22 de junho de 2008

Filmes de Verão - Cocktail.

Estava previsto chegar à meia-noite de ontem, e assim foi. Não deixando o seu crédito por mãos alheias, o primeiro dia de Verão fez-se acompanhar por temperaturas simpáticas, como que a relembrar Alvy Singer que estava na hora de voltar a falar de filmes que dão vontade de fazer as malas, e rumar a paragens mais paradisíacas. Isto porque o calor aperta. Quando a temperatura baixar – cruzes canhoto –, trataremos aqui de películas que nos falam de férias, sim senhor, mas em locais onde uma camisola de lã não faz mal a ninguém. Como não é o caso, o eleito desta semana é esse incontornável título de 1988, Cocktail (Roger Donaldson). Um dos que figura na lista The 100 Most Enjoyably Bad Movies Ever Made, elaborada por John Wilson, fundador dos Razzie Awards. É que Cocktail é isso mesmo. Um filme fraquito, mas que dá um gozo do caraças. A história, preenchida por lugares comuns até mais não, conta-nos a vida de Brian Flanagan (Tom Cruise), um jovem sonhador descendente de irlandeses, que tenta a todo o custo concluir os estudos que lhe permitirão obter o emprego que pretende. De modo a pagar a sua educação, Flanagan arranja um part-time como bartender. O sucesso surge rapidamente, e Brian e o Dough Coughlin (Brian Brown), seu patrão, tornam-se nos dois mais famosos de Nova Iorque, atrás do balcão. Flanagan decidido a abrir o seu próprio estabelecimento, opta por investir na sua nova carreira, e parte para a Jamaica, onde os seus dotes trarão muito mais dinheiro. Aí, conhece Jordan Mooney (Elizabeth Shue), uma jovem artista norte-americana a passar férias no resort onde trabalha. Porque, neste filme, o álcool anda sempre de mão dada com as personagens, a partir deste momento começam as confusões. Apesar de ser uma obra que nunca chega verdadeiramente a surpreender, um qualquer magnetismo que ainda hoje não conseguimos perceber prende-nos ali ao ecrã que é uma coisa parva. Talvez seja a inesgotável força de vontade de Flanagan, o eterno sonhador com queda para a poesia. Talvez seja aquela inocência que chega a insultar qualquer jovem adulto com dois dedos de testa. Ou, quem sabe, aquele mundo sempre invulgar do homem que manuseia copos e garrafas como ninguém. Um virtuoso ao serviço de Baco. Talvez sejam aquelas paisagens jamaicanas que arrumam qualquer um, mesmo os sortudos que por lá vivem. Talvez seja aquela aura de um amor e uma cabana, que percorre grande parte do filme. Ou, talvez aquela banda sonora relaxante, onde desponta o ressurgimento dos Beach Boys, com Kokomo. Seja como for, cenas como esta (parece que é preciso confirmar a idade antes de ver o clip), fazem desta obra um excelente cartão-de-visita à terra de Bob Marley e companhia. Se há filme que funciona como catálogo de agências de viagens, é este.

Bale, de novo ao lado de Crowe?

Christian Bale pertence àquele restrito leque de actores que parece assentar que nem uma luva em qualquer filme. Seja qual for o papel que lhe estiver destinado. Esticando talvez a corda em demasia, e levando estas suposições inúteis a outros tempos, quem é que não imagina facilmente Bale como Ghandi, na obra de Richard Attenborough, ou como Dr. Estranho Amor, no clássico de Kubrick? Exageros à parte, a verdade é que Christian Bale reúne como poucos, características apelativas como tudo para os grandes estúdios. Seja fisicamente – há que reconhecer que o rapaz safa-se –, seja artisticamente – depois de tantas demonstrações de enorme valor, ninguém duvidará das suas inequívocas capacidades. Neste momento, a sua grande mais-valia, tal como Johnny Depp, é a de andar a cheirar um Oscar há já algum tempo. Porque, mais ano, menos ano, algum irá parar-lhe às mãos, justamente ou apenas por compensação, Mais vale contar com ele no nosso filme, pensarão estúdios e cineastas. Nunca se sabe quando é que a Academia abre os olhos. Agora, assim sendo, facilmente percebemos o esforço de Ridley Scott para contar com Bale no seu próximo filme, Nottingham. Se Russell Crowe, como Xerife de Nottingham, e Sienna Miller, como Maid Marian, já estão recrutados, falta saber quem será Robin Hood. E, para o Daily Mail, é aí que surge o nome de Bale. No entanto, convém não esquecer que o filme de Scott centrará objectivas no Xerife, e não em Robin Hood. O que até é compreensível. Estivéssemos a falar de um qualquer super-herói com origem nas tiras da Marvel, e três filmes não seriam muito. Contudo, estamos a falar de uma figura saída da tenebrosa floresta de Sherwood. Como tal, um filme de aventura (Michael Curtiz e William Keighley, 1937), um Disney (Wolfgang Reitherman, 1973), um drama (Kevin Reynolds, 1991), e uma comédia pura (Mel Brooks, 1993), parece ser material suficiente. Vai daí, Ridley Scott decide mudar as regras do jogo, bem como de personagem principal. Provavelmente ainda com mais acção, Nottingham promete dar uma outra imagem do herói britânico. Será este um dos maiores golpes de génio dos últimos tempos? Só durante a semana é que teremos a confirmação de Bale. Ao mesmo tempo, aguardam-se os sins de Vanessa Redgrave e William Hurt. Enquanto isso não acontece, recordemos o trailer de As Aventuras de Robin Hood. Romance e acção, equilibrados como nunca.

20 de junho de 2008

Quiz Show.

De tudo aquilo que um blog pode proporcionar, creio que dificilmente algo poderá ser melhor do que a pura e cristalina troca de opiniões. E que melhor maneira de a fazer, do que através de um Quiz? Depois de experiências agradáveis com questões esporádicas em alguns posts, aqui fica uma proposta deste género, agora mais alargada, na perspectiva de uma sexta-feira bem passada.
Com John Turturro, esse actor para sempre imortalizado na frase ‘Nobody fucks with the Jesus’, a apadrinhar este evento, aqui ficam dez questões à papo seco.

1 – Melhor interpretação de Cate Blanchett?

2 – Um bom filme de um mau realizador?

3 – No Cinema, o filme deve começar a horas?

4 – A melhor dança no grande ecrã?

5 – Melhor filme com o nome do personagem principal no título?

6 – Keira Knightley ou Natalie Portman?

7 – Juno ou Little Miss Sunshine?

8 – Melhor frase num filme de Spielberg?

9 – Se pudesse fazer uma pergunta a Peter O’Toole, qual seria?

10 – Melhor feel-good movie?

Cinema europeu.

Por mais anos que viva, jamais esquecerei aquela singela coluna do Criswell, que tinha tanto de sincera como astuta, escrita no dia em que este viu pela primeira vez M (Fritz Lang, 1931), em Dvd. Depois de enaltecer devidamente a obra-prima do cineasta alemão, Criswell, no seu estilo tão particular, rematou sarcástica e subliminarmente, dizendo que por essa altura, por terras de Camões, José Cottinelli Telmo realizava A Canção de Lisboa (1933). O lamento de, já na década de 30, o Cinema ser entendido diferentemente nestes dois países. Em poucas linhas, foi o mais honesto carpir de mágoas que vi por parte de um cinéfilo português. Hoje, por razões que nada têm que ver com a sétima arte, voltei a recordar esse texto, perdido para ali nalguma das primeiras revistas. Agora que o dia está prestes a chegar ao fim, o lamento transforma-se em azedume. Apenas porque estamos a falar da mannschaft. É por isso que, antes de dar o dia por terminado, faço questão de recordar que, do país de Herzog, Fassbinder, Riefenstahl, Wim Wenders, já saíram relíquias como Metropolis; As Asas do Desejo; O Tambor; O Medo Come a Alma; Aguirre, O Aventureiro; O Testamento do Dr. Mabuse; Corre, Lola, Corre; A Odisseia do Submarino 88. Posto isto, sinto-me bastante melhor. Contudo, parece que o Criswell tinha mesmo razão, e de que pequenino é que se torce o pepino.

Filho pródigo, à casa retorna.

