18 de agosto de 2008

Os Filmes dos Jogos.

A febre dos Jogos Olímpicos passa por estes lados. Até 24 de Agosto, a primeira coisa a fazer de manhã, seja qual for o dia da semana, é correr para a televisão e ver, durante uns breves minutos, o quer que seja. Está a dar em directo? Melhor ainda. Este fim-de-semana, por exemplo, salvo raras excepções, foi inteiramente passado no sofá. Michael Phelps e companhia serviram apenas para solidificar a intenção de marcar presença nos próximos de Londres. Saltos para a água, Natação, Ginástica, Tiro a 10 metros, Tiro a 25 metros, Halterofilismo, Badmington, o que for. Até o Hipismo tem o condão de agarrar. A cerimónia de abertura, dirigida por Zhang Yimou, foi uma entrada com o pé direito. Portentosa, abismal, colossal. Hoje, pegando no tema olímpico, até poderíamos partir para uma dissecação da carreira do cineasta chinês, e falar de filmes como Herói (2002) e Adeus Minha Concubina (1994). No entanto, a abordagem do Yada aos Jogos, tardia diga-se, será outra. Durante esta última semana, traremos aqui alguns dos mais emblemáticos títulos relacionados com as olimpíadas. Após uma primeira pesquisa na diagonal, parece que não há assim tantos quanto isso. Ainda assim, suficientes para fazermos um apanhado jeitoso. A começar pelo chefe de fila, Momentos de Glória.

Realizado por Hugh Hudson em 1981, este foi o filme que catapultou o nome de Vangelis e celebrizou o correr à beira-mar. Vencedor de quatro Oscares, incluindo Melhor Filme, o título de Hudson tornou-se num marco das obras desportivas, afirmando-se como dos mais completos testemunhos sobre a procura de glória e superação pessoal. No centro da história estão o britânico Harold Abrahams (Ben Cross), um sprinter judeu, e Eric Liddell (Ian Charleston), o seu rival conterrâneo e cristão. Após a estreia, alguma criticas quanto ao rigor do biopic surgiram. Alguns elementos foram introduzidos, sobretudo para enfatizar a tensão vivida durante as olimpíadas de Paris. No entanto, naquilo que compõe o arco narrativo, o argumento de Collin Welland não engana o espectador. Sam Mussabini (Ian Holm), foi mesmo o treinador árabe-italiano que revolucionou o espírito e mente de Abrahams e Liddell. Para ambos, o treino até podia ser semelhante. No entanto, as motivações não podiam ser mais díspares. Enquanto Abrahams corre pelo medo de perder, Liddell só quer retribuir a Deus os dotes físicos que lhe proporcionou. Numa altura em que não haviam patrocinadores pressionantes nem contratos milionários, o culto do atlético encontrava outros alimentos. Olhar para este filme filosoficamente tem os seus perigos, e pode desviar-nos do seu real intento. Não recomendável. Vê-lo em tempo de Jogos, isso sim, ajuda. Porque este é daqueles que não tem grandes entrelinhas. É sobre homens a correr na praia, sacrifícios, realização, e triunfo.

1 comentário:

Luís disse...

Mas diga-se, um injusto vencedor do Oscar, uma vez que Reds e Raiders of the Lost Ark, são infinitamente superiores a este simpatico filme