29 de junho de 2008

Bê-à-Bá.

Este fim-de-semana fui confrontado com um desafio. Quem me conhece, sabe que gosto destas coisas. E, quem me conhece melhor, sabe que gosto ainda mais de passá-los aos outros. A provocação era simples. Escolher um filme para cada letra do alfabeto. O melhor filme, para essa letra. Dito assim, até parece fácil. A verdade é que foi necessário ir buscar uma folha e uma caneta. Só depois de rabiscar um bom bocado é que cheguei à lista definitiva, dada aqui a conhecer:

Annie Hall (Woody Allen, 1977),
Beleza Americana (Sam Mendes, 1999),
Casablanca (Michael Curtiz, 1942),
Do Céu Caiu Uma Estrela (Frank Capra, 1946),
Escândalo na Tv (Sidney Lumet, 1976),
Férias em Roma (William Wyler, 1953),
Glória de Pamplinas, A (Clyde Bruckman e Buster Keaton, 1927),
Heat – Cidade Sobre Pressão (Michael Mann, 1995),
Imperdoável (Clint Eastwood, 1992),
Jerry Maguire (Cameron Crowe, 1996),
Kill Bill – A Vingança (Quentin Tarantino, 2004),
Luzes na Cidade (Charlie Chaplin, 1931),
Mundo a Seus Pés, O (Orson Welles, 1941),
Não Dês Bronca (Spike Lee, 1989),
O Mais Selvagem Entre Mil (Martin Ritt, 1963),
Padrinho II, O (Francis Ford Coppola, 1974),
Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000),
Rei Leão, O (Roger Allers e Rob Minkoff, 1994),
Silêncio dos Inocentes, (Jonathan Demme, 1991),
Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976),
Um Amor Inevitável (Rob Reiner, 1989),
Vida é Bela, A (Roberto Begnini, 1998),
Walk The Line (James Mangold, 2005),
X-Men II (Bryan Singer, 2003),
Zodiac (David Fincher, 2007).

O repto está lançado. Parecendo que não, uma folha e uma caneta ajudam.

Qual é o Filme?

Durante a intensa rodagem deste filme, Burt Lancaster ameaçou dar um soco ao argumentista, que terá respondido “Força, o dinheiro dá-me jeito”. Este argumentista, seis vezes nomeado para um Oscar, mas sem uma única vitória no currículo, viria a adaptar o argumento do filme que esteve mais tempo em exibição nas salas francesas, com um total de 249 semanas.

Neste filme que, ainda hoje, detém esse recorde, entra o actor que, anos mais tarde, participaria numa série de televisão que motivou a Hallmark a fazer um calendário. No entanto, esse calendário nunca chegaria a ver a luz do dia, porque uma das principais actrizes da série pousou para a Playboy. Entre outros, esta série foi criada por um cineasta que, anos mais tarde, viria a realizar um filme, segundo o próprio, passado no mesmo mundo. Neste filme, entra a irmã da actriz que serviu de base a uma música dos Toto.

1 - The Changeling.

Depois de vinte e quatro filmes, chegamos finalmente ao número um. Aquele que, em meados de Junho, é o mais aguardado do ano por estes lados. Quando nos lançamos numa lista como esta, procuramos sempre passar a ideia de que isto é uma coisa linear, e não há volta a dar. No entanto, não é bem assim. Há momentos, por exemplo, em que aguardo com maior ansiedade por The Soloist do que Doubt. Ou, por Happy-Go-Lucky do que Seven Pounds. No entanto, na grande maioria dos dias acordo com mais disposição para ver Revolutionary Road do que Milk. E, com o passar do tempo, esta ordem vai ganhando consistência. Hoje, apesar de algumas hesitações que não podemos evitar, The Changeling é mesmo o título mais antecipado do ano.

Porque é realizado por Clint Eastwood, que faz acompanhar da sua equipa ganhadora. Porque tem Angelina Jolie e John Malkovich. Porque é produzido por Brian Grazer e Ron Howard. E, porque tem sido elogiado por onde tem passado, como aconteceu, por exemplo, em Cannes. Sobre ele, já se disse:

A dozen filmmakers could have taken a dozen different approaches to the same material -- sensationalistic, melodramatic, expose-minded, a kid's or killer's p.o.v., and so on. Perhaps the best way to describe Eastwood's approach is that he's extremely attentive -- to the central elements of the story, to be sure (with its echoes of A Perfect World), but also to the fluidity between the private and the public, the arbitrariness of life and death, the distinct ways different people view the same thing, the destructive behavior of some adults toward children and the quality of life in California around the time he was born”. – Variety;

Regarding the other elements of the film, J. Michael Straczynski’s script is first-rate; he's an excellent storyteller, and does a solid job of translating true events into a dramatic story. There's no jarring wooden dialog here, no overt exposition; Straczynski knows how to show rather than tell, and the powerful script does much to carry the film. As with most of Eastwood's films, it's artfully shot and directed and very pretty to look at. Eastwood wrote the music for the film as well, and you could practically imagine the orchestra at the Oscars playing it in January; the film telegraphs "Oscar nominations" for Jolie and Eastwood, at the least, but of course, we'll have to wait and see how the rest of the year pans out”. – Cinematical;

Changeling is an epic, fact-based story — depicting sadistic, systematic corruption in the municipal government, the police department and the medical establishment of 1920s Los Angeles — that has the novelty of being virtually unknown today. The script, by TV writer-producer J. Michael Straczynski (Babylon 5, Jeremiah), juggles elements of L.A. Confidential, The Black Dahlia, The Snake Pit and any number of serial-killer thrillers. But at its center are the heartache and heroic resolve of a woman who has lost the one person she loves most and is determined to find him, dead or alive, against all obstacles the authorities place in her way. In that sense the movie is a companion piece to last year's Cannes entry A Mighty Heart, in which Jolie played the wife of kidnapped journalist Daniel Pearl — except that Changeling is far more taut, twisty and compelling”. – Time.

No filme, Jolie interpreta uma mulher que vê o seu filho ser raptado e, posteriormente, devolvido. No entanto, ela duvida que a criança que lhe foi entregue seja o seu verdadeiro filho, levando-a a confrontações directas com a polícia de Los Angels, que não acredita nas convicções da mãe. Diga-se que a história, passada nos anos 20, é baseada em factos reais. A ver vamos, se este será mais um triunfo para Clint Eastwood. Provocações à parte, este ano a Academia não deverá ter carreiras para homenagear. Aqui fica o primeiro clip conhecido da obra. O filme tem estreia marcada para o final do ano, como se pede a qualquer firme candidato aos Oscares.

Filmes de Verão - Os Homens Preferem As Loiras.

Depois de A Praia (2000) e Cocktail (1988), optamos por abordar outros aspectos que não o sol e praias paradisíacas, nesta secção dos filmes de Verão. Quer dizer, o sol mantém-se e as praias paradisíacas dão lugar às piscinas do cruzeiro. De resto, é o mesmo relaxamento de sempre. Com a aliciante de uma viagem. Sim, porque em Os Homens Preferem As Loiras (Howard Hawks, 1953) há um navio que tem Paris como destino. O que confere ainda mais à película o estatuto de aliada da procrastinação. A dificuldade passará por estabelecer uma analogia com as motivações de Dorothy Shaw (Jane Russell) e Lorelei Lee (Marylin Monroe). É que, por muito que queiramos fazer um cruzeiro, dificilmente o será para caçar um milionário. No entanto, cada um saberá de si. No caso de Dorothy e Lorelei, estas são apenas duas raparigas de Little Rock, à procura da sorte grande, que é como quem diz, a ver se molham a sopa, que é como quem diz, a ver se apanham um qualquer paspalho com dinheiro a mais, incapaz de resistir aos seus encantos. O facto de cantarem no espectáculo da noite é a desculpa perfeita para estarem ali. Ao fim do dia, o trabalho recompensado monetariamente. Durante o dia, o trabalho que esperam vir a ser recompensado no futuro.

Este não será o mais típico filme da estação quente. Contudo, para quem está a pensar fazer um cruzeiro, sobretudo se for sozinho, este é um óptimo manual de sobrevivência. Pelo menos, de alerta às possíveis maroscas a bordo. Ao mesmo tempo, não deixa de ser um valente pontapé na monotonia do quotidiano, e um aliciante convite ao descanso. Ainda por cima, com Paris como ponto de exclamação. Paris, e a óbvia constatação de quem são os melhores amigos das mulheres. Também aqui entra o estigma do Verão. Facilmente diamantes podem ser sinónimo de 13º mês. Mas, isso são contas para outros rosários.