Continuando a publicidade gratuita a Get Smart, aqui fica a entrevista de ontem no Daily Show com Steve Carrell. Só a partir dos cinco minutos é que a coisa fica mais séria. E, mesmo assim, é porque o inicio é uma valente bandalheira.

19 de junho de 2008

6 - Australia.

Principal razão por aguardar por este filme como se não houvesse amanhã: Temos saudades de Baz Luhrmann. Se, num ano acontece muita coisa, em sete (Moulin Rouge! já é de 2001…) acontecem muitas mais. Em abono da verdade, deveria existir qualquer lei que proibisse um realizador como Luhrmann de estar mais de, vá lá, três anos, sem trabalhar. Um para descansar. Outro para conceber e preparar. O terceiro para concretizar. Tantas leis que por aí sem efeitos práticos, e esta que ajudaria tanta gente a passar um bom bocado. De Australia, próximo projecto do cineasta australiano, só podemos esperar o melhor. A história vem da mente de Luhrmann, que reuniu uma equipa de notáveis profissionais em seu redor. Desde a fotografia, passando pela montagem, até à banda-sonora, isto é tudo malta já com credenciais. Na interpretação, ao lado de uma Nicole Kidman que foi a primeira escolha do realizador, temos um Hugh Jackman que quase caiu de pára-quedas, depois de Russell Crowe ter recuado por questões financeiras, e de Heath Ledger ter recusado para ser Joker em The Dark Knight.

Quanto á história, uma aventura romântica, passa-se na Austrália, nos anos que antecedem a II Guerra Mundial. Nicole Kidman é Lady Sarah Ashley, uma aristocrata inglesa que herda um enorme rancho, e Hugh Jackman é The Drover, o duro que segura o rancho contra as investidas dos barões ingleses. Quando os dois tentam atravessar centenas de quilómetros em solo australiano, com uma manada de 2000 cabeças, testemunham o bombardeamento de Darwin, por parte da armada japonesa. Romance, acção e aventura, tudo sob a batuta de Luhrmann. Um filme que, visualmente, deverá ofuscar todos os demais. Sete anos depois de Moulin Rouge!, a expectativa é mais que muita. Esperemos que o resultado nos leve a dizer Não te atrevas a desaparecer tanto tempo, outra vez. Aqui fica o trailer, já deixado neste espaço.

Cyd Charisse.

De Cyd Charisse, as suas pernas foi o que vi em primeiro lugar. Aquela memorável cena de Serenata à Chuva (1952), em que Gene Kelly se depara com um chapéu preso por um sapato verde, foi o meu primeiro contacto com a elegante Syd Charisse. Uma actriz que deu os primeiros passos da sua carreira com a elegância de uma exímia dançarina. Ao som de uma orquestra, mexia-se como ninguém. Fosse ao lado de Kelly, ou Fred Astaire, Charisse nunca ficava na sombra. Na representação, nunca chegou a atingir a notoriedade de estrelas como Debbie Reynolds, Ava Gardner ou Deborah Kerr. A primeira impressão é aquela que marca mais. No entanto, basta passar os olhos por um ou dois filmes de Charisse, para vermos que, apesar do maravilhoso bailado, as suas pernas eram apenas uma parte. Cyd Charisse falaceu ontem, aos 86 anos.

18 de junho de 2008

O oficial.

O filme ainda não apareceu na lista dos mais aguardados para este ano, mas não por distracção. O seu lugar é lá bem em cima. Hoje, demonstrando toda a excitação em torno desta obra, limitamo-nos a trazer aqui o trailer, somente porque, depois do espanhol, chegou a nova versão em inglês. É verdade que a qualidade da imagem também está um bocado melhor, e isso também justifica o post. Fora isso, é apenas o passar de imagens maravilhosas com uma música sublime em pano de fundo. Já agora, aqui fica um vídeo com a música do trailer, The Aquarium.

10 em 10.

Esta foi das primeiras notícias do dia. No entanto, só agora chega a este espaço, porque boa parte do tempo foi passada a lidar com a frustração de alguns títulos, mais uma vez, ficarem omissos nas listas do American Film Institute (AFI). Antes de mais, convém dizer que estes tipos do AFI devem agrupar tudo e mais alguma coisa nas suas vidas. Os 10 amaciadores mais eficientes. As 10 qualidades de arroz que mais ajudam nos pratos lá de casa. As 10 maneiras de apertar o cinto de segurança. As 10 estações de rádio para ouvir ao despertar. Os 10 melhores nós de atacadores. Por aí fora. Isto é gente que não está muito tempo sem agrupar. Porque, convenhamos, o mundo é um local mais seguro e simpático, se tudo estiver ordenado por listas. Agora deu-lhes para escolher os dez melhores filmes de dez géneros. Analisar cada um destes grupos seria demasiado exigente. Aliás, o simples facto de Million Dollar Baby não estar no grupo dos dez melhores filmes de desporto, já dava para uma tese de doutoramento. Assim, para além do site oficial, onde podemos encontrar as dez listas, aqui ficam duas delas. Aquela que nos parece mais acertada,

Comédias Românticas:
Luzes na Cidade (1931),
Annie Hall (1977),
Uma Noite Aconteceu (1934),
Férias em Roma (1953),
Casamento Escandaloso (1940),
Um Amor Inevitável (1989),
A Costela de Adão (1949),
O Feitiço da Lua (1987),
Ensina-me a Viver (1971),
Sleapless in Seatle (1993),

e, aquela que parece menos,

Animação:
Branca de Neve e Os Sete Anões (1937),
Pinóquio (1940),
Bambi (1942),
O Rei Leão (1994),
Fantasia (1940),
Toy Story (1995),
A Bela e O Monstro (1991),
Shrek (2001),
Cinderela (1950),
À Procura de Nemo (2003).

Memórias.

Se dúvidas restavam, o poster de Burn After Reading vem confirmar que os Coen estão mesmo na disposição de fazer o que lhes der na real gana. Verdade seja dita, não será agora que alguém imporá restrições à dupla. Com Oscares, Palmas de Ouro, BAFTAS e Globos de Ouro no currículo, se Joel virar-se para Ethan e disser, Olha lá, e se a gente pegasse no estilo de Saul Bass para o poster?, e Ethan responder, Ora aí está uma bela ideia, não acreditamos que alguém levante objecções. Nem mesmo Bruckheimer. Mas, para isso, também era preciso que os três trabalhassem juntos, o que devia dar uma coisa esperta. Contudo, não perdendo o fio à meada, ainda bem que ninguém levanta objecções. A inspiração em Saul Bass só poderia resultar em algo hipnótico e profundamente apelativo. A mensagem subtil que os corpos transmitem. E, aquele tipo de letra resulta como nenhum outro. O /Film faz um belo apanhado dos trabalhos de Saul Bass que devem ter estado por detrás desta decisão.

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Presto.

Antes de WALL•E, as luzes apagar-se-ão primeiro para Presto. Para os fregueses habituais da Pixar, e quem vem aqui parar deve fazer parte da clientela, não será obviamente novidade o facto de uma curta-metragem dar-nos a boas vindas, assim que chegamos à sala. Mas, porque nunca é demais relembrar, em WALL•E, aquele quarto de hora habitualmente preenchido com publicidade reserva cinco minutos para a curta escrita e realizada por Doug Sweetland, sobre o melhor mágico do mudo, que um dia se esquece de alimentar o seu coelho. Aqui fica o primeiro clip disponibilizado. Tendo em conta que o robot espacial está quase a chegar, e esta é uma curta-metragem, provavelmente será o primeiro e último.

Entrevista a dois.

