aos principais prémios da Academia. Contudo, uma estreia prevista para inícios de Outubro, deixa claramente antever um filme que quer ser lembrado, mas sem se intrometer muito na corrida. E, estes filmes também sabem bem. Normalmente, as boas interpretações vêm daqui. Daqueles filmes bons que, não sendo grandes, são isso mesmo, bons. Aqui fica o trailer lançado hoje.
Sem desembrulhar.
Deverá ser o único filme do ano em que isto acontece. No entanto, não é por não ver os clips, que deixaremos de colocar aqui um link para os mesmos. Só não os vemos, porque é Vicky Cristina Barcelona. E, Woody Allen é como os presentes de Natal, só depois da meia-noite. O mesmo é dizer, só depois da estreia. Para os mais curiosos, e não tão puritanos fãs, aqui ficam os dois vídeos.
Um fartote de trailers.
O primeiro prémio acertado do ano já está atribuído. The Dark Knight ganhou o galardão de Melhor Trailer, na 9ª cerimónia dos Golden Trailers Awards. Desde 08 de Maio que era possível votar nos nomeados, no site USATODAY.com. A Intralink, empresa de Los Angels responsável pela montagem do trailer de Christopher Nolan, levou também para a casa o troféu na categoria de Melhor Romance (Expiação), e Melhor Poster de Blockbuster de Verão 2008, entregue àquele que foi recebeu o troféu de melhor trailer do ano. Contudo, há uma vitória que nos parece demasiado forçada. A de No Country For Old Man, para Melhor Drama. Que raio, o filme é bom como tudo, mas será que tem de ganhar em todo o certame em que está envolvido? Porque o prémio diz respeito ao trailer, e não há obra, era escusado. De outra forma, de que maneira é que poderíamos conceber a vitória de Vantage Point? Para ver os vitoriosos nas principais categorias, é ir aqui. Todos os nomeados, só no site oficial.
Cair de pé.
Poucas frases se aplicarão tão bem a este caso como aquela do caminho que se faz caminhando. É que este filme já iniciou o seu curso há muito tempo. A primeira vez que uma audiência o viu, foi em inícios de Setembro de 2006, no Festival de Toronto. Daí para cá, já passou pela Berlinale, e pelos Festivais de Los Angeles e Sitges de 2007, e pelos Festivais de Istanbul e Amesterdão deste ano. Só agora surge a distribuição, ainda que limitada, em solo norte-americano. E, para isso, muito contribuiu o empurrão dado por Spinke Jonze e David Fincher, amigos de Tarsem Singh, realizador da obra, dos tempos em que ainda só faziam videoclips.
Antes de mais, convém fazer a ressalva de que o Alvy quis introduzir este título na lista dos mais antecipados do ano. Confesso, por ser uma aposta pessoal, receava que estivesse demasiado escuro para disparar. Ele tem mais olho para isto. E se fosse um barrete? Ainda pode ser, mas, felizmente, parece que não. As críticas positivas começam a emergir, e há até quem já fale em Oscares. Sobretudo, categorias técnicas: Melhor Fotografia, Direcção Artística, Guarda-roupa, e Efeitos Especiais. Entusiasmada, embora consciente de que isto ainda possa somente ser fogo-de-vista, aguardo cada vez mais impacientemente pela sua estreia, ainda sem data marcada para o nosso país.
Baseado em Yo ho ho (1981), realizado pelo búlgaro Zako Heskija, The Fall conta-nos a história de Alexandria (Catinca Untary), uma rapariga imigrante, que se encontra a recuperar de uma queda, num hospital da cidade de Los Angeles dos anos 20. Durante a recuperação, cria uma amizade com Roy Walker (Lee Pace), um paciente confinado à sua cama, que prende a sua atenção através de uma história mágica que liberta a pequena Alexandria das paredes do hospital, e a transporta para paisagens exóticas construídas pela sua imaginação. De modo a cativá-la ainda mais, Roy arrasta para o seu conto parentes de Alexandria e pessoas presentes no hospital.
Rodado em mais de 26 locais, distribuídos por 18 países, este é um dos filmes mais aguardados por Annie Hall, este ano. Aqui fica o trailer, já disponível há alguns meses.
28 de maio de 2008
Uma canção faz toda a diferença.
Amor à primeira vista é a única expressão que me ocorre. Isto porque o tema é mesmo o romance, e fiquei agarrado ao trailer assim que o vi. Não porque o filme conte com as participações de Jennifer Connelly, Jennifer Aniston, Ben Affleck, Kevin Connolly, Drew Barrymore, Bradley Cooper, Ginnifer Goodwin, Justin Long ou Scarlett Johansson. É claro que o elenco ajuda. A obra, baseada no guia relacional de Greg Behrendt e Liz Tuccillo, com ares de filme mosaico, bem ao estilo de O Amor Acontece (Richard Curtis, 2003), também cativa de alguma forma. Uma história com arcos e ligações entre várias personagens, onde se misturam atracções, casamentos, e desgostos, sabe sempre bem, desde que feita decentemente. No entanto, o verdadeiro click deste trailer é a música. Recorrer a Friday I’m in Love, dos The Cure é jogo sujo. Já chega. É melhor deixar o trailer de lado e passar para o Mp3.












