O novo de Miyazaki.

A universalidade do Cinema permite-nos chegar aqui e colocar as primeiras imagens de Gake no eu no Ponyo (Ponyo on the Cliff, em inglês), o próximo filme de Hayao Miyazaki, como se não houvesse qualquer problema com as vozes em pano de fundo. Isto porque não há mesmo qualquer problema. As imagens falam por si. E, se escutarmos com atenção, vemos que estas nos querem dizer que Miyazaki parece continuar em forma. É, de tudo, o mais perceptível. No Japão, o filme tem estreia marcada para o próximo mês de Julho. Agora, se nos Estados Unidos ainda não há data à vista, imagine-se o tempo que não devemos ter de esperar por cá.

Os maus hábitos da RTP.

Passar Mr. Bean ininterruptamente, aos Domingos, à hora de almoço, de há meio ano a esta parte.

Repetir os filmes de Hercule Poirot com David Suchet, pelas madrugadas de fim-de-semana adentro, há uns bons meses.

Se o primeiro não nos permite esquecer as trapalhadas de Bean, o segundo raramente nos possibilita manter acordados até ao desenlace da trama. Qual dos dois o mais desesperante?

Speed a todo o gás.

Já tive oportunidade de manifestar em outros espaços, como o Deuxieme, o interesse que tenho de chegar com tempo ao assento que me está destinado na sala de cinema. Poder, com calma, ver os espectadores que vão ocupando os lugares vazios. É todo um ritual de cusquice que tenho procurado manter ao longo dos anos. No entanto, seja feita aqui a ressalva de que não se tratam de juízos de valor baseados em preconceitos ou estereótipos, mas o apurar de dados objectivos como a idade, sexo, por aí adiante. Sempre tive curiosidade de saber que pessoas compõem a audiência de que faço parte. Este fim-de-semana, o visionamento de Speed Racer não foi excepção. No entanto, com algumas variantes.

A sessão estava marcada para as 21:15. A chegada às bilheteiras deu-se por volta das 21:13. Com dois minutos para o inicio do filme, perdão, dos trailers, achei que a sala já estaria mais para o cheia, o que dificultaria a avaliação dos presentes. Contudo, ainda antes de chegar ao balcão, quando olho para o televisor para ver a disponibilidade, verifico que 97% das cadeiras estavam ainda por ocupar. A dois minutos do inicio do filme, desculpem, dos trailers, estaria aquela informação correcta? Logo a seguir, na lista, vinha a sessão de Houdini – O Último Grande Mágico, marcada para as 21:40. Para este, já só restava 56% da sala. Aquilo era demasiado estranho. Então não tinha valido a pena correr? Cheguei a pensar que os 97% eram já a disponibilidade para a sessão da meia-noite. Deve ser isso, disse para com os meus botões. É certo que este é também o fim-de-semana de estreia de Houdini, mas, caramba, estávamos a falar de Speed Racer. A dois minutos do apagar das luzes, como é que apenas 3% dos assentos estavam preenchidos? A caminho da sala convenci-me de que esta estaria mesmo a abarrotar, uma bandalheira pegada, com pipocas a voar em todas as direcções – esperem, normalmente, isto é o que não se quer –, e que esta seria uma retumbante estreia. Antes de entrar, confirmo os lugares no maior espaço daquele multiplex: 491. Parece que nem a gerência do Cascais Shopping esperava esta recepção. É que, ao entrar, constato que apenas quatro pessoas estavam na sala. Até ao inicio do filme, chegariam mais dezanove. Ao todo, eram 23 cabeças. Com mais de dezoito anos deviam estar uns quinze. O mais pequeno dos espectadores, mesmo à minha frente, precisava daquela cadeirinha especial para ficar mais alto. Era o irmão, com os seus 7-8 anos, que lhe enchia o copo de água. Hoje, continuo sem saber se o petiz foi capaz de ler todas aquelas legendas. No fundo, era uma sala onde, pode-se dizer, se ouvia o zumbir de uma mosca, se ela por lá andasse a passear. A audiência, tirando um ou outro, eram pais, padrinhos, tios ou tipos com o azar do caraças, que não tinham conseguido resistir às investidas dos mais novos. Poucas vezes a plateia fugiu tanto ao esperado como neste caso. Mas, até foi engraçado. O mais assustador mesmo, foi pensar que tinha as mesmas motivações para estar ali que os dois pequenos à minha frente… E, não é que se calhar até tinha? Porém, havia que olhar para a tela. Dali é que sairia o que realmente interessava.

E, interessou, e muito. Valeu a pena o risco. Sim, porque assistir a Speed Racer não se faz com a mesma ligeireza com que se decide ver o último filme de Scorsese. O apelido Wachowski já não é tão apelativo como era em 1999. Emile Hirsch, apesar de boas indicações, ainda não dá garantias. John Goodman e Susan Sarandon, como secundários, já meteram, aqui e ali, o pé na poça. E, depois, todas aquelas cores. Todas aquelas cores, caneco. Chega-se a recear que algo fira a vista. Aquelas transições de planos abruptas. Todos aqueles penteados anime. Aquele estilo vintage num filme futurista. Aquela fórmula clássica do Só sei fazer isto, e tenho de fazer alguma coisa. Irónico como tudo funciona.

Antes de Speed Racer chegar às salas, era unânime a opinião de que este seria daqueles que receberia opiniões divergentes até mais não. Que, ou seria adorado, ou odiado. Sem meios termos. Depois de ver este filme, arrisco dizer que não será bem assim. É possível achar que esta é uma obra insonsa. No entanto, não foi essa a sensação no final do filme. Este caiu mesmo no goto. Encheu as medidas, transbordou de acção, prendeu à cadeira, e todos esses chavões que utilizamos para dizer, simplesmente, que gostámos do raio da obra. Agora, convém não ser ingénuo. Apesar de gostarmos, deveremos ter noção de que este não deve ser recomendado, e perceber que é relativamente fácil o espectador não aderir à visão tresloucada, e até certo ponto simplista, dos irmãos Wachowski. Por isso, em vez do reclame Sim senhor, vão em frente! Não tenham medo, este é bom, preferimos deixar o alerta. Este é daqueles que só vale a pena ver, naqueles dias em que temos a certeza de que deixamos sair a criança que há nós. Mas, aquela criança mesmo pequena. Até pode ser que não o aplaudamos entusiasticamente. No entanto, certamente que sairemos satisfeitos.

28 de junho de 2008

Religulous - O trailer.

Primeiro capítulo. De Bill Maher podemos esperar o inesperado”. Hum, não. Reformulando. “Podemos esperar sempre algo de surpreendente”. Hum, não. “Para ele, não importa o tema, o que importa realmente é mostrar um ponto de vista diferente, de forma pulsante, como as pautas de George Gershwin”. Hum, não. Deixem-me começar isto de novo. “Primeiro capítulo. Ele sempre romantizou a religião, assim como tudo o resto. Comediante irreverente capaz de versar sobre questões existenciais com a mesma facilidade com que se lança na actualidade. Para ele, falar de religião é o mesmo que falar de mulheres bonitas e tipos espertos que pensam ter a solução na ponta da língua”. Ah, cliché. Demasiado piroso para alguém com o meu gosto. Deixem-me… tentar e torná-lo mais profundo. “Primeiro capítulo. Ele adorava a religião. Para ele, servia ironicamente como uma metáfora da decadência da cultura contemporânea. Descortinando correctamente as mensagens, a religião era a chave de todos os problemas… de todos os seus sonhos…”. Não, parece um sermão. Quer dizer, sê honesto, o objectivo é vender livros. “Primeiro capítulo. Ele adorava religião, embora fosse cada vez mais difícil aceitá-la na sua vida. Como é que podemos viver numa sociedade corrompida pelas drogas, música a altos berros, televisão, crime, lixo…”. Demasiado irritado. Não quero estar irritado. “Primeiro capítulo. Ele era tão duro como a religião que sempre adorou. Por detrás daquele sorriso maroto está a pujança sexual de um gato selvagem”. Adoro isto. “O ateísmo era a sua religião, e sempre seria”.

Com a ajuda de Woody Allen, aqui fica o trailer de Religulous (Larry Charles), com Bill Maher.

É o delírio.