O tomatómetro não augura nada de bom, e as primeiras críticas a atingirem a net não falam dum filme que faça justiça à série original. Ainda assim, algumas vozes discordantes e mais entusiastas levam-nos a acreditar que Get Smart pode ser aquela diversão que, por esta altura do ano, cai que nem ginja. Agora, se as coisas não correrem bem, e a obra não render o esperado na bilheteira, depois do flop do ano passado que foi Evan Almighty, talvez Steve Carrell comece a ouvir algumas sugestões para abrandar um pouco, sair de cena, e durante uns tempos dedicar-se exclusivamente àquilo que o lançou para a ribalta. Considerando este cenário mais pessimista, se calhar até não será mal pensado. No entanto, se há coisa que irrita um tipo, é ver um talento como Steve Carrell desperdiçado por obras que dão para o torto. Mas, vamos com calma. Quem sabe se não está aqui um verdadeiro hit, a ultrapassar a barreira dos 100 milhões de dólares? Enquanto o filme não chega – a estreia no nosso país está prevista para 14 de Agosto –, vídeos como este ajudam a aguçar o apetite. Steve Carrell a entrevistar Anne Hathaway, e esta a retribuir a gentileza. Ocasionalmente, tenho tido a desfaçatez de manifestar por esta actriz uma admiração que vai para além das suas qualidades profissionais. Se ainda não o fiz de forma mais visível neste espaço, caneco, que seja hoje. Até porque esta atracção vai encontrando fundamentos, como ver que Anne e eu partilhamos coisas estranhíssimas. E, isso é espectacular a todos os níveis. Ela gosta de Steve Carrell. Eu gosto de Steve Carrell. Ela gosta de The Office. Eu gosto de The Office. Caramba, temos tantas coisas em comum, que nem o que dizer. Isto no dia em que é noticia o fim da sua relação. Será isto um sinal?


17 de junho de 2008

Poster Mistério.

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Tinha a sua piada chegar agora aqui e dizer Não, infelizmente, este é um vislumbre do poster de A Neve Caindo Sobre os Cedros. Mas, não. Toda a gente acertou, incluindo o prontíssimo Sm. Parece que uma ponte e um rio são mesmo sinónimo de Jesse e Celine. O filme, esse, Antes do Anoitecer (Richard Linklater).

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Prognósticos.

Normalmente, não sou grande apologista deste tipo de presságios. Contudo, desta feita, sinto que existe matéria suficiente para tal. Ainda no Deuxieme, tive oportunidade de escrever um post sobre o amor à segunda vista. Sobre aqueles filmes que vemos uma primeira vez, não gostamos muito, mas que, num segundo visionamento, acabam por convencer-nos em definitivo. Hoje, apesar de não sentir exactamente o mesmo em relação a No Country For Old Men, ou não tivesse gostado bastante daquilo que vi na tela, a cada dia que passa, vai aumentando a distância em relação à obra. E, não é isso que convém. Quando o filme é bom como tudo, ficamos com uma vontade incrível de revê-lo. Mal podemos esperar pela saída do Dvd. É comprar e metê-lo no leitor. Ora, não é este o pensamento em relação ao último filme dos Coen. Nos últimos dias, tenho discutido acerrimamente com os meus botões se esta não será uma daquelas obras com pouca longevidade. Daquelas que, daqui por uns anos, quando olharmos para trás, nos levarão a questionar Caramba, eu gostei assim tanto disto? Recordo como se fosse ontem, ter dito que a vitória deste filme nos Oscares era justa, assim como seria a de Haverá Sangue. Hoje, sou obrigado a dizer que a deste último cairia melhor.

E, a principal razão é esta. A longevidade da obra. Em No Country For Old Men, há uma personagem que nos persegue, mesmo depois do filme ter terminado. A mais valia está aí. Por muito boa que tenha sido a adaptação do argumento, nada suplanta a construção de Anton Chigurh. Em Haverá Sangue, nada ultrapassa a história. E, com os anos, corrijam-me aqueles que acham que estou errado, a obra de Paul Thomas Anderson será vista como aquela que devia ter triunfado. Convém, neste ponto, sublinhar que gostei, e muito, do magnífico filme dos Coen. No entanto, nestes dois, receio chegar à conclusão de que só um é épico.

7 - Blindness.

Há uns meses, talvez a expectativa em torno deste filme fosse maior. Hoje, não deixa de ser uma obra que suscita enorme curiosidade. Contudo, a forma algo desapaixonada como passou pelo Festival de Cannes não ajudou a alimentar o apetite. Pelo contrário, resfriou-o. Nos últimos meses, o que de melhor se viu ou leu sobre esta obra foi aquele maravilhoso vídeo de Saramago ao lado de Fernando Meirelles. Em Cannes, apesar de muitos aplausos, alguns torceram o nariz. E, fizeram até questão de dizer que o livro de Saramago merecia mais.

Agora, para quem ainda não viu o filme, este continua a ser realizado pelo Fernando Meirelles (O Fiel Jardineiro) de sempre, baseado numa obra de José Saramago, e com Mark Ruffalo e Julianne Moore nos principais papéis. Moore foi, aliás, aquela que mais elogios recebeu em Cannes. Em relação à história, esta conta-nos o flagelo de uma cidade atingida por uma epidemia que, subitamente, cega todos os habitantes. Numa comunidade à beira do colapso, uma mulher finge ter ficado também cega, de modo a ajudar o marido e um grupo de pessoas hospitalizadas.

Apesar das primeiras reacções não terem sido as mais entusiastas, continuamos a aguardar ansiosamente pela estreia desta obra. Em Portugal, a estreia está prevista para 13 de Novembro. Aqui fica o trailer.

Sequela a caminho.

Em princípio, só no próximo fim-de-semana é que será possível ver o incrível Hulk em acção. No entanto, parece-nos importante destacar aqui este fenómeno, cada vez mais em voga nos nossos dias, que dá pelo nome de Se - o - filme - tiver- relativo - sucesso - no - primeiro - fim-de-semana - fala-se - logo - em - sequela. Desta feita, estávamos ainda no primeiro dia de exibição, os indícios já começavam a ser bons, sim senhor, quando dois dos actores vieram para a praça pública, mais propriamente a MTV News, dizer que a Marvel e os produtores os tinham contratado para três filmes. O curioso é que, cada um o fez, puxando a brasa à sua sardinha. Por um lado, Tim Blake Nelson, que desempenha o papel de Samuel Sterns, esperançoso com a ideia de vir a encarnar The Leader. Por outro lado, Ty Burrell, que interpreta a personagem de Dr. Leonard Samson, à espera de vir a sofrer as consequências de uma exposição a raios gama, e tornar-se num tipo com super poderes. Segundo o realizador Louis Leterrier, Nelson é capaz de ter mais hipóteses. Se calhar, Burrell terá de esperar pelo terceiro capítulo.

Harvey Dent aka Two Face.

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A par de WALL•E, The Dark Knight será provavelmente o título mais aguardado, do qual menos falamos neste espaço, há já algum tempo. Como se bloqueássemos as noticias que por aí circulam sobre a película de Christopher Nolan. Talvez por ser tão fácil gostar à partida desta obra, depois de tudo aquilo que já vimos, existe um certo receio de estragar a experiência que será ver este filme. No entanto, após tanto marketing viral, e já depois do trailer oficial, fomos finalmente presenteados com o primeiro clip do filme. Um simples Hello de Two Face (Aaron Eckhart), e todo um frio que percorre a espinha. Contudo, em abono da verdade, com clip ou sem ele, hoje, a fotografia acima faria sempre parte deste espaço. Até agora, a melhor imagem de The Dark Knight. Simplesmente deslumbrante.

Vicky Cristina Barcelona - O Poster.

O filme é de Woody Allen. No elenco, encontramos os nomes de Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Patricia Clarkson e Rebecca Hall. As primeiras reacções, em Cannes, foram as melhores. Elogios e aplausos para argumento e Penélope. Resultado, The Weinstein Company pegou na obra, e abandonou os planos de uma distribuição limitada. Por tudo isto, a expectativa em torno deste título dificilmente poderia ser maior. Era escusado, por isso, que este poster fosse tão atraente.

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Poucos anjos, mais demónios.

A Newsweek dá conta dos primeiros obstáculos na produção de Anjos e Demónios, o próximo filme de Ron Howard e Tom Hanks baseado numa obra de Dan Brown. Parece que duas das graciosas igrejas de Roma – Santa Maria del Popolo e Santa Maria della Vittoria, duas das mais conhecidas, e que incluem quadros de Caravaggio, esculturas de Bernini e uma capela desenhada por Rafael –, onde a equipa pretendia rodar parte da história, ficarão de portas fechadas. Tudo porque, nas palavras de Monsignor Marco Fibbi, porta-voz da diocese de Roma, “[the movie] does not conform to our views”. Segundo a diocese “It's a film that treats religious issues in a way that contrasts with common religious sentiment”. E, ao permitir a rodagem nos espaços pretendidos, “We would be helping them create a work that might well be beautiful but that does not conform to our views”. Discussões sobre consentimentos e restrições à parte, não deixa de ser admirável a forma como as obras de Dan Brown recebem todo o tipo de publicidade gratuita. Mas, agora que penso nisso, este post acaba por fazer exactamente o mesmo. Bolas, da próxima vez já não digo nada.