Será mais incomodativo o burburinho dos dois tagarelas nos assentos de trás, durante todo o filme, ou toda uma audiência em alvoroço quando chega o tão aguardado momento? Porque a magia do Cinema também é isto. Pop culture no seu melhor, à distância de um clique na imagem.

O primeiro dos três.

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Lá em baixo, a resposta era mesmo Voando Sobre Um Ninho de Cucos (Milos Forman, 1975). Filme que valeu a Jack Nicholson o primeiro Oscar da sua carreira. Alguém disse um dia que o R.P. McMurphy de Nicholson não era uma interpretação do actor, mas sim o próprio Jack Nicholson, em todo o seu esplendor. Há quem diga que este foi o seu desempenho mais fácil de todos. Bastou ser ele próprio. Sem truques na manga. Só por isso, vale a pena relembrar as suas palavras quando, em 1976, se chegou à frente no Dorothy Chandler Pavillion, para arrebatar o Oscar de Melhor Actor. Já na altura, os óculos de sol eram uma imagem de marca.

Os primeiros passos de uma prequela/sequela.

Ainda não é certo o que está para vir. Verdade seja dita, ainda não se sabe se virá ou não. Mas, das duas uma, a acontecer, ou será uma prequela, ou uma sequela. Depende de para onde derivar a mente de Frank Miller. Neste momento, o ponto de situação é este. Frank Miller vai pensar um bocado, fazer uns desenhos, e depois logo entra em contacto com os produtores Mark Canton e Gianni Nunnari, e o realizador Zack Snyder, para dar conta do produto final. Se Snyder gostar do resultado, o mais provável é a Warner Brothers ter um novo blockbuster em carteira. Nas palavras do realizador de Watchmen, dadas a conhecer nesta entrevista ao Collider: “I’ve talked to Frank a little bit about it, and he’s going to do something, I think he’s going to draw something. We’ll see what he does. If something’s cool we’ll make a movie out of it”. Pondo de lado algum negativismo que uma notícia deste tipo pode trazer, esta parece-nos ser uma óptima novidade. Se há filme do qual vinha mesmo a calhar um novo capitulo, era 300. Aliás, até prova em contrário, tudo o que tiver o dedo de Frank Miller é bem-vindo. Nunca estamos demasiado entretidos.

Saw V - O Poster.

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Se uma sequela já costuma ser um forte motivo para torcer o nariz, o que dizer de quatro? Quando uma saga como Saw chega ao quinto capítulo, quase que dá vontade de dizer que os produtores só decidem continuar por causa dos cifrões. Até pode ser que seja, contudo, a História já nos mostrou muitas outras sagas que, ao quarto filme, atingiram níveis de qualidade bem inferiores. Talvez não sejam só interesses financeiros. Aliás, parece-nos até que, mesmo que as coisas não corram bem com este Saw V, a Lionsgate tem margem de manobra para um sexto filme. A crítica e o público continuam a receber positivamente a continuação do original de 2004, por isso, final à vista é coisa que não há. O pessoal de Sexta-Feira 13 que se apresse. À média de um por ano, lá para 2017 Saw já estará na liderança. Aqui fica o poster do quinto filme, com estreia prevista, nos Estados Unidos, para 24 de Outubro, mesmo a tempo do Halloween.

E as finalistas são...

Este ano não foi possível empregar a mesma dedicação às séries televisivas. Com a greve dos argumentistas pelo meio, perdeu-se um bocado o fio à meada e, qual bola de neve, o interesse por alguns programas foi-se esmorecendo. No entanto, isto é algo que não pode continuar por muito mais tempo. Situação insustentável mesmo. Na verdade, esperamos já ter todas as aulas em dia, assim que as próximas temporadas começarem. Agora, por uma questão de prioridades, é preciso saber quais é que regressam em Outubro, e quais é que apenas voltam ao pequeno ecrã em 2009. Saudades do tempo em que isto vinha tudo de enxurrada.

Posto isto, vamos ao que realmente interessa, a lista das dez finalistas nas categorias de melhor série dramática e de comédia, bem como o episódio que foi enviado como screener para os apreciadores. A única conclusão a que podemos chegar, por enquanto, é que ainda não há grandes conclusões a tirar. Para já, estes são os candidatos à estatueta:

Top 10 – Séries de Drama

Boston Legal (”The Court Supreme”)
Damages (Pilot)
Dexter (”The Dark Defender”)
Friday Night Lights (”Leave No One Behind”)
Grey’s Anatomy (”Freedom, Parts 1 and 2″)
House (”Frozen”)
Lost (”The Constant”)
Mad Men (“Smoke Gets in Your Eyes”)
The Tudors (#205)
The Wire (“30″)

Top 10 – Séries de Comédia

Curb Your Enthusiasm (”The Bat Mitzvah”)
Entourage (”The Day F***ers”)
Family Guy (”Padre de Famila”)
Flight of the Conchords (”Sally Returns”)
The Office
Pushing Daisies (”Pie-lette”)
30 Rock (”Cooter”)
Two and a Half Men (”Rough Night in Hump Junction”)
Ugly Betty (”Something Wicked This Way Comes”)
Weeds (”Go”)

No entanto, vejamos o que tem a dizer sobre isto quem percebe mais de séries de televisão de olhos fechados, do que Alvy Singer de olhos bem abertos. Diz ZB, na sua nova casa toda catita – uma sentida vénia a este espectacular trabalho –, que “Pela negativa, Battlestar Galactica voltou a ser ignorada e Breaking Bad, Big Love e In Treatment ficaram de fora da corrida”. Do lado bom, “a surpresa é mesmo a integração na lista de The Wire”. Já na categoria de Comédia “surpresa pela negativa para as ausências de Californication, Desperate Housewives e My Name is Earl. Pela positiva, a presença de Flight of the Conchords e Family Guy, que concorre pela primeira vez na categoria”. Neste tema, ZB está sempre em cima do acontecimento. Por essa razão, num ano em que a atenção às séries de televisão atingiu níveis mínimos, estas reflexões são tidas ainda em maior consideração. Contudo, apesar das polémicas que todos os anos circundam The Wire e Battlestar Galactica, devo admitir que até hoje ainda não vi um único episódio de ambos. Por outro lado, Family Guy é daquelas em que não perco um. E, à sexta série, podemos dizer que esta nomeação, mais do que pecar por tardia, é injusta para com as temporadas anteriores, claramente superiores. Quanto a Pushing Daisies e Flight of the Conchords, duas que também ainda não me passaram pelas mãos, a vontade de pegar nelas agora é ainda maior. O maior regozijo mesmo, é o de ver ali Mad Men e The Office. A lista definitiva dos nomeados será conhecida no próximo dia 17 de Julho.

2 - Revolutionary Road.

Quando Beleza Americana estreou no inicio de Outubro de 1999 nos Estados Unidos, Sam Mendes não passava de um ilustre desconhecido. Seis meses depois, na noite da consagração nos Oscares, o director de fotografia Conrad L. Hall dirigiu-se a ele como o novo Orson Welles. Um paralelismo desmedido, mas que, até certo ponto, não deixava de ser a verbalização do pensamento de muitos. Ali estava o american dream, palpável, diante dos nossos olhos. Um encenador londrino, estreante nas andanças de Hollywood, a realizar o melhor filme do ano. Naqueles dias, um jovem cineasta de 34 anos com um futuro auspicioso à sua frente. Hoje, um não tão jovem cineasta de 42 anos com um futuro talvez menos brilhante à sua frente. Por esta altura, se calhar já se esperava, pelo menos, mais uma nomeação no currículo. No entanto, Caminho Para A Perdição (2002) e Máquina Zero (2005) não foram os sucessos estrondosos que se esperavam. Talvez por isso, Revolutionary Road não esteja ainda nas bocas do mundo. O que é um bom sinal.

Baseado no aclamado romance de Richard Yates, Revolutionary Road conta-nos a história de April (Kate Winslet) e Frank Wheeler (Leonardo DiCaprio), um casal jovem e próspero, a viver num subúrbio de Connecticut, com os seus dois filhos, na década de 50. A máscara de sucesso deste casamento esconde a frustração de ambos, quer na relação que mantém, quer nas suas carreiras profissionais. Frank tem um bom ordenado, mas num emprego que está longe de satisfazer a sua realização pessoal, enquanto April, uma doméstica dedicada, lamenta o sonho perdido de se tornar actriz. Determinados a provar que não são mais um casal infeliz dos subúrbios, decidem sair do país, e rumar a França, onde esperam conseguir desenvolver tudo aquilo que perto de casa parecia impossível.