Stan Winston.

Muitos foram os filmes em que Deus quis, o homem sonhou, e Stan Winston criou. Vencedor de quatro Oscares, um por Aliens, outro por Parque Jurássico, e dois por Exterminador Implacável 2: Dia do Julgamento Final, Winston ficará para sempre ligado à História do Cinema, no qual contribuiu, como poucos, para o desenvolvimento de áreas como os efeitos especiais e caracterização. Para além dos quatro Oscares (para os quais foi nomeado nove vezes), constavam ainda do seu currículo três BAFTAS e dois Emmys. O espelho de uma carreira preenchida por títulos como Eduardo Mãos de Tesoura, Veio do Outro Mundo, AI, Entrevista Com o Vampiro, Batman Regressa, Big Fish, O Perdador e Galaxy Quest. O seu último trabalho no grande ecrã, Iron Man. Qual visionário sempre a desafiar os limites do possível, Winston foi responsável pelo nascimento de inúmeras personagens que, até então, apenas habitavam na mente dos cineastas. No Passeio da Fama, em Hollywood, foi o segundo director de efeitos especiais a receber uma estrela. O nosso caro Knoxville é que tem razão, Stan Winston pode ser um nome desconhecido para uma vasta maioria de cinéfilos de todo o mundo. O seu trabalho, porém, não o é”. Muito antes de conhecermos o seu nome, já nós tínhamos proferido carradas de Wows com as suas criações. Winston faleceu este Domingo, aos 62 anos.

Qual é o Filme?

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8 - Body of Lies.

Reza a lenda que, no primeiro dia de filmagens, a equipa se dividiu em dois grupos: aqueles que já ganharam um Oscar, e aqueles que ainda não ganharam. Assim, de um lado, ficaram Russell Crowe, William Monahan e Pietro Scalia. Do outro, Ridley Scott, Leonardo DiCaprio, Carice Van Houten, Marc Streitenfeld e Alexander Witt. Quando, em qualquer obra, o grupo que não arrecadou ainda um Oscar é composto por estes elementos, é porque o trabalho só pode estar nivelado por cima.

Baseado na obra homónima de David Ignatius, o projecto começou por receber mesmo o nome de Body of Lies. Durante a rodagem, alguém se lembrou de mudar para House of Lies. Actualmente, parece que voltou a ser Body of Lies, tal como o livro. A história, essa, parece talhada para a exímia montagem de Pietro Scalia. Quando o agente da CIA Roger Ferris (DiCaprio) descobre forte indícios de que um líder terrorista jordano pode estar a operar em território estrangeiro, solicita ao veterano Ed Hoffman (Russell Crowe) autorização para uma missão onde terá de ir infiltrado. Esta missão levará Ferris a questionar até que ponto pode confiar naqueles que julga serem seus aliados. Hoffman, e todos os outros.

Com William Monahan (The Departed), responsável pela adaptação do argumento, estamos em crer que Scott poderá ainda subir mais a parada, depois do estupendo Gangster Americano. Nos últimos anos, a Academia tem demonstrado todo o seu afecto por obras onde o crime e a conspiração são os mais importantes ingredientes. Ao que tudo indica, acção será mesmo o prato forte deste título. E, apesar de andar a cheirar o Oscar sob a batuta de Scorsese, quem sabe se não será pela mão de Ridley Scott que Leonardo DiCaprio subirá ao palco do Kodak Theater. Nos Estados Unidos, o filme tem estreia prevista para 10 de Outubro. Antes disso, passará ainda pelo Festival de Veneza.

16 de junho de 2008

A próxima joint de Spike Lee.

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Na lista dos mais aguardados para este ano, que temos vindo a elaborar neste espaço, Miracle at St. Anna ocupou uma honrosa 17ª posição. o problema é que, depois de vermos o trailer, dá vontade de puxar este título um bocado para cima.

Toda uma outra época.

Dentro das bandas sonoras não originais – à falta do termo técnico, este parece-nos o mais correcto –, a de Platoon (Oliver Stone, 1986) está muito perto do topo. Rés-vés Campo de Ourique ali com a de Forrest Gump (Robert Zemeckis, 1994). No caso deste último, não falamos, obviamente, da sublime partitura de Alan Silvestri, mas do Cd que inclui singles dos The Byrds, Jefferson Airplane, ou Creedence Clearwater Revival. Este fim-de-semana, tive oportunidade de rever o magnifico filme de Oliver Stone e, acto contínuo, assim que a obra terminou, rapidamente me lancei nas músicas que o percorrem. Uma em particular, não só pela dimensão que traz à cena em que está inserida, como por ser uma belíssima canção, com todas as letras. Desde sábado, dia em que este leque invadiu o Mp3, que a banda-sonora do quotidiano não passa disto. Qual delas a melhor?

Tracks of my Tears – Smokey Robinson & The Miracles,
Okie From Muskogee – Merle Haggard,
Hello, I Love You – The Doors,
White Rabbit – Jefferson Airplane,
Respect – Aretha Franklin,
Dock of the Bay – Ottis Redding,
When a Man Loves a Woman – Percy Sledge,
Groovin’
– The Rascals.

Pelo meio, temos a sorte de poder reviver a experiência de ver o filme, em plena hora de ponta. É só vantagens.

Na mó de cima.

Provavelmente, até terá a ver com questões faciais. Uma série de estudos demonstra que as feições podem ser determinantes para a cognição social, e comunicação de emoções. Há quem diga, também, que os olhos são o espelho da alma, e por aí fora. Enfim, ramos da ciência e senso comum, ambos se interessam por este tema das impressões e comunicação não verbal. Apesar de uma introdução com um certo teor de seriedade ter sempre o seu lado mais atraente, mais vale dizer que Michael Douglas tem uma apetência extraordinária para interpretar tipos no topo do mundo, e deixarmo-nos de conversa fiada. Se, quando o filme começa, a personagem de Douglas não tem mais dinheiro e poder do que todas as outras juntas, basta esperar dez minutos. À passagem do quarto de hora, Michael Douglas está a interpretar o papel da personagem com maior autoridade em toda a história. Senão, vejamos.

Wall Street (Oliver Stone, 1987)

Como Gordon Gekko, Douglas está literalmente no topo do mundo. Não dá para perceber bem qual o edifício onde Gekko trabalha, de qualquer forma, o escritório fica lá bem para cima, nos andares mais altos. O filme de Oliver Stone valeu a Michael Douglas o seu primeiro Oscar como actor, e colocou em definitivo o nome de Douglas nos anais da História da sétima arte. Greed is good. Maravilhoso.

A Guerra das Rosas (Danny DeVito, 1989)

Este é daqueles em que ainda temos de esperar um bocado para ver a fama e fortuna de Douglas. No entanto, não demora muito. Casa, carro, mulher, filhos, nada lhe falta. É verdade que as coisas acabam um bocado para o torto, mas, mais uma vez, o papel do tipo de sucesso, cuja vida corre sobre rodas, assenta que nem uma luva a Michael Douglas. Por muitos considerado um filme menor, A Guerra das Rosas (1989) é uma autêntica relíquia em ponto pequeno. Como o seu realizador.

Uma Noite Com o Presidente (Rob Reiner, 1995)

Aqui, Michael Douglas é apenas Presidente dos Estados Unidos. É preciso dizer mais alguma coisa?

O Jogo (David Fincher, 1997)

Ao fim de algum tempo, talvez incomodado com todos os contos de fadas que Douglas ia vivendo no grande ecrã ao longo da sua carreira – apesar da chatice que terá sido ter uma Glenn Close e Demi Moore à perna, em filmes diferentes, acreditamos que o inicio de ambos corrobora esta tese –, David Fincher lembrou-se de pregar um susto do catano ao actor. Contudo, para todos os efeitos, este é mais um em que Douglas faz e acontece.

Um Homicídio Perfeito (Andrew Davis, 1998)

Neste, nem chegamos bem a saber o que a personagem faz. Parece que tem uma empresa, compra e vende acções como se não houvesse amanhã, vive em Upper East Side, e joga póquer com os amigos à quarta-feira. Para além disso, é casado com Gwyneth Paltrow, e consegue arranjar 400 mil dólares do pé para a mão. É obra.

Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1993)

Posto isto, não é irónico que um dos melhores filmes da carreira de Douglas seja sobre um tipo desempregado e frustrado com a sociedade que o rodeia? Um Dia de Raiva (Joel Schumacher, 1993) é muitas vezes e injustamente, uma obra esquecida.

Filmes de Verão - A Praia.

É verdade que, no calendário, só está marcado para o próximo fim-de-semana. No entanto, este sábado, já parecia que o Verão tinha chegado em força. O calor fez-se sentir e bem, e as praias receberam as primeiras verdadeiras enchentes. E, é inevitável. Todos os anos, por esta altura, quando a incerteza da Primavera começa a ficar para trás das costas, alguns filmes invadem a mente. Como quando ouvimos o primeiro Jingle Bell, e recordamos Sozinho em Casa. Ou, quando olhamos para uma fotografia do Empire State Building, e recordamos Cary Grant e Deborah Kerr. Porque a magia do Cinema também é feita de memórias reavivadas pelo mais trivial dos elementos. Neste caso, sol e praia, acima de tudo. Vários são os filmes facilmente associados a este período no qual estamos prestes a entrar, para muitos, a mais querida das estações. Ao longo dos próximos tempos, provavelmente, até meados de Setembro, apresentaremos aqui um filme por semana, sobre este tema. De preferência, uma obra que dê ainda mais vontade de dar um pontapé no trabalho, fazer as malas, e ir de férias. Mesmo que não seja o melhor dos filmes. O que importa é que esteja presente o simbolismo da viagem. Como acontece no caso de A Praia (Danny Boyle, 2000).

Confesso, este é dos poucos em que li o livro. Apesar de não terem sido muitos, este confirmou a regra de que o original tende a ser melhor do que a adaptação. Aliás, a seguir ao terceiro tomo de O Senhor dos Anéis, este será talvez o caso mais gritante. Não que o filme seja mau. No entanto, a obra que lhe serve de base está anos-luz à sua frente. Tal como Tolkien, Alex Garland não tem culpa. Limitou-se a escrever um livro. Livro este que Danny Boyle não soube tratar da melhor maneira. É verdade que A Praia de Garland, não apenas por ser uma obra de culto, mas, sobretudo, pela temática abordada e escrita adoptada, não é dos materiais de mais fácil adaptação. No entanto, naquilo que dava para fazer a diferença entre um trabalho razoável e um bom trabalho, Boyle parece ter-se deixado levar pela beleza das paisagens tailandesas, e esqueceu-se do que realmente importava. No final, ficamos com a sensação de ter visto um filme interessante, sim senhor, agradável à vista, mas com falhas latentes. E, para quem leu o livro, havia tanto mais a explorar. Se quisermos, A Praia é uma antevisão daquilo que anos mais tarde chegaria à televisão pela mão da ABC, e que dá pelo nome de Lost. Um exercício de reflexão sobre as necessidades, e cadeias de motivação inerentes à condição humana. Um manifesto do viajante eternamente insatisfeito com o destino atingido. Um mergulho profundo na recusa aos bens materiais. Contudo, isto é aquilo que vemos somente a espaços na película de Danny Boyle. Procurando não reprovar em demasia o filme, a ideia que fica é a de um grupo de gente bonita a passear numa ilha paradisíaca, ao som de uma banda sonora comercial, e onde um triângulo amoroso banal acaba por emergir. Porém, a escrita de Garland, com todo aquele cinismo e ironia, vai muito mais além. Se calhar, até mais do que Titanic (James Cameron, 1997), este terá sido o filme que levou DiCaprio a olhar-se ao espelho e perguntar O que é que queres fazer da tua carreira? Mas, uma coisa é certa. Este filme dá uma vontade do camandro de ir de férias. Aqui fica o trailer de A Praia.

Há semanas assim.

De quarta-feira da passada semana, até esta sexta, foi um daqueles períodos em que prevaleceu a Lei de Murphy: Se alguma coisa pode correr mal, correrá. Tudo começou terça-feira, quando o computador, esse aparelhómetro que já no Deuxieme tinha feito das suas, decidiu ameaçar diversas vezes com um desligar por conta própria. Felizmente, bastava carregar no botão, e o dito cujo lá voltava a funcionar. Apesar de desagradado com a situação, dava para ir andando. Mas, não por muito tempo. Quarta-feira desligou-se em definitivo. Quinta, ao acordar, nada. Foi então que recrutei os prestáveis serviços de quem já me tinha socorrido quando, há uns meses, a motherboard foi desta para melhor. Agora, porque destas coisas de computador não percebo grande coisa, achei que enquanto estivessem aqui em casa a tratar do pobre coitado, seria uma boa altura para aproveitar, e ir ver as quatro de Manhattan em acção. Sol de pouca dura. Precisamente a meio do filme, no intervalo, um telefonema que pretendia serenar as hostes, mas que foi mais inquietante do que outra coisa qualquer. O computador tinha aquecido em demasia e fumo inclusive saído da caixa. Para quem estava aqui era bom sinal, porque o problema tinha sido detectado. Agora, para quem estava no Cinema, a ideia de que um fogo esteve perto de deflagrar no próprio quarto, não é lá muito agradável. Por muito que custasse, era obrigado a regressar, e deixar para trás a afável companhia de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Aliás, esse foi o último dia que vi o meu computador e Carrie. O primeiro, felizmente, reencontrei-o esta sexta-feira. Quanto a Carrie Bradshaw, digamos que a primeira metade do filme não foi suficiente para que, logo no instante a seguir, dissesse Caramba, tenho de regressar rapidamente à sala para acabar de ver isto. Aliás, posso afirmar que foi até uma decisão fácil, deixar o filme para trás, e regressar a casa. É claro que, por vontade própria, teria continuado de bom grado na minha cadeira, a assistir ao desenrolar da história. Quem sabe se a última hora não nos reserva a maior das surpresas. De qualquer forma, tenciono ver o resto da obra, quanto mais não seja para ficar com o quadro completo. Agora, porque aquilo que correu mal no resto da semana, nada tem que ver com Cinema, fiquemo-nos por aqui, pegando neste tema. Filmes de que saímos a meio. Este O Sexo e A Cidade foi o terceiro. Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto, porque a pessoa com quem estava adormeceu e decidimos que não valia a pena continuar, até porque já tinha visto o filme num visionamento, foi o primeiro. A Ronda da Noite, recentemente, porque a pessoa com quem estava ficou indisposta a meio, foi o segundo. Até hoje, nunca sai de uma sala de cinema pelo próprio pé. Não aguento mais! Vou-me embora! Vontade para tal, talvez já tenha existido. Desse lado, já alguém bateu com a porta nalgum filme?

Antes de terminar, resta dizer que não é fácil estar uma semana sem escrever no Yada. Se a Annie não pode neste momento, por questões de trabalho, da minha parte, há muito que passou a fazer parte do quotidiano escrever sobre cinema. Primeiro, no Deuxieme. Agora, aqui. Pelo silêncio, peço desculpa. No entanto, creio que Murphy ainda não se debruçou sobre o final das coisas. Este filme ainda agora começou, e muitos ovos estão ainda por colher.

13 de junho de 2008

Tomorrow.

Amanhã será explicada esta ausência súbita e acidental, que não fazia parte dos planos. Por agora, apenas poderei dizer que devido à falta de combustível, este regressar de mota não ajudou. Amanhã, a ordem será reposta, e saciada a sede de deitar cá para fora tudo e mais alguma coisa, desde a saída a meio, também súbita e acidental, de O Sexo e A Cidade, na passada semana. Está tudo ligado. Mas, já que estamos aqui, a resposta está certa. O filme abaixo é o belíssimo Sabrina (1955), de Billy Wilder.

4 de junho de 2008

Qual é o Filme?

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9 - The Soloist.

O potencial deste filme é tanto, que a nona posição parece pouco. Mas, quando olhamos para aqueles que ainda faltam, percebemos que algum teria de ficar por aqui. Até agora, esta é, sem sombra de dúvidas, a obra com mais Oscar material. Assim de rajada, antecipamos possíveis nomeações em categorias de peso como Filme, Realização, Argumento Adaptado, Actor e Actor Secundário. Mas, lá está, para estas previsões precoces fazerem algum sentido em inícios de Junho, é preciso que o filme corresponda às elevadas expectativas que já vêm de longe.