Para além do livro que serve de base, e do realizador aos comandos, o facto de estarmos perante o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet também tem muito que se lhe diga. Secretamente, se calhar até mesmo partilhado por aqueles que não foram muito à bola com Titanic (1997), existe um desejo colectivo com mais de uma década, que passa por rever esta parelha no grande ecrã. Algum dia havia de ser. Está para breve.

Por enquanto, ainda não existe trailer. Somente meras fotografias. Poucos dados foram ainda revelados. Talvez o mais importante, e que nos diz mais sobre o projecto, seja o de a MPAA classificar o filme para maiores de 18, devido ao habitual language and some sexual content/nudity. Como candidato assumido aos Oscares, o filme tem estreia marcada para finais de Dezembro. Depois deste, só fica a faltar um.

27 de junho de 2008

Será mesmo a melhor?

No mesmo fim-de-semana em que WALL•E chega, vê e vence – pelo menos, do outro lado do Atlântico –, outro nome faz correr tinta. Apesar de faltarem ainda três semanas para a chegada de The Dark Knight – que já tem sessões da meia-noite esgotadas para o fim-de-semana de estreia –, Sasha Stone do Awards Daily acha por bem acreditar na palavra de Sam Rubin, um dos primeiros grandes defensores de Juno. E, o que diz Sam Rubin? No fundo, que o filme é fenomenal, e Heath Ledger ainda melhor.

I just returned from a screening and I wanted to commit this to a public forum as quickly as possible. Heath Ledger gives a blockbuster performance in the new Batman movie. His work, as The Joker, will absolutely be nominated for an Oscar, and at this point in the year, Ledger is also a hands-down favorite to win it posthumously. Ledger offers perfect pitch, perfect tone, his Joker hits all the right notes. 'The Dark Knight' is among the better super-hero movies of all time, and Ledger is THE BEST villain in a super hero movie of all time. Really. It will only add to the conversation of all that Ledger could have accomplished had he lived. Amazing work.”

E, para dar ainda um toque mais especial a esta estrondosa ovação, David Germain da Associated Press não é menos simpático.

The buzz over Heath Ledger's performance as the Joker in The Dark Knight for the last several months was justified. With his final full film role, Ledger delivers what may be remembered as the finest performance of his career”.

Ganham assim forma, as primeiras convicções de que Heath Ledger seria um forte candidato na categoria de Melhor Actor Secundário. Para já, é difícil imaginar uma interpretação superior à do magnífico Ennis Del Mar. Aguardamos ainda com mais ansiedade.

Hoje, o Hollywood Report deu também a conhecer o tributo que surgirá a Heath Ledger e Conway Wickliffe, no final do filme, antes dos créditos.

In memory of our friends Heath Ledger and Conway Wickliffe”. Wickliffe foi o técnico de efeitos especiais que faleceu num desastre de automóvel, no set de rodagem.

Uma estrada deveras sinuosa.

Durante bastante tempo, a resposta à pergunta Qual o filme preferido?, dependeu um bocado da maneira como o dia estava a correr. Umas vezes dizia Annie Hall. Outras, Jerry Maguire. No entanto, com o passar dos anos, Annie Hall começou a ser mais frequente. Hoje, é a única resposta. No entanto, Jerry Maguire continua sempre presente. O nome nunca é dito, mas está sempre pronto a sair, não vá a pessoa que formula a questão, por qualquer razão absurda, dizer Não vale Annie Hall. De Jerry Maguire, guardo as melhores recordações. Uma delas, estapafúrdia como tudo, foi a de ter passado a conversa ao telefone de Jerry Maguire (Tom Cruise) e Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr.) para um Cd, meter a faixa no modo repeat, e tentar as vezes que fossem necessárias até ser capaz de reproduzir todas as deixas. Da primeira, até ao Congratulations, you’re still my agent. Confesso, a maior dificuldade na altura foi a de arranjar um artefacto que se parecesse com o telémovel de Rod Tidwell. Hoje, posso dizer que não sei se valeu a pena o esforço. A imitação de partes do diálogo já valeu o embaraço público em alguns eventos sociais.

Tudo isto, apenas para dizer que tenho a maior estima por todos os intervenientes em Jerry Maguire. Todos. Cameron Crowe, Nancy Wilson, Tom Cruise, Renée Zellweger, Kelly Preston, Jay Mohr, Bonnie Hunt, Todd Louiso, e… Cuba Gooding Jr.. Hoje, depois de ver o trailer de Harold (T. Sean Shannon), o seu mais recente filme – que, para além de co-protagonizar, produz –, não posso deixar de pensar o quão diferente a sua carreira tem sido, daquilo que há uma década atrás imaginava. Em toda a História do Cinema, terá existido algum vencedor de um Oscar, com opções tão questionáveis como Cuba Gooding Jr.? É pouco provável.

Perito na esguelha.

Depois de vermos este poster,

e, recordarmos este outro,

chegamos à conclusão de que Jason Statham terá provavelmente o melhor olhar de soslaio de Hollywood.

Não poderia ter sido para hoje?

Há qualquer coisa que não está bem, quando um filme como WALL•E demora quase dois meses a chegar às salas nacionais. Desconhecendo por completo as condicionantes por detrás das estreias, acredito que, desta vez, não será por falta de vontade. Deve haver aqui qualquer razão de força maior, a impedir a chegada deste filme. Ou isso, ou então isto é um mau hábito que vem de anos anteriores. É que, já o ano passado, Ratatui estreou nos Estados Unidos a 29 de Junho, para chegar às nossas salas a 15 de Agosto. Mais parecido era difícil. Se calhar é mesmo falta de vontade. Ou, pior do que isso, má. A verdade é que é difícil não deixar de partilhar esta dor, quando constatamos que 98% dos sortudos que já tiveram o privilégio de ver WALL•E andam por aí a pular de contentamento, como há muito não se via. Ele é elogio atrás de elogio, num rodopio de aplausos maior do que se esperava. Senão, vejamos:

“We’ve grown accustomed to expecting surprises from Pixar, but “Wall-E” surely breaks new ground”. – New York Times,

“Pixar's ninth consecutive wonder of the animated world is a simple yet deeply imagined piece of speculative fiction”. – Variety,

“Catch WALL•E on the big screen when you can, if only as a reminder of how good it feels to love, to dream and to want something so much, you'd happily chase it from one galaxy to the next”. – Cinematical,

“Pixar’s WALL•E succeeds at being three things at once: an enthralling animated film, a visual wonderment and a decent science-fiction story”. – Roger Ebert,

“Wall-E is a classic”. – CNN,

“Every time I think the studio that gave us "The Incredibles" and "Ratatouille" can't possibly top itself, Pixar comes up with a masterpiece like WALL-E, which smuggles barbed political satire into a charming, hilarious robot love story aimed at the entire family”. – New York Post,

“Wall-E never loses its sense of wonder: wonder at life, wonder at the universe, and even wonder at the power of computer animation to create worlds unlike any we've seen before. How often do we get to say that in these dispiriting times?”. – LA Times,

“Who would guess that a movie with minimal dialogue and a love story between robots could emerge as one of the best films of the summer? The engaging and visually stunning computer-animated WALL•E (* * * * out of four) is a significant departure for the studio, with its sci-fi plot and soundtrack of beeps and buzzes that serve as communication between the bots”. – USA Today.

Bolt - O trailer.

No inicio, era para ser American Dog. Bolt só veio depois. Em vez de Chris Williams e Byron Howard, era para ter sido Chris Sanders (Lilo & Stitch). A história continua a ser a de Sanders, no entanto, há muito que a Disney decidiu prescindir dos seus serviços. Insatisfeita com a animação e rumo que o projecto estava a levar, Sanders lá levou uma palmadinha nas costas, e um bem-haja, por parte da Disney. A história de Bolt não será exactamente a mesma de American Dog. Até porque a visão de Sanders não era tão mainstream quanto seria desejável. No entanto, grande parte terá sido aproveitada, e aí está o trailer de Bolt, o filme que era para ter sido de Sanders, embora num estilo completamente distinto. Melhor, dizemos nós. O /Film dá uma ideia das diferenças.

Hoje, aquilo que temos em mãos é um título interessante. Contudo, lá está, não podemos evitar, e parece ser um pouco mais do mesmo. A Disney não quis mudar de molde, depois não se venha queixar dos resultados. Até pode ser que as bilheteiras o recebam bem. Agora, que a critica o faça, já não estamos tão seguros. Jogar à defesa, por mais estranho que pareça, tem os seus riscos.

Esta é a história de Bolt (John Travolta), uma estrela de televisão canina, que passa o dia em frente das câmaras a mostrar todos os seus super poderes, e a acreditar piamente neles. Quando é acidentalmente transportado de Hollywood para Nova Iorque, Bolt começa a maior aventura da sua vida: atravessar o país, e regressar a casa. No fundo, Bolt receia que Penny (Miley Cyrus), a sua parceira no pequeno ecrã, esteja em perigo, por não poder contar com a sua ajuda. Contra todas as adversidades, Bolt está decidido a mover montanhas se for preciso. Para tal, encontra as preciosas e improváveis contribuições de Mittens (Susie Essman), uma gata doméstica abandonada, e Rhino, um hamster fã de qualquer produto televisivo. O filme tem estreia marcada para 26 de Novembro, nos Estados Unidos. Aqui fica o trailer.

Mais Kung Fu.

A seu tempo, falaremos aqui de Kung Fu Panda. No entanto, porque esta semana tive oportunidade de assistir a um visionamento da mais recente animação dos estúdios Dreamworks, mais vale deixar desde já o aviso de que vem aí um sério candidato à nomeação para os Oscares – que não deverá depois ser concretizada em triunfo, ou não estivesse WALL•E já a bombardear tudo o que é jornal, revista, site, e blog com os seus aplausos estrondosos. Agora, para além deste alerta, que terá a mesma validade do que a opinião de Dustin Hoffman sobre o arroz agulha, parece-nos importante falar da sequela que parece já estar a ser preparada. Diz o TAGBlog:

Every building of the DW campus is bursting with activity. Monsters and Aliens, Shrek, Madagascar Deux, and on and on. DreamWorks' Lakeside Building is getting enlarged, and the administrative staff is gone from the upper floors. But down on the lower levels, artists are working. A story crew has started early work in Kung Fu Panda, the Sequel, even while animators are hand-drawing new material for the DVD of Kung Fu Panda, the original”.

O problema destas sequelas é quando gostamos do original. O que, na grande maioria dos casos, é o que acontece. Caso contrário, não haveria sequela. E, é um problema porque receamos que o que venha a seguir não esteja à altura. No entanto, em Kung Fu Panda, parece mesmo existir material para desenvolvimento. Assim como existia, por exemplo, em Ice Age. Nisto, basta pormo-nos na pele do estúdio. Pesando os prós e os contras, o pior que pode acontecer é a taxa de natalidade continuar a descer, e haver menos crianças para ver a sequela lá para 2011 ou 2012. Mais milhão, menos milhão, se o original foi bom, e um autêntico blockbuster, o risco será sempre reduzido. Agora, convém sempre procurar honrar aquilo que está na origem. Se isso não acontecer, aí temos o caldo entornado.

O Incrível Hulk.

A ideia era chegar aqui, e dissertar afincadamente sobre O Incrível Hulk. No entanto, tal não será possível. Pelo menos, não da forma habitual. Mesmo não gostando do filme, o ideal é sair da sala sempre com uma ideia formada. Chegados cá fora, por muito indecisos que estejamos relativamente a um ou outro desempenho, ou a uma ou outra passagem, normalmente, já somos capazes de afiançar thumbs up ou thumbs down. Não é saudável chegar ao fim da película e achar que aquilo não é suficiente para formar uma opinião. Mesmo que má. Porém, foi exactamente isto que aconteceu com o mais recente filme de Edward Norton. Quase dois dias depois, continuo sem saber se gostei ou não. Talvez isto tenha sido mais ou menos aquilo que Fernando Pessoa sentiu, quando um golo de Coca-Cola passou-lhe pela primeira vez no estreito. De qualquer forma, e isso é a parte pior, ainda não cheguei à fase do entranha-se. Hoje, O Incrível Hulk continua a apresentar-se como uma fita estranha. Como se um véu percorresse a obra, e escondesse tudo aquilo que vai para além das aparências. Até prova em contrário, o filme afigura-se como um enorme hábito, feito de sombras e silhuetas, onde nada é posto a descoberto.

Uma coisa é redefinir fórmulas e inovar. Outra, completamente diferente, é pegar em diferentes modelos, e conglomerá-los num único filme, a ver se pega. O problema de Hulk é que isso nem sempre acontece. Se o objectivo era fazer um filme de aventura, podemos dizer que, em parte, o mesmo foi atingido. No entanto, também podemos dizer que Louis Leterrier esteve perto de fazer um drama, um filme de acção, ou até mesmo um romance mal dissimulado. No final, se calhar até nos sentimos tentados a felicitar o argumento de Zak Penn. No entanto, para sempre ficará a dúvida de se o filme não teria mais a ganhar se tivesse optado por abrir menos portas. Pretendendo não projectar falhas pessoais em terceiros, não culpabilizarei a divagação do filme pela indecisão relativamente à sua qualidade. Mas, convenhamos que é chato começar a sentir que a adrenalina vai subir, para logo em seguida a narrativa amainar e vermos Liv Tyler com um pijama e toalhas na mão para Bruce Banner, a quem diz, antes de dormir, Espero que consigas descansar. Tendo o título a palavra incrível, talvez a expectativa criada em torno do filme não tenha sido a mais correcta.

De realmente incrível, existem duas coisas. Os efeitos especiais, e o cameo no final. Se os primeiros ajudam a trazer alguma autenticidade que falta em muitas obras do género, o último é uma verdadeira lufada de ar fresco numa história demasiado negra, sem pingo de humor. O olhar de Banner é sempre pesado, não dando o mínimo espaço para o relaxamento. Todo um mal-estar que passa para o lado de cá. Nem no mais intenso dos Hitchcock se vive esta tenção. Bem, com isto tudo, até parece que estamos a chegar a uma conclusão mais negativa. Quem sabe? Acima de tudo, esperava-se outra coisa. Melhor ou pior, só o tempo o dirá. No entanto, uma coisa é certa. Poucos filmes acabam com a agilidade deste. Quando estávamos prontos para outra, é que o carrossel acaba.

25 de junho de 2008

Principio, meio e fim.

Hoje iniciei uma discussão deveras interessante com o meu botão de cima – aquele que, já dizia o outro, pode arruinar qualquer camisa. A coisa aqueceu de tal maneira, que o botão do meio achou por bem intervir. Cada um com a sua opinião, ainda não chegámos a um consenso. Por este andar, o melhor é ir dormir e amanhã logo se vê. No entanto, achámos por bem partilhar o nosso dilema. Cenário: Estamos em casa e preparamo-nos para ver um filme, que nunca vimos, e que já vem anunciado na programação há uma semana. Este é daqueles tão bons, que nem acreditamos que o primeiro visionamento será através da televisão. Com a excitação, nem o pomos a gravar. São nove da noite. O filme tem duas horas. Se, durante esses 120 minutos, existisse um corte de electricidade de 10 minutos, em que altura do filme é que ficariam, vamos lá, mais maçados? No inicio, das 21 às 21:10? A meio, das 21:55 às 22:05? Ou, no final, das 22:50 às 23? Se existir uma justificação, melhor ainda. Alguém que faça ver aos botões que é no início.

Qual é o Filme?

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Porque o João Bizarro tem razão – He Got Game não é o filme em questão –, e a dúvida não deve persistir, aqui vai uma pista: O filme ganhou cinco Oscares.

3 - Frost/Nixon.

Chegados que estamos pódio, apercebemo-nos da tremenda dificuldade que foi escolher os trinta filmes mais aguardados do ano, e ainda partir para uma ordenação que tem por base a gradação de ansiedade. Fosse isto um processo aleatório, e talvez se poupasse um cabelo branco ou outro. Mas, não. Assim tem mais piada. Até porque o exteriorizar estas expectativas acaba por ter um efeito terapêutico. Guardar toda esta ânsia não deve fazer bem à saúde.