Expectativas desde logo criadas quando vimos que Joe Wright (Expiação) seria o realizador; que Susannah Grant (Erin Brockovich) seria responsável pelo argumento; que a banda sonora estaria a cargo de Dario Marianelli, e que poderíamos contar com as presenças de Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Katherine Keener, Stephen Root e Marcia Gay Harden. O filme, baseado em factos reais, conta-nos a história de Nathaniel Ayers (Foxx), um prodígio musical que desenvolve esquizofrenia durante o segundo ano na Juilliard School. Ayers torna-se num sem abrigo, tocando violoncelo na baixa de Los Angeles para os transeuntes. Robert Downey Jr. é Steve Lopez, um jornalista do Los Angeles Times que se torna amigo de Ayers, à medida que vai redigindo um artigo sobre ele. Hoje, este está disponível no site do jornal. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 21 de Novembro. A curiosidade em torno deste filme é mais que muita.

Um misto de saudades e indignação.

Ainda antes de Arrested Development, já Ron Howard e Brian Grazer nos mostravam ter jeito para apostar em programas televisivos. Sobretudo, em séries acima da média com propensão para serem canceladas antes do tempo. Hoje, o dia começou com uma vontade enorme de rever isto. The PJ’s, criada por Eddie Murphy, Steve Tompkins, e Larry Wilmore, passou por cá pela mão da SIC Radical, mais ou menos por altura da troca dos milénios. Agora que o dia está a chegar ao fim, a vontade de rever esta preciosidade é ainda maior. Será que não há meio de alguém editar isto por estes lados? Caramba, é preciso estar sempre em bicos dos pés para espreitar além fronteiras.

Em defesa de Meyers.

Dia parco em notícias dá para tudo. Até para deitar os olhos num artigo do Hollywood Reporter sobre The Love Guru, e achar que isto é a coisa mais interessante que por aí anda. Tudo porque o escritor Deepak Chopra saiu em defesa do próximo filme de Mike Meyers – que, depois da reaparição de Dwayne’s World, voltou a cair nas graças de Alvy Singer, E, foi necessário sair em defesa, porque, ao envolver temas religiosos, a obra consegue já reunir opositores. As vozes contra o filme realizado por Marco Schnabel dizem que este é um trabalho que ridiculariza o Hinduísmo, utilizando termos sagrados de forma leviana. Chopra, amigo de Meyers há quinze anos, diz que estas queixas, baseadas em dois minutos e meio de trailer, não passam de propaganda religiosa – hoje, já tivemos aqui o exemplo político. Segundo Chopra, estas imagens dadas a conhecer no trailer, em nada têm que ver com o objectivo do filme, a mensagem que se pretende passar. O verdadeiro ponto alto do artigo surge quando Mike Meyers é citado, e ficamos a saber o real significado da palavra Drama.

The teachings in this comedy are fictional and non-denominational. They are based on a made up system called D.R.A.M.A. D.R.A.M.A. is Distraction, Regression, Adjustment, Maturity and Action. It's a mythical creation. It's like the Force in 'Star Wars”.

Isto é do mais interessante que as notícias de hoje têm para oferecer. Aqui fica o trailer de The Love Guru, com estreia prevista nas nossas salas para 28 de Agosto.

3 de junho de 2008

Bloody Bill.

Auckland, Nova Zelândia. País de Peter Jackson, país de O Senhor dos Anéis. A partir de hoje, provavelmente, país do melhor placard publicitário de um filme. Mas, nem sequer de uma obra em exibição nas salas. Esta pequena maravilha de marketing deve-se tão-somente à passagem do filme por um canal de televisão. Não era coisa para tanto, mas a gente agradece o regalo para a vista.

Cinematecas.

A notícia vem no Público de hoje, e vale a pena alertar aqui para o abaixo-assinado a favor da instalação de um pólo da Cinemateca Portuguesa no Porto. A petição, lançada quinta-feira por estudantes universitários, conta já com mais de 2200 assinaturas. No abaixo-assinado podemos ler:

Os abaixo-assinados estão cientes desta situação e acreditam que, sendo insustentável que o funcionamento da Cinemateca não esteja de acordo com o seu âmbito nacional; sendo intolerável que a cidade de Lisboa, apenas por via desta instituição, tenha acesso, por dia, a cinco filmes na sua maioria anteriores à década de 90, enquanto que o Porto passa vários meses sem poder ver uma obra histórica relevante; havendo várias manifestações cívicas, associativas e pessoais, a reivindicarem o alargamento do âmbito do organismo em questão, é fundamental e urgente a criação de um pólo da Cinemateca Portuguesa na cidade do Porto”.

A estas vozes juntam-se a de João Bénard da Costa, director da Cinemateca, e de Isabel Alves Costa, filha do crítico e historiador de Cinema Henrique Alves Costa, actriz, programadora cultural e professora de Expressão Dramática.

Essa foi uma batalha de toda a vida do meu pai que ele nunca viu concretizada. É muito triste o estado a que chegámos nesta cidade que teve um lugar tão importante na história do cinema em Portugal. Cinemateca Portuguesa não é a cinemateca de Lisboa, é nacional, por isso devia estender a sua actividade a todo o país, pelo menos às capitais de distrito”.

Também Beatriz Pacheco Pereira, directora do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto, manifestou o seu desagrado.

Lamentavelmente, estamos limitados aos grandes êxitos norte-americanos e aos pacotes de filmes que eles impõem aos circuitos de distribuição com os filmes mais comerciais. Todos os anos são feitos milhares de filmes em todo o mundo que os portugueses não vêem porque o circuito de distribuição em Portugal está limitado aos filmes americanos”.

Aqui fica o link para o abaixo-assinado.

10 - Rachel Getting Married.

Entrados que estamos no famigerado top ten, convém avançar com relutância quando falamos dos filmes mais aguardados do ano. Sobretudo, deste número dez, ainda um tiro no escuro, por esta altura do campeonato. A verdade é que, quanto mais perto aproximamos do topo desta lista, menor devia ser a incerteza quanto ao potencial da obra. No entanto, como na roleta do casino, existe aqui uma vontade secreta de apostar em grande neste filme que, até ao inicio desta semana, tinha o nome de Dancing With Shiva. Hoje, parece que chegará às salas como Rachel Getting Married.

O filme, realizado pelo singular Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, 1991), longe de ser o mais popular dos cineastas, não possui um elenco de encher o olho. Tem Anne Hathaway, sim senhora, Debra Winger, Bill Irwin, e Rosemarie DeWitt (que podemos ver actualmente na magnífica Mad Men), ou seja, nada que leve multidões às salas. Também a estreante argumentista, Jenny Lumet, nada fez ainda que comprove o seu valor. Nem o apelido a liga a alguém que suscite interesse. No meio disto tudo, porquê aguardar ansiosamente por este título.

Antes de mais, a história. Descrito como um drama com pinceladas de humor agressivo, este é um filme sobre o regresso a casa de uma filha alienada, para o casamento da irmã. Quando a invulgar Kym (Hathaway) volta a casa, toda a dinâmica da família sofre alterações, reemergindo tensões passadas, algumas resolvidas a bem, outras, nem tanto. Acima de tudo, por parece-nos um conto sério e decente com arranjos de comédia. E, seja em que ano for, esse será sempre um tipo de filme a seguir com atenção. Depois, porque tem Demme aos comandos. Ainda ninguém nos convenceu de que não está para vir o dia em que este homem não subirá novamente ao mais imponente dos palcos. Em seguida, porque tem Anne Hathaway. A par de Natalie Portman, a actriz com o olhar mais angelical de Hollywood. Só isso explica porque tenha sido seleccionada para confrontar o Diabo. E, por último, a fotografia que dá cor a este post. Qualquer obra que se apresente com uma imagem destas, merece a nossa distinção.

Originalidades (continuação).