Posto isto, na terceira posição, encontramos um título como nenhum outro. Até agora, todas as expectativas em torno das obras tinham um cariz positivo. Nesta, não é bem assim. Para além de estarmos em pulgas para saber se o filme é realmente bom, existe também uma certa curiosidade em saber se isto não dará para o torto. Porque o Yin não existe sem o Yang, isto até poderá parecer conversa da treta. No entanto, indo directamente ao cerne da questão, algo nos diz que este poderá ser o grande flop na corrida aos galardões. Suposições que não passam de um tiro no escuro. Contudo, todos os anos têm o seu Dreamgirls. Este ano, porque Ron Howard está aos comandos de Frost/Nixon, apostamos neste projecto. Porém, se a História se repetir, como parece seu apanágio, Howard, como bom aluno, seguirá os cânones da Academia, e realizará um filme feito à medida da consagração no Kodak Theater. Baseado na peça sobre as entrevistas do jornalista britânico David Frost ao ex-presidente norte-americano Richard Nixon, Frost/Nixon aparenta ter todos os elementos necessários para um regresso em grande do cineasta. Peter Morgan (A Rainha), que também escreveu a peça, ficou encarregue da adaptação do argumento. Do elenco notável, fazem parte Kevin Bacon, Sam Rockwell, Rebecca Hall, Matthew Macfadyen, e Michael Sheen. Porém, será a interpretação de Frank Langella, vencedor do Tony Award de Melhor Actor de 2007, como Richard Nixon, aquela que mais impacto terá. Se pensarmos que Martin Scorsese, Mike Nichols, George Clooney, Sam Mendes e Bennett Miller estiveram, a determinada altura, interessados neste trabalho, é porque o ponto de partida já devia ter qualquer coisa de entusiasmante.

24 de junho de 2008

The Reader, as primeiras imagens.

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A fotografia é de Kate Winslet. A obra em questão, The Reader, o 12º na lista dos mais aguardados para este ano. No filme, Winslet será Anna Schmitz, uma guarda iletrada do campo de concentração de Auschwitz. Claramente, os primeiros passos para uma provável sexta nomeação. O Just Jared tem mais fotografias no set de rodagem.

O mundo subjectivo da tradução.

Por cá, o filme tem estreia marcada para 31 de Julho. Até lá, teremos tempo de sobra para antecipações e dissertações. Contar as participações de Anna Faris e John Krasinski, e ter passado com moderada distinção por Sundance, faz desta obra, uma das mais aguardadas da temporada. No entanto, por agora, fiquemos com a tradução do título, e reflictamos. Marijuana, Meu Amor. Isso mesmo. Para que não restem dúvidas, o original é Smiley Face. Em português, Marijuana, Meu Amor. Não fosse o levantar falsas suspeitas, e até seria capaz de apostar quem é que anda a fumar isto em demasia.

Interrogações.

Nunca fiz Bungee Jumping. Contudo, quando olho para determinados filmes, sinto que o frio na barriga deve ser parecido. Lá em cima, antes do salto, um misto de curiosidade e receio. A enorme vontade de pular para o vazio, aliada à incerteza da fiabilidade do elástico. Com algumas películas, antes da estreia, é mais ou menos isto que acontece. O enorme desejo de entrar na sala, misturado com as dúvidas relativamente às capacidades dos intervenientes. Se existe filme deste ano, pelo qual espero ansiosamente, mas que ao mesmo tempo, não sei bem se quero que chegue, é este.

É certo que os nomes de Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates e John Cleese, serenam as águas. Já os do realizador Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose), e do argumentista David Scarpa, nem tanto. Estamos a falar do remake de um clássico com todas as letras. Uma das mais belas páginas na História da sétima arte. Hoje, ao ver este poster, não pude deixar de sorrir. Para, logo de seguida questionar, E se…?

A Rádio e os Anos 50.

Tudo o que seja década de 40, mais a atirar para o final, e inicio dos fifties, tende a cair no goto de Alvy Singer. Salvo raras excepções, estamos a falar do mais puro período do pós-guerra. No entanto, mesmo que a obra verse sobre os dias que antecederam a II Guerra Mundial, normalmente, isso não constitui problema. O importante é que a aura da época esteja lá. Então, se a acção do filme se passar no apogeu dos anos 50, muito provavelmente não será preciso a narrativa se preocupar com lógicas, nem os actores em fazer um trabalho credível. Desde que o director artístico acerte o passo, o olhar embasbacado para os cenários encarregar-se-á de fazer esquecer um filme menos bom. No entanto, como cinéfilo constantemente em busca de certificação, é necessário deixar de lado estes caprichos, e procurar avaliar a obra no seu todo. Tarefa complicada, sempre que passa um Buick azul, sempre que alguém saca um pente do bolso da camisa, ou sempre que alguma mulher bonita com o cabelo mais longo é confundida com Rita Hayworth, por aí adiante.

Vários são os títulos deste tempo, ou que reportam ao mesmo, que compõem um dos grupos mais querido desta cinéfilia. Bem vistas as coisas, um filme contemporâneo que retrate a época é capaz de ser ainda mais atraente. Não só pela qualidade da imagem, mas também pela caricatura inerente. Algo que, na altura, não seria tanto assim. Era apenas o ver hábitos e costumes no grande ecrã.

Hoje, dois títulos são recordados com saudade. Estivesse algum deles nestas estantes atrás de mim, e esta noite era certo e sabido. A sorte destes safados é que ainda não lhes deitei a mão. Não há-de faltar muito. O primeiro, Esta Loira Mata-me (Jerry Rees, 1992), o filme que funcionou como Cupido de Kim Basinger e Alec Baldwin. O segundo, Os Dias da Rádio (Woody Allen, 1987), provavelmente aquele que mais merecerá estar ao lado de Annie Hall, Manhattan, e Ana e as Suas Irmãs. Duas películas que, tirando a tal etiqueta dos forties e fifties, pouco ou nada têm em comum. No entanto, o estilo, esse, faz toda a diferença. Assim como as músicas de Glenn Miller, Cole Porter e Billie Holiday. As mesmas histórias, com os mesmos contornos, situadas em 1979, não teriam metade da piada. A par destes dois, estou agora a ver Os Condenados de Shawshank, L.A. Confidential, Regresso ao Futuro II, Boa Noite e Boa Sorte, Conta Comigo, e tantos, tantos outros. Agora, dissecando o inconsciente, e procurando escrutinar as razões por detrás destas saudades, creio que isto será culpa de Steven Spielberg. Muita gente se perguntou sobre o interesse daquela primeira cena, em que um grupo de jovens decide espicaçar a coluna de camiões. Mas, será que alguém olhou para os penteados e vestuário dos irresponsáveis? Já para não falar da relíquia que era aquele carro. O objectivo era apenas o de contextualizar. E, logo aí, fiquei agarrado. No entanto, já agora, aqui fica uma memorável cena de Os Dias da Rádio.

4 - The Curious Case of Benjamin Button.

Por esta altura do campeonato, já quase tudo o que havia a dizer sobre The Curious Case of Benjamin Button, foi dito. Inclusive sobre o trailer (agora disponível também no site da Apple), que já está cá fora. Assim, quando Junho ainda nem sequer disser adeus, só nos resta esperar por Dezembro, altura em que o filme chega às salas norte-americanas, para ver a reacção. Se quisermos ser mesmo negativistas, e não importarmo-nos com opiniões de terceiros, então só nos resta fazer figas, e esperar que este não seja daqueles que vêm atrelados aos Oscares, lá para finais de Fevereiro.

Baseado na história de F. Scott Ftizgerald sobre um homem que nasce velho e, contrariamente à ordem natural das coisas, rejuvenesce à medida que o tempo passa, este é daqueles títulos com um rótulo Prioritário bem estampado na bobine. Realizado por David Fincher, um dos poucos que ainda pode orgulhar-se de todas as obras que assinou, este promete, para já, ser o mais surreal dos de 2008. Se a premissa já profetizava um trabalho invulgar, as primeiras imagens confirmam o conceito desafiador para os mais cépticos. Este parece ser daqueles que nos leva mesmo para um outro mundo. O argumentista Eric Roth (Forrest Gump, O Informador e Munique) é o homem indicado para este tipo de tarefas. Quanto ao naipe de actores, nada a dizer. Tilda Swinton, Cate Blanchett, Julia Ormond, Elias Koteas, e um Brad Pitt que ameaçou seriamente a Academia o ano passado, com o seu brilhante Jesse James. Se as expectativas se confirmarem, a nomeação será uma certeza, e o que vier por arrasto será bem-vindo.

A derradeira tentativa.

Ainda hoje, não consigo olhar para The New World (2006) com o mesmo brilho nos olhos que muito cinéfilo espalhado por esse mundo fora. Apesar de não ser um daqueles que divide radicalmente opiniões, com respostas diametralmente opostas, o último filme de Terrence Malick continua a ser apelidado de obra-prima e clássico instantâneo, por uns, e entretenimento satisfatório a roçar o bocejo, por outros tantos. Infelizmente, estou mais inclinado para este último grupo. Confesso, as expectativas para este filme, eram mais que muitas. Astronómicas é a palavra mais semelhante que me ocorre, contudo, mesmo assim, peca por defeito. Durante o visionamento, vários foram os momentos em que pensei sentir aquele formigueiro que nos visita sem qualquer notificação, quando estamos na presença de um filme que nos agita. Provavelmente, não passaria de uma comichão mal disfarçada. Ao mesmo tempo, durante o filme, por diversas vezes pretendi mergulhar no mesmo, e deixar-me levar por tudo aquilo que parecia mais apelativo. No entanto, a barreira entre o real e a ficção permaneceu sempre visível. Assim que o filme terminou, achei que, com o tempo, com o assentar das ideias, veria que tinha tido o privilégio de assistir a um título intemporal de Terrence Malick. Ainda hoje, é isso que desejo. Se houve filme do qual quis gostar, e muito, foi este. Aliás, este é um desejo que se mantém. Porque, no caso de Malick, não basta achar que o filme é bom. Se alguém diz que está ali uma obra-prima, e nós não vemos, sentimos que algo está errado connosco. Ou precisamos de óculos, ou estamos a passar ao lado de um acontecimento cinematográfico. Como a primeira hipótese já está preenchida, só resta a segunda. Continuando a resistir à ideia de que não gostei tanto quanto desejaria, do único filme de Terrence Malick que vi no grande ecrã, foi com um enorme sorriso que recebi esta boa nova. Quem sabe se um Extended Cut com mais 30 minutos não fará toda a diferença? A 14 de Outubro, teremos a resposta.

23 de junho de 2008

Eles têm razão. É fugir enquanto há tempo.

Já sabíamos que daqui, não havia de vir coisa boa. Os argumentistas e realizadores Jason Friedberg e Aaron Seltzer, a dupla por detrás de Date Movie (2006), Epic Movie (2007) e Uns Espartanos do Pior (2008), voltam à carga, desta feita com Disaster Movie. Como é habitual nestes casos, o material de propaganda excede em muito aquilo que posteriormente nos é oferecido na sala de cinema. Quem é que falou em juízos a priori? No caso de Disaster Movie, o nosso caro Knoxville já desmontou exemplarmente os três primeiros teaser posteres. E, podemos mesmo dizer que, ao terceiro poster promocional, a dupla descansou. Para não mais se encontrar, muito provavelmente. Se este quarto já nos deixa algo insatisfeitos, por não atingir os níveis de excelência dos seus predecessores, o que dizer do trailer? Quando um cartão-de-visita como este, com toda a importância que um trailer tem, começa com uma vaca a cair do céu, está tudo dito. Segundo a Lionsgate, este é o plot, ou o que de mais parecido há com ele, da obra: “The movie follows the comic misadventures of a group of ridiculously attractive twenty-somethings during one fateful night as they try to make their way to safety while every known natural disaster and catastrophic event - asteroids, twisters, earthquakes, the works – hits the city and their path as they try to solve a series of mysteries to end the rampant destruction”. Em relação a isto, nada temos a apontar. Excepto ali ao recurso do vocábulo comic para adjectivar as aventuras em questão. Ou muito me engano, ou ficaria ali bem melhor um sentimento oposto do espectro emocional.

George Carlin.

Amante devoto do neuroticismo de Woody Allen, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que entrasse por esta casa adentro. Admirador confesso das observações perspicazes de Jerry Seinfeld sobre o quotidiano, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que dissertasse, nesta casa, sobre tudo e mais alguma coisa. Entusiasta da gesticulação e palavreado arrojado de Richard Pryor, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que entrasse por esta casa adentro a ofender tudo aquilo que mexesse. Apaixonado pela irreverência e originalidade de Eddie Murphy, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que irrompesse por esta casa a falar de coisas sérias como se o mundo acabasse amanhã. Ao mesmo tempo, adepto da ordem e distinção de Chris Rock, foi com naturalidade que permiti a George Carlin que entrasse por esta casa como um qualquer tutor helénico. No fundo, tudo não passou de uma grande ironia. Quis o destino que descobrisse por último, aquele que, provavelmente, encerrava em si o talento dos maiores stand-up comedians de todos os tempos. Bill Hicks, Lenny Bruce, Bill Cosby, por aí fora. Uma coisa é certa, o mundo do stand-up comedy nunca mais foi o mesmo, desde que George Carlin por lá passou. Aliás, até certo ponto, quase que é legitimo perguntar se existia stand-up antes de Carlin. Nomeado para cinco Emmys, este é o homem que desafiou todas as barreiras, e que, em meados da década de 70, chegou a ir ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos defender o seu material. O direito à piada, por assim dizer. Seven Words, o centro da polémica, é o clip abaixo que ilustra este post. George Carlin é daqueles que pede poucas palavras na despedida. Aliás, a melhor maneira de dizer-lhe adeus, é a rir a bandeiras despregadas. Por isso, se me dão licença, vou ali rever umas quantas passagens de Jammin in New York City, e volto já.

Novos membros da AMPAS.

O Awards Daily dá a conhecer a lista completa dos novos membros da Academia de Hollywood. Provenientes das mais diversas áreas, 137 personalidades ligadas ao Cinema foram convidadas a integrar a prestigiada AMPAS, um grupo que, entre outras coisas, é responsável por decidir quem leva os Oscares para casa. Em relação aos eleitos deste ano, não podemos deixar de nos congratular com a inclusão de Josh Brolin, Allison Janney, Walter Salles, Dylan Tychenor, e Judd Apatow. No entanto, também não podemos deixar de sentir um forte ímpeto de dar uma valente lambada a quem decide estas coisas, quando vemos que, só agora, entrou gente como Michael Haneke, Ruby Dee, Michael Giacchino e Jean-Claude Carrierè. Para não ir mais longe, como é que é possível que Jean-Claude Carrierè tenha sido convidado no mesmo ano de Sacha Baron Cohen? Não é assim tão difícil nivelar o fio-de-prumo.

Existencialismo.

Com estreia marcada só lá para meados de 2010, muita água está ainda por passar debaixo da ponte, antes da chegada de The Smurfs, esse marco, criado pelo belga Peyo, para toda uma geração encantada com uns bonecos azuis, na maioria das vezes com um chapéu branco enfiado até às orelhas. A tanto tempo da estreia do filme realizado por Colin Brady (Everyone’s Hero), pouco ou nada há a dizer sobre o mesmo. Por enquanto, nem sequer os nomes de John Lithgow e Julia Sweeney estão confirmados. Quanto à animação, sabe-se, para já, que será 3D. No entanto, dois aspectos há a destacar esta semana sobre o projecto. A saber, o primeiro, o tratamento que a obra recebeu na passada quarta-feira no Colbert Report. O segundo, o animado fórum do IMDB, onde uma dúvida pertinente assalta grande parte dos visitantes: Como se reproduzem os Smurfs? Algumas teorias parecem ter vindo a ganhar fiéis seguidores. Para quem já viu o filme, parece que Donnie Darko tem a chave do enigma. Outras duas boas soluções são a Lua Azul e o inevitável smexo.

Mudam-se os tempos...

Aquela velha máxima de Nós só damos ao público aquilo que este pretende, parece não fazer tanto sentido nos dias que correm. Porque, das duas, uma. Ou o público mudou radicalmente de gostos, ou o pessoal responsável pelas dobragens não deixa mesmo escapar uma, criando um cenário tal que, nos dias de hoje, um filme com o rótulo Disney não consegue escapar a uma versão dobrada. É certo e sabido que As Crónicas de Nárnia de C. S. Lewis são uma das sagas de maior sucesso da literatura infanto-juvenil. Contudo, sê-lo-á assim tanto, ao ponto de justificar uma dobragem nas nossas salas? Que a versão dobrada permite o visionamento da pequenada que ainda não consegue acompanhar as legendas, e que os estúdios podem assim cortar uma fatia maior do bolo, já sabemos. No entanto, não será segredo para ninguém que isto também diminuirá o número de salas com a versão original, mais interessante para todo e qualquer cinéfilo com mais de nove anos. Se quisermos ir mais longe, quem sabe se isto não se traduzirá também num facilitismo pouco ou nada pedagógico para a criançada, a quem um bom par de legendas para exercitar a leitura não fazia mal nenhum? Depois, passado uns anos, vêm dizer que os exames de Quimica e Matemática são demasiado fáceis. Pudera, com benesses destas, desde tenra idade, a Português.