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Aqui fica o cartaz de que falámos ontem. Imagem captada não à beira da 2ª Circular, mas em plena rotunda de Entrecampos. Convirá, porventura, esclarecer que a única razão pela qual resolvemos trazer material de propaganda partidária a este espaço, se prende com a enorme satisfação de ver um clássico da sétima arte ser adaptado às lides políticas. Satisfação, não. Orgulho. Quem diria, em 1975, que o filme de Spielberg serviria também para estas coisas? Aqui fica provada a grandiosidade da obra. No entanto, não podemos também deixar de constatar que isto revela falhas ao nível do sentido de oportunidade. Por esta altura, talvez espicaçasse mais um Obrigado Por Fumar (Jason Reitman, 2005), ou um O Informador (Michael Mann, 1999). Mas, nós percebemos, estes são títulos mais rebuscados, longe do alcance de um blockbuster, e o desenvolvimento de uma opinião pública não se compadece com películas menores. Só fica a dúvida de quem estará por detrás da banda sonora, elemento fulcral do filme.

Uma parte já está.

Após meses de negociações, o elenco de Os Simpsons chegou a acordo com a 20th Century Fox. As notícias diziam que a exigência dos actores de topo rondava os 500 mil dólares por episódio. Na última temporada, a 19ª, o vencimento era de 300 mil. Aritmética simples ditou que o acordo fosse atingido pela módica quantia de 400 mil. Do núcleo duro da série, apenas Harry Shearer (Mr. Burns, Smithers e Ned Flanders) não assinou ainda o contrato válido por quatro anos. No entanto, espera-se que tal aconteça nos próximos dias. Hoje, arranca a produção da vigésima temporada, onde estarão previstos 20 episódios, contrariamente aos habituais 22. Apesar deste contrato de quatro anos entre actores e estúdio, ainda não existe qualquer pedido para mais temporadas. O fantasma do cancelamento continua a pairar sobre o programa. Para afastar estes pensamentos sombrios da nossa mente, nada melhor que rever um qualquer anúncio amarelo. E, que venha a vigésima!

Warner Brothers e as mulheres.

Com O Sexo e A Cidade, chegou também às salas norte-americanas o trailer do remake de The Women (George Cukor, 1939). Nem uma semana depois, já corre tinta. Por estes dias, o entusiasmo em torno das quatro de Manhattan é tanto, que na Warner Brothers fala-se já numa possível sequela. A estreia estrondosa apanhou muita gente desprevenida, até porque estes 56 milhões obtidos no primeiro fim-de-semana estavam nas estimativas de muitos analistas, para todo o período de exibição. Contudo, este é apenas um lado da moeda. Do outro, a mesma Warner Brothers continua a deixar a moribunda e à beira da falência Picturehouse responsável pelo marketing e distribuição limitada deste tal remake de The Women.

A obra, realizada por Diane English, argumentista de séries como Murphy Brown, não tem tido o mais fácil dos partos. Depois do financiamento arrancado a ferros, parece que Jeff Robinov, um dos executivos da WB que há muito manifestou a sua opinião relativamente a filmes protagonizados por mulheres, não gostou do primeiro screening. Ora, isto só veio dificultar o que já não era fácil. Nas mãos de outro estúdio, qualquer um que não tivesse Robinov como executivo, era fácil resolver esta equação. Aliás, nem há equação. É uma mera soma de 1+1. Se este fim-de-semana serviu para alguma coisa, foi provar que mulheres são capazes de abrir um filme. Caramba, realizada por uma das mais influentes argumentistas e produtoras de uma das melhores sitcoms dos nineties, e com um elenco onde encontramos estrelas como Meg Ryan, Annette Benning, Eva Mendes, Carrie Fischer, Candice Bergen, Jada Pinkett Smith, Debi Mazar e Debra Messing, será assim tão complicado rentabilizar a obra? Nikki Fenke avança até com um possível slogan óbvio para a campanha “If you loved Sex In The City, then you need to see The Women that started it all”. No artigo de Fenke, dois desenvolvimentos ajudam a completar a história. O primeiro, diz-nos que alguém da WB terá informado que o estúdio planeia dar uma nova oportunidade ao filme, e vê-lo novamente. O segundo, para não pensarmos que Robinov baixou a guarda, diz-nos que Spring Breakdown, com Amy Phoeler, Parker Posey e Rachel Dratch, sairá directo para vídeo. Ele há mesmo pessoas inflexíveis. E casmurras. O que este Robinov precisava era de uma Maria austríaca, vibrante e a cantar Something Good, a entrar-lhe pela casa adentro. E, já agora, de uma rectoscopia. Mas, só para confirmar que está tudo bem. Aqui fica o trailer de The Women.

MTV Movie Awards.

Ontem cheguei à conclusão de que a cerimónia dos MTV Movie Awards será, muito provavelmente, a minha preferida. Isto porque é aquela em que não encontro um único nomeado pelo qual torcer afincadamente. É claro que ver o Johnny Depp é sempre motivo de enorme regozijo, no entanto, se Jack Sparrow não ganhar não me atiro de cabeça às almofadas do sofá. Digamos que é aquela que decorre mais serenamente, sem unhas a desaparecer, suores frios, ou braços no ar de exaltação. Todo um visionamento sereno, que possibilita tirar o máximo partido dos momentos de comédia. Bem hajam, MTV Movie Awards, desculpa esfarrapada para juntar estrelas de Hollywood, brincar ao marketing com os blockbusters da temporada, e piscar o olho ao espectador com a elegância de toda uma cultura pop.

No que aos prémios diz respeito, não tivemos direito a grandes surpresas – nestes eventos, verdade seja dita, também não sabemos muito bem o que esperar. Eis os grandes vencedores da noite:

Melhor Actriz – Ellen Page (Juno),
Melhor Actor – Will Smith (Eu Sou a Lenda),
Melhor Interpretação Cómica – Johnny Depp (Os Piratas das Caraíbas),
Melhor Revelação – Zac Effron (Hairspray),
Melhor Combate – Never Back Down,
Melhor Filme de Verão Até Agora – Iron Man,
Melhor Vilão – Johnny Depp (Sweeney Todd),
Melhor Beijo – Step Up 2 The Streets,
Melhor Spoof – Juno: Teen Pregnancy Redux,
MTV Generation Award – Adam Sandler,
Melhor Filme – Transformers.

Aqui fica o link com o espectáculo todo, para quem estiver na disposição de passar pelos 32 clips. Como se de teasers se tratassem, aqui ficam os dois momentos preferidos da noite. Desta que se assina, a primeira vez que Depp subiu ao palco, e Diablo Cody precisou de apanhar ar. O ar desolado de Seth Rogen diz tudo.

Para o outro deste estaminé, a reunião de Mike Meyers e Dana Carvey, como Wayne Campbell e Garth Algar. Quinze anos depois, o regresso do sketch clássico do Saturday Night Live.

2 de junho de 2008

Mundo pequeno.

Quando pensávamos que já mais nada poderia acontecer a Valkyrie, de Bryan Singer, após o adiamento da estreia para Fevereiro de 2009, eis que nos provam o contrário. Antes de mais, uma breve palavra sobre este adiamento. Desilusão. Já está. Desenvolvendo um pouco mais a ideia, podemos dizer que adiar um filme com buzz de Oscar para o inicio do ano seguinte, sem projectar qualquer passagem por um festival europeu, é o segundo ataque mais letal a qualquer película, imediatamente a seguir a pegar na bobine e dar-lhe uma valente guilhotinada.

Contudo, parece que alguém ainda não estava satisfeito com este cenário. Nomeadamente, Harvey Weinsten, que adquiriu os direitos de Operation Valkyrie (Jo Baier), um telefilme alemão de 2004 sobre o mesmo tema, e que relata precisamente os mesmos eventos. Curioso, no meio disto tudo, é o facto de a MGM estar por detrás da Valkyrie de Singer, e dos acordos de distribuição da Weinstein Company. Porém, a verdadeira pièce de résistance deste puzzle é Carice van Houten (Livro Negro). O filme alemão é protagonizado por Sebastian Koch (As Vidas dos Outros, Livro Negro), papel interpretado por Tom Cruise na obra de Hollywood. Nesta, Cruise conta com a participação de Carice van Houten, companheira de Koch na vida real. Ainda dizem que filmes, só na tela.

A questão que se coloca, neste momento, é saber se Harvey Weinstein terá coragem e dinheiro suficiente para fazer com que isto chegue às salas, antes de Bryan Singer estrear a sua aguardada obra. É que, do pouco que conhecemos de Weinstein, ele não é homem para deixar isto muito tempo nas prateleiras.

Originalidades.

Maldito trânsito, o da 2ª Circular. Nunca corre a nosso deleite. Ora está excessivamente lento para os nossos propósitos, ora demasiado fluído para as surpresas que possam despontar à beira da estrada. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que não é preciso travar ali em frente ao Colombo. Hoje, convidava-se a carregar a fundo no pedal. Com um sorriso no rosto, viro-me para o lado para felicitar o centro comercial. E, nesta fracção de segundos que separa um condutor responsável de um maníaco atrás do volante, reparo que um cartaz alusivo a O Tubarão (Steven Spielberg, 1975) é utilizado como arma de arremesso político. Chegado a casa, procuro na Internet, mas nada. Só consegui ver o realizador da película: José Sócrates. Porque isto parece interessante, amanhã já vou precavido e levo a máquina fotográfica no porta-luvas. Aguardam-se desenvolvimentos.

Extra! Extra!

O grau de importância exige um letreiro destes. Antes de mais, recuperemos aquilo que até ontem era do domínio público. Até dia 01 de Junho de 2008 sabia-se que Johnny Depp seria o protagonista da adaptação ao grande ecrã da clássica série de televisão norte-americana Dark Shadows. O programa, com as lendárias interpretações de Jonathan Frid e Grayson Hall, onde não faltavam vampiros, monstros, bruxas, fantasmas, zombies e fantasmas, marcou o inicio das séries sobre o sobrenatural, com uma atmosférica gótica sem precedentes até então. Até dia 01 de Junho de 2008 sabíamos isto. Dia 02 de Junho, ficámos a conhecer o argumentista e realizador da adaptação. E, deixem-me apenas dizer que isto é o equivalente àqueles momentos decisivos num concurso de Misses, em que anunciar a 1ª Dama de Honor, é o mesmo que dizer a grande vencedora. Aqui, anunciar o escrivão é o mesmo que dizer o realizador. Pois, dia 02 de Junho, John August (Charlie e a Fábrica de Chocolate, A Noiva Cadáver, Big Fish) foi anunciado como argumentista. Ainda é preciso dizer o realizador? Talvez as duas personalidades ligadas à sétima arte, que mais vezes provocaram arritmia. Cada uma, do seu lado da câmara. É, por isso, com enorme satisfação, que vemos novamente uma reunião nas carreiras de Johnny Depp e Tim Burton.

11 - Milk.

Um biopic pela mão de Gus Van Sant é algo que desperta sempre a nossa atenção. Então, se o elenco for composto por gente ilustre como Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, James Franco e Diego Luna, melhor ainda. Harvey Milk (1930-1978), interpretado por Sean Penn, foi o primeiro homossexual assumido publicamente eleito por sufrágio universal para um cargo político. As primeiras imagens, chegadas à net bem cedo, em meados de Janeiro deste ano, deram-nos já a experimentar aquele ambiente retro de qualquer filme situado nos seventies. Apesar de faltarem ainda seis meses para o final do ano, nada nos coibirá de dizer que está aqui um projecto a ter em conta para os Óscares de 2008. Tema polémico, sensível, com actores de peso, e um afamado realizador, normalmente, dá certo. Para além do mais, depois de um flop como All The King’s Men, Sean Penn costuma frisar, com uma qualquer brilhante interpretação, que aquilo não passou disso mesmo, um flop. O normal é andar sempre nivelado por cima. Aliás, aquele que nos parece ter aqui mais hipóteses de ver o seu trabalho reconhecido pela Academia é mesmo Sean Penn. Primeiro, porque muitos continuam a achar que o seu trabalho foi injustamente esquecido o ano passado. E, embora tenha sido como realizador, facilmente se confundem categorias e repõe-se ordem na casa. Em segundo lugar, porque, parecendo que não, este é um daqueles papéis que exige uma transformação radical por parte do actor. Não, não estamos a falar de barba, cabelo e formosura. Nas palavras do produtor Dan Jinks “[Sean] is playing a guy who's not at all like him, way beyond the sexuality of the character. Harvey was this guy who wants everybody to love him, and he loves everybody else. Sean just completely became that guy. It's a real transformation”. Qual engordar, qual quê? Para Sean Penn, realmente difícil é tornar-se num tipo adorável. A Academia é capaz de gostar disto. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 05 de Dezembro.

A Descoberta do Dia.

The Critic (Ernest Pintoff, 1963). Oscar para melhor Curta-Metragem de Animação. O primeiro filme de Mel Brooks. A primeira pincelada.

Quatro dias, para a chegada das quatro.

Por esta é que muito poucos, só mesmo os mais optimistas, esperavam. A bilheteira demonstrou o seu afecto para com O Sexo e a Cidade, e os cinéfilos norte-americanos atiraram Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal para segundo lugar do box-office, logo na segunda semana em exibição. Apesar de as críticas estarem longe de enaltecer a grandiosidade da obra, o mérito de terem produzido a melhor estreia de sempre de um chick flick já ninguém tira às quatro donzelas de Manhattan. Quando semana sim, semana não, surge um artigo sobre a fraca rentabilidade das estrelas do sexo feminino, ora tomem lá quatro de uma assentada, e resolve-se já a falsa questão. A não ser que algum chico-esperto venha agora dizer que os 55.7 milhões de dólares foram resultado de um fascínio secreto por Mr. Big. No Elite encontramos uma fotografia que, de certa forma, até pode suportar esta tese. Em todo o caso, as criticas não têm sido o fim do mundo. No entanto, seguramente que esta estará a ser uma vitória com sabor especial, lá para os lados da Darren Star Productions.

Agora, porque a estreia nas nossas salas está na calha, aqui ficam três frases memoráveis, ainda dos tempos da série, proferidas por cada uma das moçoilas deste quarteto. De Samantha, caneco, foi difícil seleccionar apenas três.

Miranda:
Okay, I'm definitely in the slow sexual group if even Charlotte is open to this”,
Sexy is the thing I try to get them to see me as after I win them over with my personality”,
How did it happen that four such smart women have nothing to talk about but boyfriends? It's like seventh grade with bank accounts”.

Charlotte:
Can you have an affair with your own husband?”,
I read that if you don't have sex for a year, you can actually become "revirginized",
I've been dating since I was fifteen! I'm exhausted! Where is he?".

Carrie:
Men in their forties are like the New York Times Sunday crossword puzzle: tricky, complicated, and you're never really sure you got the right answer”.
Welcome to the age of un-innocence. No one has breakfast at Tiffany's and no one has affairs to remember”,
New York City is all about sex. People getting it, people trying to get it, people who can't get it. No wonder the city never sleeps. It's too busy trying to get laid”.

Samantha:
You dated Mr. Big. I'm dating Mr. Too Big”,
The country runs better with a good looking man in the White House. I mean, look what happened with Nixon; no one wanted to fuck him, so he fucked everyone”,
There isn't enough wall space in New York City to hang all of my exes. Let me tell you, a lot of them were hung”.

3rd.

Porque já não falávamos dele aqui há algum tempo, vale a pena dedicar uns quantos minutos do nosso precioso tempo a Judd Apatow, e ao seu terceiro filme como realizador. Ainda sem título, mas com inicio das filmagens já marcado para inícios de Setembro, parece que este será mais um passo do cineasta rumo a obras mais dramáticas. A história, passada no mundo do standup comedy, continuará a ser uma comédia. No entanto, segundo a Mtv.com, Apatow pretende com este título pisar terrenos mais sérios. Para já, associados ao projecto estão Adam Sandler, e os habituée Leslie Mann e Seth Rogen – no espírito ZON da coisa (Está tudo ligado), aqui fica o teaser de Zack and Miri Make a Porno.

Convém relembrar, por esta altura, que o próprio Apatow começou pelos meandros do standup. Chegou a abrir números de Jim Carey, em tempos idos. Com o passar dos anos, porém, o conforto dos bastidores foi-se tornando mais apelativo e Apatow passou apenas a escrever piadas para os outros. Daí a questão pertinente do /Film. Será que isto terá alguma coisa de autobiográfico? Provavelmente. Mas, por enquanto, aquilo que nos parece mesmo relevante é o facto de Judd Apatow estar à procura de um novo rumo para a sua carreira. Talvez à espera de um reconhecimento que, de outra forma, dificilmente chegará. Parece-nos bem, e aplaudimos a decisão. Agora, caro Judd, se nos estás a ler, jamais renuncies às tuas origens, e não te esqueças das parcas e sábias palavras de Donald O’Connor, em Serenata à Chuva: Make them laugh!