5 - Doubt.

A relação de John Patrick Shanley com o Cinema tem sido mais proveitosa no capítulo da escrita. Entre outros, Shanley foi o escrivão do maravilhoso argumento de O Feitiço da Lua (1987), bem como do agradável Estamos Vivos (1993). Como realizador, no seu currículo, conta apenas com Joe Contra o Vulcão (1990), obra que que também escreveu e que marcou o inicio da parelha Tom Hanks/Meg Ryan. Agora, em 2008, John Patrick Shanley pode vir a conhecer a luz dos mais poderosos holofotes de Hollywood. Com quatro Tony Awards, incluindo Melhor Peça, Melhor Encenador e Melhor Actriz, Doubt será adaptada ao grande ecrã pela mão do mesmo homem que escreveu a peça e a levou aos palcos da Broadway: John Patrick Shanley. O filme relata os acontecimentos vividos num Liceu Católico do Bronx, quando a Irmã Aloysius (Meryl Streep) acusa um padre popular (Philip Seymour Hoffman) de pedofilia. No meio destas incriminações, uma jovem freira cresce desesperada. Um drama que se espera intenso, e com interpretações sólidas, como a Academia tanto gosta.

Para além das expectativas resultantes da obra que serve de base a este filme, o elenco também ajuda à festa. Meryl Streep, que poderá muito bem depositar aqui fortes esperanças em mais uma nomeação, Philip Seymour Hoffman, que joga outra forte cartada depois de Synecdoque, New York, Amy Adams, em busca do reconhecimento definitivo, e Viola Lewis, que poderá ser a surpresa do ano (ela que também aparecerá em Nights in Rodanthe), contribuem e muito para a curiosidade em torno desta obra. Assim como o director de fotografia, nada mais, nada menos do que Roger Deakins, esse colosso responsável pela belíssima imagem de O Assassinato de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, nomeado para sete Oscares, e que nunca ganhou. Até o produtor, Scott Rudin, provoca alvoroço, ou não estivesse ele por detrás de obras como The Truman Show (1998), As Horas (2002), Diário de Um Escândalo (2006), e Este País Não É Para Velhos (2007). Sim, este era aquele homem ao lado dos Coen. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 10 de Outubro.

A Descoberta do Dia.

Duck Amuck (Chuck Jones, 1953). Apesar de não ter tido direito a Oscar, este será um dos melhores trabalhos, senão o melhor, da dupla Chuck Jones/Michael Maltese. O final, esse, desarma qualquer um.

22 de junho de 2008

Erros em duplicado.

Qual masmorra que a todos alicia, mas onde ninguém quer ir parar, os erros, vulgo goofs, constituem aquele assunto que todos receamos. Porque nunca sabemos o dia de amanhã, e a possibilidade de virmos a ser cineastas de renome é bem real, mais vale não cuspir para o ar. Aliás, em abono da verdade, deverei dizer que não sou um entusiasta deste tenebroso território. No entanto, há quem faça disto um desporto, levando-o mesmo muito a peito. Em alguns filmes, o erro posto a nu é tão minúsculo, que somos obrigados a concluir que isto é pessoal que vai de bata e microscópio para a sala de cinema. Isto é malta à cata do erro. Certamente que o nível de atenção de cada espectador é diferente, contudo, alguns preciosismos só devem ser descobertos após uma boa dúzia de visionamentos. O pior de tudo é quando aquilo que podia ser um simples apontamento transforma-se na ridicularização de um filme. Agora, estes famosos goofs, sobrevalorizados na maioria das vezes, quando vistos com alguma moderação, podem de facto levar-nos a algumas gargalhadas. É o que acontece neste caso.

Antes de mais, convém dizer que este é um dos meus de eleição. Beleza Americana (Sam Mendes, 1999), é daqueles em que o título está mesmo a dizer. Beleza e Americana. Um dos melhores argumentos de sempre, uma exímia realização, e um elenco de primeiríssima água. O resto é História, e para muitos um caso gritante de sorte de principiante para Mendes. Seja como for, este é um filme igual a tantos outros. Com erros e tudo. E, o que faz deste erro – no qual nunca tinha reparado até ter visto este vídeo no Youtube – tão especial, é o facto de ocorrer por mais de uma vez e deliberadamente. Isto é, a falha acontece repetidamente entre planos, e tem origem na colocação ou remoção, depende do ponto de vista, de objectos. Já basta aquilo que foge ao controlo da equipa de rodagem. Agora, provocar o erro, e insistir no mesmo, isso é traz piada à coisa. Vejamos, então, os quatro momentos.

Chris Cooper e Allison Janney, com objectos em cima da televisão.

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Chris Cooper e Allison Janney, sem objectos em cima da televisão.

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Chris Cooper, Allison Janney e Wes Bentley, com objectos em cima da televisão.

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Chris Cooper, Allison Janney e Wes Bentley, sem objectos em cima da televisão.

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No rasto de LaPaglia.

Muitos são aqueles que hoje imediatamente reconhecem Anthony LaPaglia como o agente do FBI de Sem Rasto, Jack Malone. Contrariamente à grande maioria das séries de sucesso, esta é uma daquelas que tem vindo a conquistar o seu espaço. Sem grandes euforias e recebida com pouco alarido, Sem Rasto tem ganho fiéis seguidores a cada temporada. E, merecidamente, diga-se. A próxima, a sétima, já começou inclusive a ser filmada. Ao fim de muitos anos, numa carreira pautada por demasiados altos e baixos, LaPaglia lá chegou a um palco à medida do seu talento. No entanto, aqueles que recordam os primeiros passos de LaPaglia, talvez concordarão se dissermos que este não era, à partida, o mais provável dos destinos. Ainda hoje, quando penso neste actor, aquilo que recordo mais facilmente é Betsy’s Wedding (1990), esse pequeno tesouro orquestrado por Alan Alda.

Alda, um dos nomes maiores da representação, lembrou-se um dia de pegar no casamento da sua filha, e escrever o argumento de um belíssimo filme que o próprio realizaria. A obra, rocambolesca como tudo, relata-nos as peripécias por detrás de um matrimónio entre dois jovens provenientes de famílias algo diferentes, sobretudo em questões monetárias. De um lado, a neurótica família de Betsy Hooper (Molly Ringwald). Do outro, a pacata e abastada família de Jake Lovell (Dylan Walsh). No centro da trama está Eddie Hooper (Alan Alda) demasiado preocupado, obcecado mesmo, em fazer boa figura. A vontade de arranjar dinheiro para a cerimónia é tanta, que Eddie não tem qualquer problema em recorrer a quem viola a lei com a mesma facilidade com que muda de roupa interior. E, se Joe Pesci costuma tratar esse tipo de papéis por tu, foi um jovem de seu nome Anthony LaPaglia que mais deu nas vistas, com a chegada deste filme. Este é daqueles títulos que a História do Cinema se encarregou de guardar numa estante demasiado alta e poeirenta. Este é daqueles em que temos de ir buscar uma cadeira, arranjar um lenço para colocar à volta do nariz, e andar para ali a remexer até o encontrar. O mesmo é dizer, descobri-lo nas lojas não é tarefa fácil. Ainda assim, vale a pena. Assim como vale a pena procurar o Samuel L. Jackson taxista, perdido lá para o meio do filme. Se este post tem algum propósito, é o de levar o bom fã de LaPaglia que pouco conhece sobre as suas origens, até este filme. Hoje, LaPaglia será quase o mais fofo dos agentes do FBI que o pequeno ecrã já nos deu. Sereno, eficaz e humanitário, o Jack Malone de Sem Rasto é o polícia de sucesso que todos gostaríamos de ser, mas com menos barriga. No entanto, back in the day, LaPaglia era um tipo esguio, que até vestia bem um fato de treino à mafioso. No caso de Betsy’s Wedding, até como mau da fita o homem mostra ter bom coração. É difícil não gostar deste actor. Que a série se mantenha por muitos e longos anos e que, depois dela, o sucesso prossiga.